Scritto Nelle Stelle
17 Trovão
Notas iniciais
Uma Semana Depois
Dan Evans POV
Um trovão ribombou no céu, um relâmpago brilhou no céu, e a chuva caía intensa e forte. Mahara diria que Zeus estava puto com alguma coisa. Mahara... A essa altura, ela deve estar pronta, esperando o tal do Frank buscá-la, ou já estaria junto dele. Será que eles estão se divertindo? Ou será que a chuva impediu os dois de saírem? Ou será que em vez de sair, eles estão no apartamento dela ou na casa dele? Será que...
Droga, Dan! Viu o que você fez? Melhor dizendo, o que você deixou de fazer? Demorou a perceber que está loucamente apaixonado pela Mahara e agora ela está com outro. Tudo bem que este é apenas o primeiro encontro, mas o coração dela poderia ser dele já fazia tempo.
Eu preciso parar de me auto criticar e pensar no que eu devo fazer agora. Continuar sustentando meu disfarce? Não é viável. Não há mais disfarce, quando o mundo já percebeu que eu a amo. Esquecê-la? Igualmente inviável. Eu não quero esquecê-la, como sei que não posso o fazer. Contar para ela? Talvez. Eu perderia sua amizade, ficaria três mil vezes pior do que eu já estou, mas teria desabafado.
Ou teria sido correspondido.
Quer saber? Vou atrás dela. Se ela não estiver em casa, espero na porta de seu apartamento até retornar. Direi a ela tudo o que eu tenho a dizer, sabendo que estarei colocando tudo a perder.
Levantei de supetão do sofá, peguei um casaco, minha carteira e saí, trancando a casa. Como meu carro estava na revisão, chamei um táxi – mas os dois minutos que levei para fazê-lo e entrar no táxi fizeram com que eu ficasse todo e completamente encharcado. Dei o endereço de Mahara e o táxi começou a andar, mas por pouco tempo; um grande congestionamento se formou.
– Será que vai demorar? – Perguntei ao motorista. Olhei pelo retrovisor ele franzir a testa.
– Está parecendo acidente, e parece que vai demorar.
Respirei fundo, tirei trinta libras do bolso e entreguei a ele, abrindo a porta e saindo do carro, começando a correr por entre eles até chegar na calçada, correndo por entre as pessoas que desviavam de mim. Eu não estava me importando com o frio e com a chuva; o que eu me importava no momento era chegar até ela, dizer tudo o que guardo aqui dentro para ela.
Cheguei ao prédio de Mahara e passei correndo pela portaria e pelo saguão de entrada, entrando no elevador e apertando o botão equivalente ao andar dela. Esperei, e comecei a ficar nervoso. O que eu diria, realmente? Como eu diria? Como ela reagiria? E será que ela estava em casa, pelo menos?
As portas se abriram e me vi diante da porta dela. Toquei a campainha, tremendo – e sabia que era mais de nervosismo do que de frio. O sonoro e melodioso “já estou indo!” dela fez meu coração acelerar mais do que já estava, e eu ficar duas vezes mais nervoso do que eu já estava. A porta se abriu.
– Dan! Entra! – Exclamou ela sorrindo surpresa. – Você está todo encharcado!
– Você está sozinha?
– Sim. Por quê?
– Preciso falar com você, e agora. – Eu disse, e seu sorriso se desmanchou. Só então notei o que ela vestia: uma blusa de pijama de mangas compridas com várias carinhas do Mickey estampada, e um shortinho também de pijama cor de rosa. Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo frouxo. Ela estava tão linda...
– Você não quer se secar primeiro? Eu...
– Não, isso não pode esperar. Eu tenho que falar agora, e, por favor, só me escuta. – Mahara assentiu timidamente, intrigada pelo meu comportamento. – Eu não consigo mais manter esse disfarce, eu não consigo mais esconder, eu amo você. Demorei muito tempo e agora pode ser tarde demais, mas eu ainda tinha que te dizer isso! Eu te amo como nunca amei ninguém, você me faz bem como nunca ninguém fez! Eu sei que isso é errado, eu sei que não podia, eu tampouco queria, mas não pude evitar! Eu me perdi nos teus olhos e me apaixonar foi inevitável! Eu posso estar perdendo a tua amizade, mas pelo menos estou sendo sincero, estou sendo verdadeiro! Eu amo você, Mahara!
Ousei olhar para ela – eu tinha olhado para todos os cantos, menos para o rosto dela enquanto falava. Mahara sorria. De repente, ela se jogou nos meus braços e me puxou para um beijo. Aquele seu gosto único de morango e mente retornou aos meus lábios assim que os dela tocaram os meus; logo pedi permissão para aprofundar o beijo e assim aconteceu. Apertei-a junto a mim, colando seu corpo no meu, acabando com qualquer possibilidade de distância entre nós dois.
Infelizmente, o ar se fez necessário. Minha testa estava junto da dela, nossos lábios quase unidos e as respirações ofegantes de encontro uma a outra.
– Sorte sua que eu também me apaixonei por você, Dan. – Disse ela, e meu coração pareceu dar um salto mortal e soltar foguetes fazendo alguma dancinha, de tão feliz que ele estava. – Mas me diga uma coisa... É só nos dias de tempestade que iremos ficar juntos?
Eu ri.
– Se depender de mim, não mais.
Ela riu.
– Ainda bem.
E me beijou novamente. Quando nos distanciamos, uma dúvida cruel se abateu sobre mim.
– E o Frank?
– Desmarcamos o encontro por causa da tempestade, e bem, agora não vai haver mais encontro. Ele supera. – Ela piscou. – Agora eu preciso arrumar uma roupa seca para você, antes que você inunde meu apartamento!
Fiquei carrancudo.
– Eu saio de casa, enfrento chuva, congestionamento, frio, chuva, para me declarar e é assim que eu sou tratado! – Reclamei, cruzando os braços, fingindo estar bravo.
– E os meus beijos não foram uma boa recepção, por acaso?
– Ah... É... Bem...
Ela riu, e me beijou levemente nos lábios.
– Sorte sua que tenho umas roupas masculinas por aqui.
– E posso saber como? – Perguntei enciumado.
– Já com ciúmes?! – Ela exclamou divertida. – São minhas. Eu gosto de roupas largas e confortáveis. Vem cá.
Fui atrás dela até seu quarto e ela tirou uma camisa vermelha, um moletom cinza e uma calça de moletom preta, que tinha o cordão bem puxado e amarrado, para ficar certo em sua cintura pequena. Fui até o banheiro e me troquei, constatando que aquelas roupas possuem o cheiro inigualável de Mahara. Fiquei cheirando aquele casaco até que acordei do devaneio, lembrando que a dona do perfume estava logo ali, esperando-me. Ao sair do banheiro, encontrei-a com outro short de pijama, um vermelho, e uma camisa de mangas compridas com o Garfield estampado. Aproximei-me, abraçando e beijando a ponta de seu nariz.
E de repente, a luz caiu.
Mahara Carter POV
Florence piou descontente com a escuridão. Mathai esbarrou em alguma coisa. Dan me abraçou.
– Preciso achar as velas. – Eu disse. – Você pode iluminar pra mim, com o teu celular? O meu não sei onde está.
– Claro. – Ele respondeu, ligando o celular e iluminando o caminho. Fomos até a cozinha e encontrei as velas em uma gaveta, acendendo várias e colocando em pequenos pratinhos, entregando dois deles a Dan.
– Me ajuda a espalhar pela sala.
Espalhamos algumas velas na sala e deixamos duas acesas na cozinha. Peguei Mathai e deixei-a dentro de um cercado que eu havia feito para essas ocasiões onde eu não podia perdê-la de vista, e enfim de sentei no sofá. Dan sentou-se ao meu lado e me aninhei em seus braços.
– E agora? – Perguntei.
– O quê?
– E nós?
– Se você deixar, te chamarei de minha namorada. Eu posso? – Perguntou ele, me olhando sorrindo de canto. Acariciei sua face, também sorrindo.
– É óbvio que pode. – Eu disse, e ele me beijou. De repente, a voz de Frank me veio à cabeça: “Cuide para não se apegar a ele. No final, pode ser ruim para vocês dois”. Distanciamo-nos e eu acabei deixando transparecer minha tensão. – Dan... Eu tenho que te pedir uma coisa.
– O quê?
– Segredo. Os meninos podem saber que estamos juntos, mas apenas eles, e depois de fazê-los jurar não contar para ninguém.
– Por quê? – Perguntou confuso. Eu não podia dizer que era por causa do meu trabalho (o verdadeiro trabalho), sendo que por ele, eu não poderia me apaixonar por Dan. E eu só notei que estava apaixonada hoje mais cedo, quando começava a me arrumar para sair com Frank, e me lembrei de Dan chorando por Danielle – e aquilo me doeu muito. E então, eu percebi o que era, e finalmente admiti.
– Eu... Eu não gosto de fama, você sabe. Lembra que eu sempre preferi não sair nas fotos e evitar ser fotografada com vocês, né? Então... Era para evitar que as pessoas nos vissem juntos e pensassem que estávamos juntos, gerar boatos e muitas fãs suas me odiarem.
– Você sabe que uma hora isso irá aparecer, certo? – Perguntou ele, carinhoso, mas levemente chateado. Eu sabia que ele estava morrendo de vontade de contar para o mundo todo que estava comigo, mas também sabia que ele iria respeitar o meu pedido. Eu assenti levemente, e ele acariciou minha face. – Mas não se preocupe. Se é assim que você quer, assim vai ser, meu anjo. Vou fazer de tudo para que isso continue em segredo.
Dan sorriu, e o meu coração pareceu se acalmar. A luz que emanava das velas iluminava seu rosto de uma forma sensual, chegando a ser místico, e não pude deixar de sentir uma vontade incontrolável de beijá-lo. E foi o que eu fiz. Depois, como não havia previsão de que a luz voltaria logo, apagamos algumas das velas e levamos outras para o meu quarto, onde nos abrigamos em baixo de minhas cobertas, eu nos braços dele, e conversamos até adormecer.
Fale com o autor