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14 Capítulo 13 - POV: Mail Jeevas. I.


Notas iniciais
Olá! Como vão? Final de semana bacana? Ah, vamos ao que interessa. u.u Capítulo narrado ruivo! Sempre imaginei o Matt uma pessoa extremamente sensitiva e é assim que ele será retratado, pelo menos nesse capítulo. ^^ Betagem feita pela Amane. Obrigada por me ajudar! Sério, espero poder retribuir esse imenso favor que você me faz. Espero que gostem! *--* Boa leitura.

Capítulo 13 — POV: Mail Jeevas. I.

A aula de trigonometria era literalmente um tédio. As horas passavam arrastadas e olhar esperançoso para o relógio que parecia correr para trás só aumentava minha vontade de suicídio. Para ser sincero, ninguém prestava muita atenção no conteúdo que preenchia o quadro negro e muito menos nas explicações dadas pela professora. As pernas da Srta. Hiromi desconcentravam todos os garotos da sala. Era um fato que qualquer aluno da escola admitia.

Se Mello estivesse vivo jogaria o caderno mais pesado em cima da minha cabeça nesse exato momento. Ele odiava me pegar babando pela pele exposta da professora. Não tenho culpa!

O problema de viajar nos tempos de aula era me perder em uma série de memórias que sempre juro a mim mesmo tentar esquecer.

Talvez eu vá para o inferno... Com certeza eu vou. Qualquer um estaria de luto eterno depois da morte trágica do namorado. Eu estava triste, com toda certeza, mas não o suficiente para me trancar no quarto e colocar a música mais melancólica do mundo para relembrar nossos doces momentos. Se bem que isso não faz meu estilo.

Não me vejo chorando por Mello. No começo eu realmente o amava. Passei meses sonhando em ter um pouco de coragem para falar com ele ou pelo menos ser notado pelo loiro chamativo e afeminado que perambulava pelos corredores da escola e jogava o cabelo perfumado de um jeito único tipo “like a diva”.

Eu nem mesmo pretendia mudar de “time”, se é que me entendem. Mulheres eram, e ainda são, seres que me fascinam, mas o lance que tive com Mello foi diferente de tudo que eu já havia sentido antes. Não era somente o desejo e os hormônios estourando que me faziam delirar em fantasias. Os olhos azuis que transbordavam uma inocência falsa sempre me deixavam faiscando toda vez que nossos olhares se cruzavam casualmente pelas aulas.

“Você é Mail Jeevas?”. Quantas vezes eu tive a impressão de ouvir a voz dele ecoando no meu ouvido lembrando-me do dia em que ele me fez essa pergunta? Muitas. Pela primeira vez não me importei em ser chamado pelo meu verdadeiro nome, até porque ele não riu e nem debochou de mim ao pronunciar.

Ele sabia o meu nome. Ele falou comigo. Me deu esperanças e as supriu por algum tempo. Fico me perguntando se ele realmente me amou ou só se aproximou devido à rixa que tinha com Near.

Ah, Nate River...

O menino que sempre conseguiu ser mais invisível que eu.

Costumava andar junto a ele nos intervalos e raramente trocávamos palavras na sala de aula. Sempre que podia, estava conectado a minha tecnologia e sem ficar para trás ele mergulhava no universo enigmático e estranho, se escondendo entre pilhas de dados e peças de quebra-cabeça.

Vários garotos tentavam arrumar briga com ele. Meu coração derretido de manteiga não aguentava ver o menor sendo espancado sem nem tentar pelo menos se esquivar dos ataques. Os olhos negros clamavam silenciosamente por socorro. A dor e insegurança trancadas em sua alma eram refletidas nos meus sentimentos. Eu precisava protegê-lo...

Isso tudo no primeiro ano.

Minha convivência com Near se tornou muito mais habitual. Eu apanhava por ele e em troca ele ouvia meus discursos apaixonados e secretos pelo loiro invocado. Uma amizade diferente, mas sempre me senti bem ao ficar perto dele. Desenvolvi um tipo de carinho tão grande que só de pensar em uma cena violenta o envolvendo o abraçava forte, às vezes sem motivo, e as demonstrações afetivas vinham espontâneas, em qualquer lugar.

O pequeno por sua vez também se sentiu mais seguro perto de mim. Quando estava mais carente, tagarelava sem parar o dia inteiro, afobado e no fim do período escolar costumava me arrastar para o vestiário masculino e chorava... Como uma criança. Sua pele branca avermelhava com facilidade, as bochechas esquentavam e os olhos inchavam sendo completados pelos cílios grudados devido às lágrimas, deixando-o com um ar ainda mais inocente e simplório.

Eu me arrependo do final do segundo ano. Não me orgulho nem um pouco das minhas atitudes e por esse e outros motivos citados a cima eu tenha uma passagem só de ida para morar com o Capiroto... Ou com o tinhoso... O diabo... Lúcifer... Lulu... Takeroto*... E... Vocês já entenderam.

Eu estava cego. Ludibriado por um amor não correspondido. Falsamente ardente. Induzido sem perceber em uma rixa sem sentido movida a inveja. Eu não passei de uma peça parva.

Mello. O meu Mihael Keehl. Meu Uke.

Acho que no mundo não existirá outra pessoa capaz de odiar Near mais do que ele odiou.

Mello era do tipo de pessoa teimosa e imprudente. Queria sempre a atenção para si. Subir no patamar mais alto da glória. Ouvir o que Near sempre ouvia dos professores: “Parabéns, sua nota foi a maior, como sempre”.

Qual a finalidade? Nunca entendi.

Mello ficava atrás com diferenças insignificantes de no máximo um ponto e, muitas vezes conseguia as mesmas notas. Parece que isso não era o suficiente. A palavra “segundo” o irritava profundamente.

Não era minha intenção deixar Near de lado, mas Mello sempre me fazia escolher. Quando ele agredia o pequeno indefeso, meu coração palpitava, uma voz me dizia para tentar intervir. Eu não conseguia tomar uma atitude para acabar com aquilo. Não quando se tratava de Mello. O medo de ser abandonado por ele era mais forte do que tudo, até mesmo mais forte que o afeto que sentia por Near.

Tentava sempre conversar com o loiro. Impedi-lo de fazer aquelas coisas. Mudar seu ponto de vista. Nunca obtive sucesso.

Procurava inflar seu ego... Bajulá-lo sempre que estava prestes a quebrar o pescoço fino do albino. Tentava táticas diferentes, e às vezes conseguia evitar estragos muito grandes. Sentia-me orgulhoso, mas a culpa sempre me pegava em meio a um sonho obrigando-me a acordar assustado, suado e completamente arrependido.

O tempo foi passando. Perguntava-me se aquilo valia mesmo a pena. Já pensei em desistir de Mello. Não era fácil suportar a ideia de deixar um amigo apanhar, aliás, ser espancado pelo seu namorado. Toda vez que começava a questionar com o loiro, ele me jogava na cama e o assunto era suprido com boas rodadas de sexo. Arranhões... Mordidas... Pele com pele. Carne com carne. Tudo em extrema luxúria. Era assim que as coisas funcionavam com ele.

Confesso... Foram tempos perdidos. Não totalmente desperdiçados, mas incompletos.

Olho para a carteira do meu lado... Vazia. Não possui mais o amontoado de embalagens de chocolate e nunca mais possuirá.

Logo à frente, Misa lixava discretamente uma unha quebrada. Ela está tentando se recuperar da melhor forma possível. Ambas as famílias, tanto a de Misa quanto a do próprio Mello, sofriam com a perda. Os dois loirinhos se conheciam desde pequenos. Os pais eram empresários, mais que isso, sócios de confiança. A mãe de Misa foi como uma mãe para Mihael também. Nunca procurei me intrometer nos assuntos familiares dele não por vontade própria, mas pela irritação que isso causava, porém me contentava em saber o básico e era muito engraçado jantar na casa da Misa. A senhora Amane insistia para que eu a chamasse de sogra e Mello negava até a morte que mantinha relacionamentos comigo. Nunca conseguiu enganá-la.

Quem seria a mãe verdadeira do loiro? Será que ainda está viva? Será que sente a falta dele? Será que o abandonou do mesmo jeito que meu pai me abandonou?

Suspiros que não me livram da angustia... Perguntas que não podem ser respondidas... Seria inconveniência perguntar a Misa? Acho que sim.

Percorro o olhar até a primeira carteira, ao lado da janela.

Vazia...

Por que ele não está mais vindo?

Sinto falta de observá-lo montar uma torre de dados. Os olhos cansados que se perdiam na paisagem.

Uma cena repentina veio na minha cabeça. Um dia um pouco estranho. Um episódio que passa em flashes e que me induzem a caretas involuntárias.

“O que fazer para ajudá-lo? Mal consigo formular uma resposta decente! Palavras como: Eu sinto muito... ou Minha nossa... Pareciam muito comuns e nada acolhedoras. Posso livrá-lo da dor física, mas sou incapaz de amenizar uma dor psicológica. Parabéns Matt, você é um inútil!

— Near... – pronunciei doce.

Ele mantinha sua cabeça encostada no meu peito. Conseguia sentir o cheiro do seu shampoo. Tudo nele era infantil, até o cheiro suave com um pequeno toque de lavanda.

Estávamos sentados em um dos chuveiros do vestiário. A porta não estava trancada. Não correríamos o risco de sermos vistos.

Empurrei seu tronco para trás com cuidado. Obriguei-o a encarar meu rosto.

— E se eu a perder, Matt? – perguntou choroso. – Ela é a minha única família. Você sabe o que aconteceu com os meus pais. Meu avô morreu há pouco tempo. Tudo o que me resta é ela.

— Eu não sou a melhor pessoa do mundo quando se trata de conselhos. – confessei tirando-o um sorriso tímido. – Ora! Eu sou apenas o Matt! Mas escute, ela vai ficar bem se tomar os remédios. Eles são caros, mas posso falar com a minha mãe, nós podemos ajudar...

— NÃO! – ele me repreendeu com o tom de voz ao cortar minha fala. – Não quero caridade, Matt. Eu vou arrumar um emprego e cuidar da minha avó.

Near era puro e inocente, porém detestava ajuda dos outros para determinados assuntos. Gostava de batalhar pelas coisas. Admirava muito esse jeito dele. Calmo, inexpressivo e sem sentimentos para a maioria, e persistente.

— Desculpe. Só quero tentar ajudar.

— Me abrace... Apenas isso basta.

Não conseguia negar um pedido a ele. Aqueles olhinhos... Aquela carinha... Por Kami, isso soa tão... Gay.

Apertei o corpo magro e pequeno de Near como se quisesse deixá-lo imune as lágrimas. Sua pele quente, suas bochechas coradas e minha camiseta molhada devido ao choro.

Lentamente, fomos nos afastando. Um curto espaço entre nós permitia que eu sentisse a respiração de Near. O toque brando em meu rosto me causava certo arrepio. Os lábios do pequeno me chamavam. Inexplicavelmente eu necessitava senti-los, pelo menos um pouco.

Era isso que estava prestes a acontecer? Um beijo? Isso é coisa de via...

AH, foda-se! Eu já estou apaixonado por um homem (ou quase), há algum tempo e nem consigo ficar cinco minutos perto dele sem evitar uma tremedeira nas pernas.

Mas Near é meu amigo... Como um irmão! Seria errado?

Eu não quero recuar, e ele não demonstra nada além de uma leve surpresa.

Ignorei minha parcela mental relutante. Em um modo suave, nossos lábios se colaram. Minhas pálpebras fecharam, permitindo uma percepção nova do ambiente. Um calor atravessou meu corpo e tive a sensação de ser congelado de dentro para fora.

Aquilo não era novo para mim. Refiro-me ao beijo, pois o que eu sentia era diferente. Nunca beijei nenhum homem antes.

Near era inexperiente e eu sabia disso. Pedi passagem para minha língua que foi concedida timidamente.

Explorava cada canto, acariciava sua boca aveludada, dedilhava meus dedos pelo cabelo macio de tonalidade quase tão diferente quanto a minha. Imaginei por alguns instantes nós dois deitados, e nossos fios de cabelo misturados. Uma coisa diferente... Um branco em meio ao vermelho. Até que seria... Bonito.

O pequeno aprendeu rápido. O beijo durou um bom tempo e não tinha pressa para encerrá-lo. Maldito oxigênio!

— Nate... – ainda perto consegui sussurrar. Não fazia a mínima ideia do que dizer. Foi muito bom, meu amigo...”

Minhas lembranças foram interrompidas pelo barulho do sinal. A última aula finalmente acabara.

Isso não me vinha à memória sempre, mas toda vez que procurava me distrair para fazer o tempo passar mais depressa procurava reconstituir toda a cena em minha memória.

Três dias depois desse ocorrido Mello começou a falar comigo.

No começo foi tão estranho. E só agora consigo perceber o motivo.

Será que...?

Não! Não é possível. Eles possuíam uma rixa, mas Mello nunca poderia... Não seria coerente com os fatos!

Preciso encontrar o Near! Por que raios ele está faltando tanto? Talvez tenha acontecido alguma coisa, e se algo aconteceu, jamais vou me perdoar.

Que bagunça, Mihael! Você consegue causar até depois de morto!

Notas finais
Takeroto* = Alguém aí gosta da banda SuG. Talvez fique mais fácil entender. kkk E então? NearxMatt? o.O o.O NÃÃÃO!! Nunca li uma fanfic com esse casal, mas achei maneiro criar uma cena assim... Um beijo entre eles. Foi legal escrever e imaginar. Vocês gostaram? Observem que no título eu coloquei o I. Os POVs do Matt serão no máximo 3 e não seguirão sequências. Aviso de limonada para o próximo capítulo! Até lá! :3 Beijos.