Scream - Survival 2

2 Trouble in Pendleton College


Notas iniciais
Vamos conhecer a galera? Nossos 19 personagens estão prontos para o que virá? De modo direto, e divertido, lhes apresento o grupo de azarados que vamos atazanar desta vez. Bem vindos, a "SCREAM - SURVIVAL 2"

Abotoando a camisa, ele já estava no último passo de sua tarefa do momento, se vestir. Paul era concentrado em tudo o que fazia, até mesmo nas mínimas coisas. A Mochila estava no banco, tudo estava arrumado, o cabelo estava do jeito que ele gostava, relaxado mas não despenteado. Era assim que ele saía da natação toda semana. Não via a hora de dar adeus ao vestiário e ir aproveitar o restante do dia, queria apenas sair daquele lugar onde se via sozinho, porém cercado por armários de metal. A porta no canto do local se abriu, alguém pareceu entrar. Um garoto magro de olhos claros:

—Hey...

Paul levou o olhar a ele imediatamente, tirando a atenção do último botão da camisa por um instante. O outro Rapaz continuou se aproximando:

—Cheguei tarde.. queria mesmo era ter visto você ainda de sunga. -Disse com soriso malicioso.

Paul respondeu com um sorriso, terminando enfim sua "Tarefa", chamando o garoto com a mão:

—Vem cá.

Ele se aproximou com um sorriso enorme, abrindo os braços em busca de um abraço, e foi exatamente isso o que ele teve. Timothy, ou apenas "Tim" era o mais próximo que Paul tinha de um confidente, e talvez algo muito maior. O abraço veio acompanhado de um beijo. Grudento, Tim não soltava os lábios de Paul recusando-se a se afastar, embora Paul, por sua vez, dava leves tapinhas nas costas do garoto murmurando com a boca entrelaçada na dele:

—Huumm... pera aí... hummm... Tim....... hummm.. espera..

Mas ele não cessava. A Cada vez que Paul tentava dizer alguma coisa, Tim colocava a língua mais fundo em sua boca, tentando tirar dele sua vontade falar, querendo transformá-la em vontade de "Agir". O nadador sentiu os braços de seu par o entrelaçarem, estava preso e dali não sairia. Mas colocando delicadamente as mãos em sua cintura, Foi que Paul conseguiu afastá-lo, empurrando-o com "Carinho". Tim respondeu bufando:

—Ai, o que foi?
—Aqui não... — Paul mostrou certo constrangimento.

Tim assoprou o ar após respirar fundo, concordando com a cabeça logo em seguida.

—Desculpe.
—Não, tudo bem. É que temos que tomar mais cuidado, só isso.
—Você podia acabar com isso logo.
—Eu vou! Logo... prometo.
—Esse seu "Logo" demora demais. Já estou cansado de esperar.
—Bebê... só mais umas duas semanas, por favor.
—Tá, tá. Não precisa implorar. Eu espero. Como sempre.

Paul acariciou o rosto dele, domando seu "Leão", fazendo-o se acalmar. Em seguida já estava se aproximando de seu corpo novamente tascando-lhe um selinho forte.

—Calma, em poucos dias... estaremos na casa dos meus pais, e eu vou apresentar você para eles.
—Isso se os velhos não morrerem do coração.
—O quê? Não vão. Olha, eles já sabem...
—Sabem? — Perguntou Tim sarcástico.
—Bom... sabem... da metade.

O Olhar de descontentamento no garoto partiu o coração e Paul:

—Mas, olhe... vai ser tudo do jeito que eu prometi. E qualquer coisa.. não precisamos de ninguém. Vamos ter nossa casa..
—Os cachorros?
—Gatos!
—Não.... -Tim fingiu tristeza.
—Ué, por quê não?
—Gatos não.. não quero envelhecer numa casa cheia de gatos. Vou acabar virando a "Louca dos gatos" que mora no fim da rua de alguma vizinhança.
—Você precisa ser mais otimista.
—Eu só estou brincando, besta.
—Tá bem.. brincadeiras a parte... e aí? Como está sendo seu dia?
—Humm.. deixa eu ver.. interessante.
—Interessante? Agora fiquei curioso.
—Ahm, você não sabe?
—"Sabe" o quê?
—Nossa, Paul haha.... já tá maior confusão lá fora!
—Que confusão?!!

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Empurrando a porta com força, Paul passou por ela de uma vez ajeitando a mochila nas costas sendo seguido por Tim. O Olhar curioso no nadador era explícito. Descendo os poucos degraus em sua frente deixando o prédio para trás, ele mantinha a visão fixa ao fundo no que parecia ser um monte de gente agrupada no jardim. Um bando de curiosos de olhos arregalados tampando as bocas, exclamando coisas inaudíveis até então. A movimentação era forte, a cada segundo chegavam cada vez mais e mais estudantes de olhares assustados. Todos querendo saber o que diabos tinha acontecido ali no pátio. E os que descobriam o ocorrido, se afastavam com a mão na boca, incrédulos diante de tanto absurdo.

—Nossa já está assim? — Comentou Paul caminhando depressa.
—Esse povo é rápido, querido. -Disse Tim apressando o passo, tentando acompanhá-lo.


Em meio a multidão, uma mulher negra um pouco "cheinha" uniformizada, parada atrás da faixa de "Mantenha Distância" abria os braços dizendo alguma coisa para a multidão que assistia o acontecimento:

—Não tem nada pra ver aqui! Vão pra aula, agora! Andem, andem! Saiam daqui!

Seu nome é Reese. A Moça já de meia idade, beirando os 50, é a chefe de segurança da Universidade Pendleton. Conhecida pelos estudantes por ser amigável e boa de conversa, Reese exercia seu trabalho de modo peculiar até. Suas expressões faciais cartunescas a tornavam mais engraçada do que devia ser, principalmente sua voz fina e mandona. Não importava o quão boa ela era no cargo, vê-la como autoridade era quase impossível aos estudantes.

—Você não limparam o ouvido hoje?! Eu mandei SE AFASTAREM!!!

A Multidão murmurava sem parar. Os comentários desesperados e rostos expressavam tristeza e terror diante da cena que piscava com flashes de fotos, tanto da perícia, quanto dos estudantes tentando registrar a confusão. Um carro parado no meio de todo aquele circo, uma janela quebrada toda manchada de sangue, e um corpo no chão coberto por um lençol. Uma ambulância e duas viaturas bloqueando a passagem dos universitários e consequentemente parte de sua visão do espetáculo, que era filmado e fotografado por dezenas de braços jovens portando seus celulares.

—Sai!!!!!! -Exclamava Reese tentando tampar a visão que alguns tinham com seus celulares balançando os braços para cima e para baixo.

Abrindo caminho na multidão como Moisés no mar, empurrando todo mundo seguindo em frente naquele aperto, estava Paul, esforçando para chegar na beira do círculo de curiosos que se formou em volta do cenário da tragédia. Levantando o braço tentando chamar a atenção, exclamou:

—Reese!!

Ela se virou procurando quem a chamava. Colocando as mãos na cintura em descontentamento fazendo bico:

—Só podia ser...
—Reese!!

Bufando, Ela se aproximou sem sair de dentro do círculo:

—Que foi, garoto?!
—"Ai"!!
—"Hey, cuidado"!!
—"Não empurra"! -Gritavam os estudantes ao serem jogados para o lado conforme Paul abria caminho entre eles com certa estupidez e entusiasmo.

Chegou finalmente até a "Primeira Fila", deparando-se com Reese parada diante dele com olhar de desaprovação.

—Reese, o que aconteceu?
—Escuta aqui, garoto. Isso não é da sua conta.
—Reese, qual é! Isso pode ser matéria no meu jornal!
—Não vai ter matéria nenhuma!
—Por favor, por favor! -Disse ele já tirando o gravador do bolso da mochila rapidamente, colocando-o em posição para que ela falasse. -Só uma declaração rápida....

Ela bufou olhando para os lados, indecisa se diria algo ou não. Reese sempre servia para Paul como os olhos e ouvidos da faculdade. Grande parte dos escândalos ele ficava sabendo através dela:

—Vamos... rapidinho... por favor!
—Quer uma declaração?
—Sim!
—Aqui vai uma declaração pra você. SE AFASTE! NÃO TEM NADA PRA VER AQUI! Vocês também! -Berrou ela para com a multidão.
—Afff... -Paul desligou o gravador em expressão de desânimo, dando as costas retornando seu olhar para Tim. -Hoje ela não tá de bom humor.
—É.. E daqui a pouco nem eu vou estar de bom humor.. olha lá. -Disse Tim apontando para longe.

Paul procurava com os olhos o que ele estava apontando. Atrás da multidão, próxima a uma árvore uma garota sorridente acenava para Paul com um entusiasmo tremendo:

—Amor!!! -Ela balançava os braços em desespero fazendo de tudo para que ele a visse.

Ele abaixou a cabeça discretamente, cochichando para Tim:

—Amor, eu vou indo lá... A gente se fala depois.
—Tá. -Era explícito como Tim não estava feliz com aquilo. A Situação o corroía, mas não havia nada que ele pudesse fazer no momento. -Vai lá... te vejo depois.
—Eu te daria um beijo de despedida agora.. mas...
—Vai logo.. você vai se atrasar.

Paul pediu desculpas com os olhos, não queria vê-lo daquele jeito, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, ou fazer, a voz da menina invadia seus ouvidos:

—Paul!!!!!
—Vou indo.. -Ele passou direto por Tim, tornando a abrir caminho entre a multidão, desta vez para sair. E foi ainda mais fácil. Ao perceberem que ele estava querendo sair, o tratamento da multidão foi bem diferente, abrindo espaço quase que imediatamente. Tim via seu amado se afastar decepcionado, indo direto para os braços da morena sorridente que ansiosa recebia Paul toda contente.

—Oi meu Jornalista!! -Ela o abraçou calorosamente, para a tristeza de Tim observava tudo ao longe.

Paul a abraçou tentando disfarçar o constrangimento da situação. Ter uma namorada e um amante tão próximos um do outro lhe davam ânsia.

—Oi.. tudo bem, amor?
—Tudo sim. -Ela passava as mãos nos cabelos, a beleza dela chegava a ser irritante. Clarice, a estudante de Letras que nem sabia estar sendo traída por seu homem.. com outro homem, passava a mão acariciando o braço daquele que achava ser sua alma gêmea. -E aí, quando vai publicar?
—O quê? O que aconteceu aqui, você diz? -Perguntou ele meio avoado, por dentro incomodado, só queria dar o fora dali para que Tim não fosse mais torturado pelo cenário ainda.
—Nossa, você está meio lento hoje hein. É, sobre essa confusão aí... vai virar notícia oficial quando?
—Eu não sei.. Resse não quis falar nada.
—Xii... que merda. Bom, quer tomar um sorvete antes da aula? Porque acho que só vou te ver de noite hoje, to cheia de coisas pra fazer, um saco.
—Vamos sim! Agora, não é?
—Sim, bobo, agora! -Ela sorriu passando seu braço em volta do ombro do namorado, puxando-o para si forçando-o a caminhar com ela.

Paul deu uma rápida olhada para trás, vendo ao longe o olhar de partir o coração que Tim carregava, tornando a fazer seu caminho com Clarice logo em seguida. Os dois seguiam se afastando da confusão.

—Você disse que está cheia de coisas para fazer..
—É.
—E o que seria?
—Ham.. provavelmente algo muito mais útil do que aquelas vadias. -Clarice apontou para o lado, a uma certa distância, a visão que se tinha era de três garotas, uma ao lado da outra com os braços levantados segurando placas de papelão desenhadas com tinta guache com os dizeres: "Parem a violência no campus!" "Respeite os Mortos, vá estudar!" e o terceiro cartaz dizia "Não olhe para lá, olhe para cá!"

A Garota que segurava a terceira placa, estava com os peitos de fora, tendo duas estrelinhas de papel cobrindo-lhes os mamilos. Essas três infames são as garotas da Fraternidade Lambda Kappa. Ativistas e protestantes, lutam sempre por boas causas, arrecadando dinheiro para organizações como ONGS, e são meninas de boas intenções.. mas como diz o ditado, de boas intenções o inferno está cheio. A Terceira garota que por si só era a exibicionista do dia, uma loira escultural e de peitos grandes, balançava os seios à mostra para chamar a atenção dos garotos, que por sua vez, já passavam de vinte mirando com a tela do celular os peitões da menina. As Lambda Kappa's sempre faziam a coisa errada, pelos motivos certos. Se queriam por exemplo, arrecadar dinheiro para crianças carentes, faziam Strip Tease e doavam a grana que ganhavam. Era assim que elas se viraram, seus protestos escandalosos e polêmicos ao menos resultavam em coisas boas. Hoje, berravam contra a violência com uma delas mostrando os peitos para tirar a atenção da galera da tragédia.. mais um dia normal para as Lambdas em Pendleton. A exibicionista de hoje, é Minnie, que sacode os peitos como se tivesse num desfile de carnaval:

—Chega de violência gente!! Uhull!!! -Gritava Minnie sacudindo o torso sorrindo, tudo era motivo de festa para ela.

A Garota do meio, Quinn, a "Respeite os mortos, vai estudar" estava séria. Era absurdo como ela levava a sério as coisas que fazia com as meninas. Sentia que um dia mudaria o mundo. Quando tinha 16 anos, foi detida por soltar pelo menos 43 cachorros que iam ser abatidos em um canil. Em sua ficha criminal, constava "Invasão de propriedade, Ameaça imprudente e perturbação da ordem pública". Seus pais é quem arcaram com as consequências, através de subornos para que a ficha da menina fosse limpa, isso porque a Universidade Pendleton não admite alunos com ficha criminal. Com voz de poder, Quinn exclamava:

—Já estamos cansadas desses absurdos! Estamos em um mundo onde não se pode mais sair a noite! Um mundo onde não se pode fazer uma cirurgia plástica sem ser julgada! Um mundo violento! Desprezível! Eu estou cansada!!! Parem de colocar o nariz onde não são chamados! Aquele garoto merece respeito! Temos que pensar na dor de seus familiares e amigos, e não tirar fotos! Tirem fotos dos peitos da Minnie, mas deixem o cadáver em paz! -Em seguida, repetiu a frase de seu cartaz: -"Respeite os mortos, vá estudar!"

E a primeira garota, Rachel, uma morena de lábios grossos e pele marrom claro reluzente, chamava a atenção sem precisar se expor. Não precisaria de muito esforço desde que suas coxas já gritavam "Olhe para mim" automaticamente. Seu cartaz "Parem a Violência no Campus!" era talvez o menos criativo, mas o que Rachel tinha de lábia e beleza, compensava seu desleixo com a falta de capricho nas tarefas. Segurando o cartaz em uma mão, e o alto-falante na outra, ela prosseguia:

—Hoje Pendleton está de luto! Isso é um ultraje! Isso não vai ficar barato! Venham hoje a noite para a Passeata da Paz das Lambda Kappa! Bebida grátis!!! Vamos contornar o campus hoje a meia noite! Vamos espalhar nossa mensagem de paz!!!


O Som de uma sirene de viatura chamou a atenção dos rapazes que se agrupavam para ver os peitos de Minnie, com uma derrapada na grama, a viatura parou de lado freando bruscamente deixando uma marca dos pneus no gramado. A Cirene cessou, fazendo todos os olhares serem atraídos até o veículo. Minnie, Quinn e Rachel pararam de gritar abaixando suas placas com olhares sérios. Os meninos fizeram o mesmo, guardando os celulares depressa em seus bolsos preocupados com uma possível encrenca. O Oficial que se encontrava no voltante, segurava o rádio próximo a boca, assim que falou, sua voz emitiu claramente pelos auto-falantes presentes no teto do carro:

—Isso é um ambiente estudantil. Peço que se retirem e se cubram agora, ou terei que detê-las.

Rachel espremeu os olhos, não queria que nada estragasse seu protesto hoje:

—Nós temos o direito de estar aqui! Esse é um país livre!!!
—Atenção! — O Oficial continuou: -Eu vou dar três segundos para vocês pararem com esta ação. Isto é "Atentado ao Pudor".
—Olha o atentado aqui!! — Minnie berrou sorrindo sacudindo as tetas.

Neste mesmo instante da ação imprudente da loira, o ronco do motor da viatura se fez, acelerando em direção as garotas.

—Ah!!!
—Eita caralho!!
—Sai sai!! -Os rapazes gritavam saindo do caminho, espalhando-se para os lados numa corrida frenética quase tropeçando uns nos outros.

A Sirene ficou mais intensa a partir do momento que o carro vinha na direção das meninas, que no susto, jogaram as placas para o alto virando-se para correr.

—Corre, viado! -Rachel foi a mais rápida das três, num rodopio instintivo ela já estava dando no pé. Quinn gritou de raiva lançando seu cartaz de papelão como um Freesbe, que atingiu o para-brisas da viatura:
—Vai caralho!!! -Exclamou seguindo Rachel em fuga desesperada pelo gramado.
—Vai, Quinn!!! -A morena lhe gritou sem olhar para trás enquanto corria.

A Viatura ainda acelerava com tudo, quando um copo de Milkshake fora lançado contra o pára-brisas melecando todo o vidro num "Splash!" fazendo o veículo parar na hora numa derrapada desnorteada conforme dezenas de estudantes corriam para todo lado em desespero e gritos desviando para não serem atropelados. Os vultos dos rapazes e garotas correndo na frente da viatura aos berros faziam Pendleton parecer uma rebelião de presídio. Com o carro já freado e com visão bloqueada, o oficial desceu do carro imediatamente causando ainda mais pânico. Olhando em volta, o homem fardado revoltado procurava o autor do lançamento do "Milkshake", mas jamais encontraria naquele monte universitários que corriam feito loucos e vultos que passavam de mochilas nas costas em sua volta bloqueando sua visão das três garotas fugitivas.

—Meninas, esperem!!! — Minnie exclamou ao fundo.

Rachel e Quinn viraram a cabeça para trás vendo a amiga tentando ao máximo acompanhá-las na corrida. Era engraçado como Minnie corria com os seios de fora, balançando para cima e para baixo tendo eles quase batendo em seu queixo.

—Ai meu Deus!! Eu nunca pensei que meus peitos pesavam tanto!!
—Faz uma lipo depois! Agora corre!! -Disse Quinn tentando manter o fôlego.
—Menina, que loucura foi essa?! -Rachel exclamou.
—A Gente quase foi em cana, dá pra acreditar?!! -Minnie parecia assustada durante a fuga, só queria estar bem longe dali. -Ai, quem foi que jogou aquele negócio?!!
—Eu não sei! Mas vamos dar o fora daqui! -Quinn apressou o passo.


Segurando um canudo lambuzado de Milkshake, ela o lambia aproveitando o que sobrou de sua arte. Com um All Star de Salto Alto, uma saia justa e jaqueta Jeans, a agora "Morena" carregava nos olhos escondidos por um óculos escuro, contentamento e expressão sorridente diabólica. Tirando o canudo da boca e jogando-o no chão, a garota desfilava como uma modelo atraindo olhares. Suas unhas grandes e vermelhas aproximaram-se da armação do óculos, retirando-os no mesmo instante em que dava uma jogada de cabelo sentindo o vento. Deixando para trás a viatura e a confusão que tinha acabado de causar. A Garota, Claire Ripley, ria baixinho para si mesma:

—Ai ai.. bom dia pessoal..

Com os cabelos hoje tingidos de Castanho, a antes Loira conhecida como "Diaba" provava que suas travessuras infames não estavam totalmente fora de si. Aproximando-se de um garoto de cabelos um pouco longos, que chegava até os ombros, ela sorriu:

—Oi, Edward..
—Claire! -Respondeu ele com um sorriso dando-lhe um abraço. -E aí? Dormiu bem?
—Bem demais.
—Você tá feliz sua malvada?
—Mas é claro! Nossa, aquela garota roncava que nem uma porca gorda, eu hein. Por isso eu te falo, não divida o dormitório com bêbados. Só de lembrar o cheiro de cana que saía da boca dela já me dá um embrulho no estômago.
—E agora? Com uma cama vaga.. alguém vai querer alugar lá, você não acha?
—E quem disse que a cama está vaga? Querido, quando ela se mandou eu tirei os lençóis dela, coloquei um dos meus, deixei tudo limpinho e transformei a minha cama e a dela em uma só baby.
—Você não presta! Hahahah!
—Ah é? Conte uma novidade. Bem, eu não vou alugar aquele quarto pra ninguém. Deus me livre. Eu não queria nem ir pra nenhuma fraternidade já por causa disso. Privacidade zero, bagunça total, calcinhas jogadas por aí.. e 50 vadias malucas perambulando com escova no cabelo reclamando que alguém comeu o Iogurte Diet delas? Ah pelo amor de Deus, olha pra mim. Não sou pra isso não.
—Tá certo, eu também escolhi os dormitórios. Fraternidade? To fora. Você viu o que eles fazem com os calouros como nós?
—Ah se vi... Aquela Rachel lá é a pior. Eu até pensei em entrar na Lambda Kappa, nem que fosse só pra causar. Mas aquela garota é tão filha da puta... afff.. a última que entrou teve que limpar os banheiros sozinha por uma semana. Elas são cruéis. E eu não sou empregada de ninguém.
—Tem certeza de que isso não era só um boato?
—Ah.. se era boato eu não sei. Mas estou bem sozinha. Um quarto só pra mim, duas camas só pra mim, quero mais o quê?
—Verdade. Falando em boatos, tá sabendo da confusão ali?
—Nossa, já estão comentando? Caralho foi só um Milkshake, nada demais. Não é como se eu fosse ir pra câmara de gás por isso.
—Não, não.. não to falando disso. To falando do "Acidente/Assalto" que teve ali.
—Ah então.. não sei de muita coisa, só que teve um assalto.. ou um acidente.. porque ninguém conta direito. O que houve?
—Um menino morreu.
—Eita.. quem?
—Sabe o Carl?
—Que Carl?!
—O que usava franja.
—Meu cu! "Cry baby Carl" esse Carl????
—Sim..
—Meu Deus.. e a Gigi?
—Não sei. Ninguém sabe.
—Eu hein.. foi assalto ou acidente essa porra?
—Não sei. Como você disse, ninguém fala. E A Reese pelo jeito vai ficar de boca fechada.
—Vesh.. pior que eu conheço a Gigi, ela é um amor. Nossa ela deve tá arrasada. O Evan então.. nem se fala. Ai.. parece que a desgraça segue a gente, eu hein.
—Xiiu... -Edward fez sinal de silêncio. -Olha o Evan ali.. Fala baixo.
—Ta... ah é, tem falado com a Amelie?
—Falei com ela ontem. Ela tá exausta.
—Ela ta cursando o quê?
—Direito.
—Puta que o pariu... não é a toa que tá cansada. Ai como eu queria que todo mundo tivesse vindo pra Pendleton. Já pensou a gente junto aqui?
—É.. Mas tadinha, ela ganhou bolsa. Ela mereceu ir pra Yale.
—Verdade. E ela já sofreu demais coitada, preciso mandar uma mensagem pra ela qualquer dia. Falando nisso, o Marty e o Keaton estão Noivos!!
—Mentira!
—Sério! Eles postaram um video no face muito bonitinho... o Keaton ajoelhando dando a aliança pra ele.
—Que legal!
—Super. Ain, saudades.. Ainda temos que sair todos nós juntos.
—Pera, então foi você que jogou aquele copo na viatura?
—E quem mais seria? Hahaha!
—Lacrou. — Edward levantou a mão para Claire bater um "High 5", e assim ela o fez.
—É a vida.. eu poderia estar num Asilo de loucos, mas ao invés disso estou olhando a bunda do Evan.. meu Deus.. olha isso.... -Claire abaixou a cabeça analisando as curvas do garoto colocando um dedo nos lábios.

Loiro, Robusto de braços grossos, Evan se sentava nas pequenas escadarias na porta do prédio da Biblioteca.

—Ah droga.. ele sentou. Aff... — Comentou Claire desapontada.

O Garoto cabisbaixo mantinha pose rígida e séria, mas era claro como por dentro ele estava inconsolável. Carl era um grande amigo, os dois dividiam o quarto na fraternidade. Ao saberem do ocorrido, todos os garotos da DKY Combinaram um memorial para Carl dando uma festa, coisa que Evan desaprovou. Festa para ele era sinônimo de comemoração, e não importava se o evento era para lembrar de um bom amigo que se foi, ainda era uma festa, e ele não estava no clima para isso. Torcia para não chorar. Chorar em público para ele era doloroso demais. Logo, um bando de curiosos iam aparecer cercando-o com as perguntas de sempre "O que foi?" "O que aconteceu?" "Pode falar" "Você está bem?". Ele não suportaria, além de ser uma situação chata, isso não é hora para "Pergunta e Resposta". Muitas meninas passavam fitando-o com pena, mas resistiam em parar para conversar devido ao olhar sério intimidador do rapaz.

Aos poucos, ele já se sentia incomodado com os olhares. Era perceptível como grupinhos espalhados apontavam "Discretamente" e conversavam entre si. Mas ele não tinha lugar para ir. Não teria coragem de encarar uma aula hoje, e a Biblioteca abriria em 15 minutos, bastava esperar... esperar...

—Tadinho.. — Claire conversava com Edward. -Me parte o coração sabe. A Gente sabe como é. -Disse ela passando a mão em cima de sua cicatriz na coxa. A Lembrança daquele caco de vidro que a cortou e o som dos tiros veio a tona, deixando-a um pouco mais sensível que de costume. -Ed, eu vou indo, tá? Passa lá no meu quarto depois pra gente conversar, tá bom?
—Pode deixar.. tá tudo bem?
—Tá sim... relaxa. Beijo. -Ela se inclinou para frente, recebendo um beijinho no rosto de Ed. -Até mais.
—Até.

Ao se virar, Claire trombou uma garota distraída que vinha em sua direção, que acabou dando um grito de susto:

—Ah!!!
—Eita! Calma... -Claire levantou as mãos em sinal de rendição. -Eu hein... tá perdida?
—Ahm.. na verdade.. sim... por acaso voc..
—Se tá perdida acha um mapa. Não tem aplicativo no seu celular não? Google Maps? Ah?

A Menina, completamente sem graça encolhendo-se em meio aos seus livros que segurava contra o peito, não conseguia dizer uma palavra.

—Desculpe.
—Não.. desculpe eu. Se preocupa não linda, não é implicância. É só reflexo.
—Reflexo?
—É... Sabe quando você cai num hábito antigo? Tipo quando um viciado volta a usar drogas?
—Oh.. -Respondeu a garota em espanto.
—Não, babaca, eu não uso drogas.
—E qual era seu vício?
—Grosseria. -Claire sorriu falsamente. Agora dá licença que eu to indo, espero que você encontre seu caminho... ou Jesus.. sei lá. Tchau pra você queridinha.

A Morena saiu andando colocando os óculos escuros de volta no rosto, deixando a garota para trás, que se abaixou catando uma de suas revistas que tinha caído. Na capa da revista estava o título "Fangoria", com um zumbi em longo estágio de decomposição na capa. Era uma revista Nerd sobre terror, games e ficção científica. Recuperando seu item do chão tomando cuidado para não derrubar o restante, Kirstin se sentiu um tanto intimidada pela menina com quem acabara de "Conversar". Não imaginava que logo em seu primeiro dia alguém a atacaria com tanta estupidez, mas ela não se deixou abalar. Enquanto se levantava percebeu o garoto de cabelos longos lhe observando com um sorriso de meia boca. Ela o encarou na mesma hora já desviando o olhar envergonhada:

—O que foi? — Perguntou tímida sem olhar diretamente nos olhos dele.
—Tá perdida?
—Sim.. mas não se preocupe, já achei meu mapa.
—Hahahaha!!!! — Edward respondeu com uma gargalhada forte.

Kirstin riu de lado se achando uma idiota:

—Foi mal.. é que..
—Eu sei, CLAIRE.
—Claire? Então esse é o nome dela?
—HA! O Nome é só o começo dela... acredite, você ainda não viu nada.
—É.. E não sei se quero ver.
—Relaxa, ela é boazinha. Só não tem muita paciência.
—E Você?
—Eu tenho paciência.
—Sou Kirstin.
—Edward. -Ele estendeu a mão para cumprimentá-la, até perceber que tal tarefa seria impossível para ela, que carregava tudo aquilo nos braços. -Foi mal.
—Não, tudo bem. Prazer te conhecer.

Ele respondeu com uma piscada como olho direito.

—Então.. Kirstin, o que procura?
—Um teto pra dormir... me sugere alguma coisa?
—Você pode ficar num dormitório, ou numa fraternidade.
—Ah.. sim, mas.. tem algum lugar pra me indicar? Algum lugar legal. Qualquer uma das duas opções serve.
—Bem...
—Menos onde aquelas meninas moram.
—Que meninas?
—Aquelas que estavam berrando ali.. onde tinha uma mostrando as tetas.
—Ah... entendi haha... você pode tentar a Zeta Beta. Elas estão aceitando novas moradoras.
—Sério?
—Aham..
—Eu não quero ser abusada, mas pode me levar lá? Não sei onde é.
—Achei que tivesse encontrado seu mapa!

Evan passou por eles depressa:

—Oi, Ed.
—Oi...

Não houve tempo para conversa, o Loiro continuou seu caminho sem parar para nada. Edward o via se afastando com pena, mas logo ia retomar a atenção para Kirstin, quando uma mão pousou em seu ombro.

—E Aí!

Ele se virou para ver quem era. Daniel, seu colega de classe. Palhaço como ele, porém muito mais sem noção. As piadas grotescas e bobas de Ed não eram nem de longe desgovernadas ou ofensivas quanto as de Daniel.

—E Aê. -Ed o cumprimentou.
—Nossa, esse Evan é sensível hein.
—O Que você fez?
—Nada...
—Dan... que porra você fez?
—Nada! Só perguntei se ia ter bastante garotas na festa da DKY hoje, e ele saiu bolado.
—Você é foda, pra que isso?
—O que eu fiz?
—Ah eu não quero ter essa conversa agora. Depois você vai lá e faça o favor de pedir desculpas. Ele tá arrasado, o Carl morreu.
—Nossa... — Kirstin mostrou espanto. -Aquele mocinho que morreu era amigo dele?
—Era.
—Gente... que horror. Você o conhecia?
—Sim.. mas não era alguém próximo, sabe.. mesmo assim.
—Hey.. eu ainda estou aqui. -Dan interrompeu, sentindo-se excluído.
—Foi mal. -Respondeu Edward.
—Mas o que tem de errado no que eu perguntei? Caramba.. é uma festa, todo mundo sabe que vai rolar.
—Eu vou ficar quieto. Kirstin, vamos?
—Sim.. -Disse ela sem graça. -Até mais.. Dan. Legal te conhecer.
—Falou mano. -Ed se despediu rápido do colega, já colocando a mão nas costas de Kirstin, apressando-a para sair dali.
—Falou... -Daniel acenou discretamente sem entender nada vendo os dois se afastarem. Não era sempre que ele pensava rápido para se tocar das situações, mas não por burrice, mas sim por falta de interesse. Quase nunca passava pela sua cabeça que as pessoas à sua volta pudessem ter preocupações maiores que roupas, sexo ou diversão. Sentia que a faculdade era como uma obrigação. "Só uma coisa chata que tenho que fazer pra virar designer gráfico". Olhou em volta por um instante, e bocejou lambendo os lábios. -Que fome. -Disse passando a mão na barriga procurando com o olhar a cantina, mas tudo o que via eram os prédios e torres lhe cercando naquela área verde.

Na cantina, sentados numa mesa comendo um X-Burguer estavam os dois. Um, Vestido de preto, com maquiagem escura, uma tatuagem de cobra que lhe subia pelo pescoço e correntes na calça jeans, com um topete pontudo, visual rebelde... Kenny. Sentado em sua frente, o outro era muito diferente. De terno cinza e gravata, com aparência de ser bem mais novo do que realmente é, barba feita e testosterona o suficiente para fazer as garotas sentirem o cheiro. Kenny, um aluno. E o outro, Matt, um professor de filosofia. Os dois mantinham uma certa amizade, desde que o próprio Kenny sonhava em lecionar Filosofia um dia.

—Bem que podia não ter aula hoje.. -Kenny dava sua primeira mordida no sanduíche.
—To te estranhando. Não quer aula hoje? Minha aula?

O Jovem respondeu com a cabeça o gesto "Não" com o sanduíche entre os dentes.

—Tem algo errado?
—Aham... -Respondeu de boca cheia.
—O que é?

Ele continuou mastigando colocando a mão na frente do rosto indicando "Espere".. até que finalmente engoliu.

—Ah.. eu to começando um relacionamento.
—E isso é motivo de não querer estudar? -Perguntou o professor sorrindo.
—Não.. é que...é muita coisa pra minha cabeça. É provas, é Catherine, é tudo. Se bobear logo logo não vou ter tempo nem pra tomar banho. Só não chego atrasado na escola porque eu literalmente MORO aqui... Senão..
—Eu sei. Mas é assim com todo mundo.
—Foi assim com você?
—Sim. Você está sobrecarregado. Eu gostaria de te dar uma folga mas não é assim que as coisas funcionam. Tenta relaxar, lembre-se que daqui a duas semanas tem a excursão e vocês vão relaxar bastante.
—Eu não vou.
—Como assim não vai?
—Estou cansado demais até pra levantar da cama. Só estou aqui agora porque eu realmente estava com fome. To num surto de nervos que se alguém me der bom dia num certo tom é capaz de eu furar o infeliz.
—Wow.. assim também não!

Kenny colocou o hambúrguer na mesa e retirou um canivete do bolso da calça, abrindo-o. Exibindo a lâmina:

—Guarde isso.
—Já vou guardar. Talvez seja útil pra quando eu ficar aqui no câmpus quando todos estiverem fora.
—Do que está falando?
—Parece que tem um lunático a solta. É bom se proteger.
—Tá, agora abaixa isso.. você pode levar suspensão. Não devia andar com essas coisas por aí.

O garoto fechou o canivete, em desânimo:

—Achei que as nossas conversas deveriam ser agradáveis.
—E elas são, contanto que você não ande com Sprays e objetos cortantes pela escola. Me dá isso.
—Não...
—Eu devolvo, prometo.
—Ok... — Respondeu bufando.

Matt tomou o canivete da mão do garoto, disfarçando para que outros estudantes não vissem o que ele fazia. De ladinho, escondendo a mão com o objeto entre as coxas olhando para os lados, o colocou de fininho dentro de sua pasta posicionada no chão entre suas pernas. O Movimento estava grande na cantina. O lugar era quase como um restaurante, com dezenas de mesas e cadeiras enfileiradas. Matt não podia arriscar ser visto fazendo aquilo, após guardar, retornou sua atenção a mesa:

—Sobre o que você estava falando, sobre um "Lunático".. o que quer dizer?
—Sei lá. Nunca aconteceu nada desse tipo por aqui. É a primeira vez que alguém é assassinado.
—Não temos certeza se aquele garoto foi mesmo assassinado.
—Cai na real... é claro que foi. Acha que a Universidade se daria ao trabalho de tentar encobrir um acidente?
—"Encobrir"?
—Deixa eu te fazer uma pergunta... você viu algum repórter por aqui? Alguma emissora de televisão?
—Não.
—Aí é que está. Tenho certeza que Pendleton está abafando o caso. Se fosse um acidente, a notícia sobre a tragédia já estaria até na CNN.
—Isso é maluquice... mas até que faz sentido. -Matt sorria de modo debochado, não levando a sério por um segundo o que o garoto dizia.
—Você não está me ouvindo.
—Kenny, eu estou te ouvindo, só não estou acreditando no que você está dizendo! Eu achei que você estava fazendo progresso. Saiu das drogas, está estudando. Escolheu uma vocação... por que montar teorias de conspiração logo agora?
—O quê? Vai ligar pros meus pais?
—Não...
—Então?
—Então... por que.. hipoteticamente falando, é claro. Por que Pendleton encobriria um assassinato?
—Não é óbvio? Essa universidade tem a fama de ser a mais segura do país...
—Acho que no fim alguém vai estar certo, não? — Matt mostrava pré-potência exagerada.
—Ah esquece.. foda-se... Depois a gente conversa, não tô com paciência pra isso.

Kenny levantou-se num pulo empurrando sua cadeira violentamente para trás, irritado, o jovem pegou seu lanche enrolando-o em um guardanapo:

—Até mais.
—Calma.
—ATÉ MAIS.
—Ai meu Deus...

Kenny seguiu em frente, cortando caminho por entre as mesas. Se irritando com os sorrisos falsos das conversas fúteis de garotas e garotos que mal comiam, na maioria desperdiçavam. Suas olheiras ainda marcavam uma época sombria de sua vida. Seu nariz ainda coçava com a lembrança da cocaína, mas a resistência lhe falava mais alto. Detestava quando uma pessoa não levava sua palavra a sério. Tudo o que ele dizia parecia que as pessoas tomavam como "Papo de drogado", mas Kenny ouviu os gritos... de sua janela em seu dormitório, passou a noite inteira remoendo os gritos de Gigi e Carl ouvindo tudo o que acontecia. Não poderia haver ninguém que lhe tirasse da cabeça que de fato havia um louco à solta. As derrapadas do carro, lhe foram motivo de pesadelos... Sua insônia diária talvez lhe garantiu que ele fosse o único a ouvir... isso se realmente ouviu mesmo! Pois logo alguém colocaria a culpa em sua mente inventiva e perturbada.

Passava direto tendo em vista o balcão da cantina, onde pediria um refrigerante. Estava com tanta fome que esqueceu de pedir uma bebida para acompanhar, agora a garganta seca exigia algo gelado. Ao chegar mais perto do balcão, um casal passou em sua frente, tomando o lugar para serem atendidos:

—Com licença! -Falou Kenny em voz alta, próximo a ter um ataque de nervos. São pequenas coisas assim acumuladas que desencadeiam nele um temperamento exagerado.

O Casal se virou, eram Paul e Clarice.

—Ah.. Paul.. desculpe.
—E aí Kenny, você está bem, cara?
—To levando.
—Oi. -A menina esboçou um sorriso ao cumprimentá-lo.
—E aí.. Paul.. essa noite.. você não ouviu?
—Ouviu o quê?
—A Gritaria... Gigi e Carl..
—Ah.. não cara. Eu não estava no quarto. Por quê? Eles estavam transando no quarto do lado?
—Você não estava no nosso quarto ontem?
—Ué, você não percebeu?
—Eu não acendi a luz... — Kenny disse espremendo os olhos se lembrando.
—Pois é.
—Então.. você estava onde?
—Ham.. -Paul sorriu constrangido apontando para Clarice.
—Oh... entendi.

A Menina ficou corada, já tentando mudar de assunto:

—Você estava na fila?
—Sim...
—Pode passar, meu amor. Paul, eu vou ao banheiro, pede o lanche para mim, tudo bem?
—Ok...

A menina se afastou, e Paul apontava para o balcão indicando a Kenny que ele deveria ir primeiro. O Rapaz agradeceu acenando com a cabeça. Quando estava prestes a dar o passo, Uma vibração no bolso de Kenny se deu. O Celular apitava.

—Ué.. -Retirou o aparelho do bolso, vendo uma notificação no aplicativo "Spread".

Logo, inúmeros apitos de celulares por toda a cantina se deram. Paul não foi exceção, os dois já retiravam seus celulares dos bolsos. Foi uma verdadeira fanfarra, em todas as mesas, os sons de mensagens chegando tomando conta do lugar. Kenny se virou olhando em volta, prestando atenção em como cada estudante ali presente olhava com espanto o que quer que estivesse sendo enviado. Com os olhos, procurou Matt, que também vítima da ocasião, fitava seu próprio celular sentado na mesa de costas para Kenny.

—O que está acontecendo?
—O que é isso?
—Oh meu Deus!

Os murmúrios começavam. Logo, as mãos tampavam bocas, suspiros podiam ser ouvidos de longe. Kenny então finalmente fixou o olhar na tela de seu aparelho. O envio foi feito através de um aplicativo criado pelos próprios alunos de Pendleton, o aplicativo em questão, servia para notícias e fofocas gerais. Ao instalá-lo, é possível ver os contatos de todos os alunos, exceto seus números. Todos os contatos são mostrados com "Nicknames" (Apelidos) e, ou fotos. Para usá-lo, basta digitar os nomes que deseja e fazer o envio automático. Mas ao que parece, a mensagem chegou para todos os que possuíam o Aplicativo. Por "Contato Anônimo", o envio era de uma foto de Gigi dentro do carro, aos berros em expressão desesperada tentando segurar a jaqueta de Carl, que por sua vez estava sendo puxado para fora do veículo por algo preto, uma figura sombria destorcida e borrada devido ao rápido movimento que fazia em puxar o garoto.

Kenny recebeu um olhar incrédulo de Matt, que se virou na hora encarando-o de olhos arregalados. A Satisfação pessoal do rapaz que sempre era considerado "Louco" e "Exagerado" era inevitável. Agora ele tinha certeza e ninguém negaria. Os gritos foram reais.

Notas finais
Desta vez, com um universo compartilhado e uma personagem de outro filme Slasher "Reese", fazendo participação especial, "SCREAM - SURVIVAL 2" é a minha pequena tentativa de elaborar e fazer acontecer uma continuação de terror com novos elementos. Espero que gostem!! Por favor, comente o que achou. Até a próxima galera! Obrigado!