Se Algo Acontecer Comigo
3 Tobirama
Tobirama, eu não sei bem como começar isto. Escrevi para o meu irmão tão bem, e até mesmo para o seu, acredita? Mas, quando cheguei aqui, precisei parar por algumas horas. É difícil para mim; me abrir para você sempre foi complicado, e acho que é o mesmo do seu lado, não é? Tudo bem. Apesar de nunca termos conversado tanto sobre nós, eu podia sentir, e espero que você também. Porém, ainda assim, quero passar um pouco dos meus sentimentos através de palavras, pois quando estiver lendo isto, não poderá mais adivinhar minhas intenções com meus gestos.
Há tempos não conversamos, e isso me perturba. Quando decidimos focar em nossas obrigações, achei que me sentiria mais leve com o tempo, mas isso não aconteceu. Todos os dias, a saudade que sinto de você cresce um pouco mais. Nós éramos amigos, e estupidamente esperançosos, como os nossos irmãos. Eu sinto falta daquela época, apesar de tentar não me arrepender de tê-la deixado para trás. Aquela inocência poderia ter acabado conosco muito mais cedo do que o previsto, certo? Foi por isso que tomamos a nossa decisão, e eu ainda a respeito. Mas, é difícil estar tão longe agora.
Eu me sinto como um covarde, escrevendo os meus sentimentos, no lugar de procurá-lo, para conversarmos pessoalmente pela última vez, mas não consigo voltar atrás nisso. Não acho que conseguiria te encarar agora, porque não quero criar esperanças de que o que sinto no momento é uma sensação passageira, pois sei que não é.
Estou escrevendo isto, porque sinto que não terei a oportunidade de falar quando nos vermos pela última vez, e eu só quero que saiba que, mesmo depois de tudo, de manter os mesmos pensamentos, nunca o esqueci, sequer por um segundo. Você é o meu inimigo, Tobirama, meu rival; é o que todos veem, mas, em meu peito, é completamente o contrário. Disso, você já sabia, não?
Todas as brigas que tivemos, os momentos em que precisamos virar as costas um para o outro... eu sei que disse que estes eram quem nos definiam, que nos impediam de seguir como queríamos, mas, agora sinto como se tivesse sido apenas palavras de um covarde, que temia substituir a raiva pelo amor.
Dois homens, inimigos de guerra, filhos dos que destruíram as famílias um do outro; nós tínhamos tudo para nos odiar, mas eu nunca consegui, não de verdade. Cada vez que nossas espadas se cruzaram, foi como um terrível pesadelo para mim, porque tudo o que realmente queria, era tê-lo em meus braços. Mas, a realidade não funciona assim, certo? Mesmo assim, eu te amei, ainda amo, e sinto que continuará deste modo, mesmo após a minha morte.
Eu te devo desculpas, pelas coisas que disse quando nos separamos. Nada do que eu disse era verdade; eu só queria que você tivesse vontade de se afastar de mim, e consegui. Eu não te odeio; te amo. Você não é nada como o seu pai; não há ninguém como você. Eu confio em você, mesmo sendo um Senju, e me irritando como ninguém consegue. Eu te admiro e respeito.
Eu me arrependo por não ter passado mais tempo ao seu lado, por ter brigado tanto para que se voltasse contra o seu próprio irmão. Me envergonho, porque só agora penso em como teria sido terrível, se tivesse sugerido o mesmo sobre Madara.
Algumas lembranças me deixam nervoso comigo mesmo, mas, há muitas delas que guardo com carinho. Como quando nos conhecemos, se lembra? Você parecia tão estúpido enquanto tentava manter a pose forte, mesmo estando prestes a desmaiar. Ficou nervoso comigo, porque ri quando seus pés vacilaram, mas me deixou cuidar do seu ferimento, enquanto eu nem ao menos sabia o motivo de estar ajudando-o.
Também houve aquela vez, quando o meu irmão estava me procurando, e só queríamos algum tempo juntos. Você me puxou para dentro de uma caverna, e encaramos um urso enorme. Eu pensei que meu coração fosse explodir pelo susto, mas ele ficou desta forma apenas mais tarde, após você espantar o urso e me acolher em seus braços. Eu pude sentir o seu coração naquele momento, e estava tão acelerado quanto o meu; foi naquele instante que a ideia de amizade proibida foi pelos ares, e se mostrou muito mais do que pensávamos que era.
Eu nunca vou esquecer daquela tarde, e de todas as outras que vieram depois. Eu as mantenho protegidas em minha mente e coração, e não sei por que, mas queria que soubesse disso. Parece bobo, mas significa tudo para mim, que saiba dessas coisas, mesmo não mudando nada para nós dois.
Se lembra quando conversamos como tudo terminaria? Eu ainda não sei como foi, porém, você deve saber. Mas eu posso imaginar. Provavelmente foi em uma luta entre nós dois, não é? Eu consigo ver muito bem, porque não há outra pessoa que eu aceite perder. Você pode rir agora, tudo bem, porque sabe que essa última parte é mentira. Não há como aceitar, mas ao menos posso ter certeza de que perdi para alguém a altura.
Se foi desta forma, eu peço para que não se culpe. Foi para isso que nascemos. Não havia outro jeito, mesmo conosco teimando que estávamos neste mundo para outra coisa, para estamos juntos.
Manter os pés na realidade sempre fora a minha máscara, quando amar você era a minha verdadeira face; este é um segredo que peço que guarde consigo, até nos encontrarmos novamente, em outras vidas ou vagando pelo mundo dos mortos. Eu vou sentir a sua falta, mas espero que esse momento demore a chegar. Quero que viva uma longa vida, Tobirama, enquanto o esperarei, coberto pelas lembranças de seus beijos e carícias, desejando que o dia do nosso reencontro seja quando pudermos andar lado a lado, sem máscaras, pela realidade ter se tornado o que guardamos em nossos corações.
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