Notas iniciais
Se estiver ruim, me avise. Se estiver bom, também avise. jfkaçsldk

Tinha acabado de chegar à conclusão de que não tinha sorte alguma no amor. Henrique acabou de terminar comigo. Não sei exatamente do porque, ele não fez questão de dizer e nem eu de perguntar. Não sentia nada por ele, por isso o término não teve impacto algum em mim. Cedo ou tarde, se ele não terminasse, eu ia. Eu até era apaixonada por ele no começo, afinal, quando o conhece, o vê como o sonho de toda mulher. Mas ele não era mais o meu homem dos sonhos. Não o amava mais, mas também não comecei a amar ninguém.

Sou daquelas que já teve vários namorados. Mas não sou daquelas que vai para cama com um homem diferente toda noite. Eu procuro relacionamentos sérios, mas nunca dá certo, como se já pode adivinhar. Sempre estou com um namorado novo, jurando que ele é o cara certo, mas nunca é.

Alguns familiares meus não compreendem do porque eu não ter um relacionamento duradouro, como todo resto da família. Sou única que não tem um relacionamento duradouro. Imagina o orgulho que eu sou da família, né?

E para piorar a situação, em uma noite no qual eu havia ficado extremamente bêbada, eu acabei ficando com uma mulher, Ana, a amiga de uma de minhas melhores amigas. Normal, sempre que fico bêbada, acabo nos braços daquela mulher. Deve ser meu lado gay reprimido que aparece porque ela me dá bola quando eu estou bêbada. Eu sempre só fico nos amassos com ela, e naquele dia fora do clube, eu a beijei me despedindo antes de entrar no táxi. E foi o bastante para um dos vizinhos de uma parente minha ver e contar para ela. E foi aí que a notícia espalhou-se pela família toda. Até para uma tia minha que mora na Itália, que me mandou uma mensagem pelo Facebook me repreendendo pelo ato. Admito que achei engraçado, pois nem eu mesma lembrava de ter feito isso – com o tempo, as memórias daquela noite foram aparecendo -. Eles não eram religiosos, mas mesmo assim, não achavam algo natural uma mulher beijar outra. E foi aí que boa parte da família não me aceitou e eu mal os vejo agora. Já meus pais não ligaram, pois foi apenas uns beijos e depois disso eu só tive namorados.

Falando em namorados, estava arrumando as coisas de Henrique que estavam em meu apartamento. A escova de dente dele, as toalhas, as mudas de roupa... Tinha até as comidas que ele só compra para ele no armário da cozinha — não era porque ele era egoísta, é porque eu não gostava. Resumindo, Henrique praticamente morava aqui. Logo terminei de arrumar as coisas dele e fui ao apartamento dele. E entreguei para o porteiro, que não fez questão de perguntar para quem era, pois já sabia. Saí de lá como se tivesse me livrado de um peso.

Meu telefone começa a tocar no bolso de minha calça e o atendo sem ao menos ver quem era.

– Alô? – Iniciei a chamada, andando pela calçada.

– Oi, Lú. – Respondeu uma voz conhecida. Fiquei alguns instantes tentando lembrar quem era. Era Sofía, a amiga de Ana e uma de minhas melhores amigas – Léo acabou de me convidar para uma festa hoje, quer ir? – Perguntou.

– Não estou afim não, Sofi. – Respondi preguiçosa.

– É por causa do término com o Henrique? – Sofía perguntou estranhando.

– Claro que não, eu nem gosto mais dele. Eu só estou com sono. – Disse bocejando, finalmente chegando ao meu apartamento. O porteiro abriu a porta e eu o agradeci rapidamente.

– Ai, vai, por favor. Faz um tempão que você não vai a festas por causa do chato do Henrique.

– Está bem, eu vou. – Disse e ouvi um grito de animação no outro lado da linha. – E aí, você e o Léo, hein? – Perguntei maliciosa. Ela riu alto. Apertei o botão do elevador, que chegou rapidamente.

– Idiota, nós somos amigos desde pequenos. Nós todos somos amigos desde pequenos, eu, você, o Luís, o Mateus, o Léo e a Sabrina. Só amigos – Respondeu dando ênfase no “só”.

– Ok, então. – Ri – Falando neles, eles vão hoje? – Saí do elevador procurando a chave do meu apartamento em minha bolsa.

– Vão sim – Respondeu – Ah, irei levar a Ana.

– E eu com isso? – Indaguei abrindo a porta do apartamento.

– Ai, larga de ser fria. Ela é super afim de você, por que não dá uma chance para ela? Afinal, ela é legal.

– Você está falando isso só porque você é amiga dela. – Rimos juntas – Sei lá, ela é legal e eu sempre fico com ela nessas festas, mas eu não gosto dela tanto assim, sabe? Não para seguir um relacionamento com ela – Disse, me deitando no sofá.

– Sim, eu sei. Mas você vai à festa mesmo assim né?

– Vou sim. – Respondi nada animada.

– Está bem, tenho que ir. Até lá! – Sofía disse animada.

– Até – Respondi finalizando a chamada.


Estava na festa, sentada em um lugar mais tranquilo. Todo mundo tinha ido dançar, provavelmente já estavam bêbados. Ao contrário de mim, que estava bebendo apenas um copo de refrigerante. Minha vontade de estar naquela festa era zero, mas se eu não viesse, Sofía não ia largar do meu pé. Vi uma mulher com cabelos castanhos claros e olhos verdes andando em minha direção sorrindo. Ana.

– Ei – Sentou-se ao meu lado, no sofá de couro azul. Sua maquiagem realçava mais ainda seus olhos, admito que ela estava demasiadamente bonita.

– Oi, Ana – Sorri.

– Curtindo a festa? – Perguntou alto o suficiente para que eu ouvisse devido à alta música que tocava naquele clube.

– Você sabe que eu não gosto muito de festas – Respondi no mesmo volume.

– É, eu sei – Riu – Você realmente vai ficar aí bebendo refrigerante? – Ana indagou e eu assenti em resposta – Nada disso, você não vai. Bebe isso aqui – Entregou-me uma bebida qualquer, no qual eu não me dei o esforço de ver qual era, apenas bebi. E logo após mais uma, e mais uma, e mais uma... Até que eu me vi em um beijo profundíssimo com Ana. Ela era linda, tinha um corpão e era super gentil. E mesmo que eu me sinta honrada sobre alguém como ela sentir algo a mais por mim, mas eu não conseguia responder esse sentimento da mesma forma, eu me sentia super atraída por ela, mas nunca iria passar disso.

Quando me faltou ar, parei o beijo e me afastei um pouco dela. Percebi que estava no colo dela. Tinha que parar por aí, é chato, mas acho que isso é o certo, em minha opinião. Disse que tinha que ir embora e me despedi com um rápido beijo nos lábios dela.


Acordei com uma terrível dor de cabeça, mas era só isso. Levantei preguiçosamente da cama e fui tomar um demorado banho. Logo que saí já vestida, ouvi alguém bater a porta. Rumei até a porta e abri. Surpreendi-me ao ver uma linda mulher em minha frente. Ela era loira e tinha os mais lindos olhos verdes. Os olhos de Ana não chegavam nem perto desses, admito. Era um rosto desconhecido para mim, nunca a vi, e me questionei do porque ela estar em minha porta.

– Bom dia, desculpe-me o incômodo, mas tinham deixado essas cartas na minha caixinha por engano – Disse entregando quatro envelopes de cores diferentes para mim. Ela olhava para mim, eu estava paralisada. Os olhos dela me hipnotizam.

– Oh, sim. Obrigada. – Disse timidamente, assim que saí do transe, pegando as cartas – Não se preocupe, você não foi um incômodo – Falei impulsivamente. Ela sorriu em resposta. Uau! A cada minuto ela ficava mais perfeita.

E a cada minuto eu ficava mais gay.

Ugh.

– Bom, é isso, tenho um bom dia – Ela disse se virando. E se eu não a visse mais aqui no prédio? Eu nunca senti essa necessidade de ver uma pessoa novamente, estranho.

– Ei, você quer tomar um café comigo? – Perguntei impulsivamente de novo, ela parou de andar, virou-se para mim e parecia não gostar muito da proposta.

Droga.

Notas finais
Tá, eu sei que está muuuiiitooooo ruim, quer dizer, eu não sei, eu não revisei. Mas vamos fingir que está bom. Comentem, ninguém nunca lê minhas histórias, e quando leem e comentam, me faz muito feliz, vocês não têm ideia. ((((: