Notas iniciais
Boa tarde! Vou poupar palavras de desculpas. Vocês já sabem. Levem em consideração os problemas que o Nyah! enfrentou... Leiam as notas finais, são importantes! Boa leitura!

Capítulo 21 — Reunião.

“O medo tomou conta dos últimos resquícios da minha sanidade. Eu sabia muito bem o que eu estava fazendo. Mesmo com o misto de raiva e repulsa que embaralhavam minha mente, eu conseguia assimilar todas as cenas e toques. Nos primeiros momentos, meu estômago revirava de nojo, mas queria mostrar que eu era capaz de satisfazer alguém, mesmo sendo o submisso. De fato, o objetivo não foi apenas uma vingança infantil contra o Hayato. É claro que mal posso esperar para ver sua expressão de raiva quando B contar o que aconteceu, porém meu egoísmo vai um pouco mais além. Eu quero minha liberdade, mesmo que eu tenha que comprá-la com a minha própria vida.”

Uma geada de neve começou a cair repentinamente quando o relógio bateu às 23:30 na noite passada. Não tinha esperanças de que a tempestade cessasse rápido, e mesmo que passasse antes do sol raiar, a estrada permaneceria interditada. Como essa rota não é muito utilizada, contava apenas com a ajuda do tempo até toda a neve derreter, ou seja, eu estava impedido de sair. Não que eu estivesse reclamando. Muito pelo contrário. Com a dispensa cheia e todas as informações essenciais à minha mercê, não precisaria me preocupar com mais nada.

Estava sentado no chão, próximo a uma luminária preta e comprida. Meu laptop estava aberto e um pouco lento devido aos vários arquivos e páginas abertas. Alguns potes de geleia estavam caídos ao meu redor e outros cheios estavam perfeitamente enfileirados ao meu lado. O resto do ambiente permanecia escuro, tirando o pequeno círculo iluminado pela lâmpada de cor amarelada. Suspirei ao ler a última linha de uma das folhas.

— Ele nunca muda as rotas... Locais de encontro podem se tornar um problema se você for um idiota – comentei para mim mesmo enquanto amassava o papel que já não me era mais útil e mergulhava três dedos em um pote de geleia aberto.

Peguei a penúltima folha do envelope que Heinz havia me dado. Ela era um pouco maior que as demais. Mudei minha expressão de tédio assim que coloquei os olhos nas diversas anotações.

— Ora, o que temos aqui... – disse em um tom baixo de surpresa e um pouco enrolado já que meus dedos ainda estavam dentro da minha boca. Dei uma última lambida e os retirei, secando-os na minha camiseta.

Peguei o envelope novamente assim que li uma observação para acompanhar as notas. Enquanto ao mesmo tempo assistia uma gravação. Coloquei o CD para rodar no laptop. O vídeo estava sem edição, então corri um pouco as cenas até as pessoas começarem a entrar na sala de reuniões e tomarem seus lugares. Yonosuke sentou-se em uma das pontas e logo depois, Mikami estendeu alguns papéis.

— Tsc... Que prestativo.

Heinz também estava lá. Continha um pouco de nervosismo em sua voz, mas nada que o entregasse para aqueles otários.

— Acho que todos aqui já estão cientes do motivo desta reunião – Yonosuke deu início, poupando saudações.

Houve silêncio. Os demais presentes na sala apenas assentiram positivamente. Pareciam pensativos e alguns até apreensivos.

— Ótimo. Assim economizaremos tempo.

Antes que ele pudesse retomar a fala, foi interrompido.

— Você não tem nenhum parentesco com essa mulher. Nem mesmo uma dívida para liquidar. Tem certeza de que é uma boa ideia ingressá-la de um jeito tão fácil? – um dos homens, loiro com uma voz grossa, se pronunciou, falando o que todos pareciam pensar a respeito.

— Compreendo e até mesmo admiro a cautela de vocês, e devo uma explicação para a minha decisão.

— Pois bem, então explique! – um homem de cabelos grisalhos deixou a voz soar calma, mas ele parecia um dos mais ansiosos. Seu olhar era duro. Talvez eu esteja errado, mas acredito que o mais velho seja um dos poucos, se não o único, a ter autorização para se dirigir com aquele tom à Yonosuke. Suponho que ele seja um ancião na organização.

Eu não me importava em gravar o nome de todos eles, mas tenho quase certeza de que ele se chamava Giuseppe.

— Dizem que o inimigo do seu inimigo é seu amigo. Ela quer vingança contra o Hajime, e eu também. Podemos dizer que foi uma súplica. Chequei toda a vida dela, do passado até o presente mais próximo. Uma pena o que aconteceu aos os pais dela... Isso me lembra até... – ele parou de falar e fitou o chão, como se estivesse tendo uma lembrança distante, mas balançou a cabeça quando percebeu os olhares impacientes sobre ele – Bom, deixa para lá! A questão é que suas habilidades também não podem ser ignoradas – Yonosuke sorria como se estivesse falando sobre um tesouro.

Eu ainda não havia visto a tal mulher, mas tenho certeza de que habilidades não são o único motivo deste encantamento todo.

—Já que mencionou habilidades, diga, Yonosuke – Ivan, o único americano unido àquela máfia, decidiu se pronunciar também – As tais habilidades superam as daquele demônio que presta serviços para nós? – sua voz expressava nojo ao se referir a mim.

Tsc! Não consigo ter boa fama nem em meio a um bando de bandidos de merda...

Eu não me dava bem com nenhum deles, mas quem mais me irritava era esse americano filho da puta.

— Muito boa essa menção, Ivan – Yonosuke deu um sorriso e todos os outros se ajeitaram nas cadeiras, ansiosos para o que viria a seguir. Até eu ficaria, se já não tivesse uma prévia de todo aquele blá blá blá – Eu apostaria minha vida afirmando que não existe ninguém capaz de superar o B. Ele é inteligente, astuto, frio e calculista. Já ela, é inteligente, e muito, mas duvido que tenha todo o talento dele.

Deveria ficar lisonjeado? Claro, a declaração inflou ainda mais meu ego, mas não faz dele menos idiota. Mesmo em um exemplo fictício ele preza pela própria vida. Talvez no fundo ele mesmo saiba que ela não vale muita coisa.

— E isso significa...?

—Significa que estou bastante empolgado para ver os dois trabalhando juntos.

Se eu não estivesse tão cansado, essa seria uma boa hora para uma crise de risos.

Como eu previ...

— É... se me dão licença... – Heinz levantou timidamente o dedo, tentando chamar a atenção dos outros membros que começaram a questionar entre si. Uns esboçavam o mesmo sorriso entretido de Yonosuke, outros, como Ivan, obtinham uma ponta de desapontamento.

— O que houve, Heinz? – Yonosuke perguntou – Silêncio!

O barulho cessou.

— Devo notificá-lo de que o B em pessoa me procurou e disse que não quer nem sequer ser mencionado perto dessa mulher. Essa é a condição para ele ficar. Caso for quebrada, pode esquecer qualquer serviço dele.

— Então podemos dispensá-lo? – o loiro perguntou eufórico, cheio de esperança.

— De jeito nenhum! – o grito repentino fez todos se calarem – Inferno! Aquele moleque.

A raiva dele era nítida. E eu adorava quando conseguia deixá-lo daquele jeito.

— Não entendo... Por que não podemos ficar só com essa habilidosa mulher? – perguntou o americano.

— PORQUE... – ele respirou fundo, amaciando o tom de voz – O B é...

Eu sou...

— O B. – concluiu Heinz, como se fosse óbvio.

—Exato. Eu seria um idiota se dispensasse alguém como ele.

Mas você é um idiota.

—Yonosuke, você tem medo dele?

— Temo aqueles que atrapalham nossos negócios. Admitam, seus vermes, sem o B mais da metade de vocês já estariam mortos ou presos.

Com isso eu concordo plenamente. Começando pelo chefe.

— O.k. Entendemos. A mulher entra e o moleque fica.

— Objeções?

Todos ficaram em silêncio.

— Mikami! – Ele gritou.

Logo em seguida ele adentrou a sala acompanhado da tal mulher.

Ela tinha cabelos pretos brilhantes, longos e escorridos. A franja que cobria a testa davam a ela uma aparência jovem, mas não infantil. Sua pele era branca e destacava a cor de seus olhos castanho-escuros. Depois de ela preencher o lugar vazio ao lado de Yonosuke, Mikami deixou a sala.

— Muito bem – Ele se levantou, fazendo um sinal com a cabeça para todos os demais presentes fazerem o mesmo – Agora, formalmente, eu lhes apresento...

— Shoko Maki – ela o interrompeu. Sua voz era firme e a expressão facial se mantinha séria, sendo completada por uma postura reta e decidida.

De fato, aquilo não era encenação. Ela com certeza tinha um objetivo e estava disposta a cumpri-lo, mas eu aposto um pote de geleia que isso não tem nada a ver com vingar a morte do pai.

— Pela última vez. Há objeções?

Mais uma vez houve silêncio. E alguns olhares pervertidos para a mulher que os ignorava completamente.

—Perfeito! Vamos dar início à inicialização.

Eles estavam se retirando da sala e eu já imaginava que os “rituais” * de boas vindas não seriam feitos naquela sala.

Heinz foi o último a sair, levando consigo a câmera.

A tela ficou escura.

Shoko Maki...

Mergulhei dois dedos no meu pote de geleia e os levei a boca, saboreando aquele gosto doce.

— Quem é você...? – sussurrei para o nada, concentrando meus pensamentos – Esse não é seu nome verdadeiro, é? Como conseguiu se infiltrar desse jeito?

Eu não tinha respostas concretas, mas tudo se resumia em uma simples coisa:

— Ela trabalha com Ele.

Ele...

Fechei o notebook e dei impulso para me levantar. Peguei o pote de geleia para comer enquanto ia a passos lentos até a porta de madeira clara, que na maior parte do tempo ficava trancada. Destranquei a fechadura, mas apenas fiquei parado.

— Será que você ainda tem o mesmo cheiro?

O quarto estava escuro, assim como o resto do ambiente. Depois de alguns instantes, finalmente acendi a luz, facilitando a minha vista.

As paredes cobertas do mesmo jeito... Os livros... As roupas que um dia compartilhamos...

Adentrei no cômodo. Minha expressão facial fechou de modo instantâneo.

Milhares de fotos repetidas. Poucas tiradas na nossa infância.

Eu só conseguia sentir ódio dentro daquele quarto.

Insatisfação.

Raiva.

Mas eu não tinha tempo.

— Faz apenas alguns dias desde que Shoko Maki conquistou a confiança de Yonosuke completamente – comecei a andar em círculos pelo quarto, mergulhando meus dedos no pote e os levando à boca sem pressa – Nesse curto intervalo de tempo entre a confiança total e as cerimônias, ela já deve ter arranjado uma maneira de contatá-lo.

Sentei em minha cama e me inclinei sobre o colchão para sentir o cheiro dos lençóis. Inspirei aquele aroma tão familiar, que chegava a me fazer salivar. Finquei minhas unhas no colchão e peguei impulso para voltar à minha postura.

— Eu devo ter te confundido, não é? – deixei que um riso mínimo escapasse dos meus lábios – Sim... Claro que sim. Tenho quase certeza de que você já estava nesse caso há pelo menos um mês desde aquela vez que recebi seu telefonema. Um mês e meio, no máximo. E você suspeitou de mim...

Levantei da cama e fui até uma mesa encostada entre dois cantos do quarto. Ele não era grande e a única janela que ficava próxima à cama era pequena e estava fechada. O ar estava parado a um bom tempo, o que deixava o quarto um pouco abafado, mesmo no frio do inverno, e repleto de nostalgia. Pus uma das mãos apoiadas sobre a mesa enquanto a outra segurava firme o pote de geleia. Encarei a imagem na parede, e intercalava meu olhar entre essa imagem e meu reflexo no espelho redondo pendurado na parede ao lado.

— Se eu quiser... Posso te superar desta vez. Posso mostrar que sou melhor que você.

Depois de tanto tempo vivendo como sua sombra.

Sua maldita sombra!

— Levando em consideração os últimos acontecimentos, você deve estar chegando aqui entre hoje e amanhã – desviei meu olhar do espelho, fixando-o apenas na imagem colada na parede – Quem diria, hein? Depois de tanto tempo... Está voltando para casa. Voltando para mim...

Mas...

Eu não preciso mais de você.

— Preciso dar um basta nisso...

Quem eu vou matar?

Eu preciso escolher... Apenas... Um.

— ...de uma vez por todas.

Beyond Birthday... O segundo.

Isso me lembra alguma coisa.

“— O QUE EU DISSE PARA VOCÊ? O QUE EU DISSE SOBRE EU FICAR EM SEGUNDO, DE NOVO?”*

Mas é claro!

Minha mente deu algumas voltas. Ainda me restava um pouco de sanidade momentânea. O suficiente para me fazer decidir. O grau significativo entre os dois alvos chegava a ser ridiculamente diferente, mas qualquer que fosse meu segundo passo a partir de agora, seria crucial.

“— Estou revendo minhas prioridades. Tudo depende da minha escolha...”

Parecia que minha cabeça ia explodir a qualquer momento. Até que... Tudo passou.

Rápido.

Atrás de mim, ouvi uma voz baixa e rouca chamando meu nome em um sussurro quase inaudível. Não sei o porquê, mas decidi não deixá-lo preso naquela noite.

Minha sanidade e minha perdição andavam lado a lado, como amigas íntimas inseparáveis e o motivo pelo qual isso acontecia tinha nome e sobrenome.

— B...

Lentamente, virei meu tronco em direção à porta, e lá estava ele: Cabelos brancos e pele branca feita um floco de neve. Vestia uma camisa de manga comprida da mesma cor neutra, tão grande no corpo magro que eu nem tive certeza se ele estava vestindo roupa íntima. Os fios de cabelo estavam maiores e despenteados, mas só de olhá-los imaginava o cheiro de lavanda e a maciez delicada. Ele havia perdido peso. Seu corpo ainda possuía hematomas arroxeados e algumas leves cicatrizes formavam casquinhas em seu rosto, mas nada que afetasse sua beleza angelical. Em uma das coxas, lá estava ela, quase que completamente cicatrizada, a forma do quebra-cabeça que desenhei sobre sua pele com o bisturi. Por um instante, foi como se eu visse o sangue ainda escorrendo.

— O que você quer, Nate River? – perguntei doce.

— B... Eu estou com fome.

Não lembrava qual fora minha última refeição decente desde... Desde muito tempo!

Deixei um leve sorriso se formar no canto da minha boca.

— Eu também estou com fome, Nate.

Notas finais
Citação do capítulo 5* Vamos lá... _Minhas queridas e queridos leitores, não sei se todos aqui já leram Death Note - Another note, mas aqueles que já leram percebem as semelhanças e diferenças aqui nesse plot da fic. Eu mesma nunca li (preciso encomendar o mais rápido possível!), mas eu pesquisei muito sobre o B para escrever sobre ele. Toda a história e a sinopse do "livro". _Não vou mais colocar muitos conflitos e novos suspenses no plot porque se não fica muito bagunçado e vou acabar esquecendo de esclarecer alguns deles. _Capítulo bem chatinho, mas já postei piores, então espero que compreendam. Eu não costumo ficar relendo a fanfic, mas tenho certeza de que quando eu terminar e reler toda novamente, vou sentir uma imensa vergonha de ter postado. Esse é o legal de ser ficwriter, pelo menos na minha opinião. A gente cresce com o tempo. Aprende mais, passa a ter ideias melhores e aqueles projetos mais antigos acabam ficando vergonhosos. kkk. Mas acho que faz parte. _Não sei se vocês tem curiosidade para saberem qual a fisionomia do Hayato e do Yonosuke, mas se se interessarem, saibam que estou trabalhando com uma colega que desenha superbem, e vou montar os dois personagens com ela. Talvez eu poste no meu tumblr. Se tudo der certo, passo o link para vocês. Acho que é isso. Ah, mas antes, alguém aí é de São Paulo e vai no AnimeFriends? :3 Até o próximo capítulo, tenham uma ótima semana!