Scream! Welcome To The Game.
28 Epílogo.
Notas iniciais
Epílogo
No que diz respeito à comodidade, pode-se dizer que eu estou bem. Mas nada muito além disso: Alguém que aceitou o que veio. Meu nome é Nate River, mas geralmente eu apenas escuto meu nome completo seguido de uma rodada de sexo. Ao decorrer do dia sou Near. E para mim, isso é o suficiente, pois é a única coisa que me resta do que eu podia considerar normal. Isso e as minhas peças de jogos.
Posso dizer que perdi tudo, mesmo sabendo que meu tudo era raso se comparado a alguém com uma vida um pouco mais interessante. Durante as primeiras semanas aqui em Londres passava as noites em claro me perguntando o quanto minha vida seria diferente se aquele miserável tivesse encontrado a casa certa logo de primeira... Provavelmente um enorme buraco no espaço-tempo. Todo o caos seria diferente e poderia tanto não ter afetado a minha vida quanto ter afetado de uma maneira diferente. Durante quatorze malditas noites eu consegui elaborar vinte e sete possibilidades diferentes mudando míseros detalhes só naquela noite, e tenho certeza de que conseguiria elaborar mais se eu continuasse pensando. Mas eu tinha duas opções: Fantasiar e enlouquecer pensando em batidas de asas de borboletas ou organizar de fato tudo que aconteceu comigo em menos de um ano.
Meus pais se foram há tempos. Minha avó virou um amontoado de cinzas espalhadas pela costa que fedia a sal e peixe. Vi meu melhor amigo tendo seus miolos estourados. Eu senti dor. E todo o peso dela. E ao mesmo tempo não senti nada. Oscilava entre o mundo nas costas e a angústia de carregar o nada dentro de mim.
Eu pedi a morte súbita enquanto a sentia aos poucos.
Mas ela não veio.
Estamos no começo do outono. Londres é chuvosa, mas não me importo com isso. Não preciso sair para ir à escola, afinal Ele fez questão de me deixar aprender em casa com um tutor particular. A vantagem é que posso avançar conteúdos no meu tempo, sem precisar seguir cronogramas de aulas ou esperar outros alunos acompanharem as matérias. Por sorte o senhor Gavin tinha fluência em Japonês, pois apesar de eu não encontrar dificuldades no Inglês ainda não me sentia preparado para conversar como um nativo. Sei que já encerramos assuntos do ensino médio há um mês, então o Professor sempre traz novos desafios e teorias matemáticas para que possamos discutir. Quando isso começou, B se juntava a nós quando estava em casa. Me irritava profundamente no começo, mas fui tolerando a medida que via que falar sobre lógica com ele podia render uma conversa de quase quatro horas. Confesso que não sei de onde o senhor Gavin é e nem quanto recebe, mas ele acabou se tornando uma pessoa nova com quem posso interagir. Além disso, o senhor de quase sessenta anos parece não se importar com nenhuma peculiaridade vinda de Beyond, então de duas, uma: ou ele recebe muito bem ou também é envolvido com algum tipo de negócio vindo das empresas Cox Inc. O que eu sei sobre esse lugar era o que todos sabem ao jogar o nome no Google: Multinacional milionária com inúmeras filiais e diretrizes espalhadas pelo mundo. Pouco se constava sobre o definitivo dono, e tenho quase cem por cento de certeza de que Aoki tinha um império em suas mãos.
Beyond Birthday. Em seus olhos carmesins eu já vi mistério, loucura, morte e esperança... Seria um tolo mentiroso se falasse que sua beleza não me despertou interesse na primeira vez em que o vi. Ele era lindo. Como Lúcifer ao cair do paraíso após trair Deus, com toda sua glória transformada em fúria. Jamais imaginaria que tamanho mistério me concederia uma experiência no inferno. Às vezes ainda me pego tendo pesadelos. Vejo como espectador minhas unhas sendo arrancadas, mas não sinto dor. Apenas uma agonia profunda. Outros me levam de volta a Matt. Vejo a vida saindo rápido do seu olhar, como uma leve nuvem de fumaça sumindo no ar... Vejo seu sangue quase tocando meus pés... Nessas noites acordo assustado, transpirando mesmo com o frio. Beyond não acorda, apesar de dividirmos a mesma cama. Porém no dia seguinte ele sempre faz com que eu tenha intensos orgasmos, mas nunca fala ou demonstra nada.
Não. Eu não penso em fugir. Para ser sincero não sei se teria estrutura para começar do zero. Literalmente do zero. Eu só tenho Beyond Birthday. E o pior? Ele sabe disso. Sabe que me tem na mão, e parece não se importar nem um pouco por ser desse jeito baixo e sem amor.
Estava na sala terminando um exercício quando sinto suas mãos passearem por meus ombros e rodearem meu pescoço. Seu toque é inconfundível. As mãos geladas e levemente ásperas fazem com que minha circulação congele por alguns instantes.
— Matemática? – pergunta, sentando ao meu lado.
— Errou – disse fechando o caderno. Ele acariciava minha coxa coberta por uma calça de moletom – Era interpretação de um texto em Inglês.
Beyond inclinou-se para mais perto e subiu as caricias para minha virilha.
— Está se dando bem com o idioma? – dessa vez sussurrou perto do meu ouvido. Permaneci estático.
— Espero um dia atingir sua fluência, mas ainda não cheguei lá... – ao sentir a pressão em cima do meu membro, arfei. Seus movimentos eram sempre precisos e imprevisíveis.
— Vai levar mais tempo. Eu já morei aqui.
Talvez esse tenha sido o primeiro passo para saber mais sobre ele. E como quase todas as ações dele me pegam desprevenido, essa não foi diferente.
— Mesmo? Quando? Por que você se mudou?
Quis me dar um tapa de repreensão por parecer tão desesperado por informação. Não foi prudente, é claro. E isso quebrou todo o clima de início de uma conversa sobre passado. Beyond tinha esse terrível efeito sobre mim: ele me deixava nervoso. Isso tirava minha concentração. Eu me sentia burro e vulnerável. Sempre.
— Isso é história ‘pra outro dia – respondeu simples, depositando beijos e lambidas pelo meu pescoço – Seu cheiro me excita... Ter você aqui me deixa louco...
Eu ri baixo. Minha raiva sempre aumentava nessas situações. Talvez ele fizesse por ter percebido que me afetava. Eu ficava agressivo, e consequentemente me fazia querer foder. Beyond era um manipulador sujo.
— Você me tem, mas ao mesmo tempo eu nunca serei seu, Beyond Birthday. Se soubesse o ódio que sinto...
— Ah, mas eu sei... – ele sorriu. Sorriu de um jeito diabólico. Não era um sorriso presunçoso, mas sim de alguém que realmente sabe o que fala – Sinto seu ódio em cada unha cravada nas minhas costas enquanto eu fodo você. Sinto seu ódio cada vez que você explode em um orgasmo. Seu ódio emana dos seus olhos e gemidos... E isso só me excita cada vez mais.
Minha espinha gelava todas as vezes que ele dizia de um jeito tão sombrio as coisas que passavam pela minha cabeça. Era surreal a maneira como ele me lia.
Manipulador sujo.
Psicopata doente.
Beyond era um demônio. O demônio que estava preso junto a mim até o fim.
— Vem comigo, Nate River. Eu quero brincar.
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Eu, Bayond Birthday, superei L. E quando eu queimar sentirei essa satisfação na mesma intensidade da dor da minha carne se desgrudando dos meus ossos.
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Eu gostaria de explicar um pouco sobre esse final. Tentei escrever de um jeito que não pareça que transformei tudo em um romance ridículo. Minha intenção nunca foi essa e espero ter conseguido deixar claro. Eu jamais poderia desconsiderar toda a tortura e abuso que se desenrolou nos capítulos anteriores, afinal ninguém se apaixonaria de uma hora para outra por alguém como esse Beyond Birthday. O Near ficou por comodidade. Ficou por traumas. Ficou por que não tem mais nada. E não por amor.
Não faz muito tempo que li um comentário sobre a personalidade do Nate na fanfic. Realmente por mais quieto e aparentemente frágil o Near é um personagem forte e inteligente. Aqui eu o transformei. Ele é uma pessoa cheia de traumas (e até mesmo um pouco pessimista). Foge (e muito) de como o personagem é de verdade.
Espero que eu não tenha decepcionado ninguém ♥
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