Scream! Welcome To The Game.

12 Capítulo 11 - Em busca do aliado.


Notas iniciais
Yo! Como vão vocês, suas xerosas! :3 Demorei? Gomen! Minha escola está uma loucura! É tanta coisa para fazer! Estou enlouquecendo! Eu realmente não iria postar hoje, mas decidi terminar o capítulo para não atrasar. Espero que gostem. - Betagem, aliás: meia betagem, feita pela xerosa da Amane Misa. Obrigada!! :3 Boa leitura! Narração: Beyond.

Capítulo 11 — Em busca do aliado.

“A sensação horrenda de ter meus cortes sendo invadidos pela água morna e sabonete me fez suplicar mentalmente pela morte. Pouco a pouco me vi rodeado por uma turva camada de vermelhidão seguida pelo cheiro forte de ferrugem. B fazia questão de passar a esponja em cima dos ferimentos, dando a desculpa de precisar limpá-los para evitar infecções. De vez em quanto até os lambia, murmurando palavras sujas. Não sei o que estava mais vermelho no momento: a água da banheira ou o meu rosto. Uma misto de dor, raiva e vergonha. Oh céus, eu não tenho nem mesmo a chance de me defender. Inútil, covarde! Paro para reparar o moreno... Aqueles olhos. Repletos de luxúria e maldade pura. Um brilho assustador; uma cor totalmente diferente. Todo esse cenário me arrepia dos pés a cabeça. Nenhum ser humano em um estado mental saudável seria capaz de sentir prazer em causar dor a outras pessoas. Que tipo de vida é essa?”

Maravilhado. O corpo magro e pequeno era esculpido pelas minhas mãos que trilhavam caminhos invisíveis.

Molhado e vermelho.

Lá estava eu, agachado, apoiando um dos meus braços na beira da banheira e usando a mão do outro braço para afastar os cabelos do rosto do pequeno, que gemia de dor.

– Você é... Delicioso. – não conseguia conter meus comentários. Saiam involuntariamente. Sorri. – Está gostando do banho? Está quentinho? – Near abaixou a cabeça, tentando esconder o rosto que estava... Corado?

– Você... Você é um... Monstro. – as palavras vieram seguidas de um espirro tímido.

– Não veja assim. Como eu já disse você é o culpado disso tudo. – peguei uma toalha e comecei a secá-lo.

– Eu sou o culpado? – perguntou incrédulo, se virando para mim – Você transformou minha vida em um inferno!

– E a sua vida era boa?

Estava pensando em deixar as torturas psicológicas para mais tarde, mas o pequeno insiste em me desafiar.

– Eu te fiz um favor! Até um cego seria capaz de perceber o quanto aquela rotina te prendia! Nem amigos você tinha! Família? Nem isso... – ri forçadamente.

– Minha avó é minha família! – Near levantou o tom de voz, levando um tapa em repreensão.

– Escuta aqui, moleque! Não ouse tentar me desafiar. Eu dito as regras. Como eu já lhe expliquei, você está no MEU jogo. Suas atitudes sempre terão consequências. A cada movimento, você corre o risco de se beneficiar ou de se ferrar. Reconheça seu posto, meu brinquedinho. – desfiz minha expressão raivosa, dando espaço a um doce sorriso. Fechei os olhos por alguns instantes, e me aproximei do menor, acariciando o resultado do tapa. – Você é tão vulnerável. Tão puro. Isso me enlouquece. – a cada sílaba sussurrada percebia os arrepios que eu causava no menor. – Você era virgem, certo? Em todos os sentidos. – Near abaixou a cabeça, envergonhado. Puxei levemente seu rosto pelo queixo, obrigando-o a me encarar. – Tenho quase certeza de que nem beijo na boca você tinha experimentado.

Tomei seus lábios, iniciando um beijo. A forma que ele tentava protestar, tentando me empurrar para longe, mas sem forças para realizar tal ato.

Apertei um dos cortes de seu braço, mostrando minha impaciência para que ele cedesse ao beijo, correspondido de má vontade na mesma hora.

Percorri minhas mãos até seus cabelos, puxando-os com pouca intensidade. Durante poucos instantes senti como se Near retribuísse o beijo, tentando travar uma batalha entre nossas línguas. Apartei o ósculo, vendo sua expressão cansada e corada. Ele me encarava com os lábios semiabertos, e ainda mantendo nossos rostos quase colados, pude perceber o quanto seus olhos negros eram quase tão penetrantes quanto os meus.

– Só não vale se apaixonar, pirralho. – sussurrei. – Eu já volto, parece que precisarei dar alguns pontos nas suas costas. – apoiei minhas mãos no joelho e levantei, rumando até o armário do banheiro, e de lá, tirei agulha, linha apropriada para a situação, uma pinça e uma tesoura.

– Só para a sua informação: Eu já beijei antes. – o tom de provocação proferido pelo menor me fez parar e o encarar através espelho com um misto de raiva e curiosidade.

– Mas a sua virgindade é minha e isso é mais do que eu poderia desejar. Você é meu. – virei meu tronco e fui novamente até a beirada da banheira já escassa de água.

– Alguém ainda vai me tirar daqui. – afirmou para si mesmo. Não pude deixar de rir, atraindo o olhar infantil. – Do que está rindo?

– Sua inocência às vezes me diverte mais do que me excita. – pausei minha fala, vendo a expressão de dúvida surgir em seu rosto angelical. – Ninguém vai te tirar daqui. Acha que alguém vai se importar se não te ver mais na escola? Esqueceu que você não tinha amigos? O maior dos problemas era Raito, mas agora nada pode interferir. Sua avó? – deixei uma leve risada escapar, tentando conter as palavras que mais desejo pronunciar no momento. – Ela não deve nem se lembrar do seu rosto. Você está sozinho.

Em pouco tempo os cortes mais profundos já estavam completamente fechados. À medida que cobria o corpo do pequeno com roupas quentes, explorava cada canto da pele alva e macia, mesmo coberta por cortes e linhas.

– Não imagina o quanto ansiei por você – aproximei-me de seu pescoço e mordisquei um pedaço da pele. – Tantas madrugas em frente a sua casa. Tantas manhãs exaustivas te seguindo, acompanhando seus passos. A cada segundo atento.

– Você... – rosnou. – Você é um monstro! Um demônio desumano, louco! Eu te odeio! – vociferou o pequeno, tentando se defender com socos tortos.

Dei uma joelhada em seu estomago, vendo-o cair e gemer de dor. A raiva queimava dentro de mim, tomando conta dos meus ossos. Minha cabeça começou a girar, e uma dor insuportável começou a latejar sem piedade.

“ – Você é um monstro...” “ — Não merece viver” “ – Até o próprio capeta se renderia a sua maldade.” “Pensei que me amasse, foi o que você disse.”

“ – Ela estava atrapalhando... Foi melhor assim. Existem outras por aí, meu caro amigo.”

Todas as vozes ecoavam... Fantasmas sussurrando lembranças sombrias... Cada grito... Cada lápide... Cada mísero número.

SAIAM DA MINHA CABEÇA, SEUS MALDITOS!

Apoiei-me na parede, recuperando a consciência insana que em mim habita. Near ainda estava caído, com as mãos postas sobre o abdômen. O peito subia e descia rápido.

Ajoelhei, agarrando seus fios de cabelo brancos. Ele fechou os olhos, esboçando uma expressão arrependida de dor. Alguns gemidos escaparam de sua garganta. Roucos e assustados.

– Eu estava pensando em te alimentar hoje, mas por conta da sua rebeldia você vai continuar a base de água. – meus dentes quase trincavam por conta da raiva. – Se achou que a pior coisa foi ser estuprado, se enganou. A dor que você sentiu da primeira vez não vai ser nada comparada ao que vem a seguir. – joguei sua cabeça contra o chão. Me levantei, pronto para desprender o cinto que prendia a calça em minha cintura.

Parei minha ação, ficando em silencio.

Um barulho.

Alguém estava lá dentro. Debaixo do mesmo teto. Ocupando o nosso mesmo ambiente.

Saquei o revolver mais próximo que encontrei. Near arregalou os olhos e abriu a boca, pronto para gritar. Em um movimento rápido, tapei seus lábios rosados.

– Cale a boca. Parece que não estamos sozinhos, e antes que pense em um possível resgate, lembre-se: A pessoa que está aqui pode ser muito pior que eu. Alguém que não hesitará em te matar. Então fique calado. – aos poucos fui afastando minha mão de seus lábios. O menor deixava algumas lágrimas escaparem, mas se manteve estático.

Com cautela e em passos silenciosos, encostei-me à parede do quarto, bem próximo a porta. Consegui ter uma visão ampla do cômodo principal. Estava escuro, mas nada que me impedisse de conseguir ver a silhueta parada em frente à janela. A figura mantinha as mãos no bolso de uma jaqueta escura. Virou a cabeça levemente para o lado. Encarou uma das prateleiras, virando o tronco em seguida, sendo atraído por vários utensílios cortantes.

Segui em direção à figura distraída. Pouco a pouco o ser ganhava cor. A adrenalina e vontade de atirar estavam me dominando a cada passo. Engatilhei o revolver, já bem próximo da cabeça do corpo masculino infiltrado no meu galpão.

– Quem é você? – perguntei. O homem riu e guardou a tesoura que se encontrava em sua mão novamente na prateleira.

Lentamente, colocou as mãos atrás da nuca, e se virou para mim.

– É você! – Ah, esse suicida!

***

Sentado em minha confortável poltrona, tendo a visão nua do corpo preso por cordas e amordaçado. Jogado no chão perto dos meus pés. Corado de vergonha.

– Ele tem mesmo 17 anos? – pela décima vez a pergunta soara em tom incrédulo.

– Chega! Não estamos aqui para discutir a idade do moleque! Você sabe muito bem o que me interessa! – o repreendi.

– Vingança. – suspirou. – Eu posso fazer isso.

– Você acha que é simples assim? Chegar lá com uma cara malvada, entrar na quadrilha como se fosse um clube e logo no terceiro dia ganhar a confiança do líder como se fossem amigos de anos? – beberiquei um pouco da bebida destilada em meu copo, sem interromper meu contato visual com o mais velho.

– O que você sugere então?

– Precisamos de alguém que já esteja lá dentro. – afirmei ainda pensativo. – Alguém que já esteja lá há muito tempo. – sorri enquanto acariciava meu próprio queixo.

– Mikami nunca aceitará trair a confiança de Yonosuke.

– E quem disse que pensei em Mikami? – pousei o copo com o conteúdo pela metade sobre a mesa. – Vou lhe contar uma coisa que descobri há algum tempo. – o mais velho aproximou-se mais de mim, pronto para ouvir melhor a história. – Yonosuke tem um irmão. Um irmão mais novo que acabou por ficar na Rússia e cuidar dos negócios por lá. Ele se chama Heinz e por culpa dele os negócios no país de origem afundaram. Yonosuke ficou completamente enraivecido e humilhou o irmão até não poder mais. Heinz para se vingar, decidiu se deitar com a ex-esposa do mais velho, Jekaterina, que não faz nem um pouco jus ao nome.* Os negócios cresceram muito no Japão e em outras partes do mundo por conta de Yonosuke. Ele ficou conhecido e temido por vários no mercado negro. Entre o início até o auge da fama do irmão mais velho, Heinz engravidou Jekaterina e essa seria sua vingança, mas o irmão começou a ganhar poder e o mais novo temeu que sua vida chegasse ao fim. Para evitar ser assassinado, decidiu matar a amante e seu futuro filho que nem chegou a vir ao mundo e esse é o segredo que Heinz guarda até hoje consigo. Agora ele ajuda o irmão, e cuida das partes mais importantes e delicadas dos negócios já que adquiriu experiência, mas não é reconhecido por isso. Carrega em sua mente raiva, inveja e remorso. – sorri ao terminar o texto. Ao ver a expressão de dúvida brotar no rosto do mais velho no ambiente, decidi acrescentar. – Digamos que Heinz é fraco para bebidas. É só beber um pouco a mais que chora e conta a vida para qualquer um. Não sei como Yonosuke ainda não descobriu tudo isso.

– Você quer que eu o busque para você, certo? – perguntou em um tom obvio.

– Exato.

– E quando ele já não for mais útil?

Encarei o rosto do mais velho, como se a resposta já fosse evidente.

– Descartamos ele. Fácil... Como matar uma barata.

Levantei do meu assento e peguei meu casaco estendido no braço da poltrona. O vesti e peguei o menor pelo pulso esquerdo, arrastando-o para um dos quartos.

– Talvez seja melhor levá-lo conosco. – sugeriu.

– Por quê? Já o deixei sozinho aqui antes.

– Sua fechadura. – apontou para a porta de entrada. – Está ruim. No caminho avistei alguns adolescentes não muito longe daqui. Todos bêbados, procurando um lugar coberto para transar loucamente com líderes de torcida ou somente tirar a virgindade de garotas CDFs iludidas.

Os argumentos foram suficientes para que eu pegasse uma roupa qualquer e vestisse o pequeno.

Estávamos no quarto. Ele ainda amordaçado, mas com as pernas e mãos livres.

– Não pense que isso mudará o fato de hoje. Quando chegarmos, você irá se arrepender. – Apertei seu membro, vendo-o se encolher devido a dor.

Algemei as mãos de Near novamente, puxando-o pela blusa até o cômodo principal. Peguei uma coleira, passando-a pelo pescoço machucado e roxo. O mais velho ria.

– Quando chegarmos lá, você irá buscar Heinz. Falhar não é uma opção, entendeu? – me aproximei do mais velho, mantendo um olhar firme.

Ele se aproximou mais de mim, e puxou minha cintura, selando levemente nossos lábios.

– Sinto falta dos seus gemidos. – sussurrou ele.

Empurrei seu corpo para trás, e isso o fez rir.

– Não tenho tempo para besteiras! Vamos, Hayato! – ordenei, puxando Near pela coleira, que mantinha uma expressão de dúvida enquanto o mais velho nos seguia logo atrás.

O que ele fez foi imperdoável. Como se eu tivesse me esquecido de tudo.

Não...

Eu não esqueci, verme!

Você irá me pagar. Eu vou acabar com você, no tempo certo, na hora certa, e no lugar certo. O inferno será um parque de diversões perto do que você ainda irá sofrer.

“Logo você arranja outra coisa. Não é tão importante, afinal, você já está acostumado a se livrar de incômodos.”

Notas finais
Jekaterina, que não faz nem um pouco jus ao nome.* - Esse é um nome feminino russo que significa: Mulher pura, imaculada. (Deu para perceber o quanto é pura '-') E então?? Digno de ser lido ou ficou uma porcaria sem noção? o.OEstou louca para escrever o próximo Lemon. Não vai demorar muito e prometo caprichar! ;) Até o próximo capítulo!! Beijos! :3