Scritto Nelle Stelle
1 Prólogo
Notas iniciais
O som tranquilizante do piano chegava aos meus ouvidos e anestesiava-me. Guiada pelas emoções, traçava os contornos na tela que há pouco tempo atrás estava completamente branca, intocada. Agora apareciam os contornos de dois olhos castanhos que brilhavam alegres e brincalhões. Meus instintos guiavam-me em cada pincelada. Eram os olhos castanhos mais belos que eu já havia visto, mas que eu não sabia a quem pertenciam. Eles simplesmente resolviam aparecer em meus sonhos.
Meus pés balançavam ritmicamente juntamente com a melodia da música, um cover bonito apenas de piano e violoncelo de alguma música atual. Não sei quantas horas permaneci naquele pequeno cômodo claro e arejado, iluminado pela luz do sol e cheio de telas, tintas, jornais manchados com cores. A janela estava aberta e por ela entrava um vento fresco, que balançava levemente as cortinas brancas também manchadas de tinta com um fio cheio de pedras coloridas que assim que a luz do sol as tocava, elas brilhavam.
Finalizei a pintura com um último retoque de castanho. Afastei-me e olhei melhor minha obra. Estava perfeita. Sorri satisfeita e saí do cômodo, circulando pelo apartamento até chegar na sala de estar e abaixar o som do rádio que ainda tocava músicas de piano e violoncelo, na coletânea especial que eu mesma havia feito. Andando vagarosamente pela sala, estava Mathai, minha jabuti fêmea.
– Ei, garota. Está com fome? – Perguntei gentilmente, indo até a cozinha e pegando a ração especial de Mathai, e colocando no seu pote especial. Olhei para a imensa gaiola mais semelhante a um pequeno viveiro, que ocupava um bom espaço da minha sala de estar, e encontrei Florence, minha cacatua. – E você, Florence? Está com fome?
Florence piou em resposta. Sorrindo, coloquei comida em seu potinho e água no bebedouro. Caminhei até a cozinha novamente, servindo-me de um copo imenso de água, e depois retornando a sala. Desliguei o rádio e liguei a televisão no canal fechado. Passava um programa qualquer que parecia ser legal. Conferi o relógio e vi que ainda eram duas horas da tarde. As três, eu iria visitar Lily e os outros. Pelo menos era o que eu pretendia, até meu telefone tocar.
– Srta. Carter? – A voz disse imediatamente quando atendi. Reconheci sendo a Major Walker.
– Sim, Major Walker?
– Preciso que você venha até o escritório imediatamente. Temos um novo caso.
– Em dez minutos estou aí, Major.
– Não demore.
Major Walker desligou o telefone e eu suspirei. Minha folga acabava de ir por água abaixo. Troquei de roupa rapidamente, vestindo uma calça de alfaiataria escura, um escarpam preto e um camisete qualquer com as mangas enroladas até os cotovelos. Peguei minha bolsa de franjas e saí praticamente correndo de casa. Demorei uns dez minutos para chegar a sede, praticamente correndo pelo hall de entrada e entrando no elevador que começava a se fechar. Notei que estava dividindo o espaço com o agente Collins.
– Atrasada, Srta. Carter? – Perguntou ele, com um tom divertido ao ver-me esbaforida, prendendo os cabelos em um rabo de cavalo.
– Reunião de emergência. Meu dia de folga acaba de ir pelo ralo.
Ele riu.
– Major Walker tem suas razões. Chamou a mim também. – Ele me olhou de cima abaixo. – Ela não reclama dos seus cabelos ou dessa sua bolsa de franja?
– Dos cabelos, reclama de vez em quando. Da bolsa, não diretamente, mas já ouvi alguns resmungos sobre ela não combinar com a roupa social.
– Eu gosto do seu cabelo. É original. E originalidade não se vê muito por aqui na MI6.
Eu sorri, corando levemente.
– Obrigada.
Chegamos ao décimo andar, e me ajeitei para não parecer que estava desesperada para não me atrasar. Caminhamos até a sala de reuniões, e o agente Collins bateu duas vezes na porta antes de abri-la.
– Ah, agente Collins, Srta. Carter, ainda bem que vocês chegaram. – Disse Major Walker, uma loira alta dos olhos verdes, com pose de durona e olhos que brilhavam severidade e desafio. – Temos um grande problema em nossas mãos.
Fale com o autor