Scream - Survival 2

5 Get Ready to Party, Zeta Beta!


Notas iniciais
Continuando do exato ponto onde REDRUM parou, a casa da Zeta Beta tem um visitante indesejado.. o que irá acontecer?

—Meninas, eu estou com medo. -Maddie não se movia. Sua situação mais que delicada a impedia de fazer qualquer coisa que não fosse estar sentada no vaso sanitário. -Que merda...

Clarice, que a esse ponto não sabia se ficava com raiva de estar perdendo a chance de se exibir para os garotos da faculdade, só para depois dar uns amassos com Paul na frente de todos eles, fazendo-os perder qualquer esperança de ter um pedaço dela, ou se ria da situação de Madison, por mais que aquele cômodo fedesse. Fez expressão de desgosto para a garota, dizendo em tom grosseiro:

—Pare de ser idiota. É só uma brincadeira. Primeiro a charada, agora isso? Isso é coisa dos meninos da DKY. Falando nisso, a gente tá perdendo a festa. Ashley, você está com seu celular aí?
—Ahm... e por que infernos eu estaria com meu celular agora? Eu estou num banheiro, tentando me ver no espelho há uns 20 minutos mas você não deixa, fica na frente! Sinceramente, eu só estava com pressa de me arrumar mas você não estava colaborando. Fiquei quieta, mas é isso.
—Nossa, de onde veio essa sua atitude?
—Ai, não sei! Desculpe. Eu estou nervosa, não liga.
—É sério que eu tava te atrapalhando?
—Gente! -Maddie berrou, Tomando a atenção das duas. -Foco! Tentem abrir a porta, falem pra eles pararem.
—Eles quem? -Perguntou Ashley.
—Sei lá, a Clarice disse que isso é coisa dos meninos da outra casa lá.
—Ah, eu vou lá saber? Sei nem o que eu tô fazendo aqui, era pra eu estar com o Paul agora. Mas fazer o quê. Aff... -Clarice bufou cruzando os braços dando passos em vão no meio daquele banheiro. Ficou parada ao lado da cortina de banho, dando um passo de um lado para o outro, em nervosismo. -Que saco!
—Abre a janela pelo menos. -Ashley apontou para o quadradinho pequeno por onde mal podia-se ver as luzes dos postes do lado de fora.
—Boa ideia! -Clarice esticou o braço se aproximando da janelinha. Com as duas mãos, a fez subir de uma vez. Era um pouco estreita, mas tinha espaço de sobra ao menos para passar a cabeça. -Dá licença um pouco, Maddie. -Disse tentando passar a cabeça pela janela, porém ter Madison sentada no vaso bem ali debaixo da janela dificultava.
—Como? Eu não vou levantar!
—E nem é uma boa ideia você levantar.
—Vai fazer o quê, Clarice? -Ashley questionou sem entender nada, fazendo careta ao ver a amiga passando a cabeça para fora.
—Eu vou gritar pra alguém. Pra ver se alguma alma boa vem destrancar a porta por fora.
—Pra quê? Isso é inútil. Madison, manda mensagem para a Cath aí fazendo o favor.
—Tá.. espera... -Respondeu ela abaixando a cabeça, metendo os dedos na tela digitando algo, tendo seu braço empurrado sem querer pelo quadril de Clarice, que tentava dividir de modo impossível o mesmo espaço, estando quase em cima da menina, se levantando nas pontas dos pés para olhar a rua.

—Ai, assim não dá pra eu digitar, caralho! Você quer subir em mim, porra?
—Foi mal! To Saindo! -Ela se retirou dando passos para trás levantando os braços em sinal de rendição, de olhos arregalados de modo sarcástico, "Obedecendo" a ordem de Maddie. -Pronto, Sargento!
—Dá pra acreditar? Estamos fodidas! -Ashley Levantou os braços rapidamente no ar, soltando-os em seguida, deixando-os bater contra suas coxas em sinal de "E agora?".
—Calma. -Clarice passava a mão na cortina de banho, puxando-a em puro desinteresse e tédio. A medida que a cortina se abriu, se revelou o box vazio com o chão levemente molhado, e a ducha pingando. Mas não foi isso que lhe chamou a atenção, e sim a visão que teve ao olhar para baixo, soltando palavras em expressão e nojo: -Meu Deus!!! Quanto cabelo no ralo! Quem tomou banho aqui, o Chewbaca?!!

(Plin Plin!) -O Celular de Madison Apitou, Chamando atenção da morena, Ashley.

—E aí, a Cath respondeu?
—O quê? Nem deu tempo de eu mandar mensagem pra ela.
—E então?
—Alguém me mandou mensagem.
—Quem?
—Número Privado, de novo.
—O que diz?

Aproximando o rosto da tela, a garota magrinha se pôs a ler:

—"Little pigs, Little pigs, Let me come in" (Porquinhos, porquinhos, deixem-me entrar!)
—Quê? -A Morena riu levantando as mãos acima dos ombros, desentendida, achando a coisa toda uma tremenda palhaçada. -Somos os três porquinhos agora?
—Ele está chamando a gente de gorda?! -Clarice tornou sua atenção as duas, falando imediatamente inconformada.
—Eu não sei..

(Toc, toc, toc, toc) Quatro batidas bem de leves se deram na porta, seguidas por um silêncio. O olhar das três garotas se voltaram a mesma, curiosas, porém, sem se mover.

—Quem é? -Ashley deu um passo à frente devagar, hesitando em chegar muito perto.
—Olha ali.. -Cochichou Maddie, apontando em frente, porém, mais para baixo, curvando-se para frente.

As outras duas seguiram a direção de seu dedo, fazendo o mesmo. A morena se inclinou abaixando-se um pouco. Uma sombra estava presente do outro lado, era possível ver pelo vão embaixo da porta. Parada, imóvel.

—Eu não vou abrir essa porta.. -Ashley disse um pouco tensa.

A Medida que as meninas ficavam em silêncio observando a sombra, a situação se tornava ainda mais bizarra. Aquele ser parado perante a porta, não se movia por nada, não havia nenhum pio vindo do corredor. (Plin Plin!) Outra mensagem chegou, desta vez, o toque do celular lhes deu um susto, fazendo-as estremecer ao mesmo tempo. Maddie, num pequeno pulo, quase deixou cair seu aparelho celular, apertando-o com força em um ato de reflexo, levando-o até o peito num suspiro de alívio.

—Ai que susto!
—Mensagem de quem? -Clarice sussurrou.
—Número privado de novo... "Then I'll Puff!" (Então vou soprar!).
—Eu não estou entendo nada. -Clarice olhava de um lado para o outro em completo tédio, não achando a brincadeira nada engraçada. -Vamos arrombar logo essa porta.
—Xiiiiu!!! — Ashley lhe deu sinal de silêncio mostrando-lhe a palma da mão, mirando sua visão no vão embaixo da porta. A sombra já não estava mais lá.
—O que foi?
—To ouvindo uma coisa.. -Aproximou-se da porta vagarosamente, ainda curvada, deixando o ouvido à frente. A morena mal podia ouvir sua própria respiração, mas sua atitude impulsiva a levou para mais perto... mais perto... Sua cabeça quase tocava a porta, tendo ela passado o cabelo atrás da orelha, deixando a mesma encostar na madeira. Grudada, com uma mão para trás indicando "Calma, fiquem quietas" para as meninas, ficou atenta aos ruídos baixos. A atenção de Maddie e Clarice ao fundo eram igualmente fiéis, paralisadas, tentando escutar algo que até o momento não chegou a seus ouvidos. Seus olhos percorriam além do cômodo, para cima e para baixo, para os lados, procurando algum som que ainda parecia não existir. O Silêncio total em poucos segundos, as ajudou a escutar...

Um ruído... era algo sendo arrastado pelo corredor ao longe. O piso de madeira entregava o som. Era metálico, possivelmente pesado. E estava chegando mais perto. Ashley, prestes a dar um suspiro, retirou a orelha da porta, arrastando vagarosamente as costas pela parede indo para o lado, um pouco mais para trás, agora mantendo os olhos fixos na maçaneta, imaginando o que se passava do outro lado. Ficando parada ao lado da porta e encostada nos azulejos da parede, seu olhar tenso começou a se mostrar. Ainda baixinho, disse:

—O que está acontecendo?....

(BANG!) Uma baita batida se deu na porta, fazendo a mesma estremecer.

—Ah!!!
—AAhh!!
—WOW!!

As três gritaram num pulo. Num curto intervalo de segundos, a porta foi atingida por uma segunda pancada, ainda mais forte! (BANG!) -Os gritos continuavam, mas as três, mesmo aos pulos, se mantinham quase imóveis sofrendo tremeliques que vinham de seus ombros a cada susto. (BANG!!!) Uma lasca de madeira caiu do lado de dentro. Madison, em pânico, berrava puxando as calças até os joelhos, ainda sem se levantar do vaso. Clarice, se agarrando a cortina de banho, se voltou para trás sem desviar o olhar de onde vinham as pancadas, tentando inutilmente manter distância. Ashley é quem ainda estava colada na parede próxima a porta, com a bochecha grudada no azulejo, balançando os braços em desespero a cada pancada conforme os gritos explosivos saiam de sua boca. (BANG!!!) -A nova pancada, veio acompanhada de um buraco, por onde através dele passou um objeto metálico e aparentemente quadrado, que ficou emperrado na pequena abertura feita pelo golpe por um ou dois segundos, sendo remexido por quem quer que fosse, passando por entre as lascas de madeira em volta da ruptura, sendo puxado de volta quase que no mesmo instante. Era um machado! (BANG!) O Objeto ficou claro nesta nova pancada, tendo a lâmina passado por inteiro através da porta, balançando para os lados desgovernada, logo em seguida sendo retirada com rapidez, apenas para retornar em mais um baque horroroso e estrondoso.

—Socorro!!! -Maddie se sacudia sentada no vaso.
—Ahhh!! Meu Deus!!!
—Pare!!! -Ashley gritava sem conseguir se mover, literalmente morrendo de medo sem nenhuma ação.

(BANG! BANG!..... BANG!) O Terceiro e último golpe fez se abrir um grande buraco de onde pedaços maiores de madeira foram lançados pelo banheiro. A Ruptura, tendo nas bordas vários pedaços pontiagudos da madeira que se partiu com as pancadas anteriores. Tudo o que elas conseguiam ver, era o machado indo e voltando cada vez com mais força.

—Ashley, sai daí! — Clarice berrou. E Assim a garota o fez. Com dificuldade para se desgrudar da parede devido ao medo, seus passos trêmulos e tortos indo de lado, a afastavam aos poucos daquele canto, onde tomada pelo pânico, fitava diretamente o buraco enorme na porta onde era possível ver o corredor e a parede... e nada mais. O espaço vazio não mostrava ninguém do outro lado, e francamente, ver algo ou alguém talvez fosse pior, ou será que não? -Fique atrás de mim! -Clarice a puxou pelo ombro, fazendo-a se apressar em seu movimento dramático e estático. A garota foi quase arremessada para trás, e num piscar de olhos seu campo de visão se baseava numa vista por cima dos ombros da amiga. As respirações pesadas das três eram tão absurdas que saíam quase como gritos ou gemidos. Numa jogada impulsiva, Clarice se jogou para frente estendendo os braços catando em desespero, a chapinha posicionada em cima da pia. Retornando à sua posição de modo rápido e ágil, mantendo o objeto próximo ao peito, segurando-o firme com as duas mãos.

Estava tudo quieto demais. Isso não era bom. Jamais. Aquela abertura enorme na porta era o suficiente para passar uma pessoa, embora estivesse numa altura referente a cintura. Maddie paralisou segurando as calças na altura dos joelhos, imaginando se a brincadeira de mal gosto tinha acabado, se Deus lhe deu uma segunda chance na vida, ou se seria morta nos próximos segundos. Seus olhos continham tudo de uma só vez, sentimentos traduzidos numa só palavra: HORROR.

Ashley se mantinha acoada feito um filhote de cachorro, com as duas mãos frente ao rosto, olhando o buraco através das brechas em seus dedos, que inquietos, se abriam e fechavam constantemente, era difícil para a morena que tentava se decidir em ver tudo aquilo finalmente acabar, ou fechar os olhos para não se ver morrer.

—Fiquem calmas... -Clarice disse com pouca ou nenhuma confiança, levantando a chapinha próximo ao rosto, apertando-a em sinal de defesa. A coisa tremia em suas mãos, isso tampouco acalmava qualquer uma das duas.

Foi quando, parecido com algo saído diretamente do inferno, a máscara fantasmagórica surgiu repentinamente na abertura, exibindo-se para as três garotas em toda sua glória de terror, arrancando gritos inconsoláveis de medo e choque, tirando de suas esperanças, qualquer ação que poderiam ou desejavam tomar.

Ver aquela coisa encará-las de frente foi a gota d'água. Logo, a figura se afastou quase colando as costas na parede atrás de si no corredor, parecia que o maldito estava confirmando se suas ações de fato estavam assustando as meninas. Os gritos eram como aplausos de seu espetáculo, eles o motivavam. Aparentemente contente em seu feito ao receber gritos desesperados como resposta, a ação a seguir foi o que definiu o caos naquele banheiro. Os dois braços, juntos, se levantaram erguendo um pesado machado. Os movimentos do fantasma não eram nem por um milésimo de segundos perdidos por nenhuma das três encurraladas naquele cômodo, que nada podiam fazer, além de se esgoelar e ver diante de si, aquela lâmina de formato quadrado descendo em fúria contra a maçaneta da porta arrebentando a mesma, gelando seus corações que ameaçavam parar de medo diante da morte iminente. O trinco se partiu num som metálico do qual elas jamais esqueceriam, com a maçaneta caindo no chão seguida pelo ruído da porta se abrindo. Ainda um pouco curvado para frente após proferir o golpe, a figura de fantasma levantou seu rosto diante de seus alvos, pendendo a cabeça para o lado num incógnito gesto, acompanhado pela porta que se abrindo, revelava toda sua glória.

—Ah!!!!!!!! -Não haviam mais palavras, apenas desespero e sacudidas de braços de três garotas que não mereciam tal fim. Clarice, sem nem ao menos analisar suas opções, arremessou futilmente a chapinha que segurava com tanta firmeza a apenas alguns segundos atrás na direção do mascarado, que, num reflexo imediato, moveu seus braços que seguravam o machado de tal forma, rebatendo a chapinha com a lâmina fazendo-a ser arremessada contra o espelho que se partiu, com seus cacos de vidro espalhando-se diante da pia em uma sinfonia de gritos e impactos agudos.

—Não!! Não!!! -Clarice se jogou para trás, esquecendo-se que ali, havia Ashley. Em um empurrão repentino, acabou lançando a colega para trás. Ashley, naquele segundo se via indo para trás contra a própria vontade, não tendo controle sobre a amiga que a atingiu com as costas, a morena se via perdendo o equilíbrio batendo com as costas nos azulejos, agarrando-se quase que imediatamente na cortina da banho ao seu lado, seus dedos suados não puderam conter sua queda, tendo ela, despencado no chão levando a cortina consigo, numa descida em prantos com as argolas que seguravam a cortina partindo-se num efeito dominó. Em milésimos de segundos, ela já estava no chão com a cortina envolta de si, enquanto Clarice, pareceu se esvair de um golpe de que vinha em sua direção, se jogando para o outro lado, passando feito um vulto na frente de Maddie, que indefesa gritava com toda a força de seus pulmões em uma posição vulnerável e constrangedora. Suas mãos tocaram a parede, quase torcendo os pulsos tamanho a força com que se arremessou, Clarice teve apenas um segundo para agir ou pensar, chegando do outro lado do banheiro em uma ação covarde, saindo da frente do que vinha em sua direção. Não houve tempo nem dela ver o que acontecera no local que deixou para trás, nem mesmo se perguntar se Ashley estava bem, de qualquer jeito os gritos não deixariam ninguém naquela situação raciocinar. O Machado descia em vão no ponto onde deveria ter acertado Clarice, que já não estava mais lá. A lâmina parou antes de atingir o chão, ficando a centímetros de distância da coxa de Maddie, não a atingindo por pouco. E ela, que se retraiu decidindo de uma vez por todas que se levantaria daquela privada, custe o que custar, ainda tinha uma dúvida pendente. Quem seria mais rápido? Provavelmente, a vontade do assassino, que puxou sua arma de volta si no mesmo instante em que a garota magrinha e histérica lutava para puxar as calças que haviam arriado novamente descendo até os tornozelos.


—Por favor, não!!!! Por favor!! -Pondo os braços para cima, sacudindo as mãos em um ato de pedir clemência, Maddie só tinha olhos para o longo manto negro de rosto branco de um esqueleto deformado, moldado à semelhança do próprio pavor.. e para aquele gesto inexpressivo que a coisa fez, ao levantar o machado:

—Não, por favor!!! -Ela olhava para cima, diante de si, observando algo que acima dela, lhe daria a sentença final... E Como se suas pobres mãos pudessem lhe proteger de alguma coisa, ela as mexia frente ao rosto com lágrimas nos olhos.

—Pare!!!

Em uma última ação de piedade, o ataque foi feito. Jogando um ombro para trás, o mascarado tomou impulso girando o enorme taco com lâmina na ponta sobre si mesmo, Maddie viu ali seus últimos segundos.. era isso.... sua vida havia acabado.. e por quê? Ao ter o relance daqueles braços envoltos do manto negro levantados sobre a cabeça do maníaco, Madison fechou os olhos num berro apavorante conforme suas pernas se estremeciam para os lados, tendo a luz da lâmpada no teto do banheiro bloqueada pela figura mascarada, levando para baixo com toda sua força o machado que atingiu a garota no topo da cabeça, sendo enterrado até a altura de seu nariz, rachando o crânio num baque final. Os olhos ainda reviraram por alguns segundos... o torço de Maddie pendeu mole e desorientado ao sentir a morte, seus braços despencaram e também o celular que portava nas mãos atingiu o piso. Toda a força foi embora.. Maddie era um cadáver e a única coisa que a mantinha ainda ereta e sentada, era o machado fincado no meio da cabeça, sendo segurado pelo maníaco, conforme o sangue tratava-se de escorrer através da enorme rachadura do ferimento que se estendia até o meio da testa chegando até o meio dos olhos, descendo por todos os lados da cabeça da menina, cobrindo-lhe as orelhas, os olhos e a nuca. A enxurrada vermelha que preenchia seu rosto não durou muito, de fato, durou segundos dado a situação extrema em que o assassino se encontrava, exercendo sua força agora de modo contrária, tentando como rei Arthur, arrancar o machado de volta. A Força do golpe e o modo como foi proferido fizeram a lâmina literalmente ficar empacada. Num puxão, a cabeça da garota se jogou para frente, ela e o machado agora pareciam inseparáveis. Mais um puxão, e mais um jato de sangue espesso veio acompanhado. E numa ação que exigiu mais força, até tremiam os braços do psicopata, e até o próprio cabo do machado em si, desgrudando-se da garota sem vida de uma vez só em um instante onde o corpo pendeu para frente debruçando-se involuntariamente com uma espirrada grotesca de gotas enormes de sangue que se espalharam manchando a parede.


—Ah!!!! -Um grito rouco e alto. O Vulto de Clarice fugindo as pressas desapareceu ao passar pela porta. A Garota havia dado no pé na primeira oportunidade, deixando para trás aquela situação grotesca.. mas porém, abandonando junto com sua sentença de morte, ASHLEY! Clarice sumiu e nem ficou para ver o rosto fantasmagórico que agora, olhando para trás, viu de de relance sua fugitiva.

O Mascarado, agora livre da menina morta, sem nada para empacá-lo e tendo uma já escapado, tornava a firmar os dedos no cabo do machado, quando foi atingido por um objeto não identificado na parte de trás da cabeça, com seu capuz sendo jogado para frente cobrindo metade da máscara e consequentemente um pouco de sua visão. O Ataque vindo de trás o fez perder o equilíbrio, mas não só isso, como sua arma se desprendeu de sua mão, caindo no chão perante a si. O Grito feroz de Ashley indicava mais um feito, quando um segundo golpe o atingiu em cheio. A figura foi ao chão dobrando os joelhos com Ashley ainda em posição de ataque logo atrás, portanto nas mãos o que usou para bater no miserável, um chuveirinho!

Ela não perdeu um segundo sequer, jogou o chuveirinho para trás sem nem preocupar onde a maldita coisa havia caído:

—Desgraçado!! — Gritou ao se colocar para correr, dando um leve salto por cima do mascarado, que, debruçado no chão mal teve tempo de ver a garota pulando sobre si. A Fuga desesperada começou, o jogo estava valendo.

—"Lying to yourself again! Suicidal Imbecil..." — Catherine cantava se esgoelando, sentada no sofá da sala em frente a lareira, com os fones de ouvido num volume absurdo. Alto o bastante para não ouvir nenhum pio, nem mesmo os berros de Clarice, que chegou ao fim das escadas correndo feito louca. Tendo tudo acontecendo atrás de si, Cath nem ao menos estava ciente do que acontecia. A menina correu em disparada indo em direção a porta com berros escandalosos atirando-se contra a porta da frente, curvando-se em desespero alcançando a maçaneta, indo para trás conforme a porta se abria, se lançando a correr novamente quando a mesma já estava escancarada. Clarice desapareceu do "Cenário de fundo" da garota distraída, correndo para sobreviver... -"Why would I wanna watch you?!" -Balançava a cabeça acompanhando o ritmo da música, alheia ao ocorrido, quando Ashley finalmente chegou no pé da escada levando um tombo no último degrau. Aquela cena de terror muda ao fundo, abafada pela música que estourava os ouvidos de Catherine seria hilária se não fosse trágica. Ao se estabacar no chão, Ashley levou as duas mãos à frente na tentativa de amenizar o impacto, e quase torcendo os pulsos no processo numa queda inevitável que marcaram menos pontos em suas chances de sobreviver. Com a cara sobre o piso de madeira e os cabelos lhe cobrindo o rosto, ela se reergueu com agilidade, colocando força em seus joelhos trêmulos que por conta do medo e adrenalina excessiva quase já não tinham forças para fazê-la correr. Ficou ereta novamente jogando os cabelos para trás lançando o olhar a algo que vinha por trás, contemplou por um segundo a vista do topo das escadas em expressão de terror, quando um vulto negro se lançou sobre ela, indo ao chão junto com a garota num estrondo. O Fantasma fora capaz de se lançar dos degraus para impedir a fuga da morena, não a deixaria escapar mesmo que isso significasse usar toda sua brutalidade. -"Disconnected, and self destructed one bullet at a tim.." — Antes que pudesse terminar o verso, Cath foi arrebatada pelo repentino impacto que o sofá sofreu, num pulo de susto inexplicável quando Duas pessoas rolaram por cima do sofá, quase passando por cima dela em uma cambalhota onde a primeira vista, o susto não a deixou distinguir o que estava vendo. Eram Ashley e o Mascarado engalfinhados que rolaram com tudo, ainda dando mais um giro sobre o estofamento, com a figura negra caindo por cima da garota sobre o tapete, bem de frente à Cath, que se encolheu no sofá em espanto recolhendo os pés se sacudindo no desespero de não saber o que diabos estava acontecendo. Seus fones caíram e os gritos ficaram claros.

—Socorro!!! -Ashley clamava estendida no chão numa luta aterrorizante, onde segurava fortemente o braço do psicopata, que mirava a faca em seu rosto numa "Queda de braço" onde mediam forças entre a vida e a morte.

O rosto dela, em pavor extremo, com mechas de cabelo por todo o lado espalhados por suas bochechas eram agonizantes. Ela mal tinha visão do que a tentava ferir, mas a certeza é que estava conseguindo impedir, exercendo toda sua força para não deixar que aquela faca enorme a perfurasse. A boca aberta, o corpo chacoalhando tentando ao máximo para se livrar daquela situação. Ela se remexia ferozmente de uma lado para o outro, ameaçando levantar os joelhos para tentar acertar o desgraçado, mas era impedida pelo peso daquele debaixo do manto negro, que a prendia embaixo de si, não a deixando tomar nenhuma atitude além de se espernear aos berros. Já estava ficando vermelha com a força que fazia, tendo seu braço e o da coisa sendo jogados para esquerda e travando naquela posição que ameaçava ser o fim da luta. -Arrrrgh!! -Gritou ela, usando o outro braço para segurar seu próprio pulso que já fraco, não suportaria sozinho a força do maníaco. Tentou jogá-lo para a direita, e assim conseguiu fazê-lo, ainda que os dois agora jaziam travados naquela posição, desta vez com a lâmina mais perto.

—Ah!! AH!!! Que isso?! -Cath esfregava as costas no encosto do sofá, decidindo entre pular sobre o móvel e fugir, ou acertar a figura que tentava ferir sua colega, porém, sem tomar uma decisão concreta, a menina se encontrava contorcida numa posição meio a meio, pronta para fugir, e pronta para atacar, mas sem de fato agir enquanto o coração lhe parecia querer saltar para fora do peito com a tensão que a corroía. Suas unhas quase perfuravam o sofá em nervoso e desespero...

—Cath.. me Ajuda!! -A Voz de Ashley saiu fraca e chorosa, pesada por sinal devido a força que fazia para não ser acertada.

Mas a colega nada fez. Paralisada pelo medo, ainda arranhava o estofamento se remexendo aos gemidos de pavor não conseguindo raciocinar sobre o que fazer. As tiras de tecido negro pendurados sob os braços do assassino fantasmagórico, sacudiam de um lado para o outro conforme ele tentava golpeá-la. Lutando para rolar ou se livrar, Ashley mexeu a cabeça depressa, conseguindo tirar os cabelos da frente sendo presenteada com a visão terrível daquela máscara.

—Não, Não, Não!! -Não estava mais aguentando. Suas pernas, que esticadas sendo seguradas pelo peso do assassino, pouco conseguiriam proferir qualquer golpe que fosse, a agonia de saber que este poderia ser o fim, a consumiram e a única palavra "Não!" era o que saía de sua boca com o choro. O pulso do mascarado que trazia consigo a ponta afiada daquela faca giraram, fazendo Ashley perder o foco de sua força enquanto sua mão era dobrada para trás. -Ah!! Sai de... cima de mim!! Por favor!!! Cath!! -O Assassino impiedoso, continuava sua manobra, girando sua mão torcendo o pulso da garota que impediam que cumprisse seu feito. Com os dedos a ponto de estalar de dor, ouviu-se um "Crack!" seguido de um grito pavoroso de agonia. O Pulso de Ashley fora quebrado e seus dedos atrofiaram em deformação numa perda de movimentos, que simbolizou sua própria derrota na luta pela sobrevivência. -Ah!!!!!!!!!! -O grito que saiu, não foi de terror... mas de decepção. Aquela dor lhe deu a pior notícia que já recebera: estava para morrer. Uma lágrima ainda escorreu quando a mão do maníaco se soltou da dela e a facada desceu atingindo-a em cheio no peito, entrando até o talo lhe arrancando todo o ar dos pulmões. Desta vez quem gritava era Cath, ainda em seu dilema. Os olhos de Ashley ainda transmitiam dor e luz quando a faca foi retirada aos respingos vermelhos de sangue que vieram de brinde junto com a lâmina, que voraz se preparava para mais um golpe. A Segunda facada a atingiu quase que no mesmo instante no estômago e foi imediato: A lâmina entrou e como numa espécie de gatilho automático o sangue saltou por entre os dentes de Ashley que gorfou o líquido vermelho que saiu espesso, misturado com saliva de sua boca já torta e cansada de gritar. Até mesmo esse direito lhe foi tirado. Ele não iria parar... A Rapidez com que aquela mão negra se levantou e a atingiu com outra facada foi espantosa. Atingindo-a fortemente repetidas vezes. Os dentes tingidos de vermelho, o rosto contorcido no que seria uma eterna expressão de dor e sofrimento, o espanto de Catherine que assistia tudo a um passo de distância, perplexa chorando de medo, abrindo mais a boca a cada facada que era dada na região do tórax de Ashley que tremia com cada golpe, onde seus tremores e saltos involuntários que surgiam com as dolorosas e brutais perfurações de faca eram parecidos com os de uma pessoa que recebe descarga elétrica de um aparelho de ressuscitação. O Som da faca de aço lhe atingindo não era nada como nos filmes, eram baques pesados e graves, que arrebentavam as costelas da garota em estalos que assombrariam os sonhos de Catherine para sempre. No tapete, uma intensa mancha de sangue se formava. Escorrendo pelo corpo de Ashley, ela era contornada por sangue onde logo se formaria uma poça caso o sangramento não parasse, e certamente não iria.. (Sbuf!! Sbuff!..... Sbuff!) -A última facada veio um pouco mais tarde em meio a todas aquelas gotas de sangue que voavam para os lados, marcando até a máscara do psicopata. Seu braço desceu uma última vez, cravando o fim da vida da morena que amoleceu finalmente com a cabeça pendendo para a direita como se fitasse Cath... aquele olhar.. que para Catherine era o julgamento final. Aquele olhar... a julgava... a tristeza naqueles olhos abertos ainda esbugalhados e a bolha de sangue com saliva que estourou entre seus lábio numa última esguichada de sangue que veio da boca da já falecida... E para completar, a respiração pesada daquele embaixo da máscara.. exausto ou ainda sedento por sangue? Quem poderia confirmar o quê?

Sem pressa alguma, os dedos cobertos pelo tecido preto da fantasia na luva que vinha acoplada a manga, se firmaram no cabo da faca, e num impulso único, retirando-a de uma vez do peito de Ashley banhado em sangue. A essa altura a menina morta parecia nem estar usando roupas, o vermelho forte era a única coisa que podia ser vista sobre seu torso. Os respingos haviam atingido inclusive o sofá, e o joelho de Cath que levantado quase lhe tocando o queixo a deixavam em posição quase fetal naquele instante. Chocada, amedrontada, arruinada, traumatizada e culpada... havia desgraça pior? Havia, e estava prestes a acontecer... A Figura apoiou uma das mãos no chão, preparando-se para se levantar.

—Ãhn... Ãnh... -Cath gemia aterrorizada sacudindo a cabeça em sinal de "Não" vendo aquele espectro se erguer lentamente. Não pode suportar.... Fechou os olhos com força negando-se a olhar diretamente para ele. Seu peito subia e descia rapidamente com o ar entrando e saindo. A ponto de desmaiar de terror, Cath esperava pelo seu fim, e no fundo achava que era isso o que merecia. "É Agora! Tô morta! É o fim! Deus, me perdoe, me perdoe!" -Pensava em um choro mudo não vendo nada além da escuridão. O Vento, vindo de sabe onde, uma janela talvez? Ou da porta da frente escancarada? Soprou em seu pescoço que estava quente como o inferno. Não havia nem como engolir seco, mas percebeu que estava demorando demais para ser morta. E numa dádiva do ser humano conhecida como "Curiosidade", Cath não resistiu a não abrir os olhos... Aos poucos, deixou-os se esbugalharem como deveriam. Ainda com o pavor correndo pelas suas veias, e se um dia teve sorte na vida... não havia nada. Nenhum fantasma, nenhuma capa preta. Nenhuma faca lhe arrancando as tripas. Apenas Ashley morta no chão. O Tapete encharcado de sangue e o torso retalhado da garota. Respirou fundo olhando em volta em uma mistura de alívio e desconfiança, não havia ninguém aparentemente. Dando uma verificada ainda por cima dos ombros para ver ele estava ou não parado logo atrás dela, notou a porta aberta ao fundo... e tudo vazio. Seu coração batia menos acelerado, porém mais forte... cada batimento cardíaco era uma pancada dentro do peito. Não podia ser verdade, não podia! Por que não estava partida ao meio?! O Olhar trêmulo encarava a porta pensando se era uma saída ou uma armadilha. Arriscar?...

Ainda fitava fixamente aquela que poderia ser sua passagem só de ida para deixar para trás aquele pesadelo, quando de repente alguém entrou com tudo correndo adentrando a casa parando perante a porta numa agilidade desesperada. Cath não teve outra reação a não ser berrar com toda a força com o susto se estremecendo sem nem ao menos ver quem ou o quê era.. simplesmente toda a força de seu corpo se esvaiu. Aquilo havia sido demais para ela aguentar... e agora vinha o que faltava. Num colapso total de choque e pavor, Catherine desmaiou bem ali diante do susto... mole e pesadamente recaindo sobre o sofá, inconsciente revirando os olhos mergulhando num blackout mental...

—Kirstin?! — A Voz daquele que adentrou a casa gritou, tinha cabelos na altura dos ombros, aparência atlética e mantinha tensão no olhar. Era Edward. — KIRSTIN!!!

Notas finais
Espero que tenham gostado! Confesso que foi um desafio narrar essas três meninas de uma vez, kkkk mas faço tudo por vocês. Por favor, comente o que achou! SCREAM - SURVIVAL 2 está sendo uma boa continuação? (PS: Me esforçarei ao máximo para entregar os capítulos o mais rápido o possível, mas não se preocupem, pelo menos um por semana eu garanto!) Até a próxima, galera!