Scream! Welcome To The Game.

9 Capítulo 8 - POV: Raito Yagami


Notas iniciais
Oi! Tudo bem?? Primeiro, gostaria de agradecer a todos os reviews que já recebi até agora. Eles me deixam muito feliz e me incentivam muito a continuar. Gostaria também de agradecer a todos os leitores, mesmo aqueles que ainda não comentaram. É muito emocionante saber que tem gente acompanhando. Sobre o capítulo... Achei chato. '-' E outra, ele só vai ser esclarecido totalmente no POV do L que vai ser só lá para os últimos capítulos. Eu espero que gostem. Ele dá uma quebrada no clima do enredo tenso que a fic tem. E isso vai ser raridade, principalmente nos próximos capítulos... hehe. Betagem feita pela Amane Misa. ^^ Leiam as notas finais! Narração: Raito( Eu não acho que vocês sejam cegas, é só costume meu colocar a narração, O.K?) Boa Leitura! ^^

— Oe, novata! – estalei os dedos para tirar a loirinha de seus devaneios. – Aqueles clientes acabaram de chegar. – apontei para a mesa, discretamente. – Hoje este lugar está muito movimentado e não há tempo para pensar em assuntos desnecessários!

Treinar novos funcionários é uma chatice. Com o Near afastado me vi obrigado a colocar alguém temporariamente em seu lugar. Achei que a vaga demoraria, no mínimo, uma semana para ser preenchida.

Engano meu.

Uma hora depois que pendurei um anúncio na porta do estabelecimento e deixei alguns panfletos na banca de jornais do senhor Akinori a loira avoada me apareceu aqui com um sorriso enorme implorando pela vaga. Disse-me que era cliente há alguns anos, apesar de que suas feições não me eram nem um pouco familiares. Acabei concedendo a vaga temporária.

Outro engano meu.

Ela só estava aqui há dois dias e conseguia me tirar do sério a cada segundo. A loira tropeçava, trocava os pedidos, esquecia o número das mesas e já me perguntou mais de dezessete vezes como usar o espremedor de frutas. Isso porque a primeira coisa que perguntei antes de admiti-la foi se ela aprendia as coisas de modo rápido. Sem mencionar às vezes em que a pego no flagrante me olhando de um jeito esquisito.

Uma total tapada.

Uma total tapada apaixonada.

Desculpe, mas namorar uma colegial está fora de questão.

Colegial...? Ah, é claro! Ela vinha aqui junto com o loiro que foi assassinado há algumas semanas atrás e um ruivo de goggles na cabeça. Uma vez quase fui obrigado a chamar a policia devido à briga entre o loiro e o pequeno Near.

Abri a gaveta do balcão e peguei o envelope que B deixou faz poucos dias. O que será? Uma carta? Provavelmente, mas o que estaria escrito nela?

Acho melhor nem abrir. Do jeito que eu conheço o B é bem capaz dele ter implantado um dispositivo na abertura do envelope que reconhece as digitais dos dedos do Near. Se caso outra pessoa tentar abrir, a pessoa explode...

Isso é a cara dele.

Guardei novamente o envelope, dessa vez, um pouco mais cauteloso.

Ah, os tempos do colégio... Mesmo sendo um ano mais novo que eu, B era um dos meus melhores amigos. Posso dizer que “crescemos” juntos. Conhecemos-nos na escola. Enquanto eu estava na segunda série ele ainda estava na primeira.

Minha mãe dava aula para os alunos da primeira série e ela sempre chegava em casa reclamando de um aluno chamado Beyond. Com tantas críticas e palavras um tanto... Ofensivas, despertei um interesse em conhecê-lo.

Estranho, imprudente e impulsivo, essas eram as três palavras que o definiam, mas sem esquecer sua inteligência. Sério. Ele era muito inteligente. O pesadelo dos professores e o garoto mais temido entre o resto dos alunos da escola. Rolavam muitos boatos sobre ele nos corredores entre as trocas das aulas. Depois que nos tornamos “amigos” contei para ele sobre os boatos e mais da metade deles eram falsos. Alguns eram tão idiotas que dou risada até hoje quando me lembro vagamente sobre aquela época.

Uma vez, por muito custo, convenci meus pais a o deixarem ir brincar comigo lá em casa. Foi a primeira e única vez que consegui isso.

Porque ele teve que esfaquear aquele cachorro?

É impossível lembrar do B. sem acabar atraindo o irmão dele para as minhas memórias.

Eu estava na oitava série e o irmão dele já havia começado o primeiro colegial. Nunca fomos muito próximos desde que comecei a ajudar à senhora Chiyeko na biblioteca. Não imaginei que me daria tão bem com o moreno mais velho. Tínhamos infinitas coisas em comum e compartilhávamos até mesmo alguns sonhos similares.

Lawliet, o garoto que fez da minha oitava série a melhor e ao mesmo tempo a pior. Eu jamais esquecerei aquele dia.

Sabe... AQUELE dia?

—--

— Tem certeza que não vou incomodar? Afinal já são sete da noite em plena quinta-feira. – ele repetiu pela quinta fez a pergunta enquanto andávamos pelo trajeto que nos levaria até minha casa.

— L, já repeti umas cinquenta vezes. Está tudo bem! Você disse que tem algo importante para m dizer. – sorri de canto desviando o meu olhar dos olhos dele.

— Mas se quiser eu posso falar amanhã na escola.

— Tarde de mais. – parei de repente na calçada. – Chegamos.

Ele encarou a casa por alguns instantes suspirando em sinal de desistência. Ri pelo nariz vendo sua pele corar minimamente.

— Só alguns instantes. Prometo ser breve. – disse colocando as mãos pálidas nos bolsos de sua jaqueta de moletom.

— Não se preocupe com o horário. – sorri transmitindo para ele hospitalidade.

O puxei de leve pela manga de sua jaqueta até a porta de entrada. Como tinha me atrasado não cheguei a tempo para o jantar. Minha irmã provavelmente já estava no quarto fofocando com suas amigas no telefone.

Abri a porta dando espaço para Lawliet entrar. Ouvi a televisão ligada em um canal de notícias e a luz da cozinha acesa. Tirei os sapatos, sendo acompanhado pelo moreno.

— Tadaima! – disse em um tom de voz alto o suficiente para minha mãe ouvir.

Escutei seus passos vindos em direção ao cômodo onde nós estávamos. Acho que o próximo passo será o mais difícil. Até eu conseguir explicar que o moreno que me acompanhava não era Beyond.

— Raito, você... – ela estava com uma panela e um pano de prato em mãos. Parou de falar quando percebeu que eu não estava sozinho. Isso vai ser perigoso.


— Okaa san, espera aí! Larga a panela!



***



Eu não tirava a razão dela.



Beyond é o tipo de cara marcante... Da pior maneira possível. A semelhança entre os dois irmãos era incrível, mas depois de encarar os olhos do moreno que me acompanhava minha mãe finalmente acreditou que aquele definitivamente não era o B. Achei que levaria mais tempo, porém a situação foi resolvida em breves trinta minutos. Quarenta se contar os dez minutos adicionais para os pedidos de desculpa.



***



— Me desculpe por isso. – falei sem graça enquanto fechava a porta do meu quarto. – Você sabe, não é? Beyond é...


— Estranho. — minha fala foi interrompida por sua afirmação inexpressiva.

— Eu diria inesquecível.

— De um jeito ruim. – fiquei calado pela falta de palavras. Não que fosse verdade. Não tinha mais tanto medo de Beyond. Claro, algumas de suas atitudes ainda me davam arrepios, mas nada que com um tempo eu não pudesse me acostumar. Sentei em minha cama fazendo um gesto para que Lawliet me acompanhasse e assim ele o fez. – Sua mãe não precisava se incomodar em preparar um chá. Já disse, pretendo ser breve.

— Sabe, não sou o tipo de cara que tem muitos amigos. Pelo menos não tenho nenhum que frequente minha casa. O primeiro e único amigo que conheceu meus pais foi o seu irmão. Pela primeira vez em muito tempo volto para casa acompanhado e meu amigo é recebido com paneladas na cabeça? Ela se sentiu culpada. – ri para disfarçar a vergonha e o... Nervosismo? Acho que minhas mãos estão suando mais do que o normal.

— Amigo? – ele repetiu a palavra em um tom curioso.

— Sim. Você é meu amigo, não é? – a preocupação em meu tom de voz o fez rir um pouco. Ora, ele está apenas brincando comigo?

— Eu nunca tive nenhum amigo antes, Raito-kun. – sua voz saiu suave, quase como um sussurro envergonhado. Suas bochechas ficaram em um tom rosado.

O que aconteceria se por um acaso eu deixasse a razão de lado? Só por uns instantes. Uns míseros instantes eu gostaria de ter um surto de coragem insana. Talvez eu possa fazer desse momento algo inesquecível. De um jeito bom ou ruim. Sem me importar com as consequências. Fechar os olhos e cair na escuridão. Confiar nos meus instintos. Deixar o coração assumir. Os sentimentos ultrapassarem dessa vez, e somente dessa vez, o meu orgulho.

— Lawliet... – sussurrei me aproximando do rosto do moreno que já estava vermelho e não mais rosado.

Conforme me aproximava lentamente conseguia sentir cada vez mais a respiração do moreno. Ele não recuava o que me deu incentivo a continuar me aproximando até conseguir sentir o hálito quente do mais velho bater em meus lábios até selá-los completamente com os dele. O silêncio do quarto era tanto que tive a impressão de ouvir as batidas de um coração, mas meus sentidos já estavam meio desnorteados para que eu pudesse distinguir se era o meu coração ou se era o dele. O silêncio foi quebrado pelo som de nossas respirações já ofegantes devido ao aprofundamento do beijo. Nossas línguas já estavam se saboreando e o anseio por ar já começava a aparecer, porém eu não queria acabar com aquilo. Há meses venho a desejar tomar estes lábios rosados e sentir a temperatura fria de sua pele pálida se chocar contra o calor da minha. Como dizem: “Tudo que é bom, dura pouco.”

Cessamos o beijo respirando com dificuldade. Eu não conseguia encará-lo. Ele mantinha um olhar surpreso e o momento tenso já estava me deixando desconfortável.

— O que foi isso? – perguntou ele. Sua voz não insinuava raiva. Para ser sincero, não expressava nada.

— Um beijo, Lawliet.

— Eu sei que foi um beijo, eu só quero entender o porquê.

— Gomenasai! Isso... Que atitude ridícula a minha! – dei uma risada sem graça. Eu não estava arrependido.

— Toda atitude tem uma explicação. Não sou do tipo que acredita em acasos ou coincidências.

Eu inventaria uma desculpa qualquer. Faria de tudo para proteger um segredo, mas levando em consideração o que acabou de acontecer talvez não seja uma boa ideia mentir. Ainda estou sob efeito do beijo e ele desconfiaria se eu tentasse enrolá-lo com mentiras. Ele sempre desconfia de tudo.

— Isso não era para ter acontecido, realmente me desculpe pelo que fiz. – fitei o chão envergonhado. Os efeitos da coragem insana não são muito legais.

A atitude do moreno sem dúvidas me surpreendeu. Ele me puxou pelo queixo se aproximando novamente do meu rosto.

— Eu não disse que não gostei.

Iniciamos outro beijo dessa vez sem muita cerimônia.

Os dedos finos de suas mãos seguiram até os meus cabelos e foram descendo até a minha nuca, fazendo com que eu me arrepiasse. O gosto viciante de morango predominante em sua boca só me fazia desejá-lo ainda mais. Sem romper o beijo o deitei em minha cama. Com os meus dedos, levantei sua camisa traçando imaginariamente um caminho até agarrar um de seus mamilos. Ele soltou um gemido tímido que foi abafado pelo nosso beijo.

Coloquei uma de minhas pernas sobre seu corpo impulsionando até ficar em cima do moreno. Suas mãos percorriam toda a extensão das minhas costas e eu já estava apressado para tirar sua jaqueta de moletom.

Ouvimos batidas na porta repentinamente, o que nos obrigou a pararmos e a nos soltarmos as pressas.

— Raito, o chá está pronto. – por sorte minha mãe não costumava entrar em meu dormitório.

Controlei a respiração o máximo que consegui.

— Claro mãe, já vou buscar! – respondi com dificuldades, mas ela não pareceu perceber, pois ouvi o barulho de seus passos descendo as escadas.

Lawliet estava com o rosto suado, cabelo despenteado e todo vermelho. Não devo estar muito diferente, exceto pela parte do rosto corado. Eu não costumo corar fácil.

— Eu vou buscar o chá. Você não está em condições de descer. – encarei sua calça que por ser social estava com um volume significativo. Ele tapou as pressas o que me fez rir.

Desci as escadas me arrumando pelo caminho. Meus pensamentos pareciam rodar como um furacão dentro da minha mente. Meu coração ainda estava acelerado e minhas mãos tremiam devido à adrenalina. Uma sensação totalmente nova estava tomando conta do meu corpo.

Eu aconselho a todos a experimentarem pelo menos uma vez na vida alguns instantes de coragem insana.

Subi as escadas com as xícaras em mãos. Adentrei o cômodo vendo Lawliet perto da minha escrivaninha com um olhar sério. Deixei as xícaras em cima da estante de livros já preocupado com o que viria a seguir. Ele nunca foi um cara cheio de expressões, mas aquela sem dúvidas era a que mais me preocupava. Da ultima vez que a vi quase não conseguimos terminar de organizar a feira de ciências desse ano para os alunos da sexta série ao terceiro colegial.

— O que aconteceu? – me aproximei de seu corpo tentando tocá-lo, mas ele recuou.

— Eu e Beyond vamos nos mudar. Vamos terminar esse ano escolar e em seguida já vamos para Londres. – suas palavras foram como uma panelada em meu rosto.

— Londres? Mas por quê?

— Raito, esse ano foi maravilhoso. Nunca pensei que existisse alguém com o mesmo nível intelectual que o meu naquela escola. Nem mesmo passou pela minha cabeça o fato de que ele seria um ano mais novo que eu. Nesse ano eu fiz um amigo... E pela primeira vez eu acho que consegui sentir o amor. Mas você, mais do que ninguém, sabe tudo o que eu e o meu irmão enfrentamos naquela casa. Precisamos sair antes que eu comece a perder a sanidade. Sou toda a base que meu irmão tem.

Ele me explicava e a cada palavra eu sentia um aperto dentro do peito. Eu não quero que ele vá embora. Não agora! Essa é a atitude mais egoísta de toda minha vida, admito. Como ele mesmo disse, eu sei muito bem o que eles passam com aquilo que eles chamam de família, mas eu o quero comigo.

— Para onde você vai? – perguntei tentando manter uma expressão vaga.

— Um lugar chamado Wammy's House. É um tipo de orfanato...

Eu simplesmente não conseguia falar mais nada.

A porta estava semiaberta e ouvimos algumas batidas. Virei em direção à porta e vi a silhueta de minha mãe.

— Raito, já está tarde. Seu amigo pode dormir aqui esta noite e amanhã podem ir para casa juntos. – ela sorriu.

— Ele não pode. – respondi seco.

— Raito... – ela ia me repreender, mas Lawliet cortou sua fala.

— Ele tem razão, Sachiko san. Eu não trouxe roupas e nem nada referente à minha higiene pessoal. Agradeço o convite, mas tenho que ir.

— Tudo bem então. Lembre-se, você é bem vindo nessa casa quando quiser. Raito irá te levar até a porta.

— Arigato. – Ele fez uma reverência para minha mãe e me acompanhou até a saída.

Fechei a porta nos deixando a sós na varanda. A noite estava bonita e a brisa gelada.

— Sayonara, Raito kun. Mas não se preocupe, ainda tenho algumas semanas na escola até fecharmos as notas finais.

— Lawliet... – o chamei de cabeça abaixada. – Por favor, não vá. – minha última tentativa.

Ele me roubou um último beijo. Dessa vez apaixonado e calmo.

— Eu sinto muito, Raito. A partir de agora me chame de Ryuzaki, ou se não, simplesmente L...

—--

Ouvi um estrondo de pratos vindos da cozinha que me tirou de devaneios ridículos que envolvem meu passado. Corri até o local do barulho vendo a loirinha novata sentada no chão com alguns dos outros funcionários em volta tentando ajudá-la. Vários cacos de vidro estavam espalhados por todo canto.

Por Kami... Ela consegue ser mais atrapalhada que o Near!

Notas finais
E então? Muito ruim? Muito clichê? '-' Essa insinuação de Lemon foi só um aquecimento para o próximo capítulo! =D E também para compensar já que posso atrasar com o capítulo nove. Ele vai ser muito difícil de escrever, creio eu. Preciso de algo sexy, envolvente, sedutor que consiga transmitir a parte erótica fundida com a personalidade de ambos os personagens sem que pareça um ato qualquer de luxúria. Vish... Acho que eu já to falando besteira. o.O É culpa do sono. Críticas... Elogios... Sugestões... Fiquem a vontade. Beijos, até o próximo capítulo! ;)