Scream - Survival 2
30 Fright Night - Part 5
Notas iniciais
—Ok... -Claire respirou fundo, tentando se recompor sem muito sucesso segurando as lágrimas diante do nervosismo. -Eu sei que isso é terrível e que é uma péssima hora para ser grossa. Mas temos que sair daqui seus bunda moles! Quanto mais tempo passarmos nesse prédio, mais mortos vamos estar!
—Está certa. -Concordou Edward cabisbaixo.
Dando uma boa olhada em todos, Claire tomava aos poucos a coragem necessária para dar um certo incentivo de fuga, embora o medo paralisasse a todos. Kirstin tremia, desviando o olhar do quarto escuro não querendo ver o cadáver, escondendo o rosto e meio aos ombros de Ed, do qual pousou-se em choro silencioso. Quinn é quem estava descontrolada, soluçando aos montes com as costas na parede ficando ao lado da entrada do quarto tampando a própria boca. Não que isso ajudasse, pois seus gemidos de horror eram desconcertantes. Paul coçava a cabeça sem saber que reação tomar, encarando Claire esperando desesperadamente por uma direção. Kenny vigiava por cima dos ombros constantemente, paranoico no meio daquele círculo, temendo as surpresas desagradáveis e imaginárias que a pouca visibilidade do corredor lhe causavam.
A Diaba falou baixinho tentando acalmar a situação, por mais que parecesse impossível:
—Seguinte. Nós vamos... Vamos sair daqui juntos. A partir de agora, ninguém sai de perto de ninguém, combinado?! Se alguém quiser sequer peidar, todo mundo vai ficar pertinho sentindo o cheiro. Eu não vou arriscar perder mais ninguém de vista. E por favor... Pelo amor de John Carpenter!.. Não saiam perambulando por aí. E se algo inesperado acontecer, nos encontramos lá fora na entrada principal do prédio, certo?...
Não ouviu respostas vocais. Apenas acenos concordando vindo daquelas cabeças trêmulas.
—Ótimo.. Agora, me deem um segundo pra pensar no que fazer a seguir. -Disse esfregando a testa, pensativa.
Uma espera que não demorou muito, pois de repente uma música surgiu no meio daquela rodinha de 6, lhes causando um pequeno susto que, mesmo silencioso lhes gelou a alma. Certamente não era algo que esperassem acontecer. A música vinha de um pequeno alto falante, com volume generoso causando olhares patéticos nos rostos apavorados. Era o tema de "Scooby — Doo" com a maldita música de abertura do desenho tocando: "Scooby, Dooby, Doo... Where Are You?"..
A reação foi clara. Algo totalmente inapropriado para o momento! Claire quase quis que seus ouvidos sangrassem no momento, onde logo percebeu o sutil "Piscar" do aparelho celular de Edward durante a música, sendo ele a fonte da mesma.
—É sério isso? -Perguntou seca fitando-o sem acreditar.
—Qual o problema? -Ele claramente morreu de vergonha, mas não admitiu.
—Mas que porra de toque é esse?!
—É o meu toque.. -Respondeu chateado, feito uma criança.
—Aff, passa essa merda pra cá!
—Claire..
—AGORA! -Estendeu a mão esperando que o mesmo obedecesse.
Em relutância, Ed lhe entregou o aparelho e Claire bufou silenciando a musiquinha, ao atender a chamada. Seu tom nada surpreso e cínico se impôs desde que ela sabia com certeza.. Quem estava do outro lado.
—Alô?
—Ora, ora, ora.. Veja quem atendeu. -A maldita voz tirou sarro do outro lado da linha.
—"Ora, ora, ora" -Imitou irônica. -Vejam só quem é o filha da puta mais covarde de Pendleton.
—Covarde? Não sou eu quem está temendo pela própria vida num canto escuro.
—E não sou eu quem usa uma máscara pra não mostrar a cara.
—Claire.. Mas que imaginação limitada! Achei que conhecesse filmes de terror.
—Corta esse papo que hoje eu não to boa!
—Como quiser. Já decidiu o próximo passo?
—Primeiro, eu quero saber exatamente quem é você de uma vez por todas. Segundo, onde estão Clarice e Gigi?
—Esses nomes não são familiares pra mim, sinto muito.
—Familiar vai ser quando eu descer o meu punho pela sua garganta.
—Tente um faca, funciona melhor. Pelo menos funcionou bem com a Rachel.
—Vai se foder!
—Ha ha ha.. Isso mesmo. É isso o que eu quero de você.
—Para com isso...
—Mas agora que está ficando divertido?! Não.. Não posso parar. Tenho que ficar pra ver o desespero no seu corpo. Ouvir os gritos.. Qual é, você sabe como funciona.
—Não quero mais jogar. Game over.
—Perde um participante e já quer desistir do Reality? Eliminações são necessárias. É assim que decidimos o vencedor. O "Survivor!"
—Você não está jogando justo. Isso o que você fez foi covardia!
—Bem vinda as novas regras. Estamos na sequência, Claire! Essa franquia tem que render. Não posso ficar jogando no meu público sempre a mesma premissa. Tem de haver surpresas, não acha? Falando nisso, feliz aniversário.. Final Girl.
—Do que você está falando?
—Memória fraca? Deixa que eu te atualizo. Esta noite é uma data muito, muito especial, Ripley. Não é apenas o aniversário do massacre de Stanley Hall de 1998, não. Esta noite, faz exatamente um ano que você se tornou uma Scream Queen.
—Ah, droga.. É mesmo.. Eu tinha me esquecido.
—A essa hora, um ano atrás.. Marty, Keaton, Amelie, Edward e a enfezadinha da protagonista Claire saíam mancando sujos de sangue da mansão dos Stone.
—Co.. Como você sabe disso?
—Eu sei muito mais do que você pensa, garota.
—Tá blefando.
—Estou? Acha mesmo que eu ia perder o meu tempo brincando de "Lenda Urbana" numa universidade?... Isso é muito maior que você. O Jogo apenas começou. Meus amiguinhos estão a postos em toda parte. Mas antes que a diversão possa realmente começar... Temos contas a acertar com a sobrevivente do massacre original. A responsável pela morte de dois de nossos queridos... Membros.
—Tá falando de Juliett e Steve?! Ha! Pelo visto você não sabe de nada, amiguinho.
—E Muito menos você. Eu adoro como você não faz nem ideia da dimensão disso tudo.
—Me atualize, viado!
—Quem sabe um dia. Mas agora, vou apenas passar um tempo matando seus figurantes.
—Deixa eu te contar um segredo? Você é I-N-S-A-N-O!
—Não, você é insana. Deixe-me confessar... Nem mesmo eu estaria onde você está. Sério, Claire? Se armar com um bando de incógnitos?
—Que quer dizer?
—Oh, por favor. Sabemos muito bem que essas pessoas não são suas amigas. Você as mal conhece. Tudo o que você vê nelas.. O medo em seus olhos.. Seus gritos.. Suas decisões. São todas máscaras. Essas pessoas só te deixam ver o que elas querem que você veja. Não aprendeu que não se pode confiar em ninguém? Ao invés disso, você junta esse bando de rostinhos bonitos e acredita fielmente que eles lhe serão úteis.. Ou.. Confiáveis? Esperava mais.
—Tem razão. Não os conheço direito. Não tenho intimidade com nenhum deles como eu gostaria. Mas são pessoas inocentes!
—Para de papo furado. Todos são inocentes até que se prove o contrário. E ainda sim, eu te enganei..
—Você que pensa!
—Mais calma, Garota Final... Mais calma.
—Isso acaba hoje, tá me ouvindo?!
—Certamente. Mas isso não quer dizer que você estará inteira para ver o final. -Desligou ao terminar a sentença.
Claire ainda segurava o celular conta a orelha por alguns segundos, escutando o "Beep, Beep" que emitia com a ligação encerrada. Com um olhar perdido e desconcertante.. Ela parecia estar em órbita. E Com um estalo, Ed lhe chamou a atenção fazendo-a piscar em alerta:
—Hey, acorda! -Exclamou ele lhe estendendo a mão.
—Ah!.. Desculpa.
—Tava com a cabeça onde?
—Nem queria saber...
—Então, pra onde vamos?
—Dar o fora daqui. -Entregou-lhe o aparelho falando com firmeza. Tomara uma decisão, e uma urgente! Precisava tirar todo aquele povo dali em segurança antes que a merda atingisse o ventilador de vez. No mais otimista dos casos, em poucos minutos estaria frente a uma pilha de cadáveres, catatônica e sem resposta alguma com um assassino que desaparecera de vez, e jamais teria suas respostas.
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—Segurança de Pendleton para sentinela, responda!. -Falou Reese aproximando a boca no ombro, onde carregava seu Walkie Talkie acoplado ao uniforme, segurando o botão enquanto falava, e com a outra mão acariciava o coldre na cintura de forma desconfiada, pronta para sacar a arma se fosse necessário.
Nenhuma resposta veio em troca. Apenas o chiado de estática contínua pelo alto falante do aparelho. Retirou o dedo do botão, se pondo a apertá-lo de novo achando que havia algum defeito:
—Segurança de Pendleton para sentinela, Está me ouvindo? -Insistiu, desta vez com um tom mais assustado, recebendo novamente o chiado. -Está me ouvindo?!.. -Desesperou-se frente ao prédio dos dormitórios, respirando ofegante enquanto se aproximava com cautela. Passo após passo, conduzida por uma tensão de arrepiar deparando-se com todo aquele vidro no chão espalhado na entrada em cacos minúsculos. Brilhante e de aparência branca, como se alguém tivesse derrubado açúcar no chão ou algo assim. -Aqui é Reese, para sentinela... Responda! -Tentou mais uma vez. Mas nada. Apenas ela e mais um segurança ficaram encarregados dessa última noite em Pendleton, com o outro sujeito ficando supostamente de vigia no portão de entrada, sendo apelidado de "Sentinela".
Aflita, a segurança soltou o botão de vez e desabotoou o coldre de couro, retirando com leveza o revólver, do qual apontou para frente. Em sua vista, a passagem de entrada escura e deserta estava destruída por conta de todo vidro espalhado. Ao se aproximar mais um pouco, conseguiu notar como o branco luminoso dos cacos se misturava com um vermelho intenso.
—Oh meu Deus... -Retirou a lanterna de um dos bolsos rapidamente, segurando-a junto a arma, apontando a luz para frente fazendo dela seu alvo.
Mais um passo, e sentiu sob a sola dos sapatos o raspar agudo de ter pisado nos primeiros cacos. Sem dar muita atenção, prosseguiu caminhando sobre a escorregadia trilha pontuda mirando sua luz na entrada obscura. E sua lanterna logo denunciou a sua primeira visão do terror...
Tênis da moda, pernas esticadas cobertas por um jeans comum.. Uma camiseta manchada de sangue.. O Corpo de um jovem com o rosto deitado contra o chão em meio a todo aquele vidro, coberto de sangue rodeado por uma poça vermelha.
—Misericórdia!.. -Apontou a arma na direção do cadáver em puro reflexo ao se assustar, suspirando logo em seguida. -Oh.. Que droga! -Murmurou aproximando-se do garoto morto, esticando o pé lhe dando um pequeno chute. A perna mole e pesada do Jovem se balançou conforme Reese a empurrou de leve, e obviamente nenhum sinal de vida se deu.
Refez sua mira assim que adentrou ao pequeno Hall, apontando a arma para cima acompanhando os degraus até conseguir ver o topo das escadas. Tudo vazio, e aparentemente silencioso. -Que merda de ronda... -Tremeu de medo ao passar pelo local, contornando o cadáver tomando cuidado para não pisar sobre alguma parte do mesmo. Esticando as pernas com cautela, indo de lado em volta do corpo Reese chegou de frente ao primeiro degrau. Segurando o revólver com firmeza, esticou o polegar para cima alcançando o topo do cano, onde deslizou o dedo sobre uma pequena trava. "Stack!" deu-se o ruído. A Arma fora destravada: -Vamos nessa.. -Disse a si mesma sem nenhum entusiasmo.
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—Ok, eu quero organização e nada de lenga lenga! -Claire caminhava na linha de frente pelo corredor escuro, sendo acompanhada pelos demais em ritmo de terror. Deu uma jogada de cabelo confiante pondo-se a iluminar o caminho em frente firmemente.
Os 6 porquinhos seguiam numa fila atordoante. O Casal Ed e Kirstin, mantinham-se na cola da Diaba no não tão espaçoso corredor:
—Ed, não me solta!
—Relaxa, estou aqui. -Respondeu passando o braço em volta da nova namorada, mantendo-a colada em si.
O Grupo se aproximava do pequeno Hall, adentrando ao espaço rapidamente sem diminuir os passos. A líder endiabrada se certificava que o caminho estava limpo a cada segundo, mirando a luz do Celular de Ed em todos os pontos a sua volta, iluminando tudo quanto era parede, piso, ou porta que visse adiante.
Quando enfim, ao ver que as estreitas paredes do corredor já não mais lhe cercavam, reconheceu que estava no "Lobby". Podia ver em frente a passagem do corredor seguinte que levaria ao seu próprio quarto. Parou de repente naquele ponto como se algo a freasse.
—Ai!
—Ow!
—Por quê você parou? -Reclamou o grupo ao baterem contra suas costas, sendo abruptamente freados na caminhada, quase tropeçando uns nos outros e teriam, se não fossem pelas mãos que agarram os ombros alheios parados em sua frente.
—Shh!!! -Avisou Claire, com um olhar nervoso vasculhando a escuridão.
Não se moveu. Travou onde estava feito uma muralha, impedindo que os outros continuassem. Um sussurro de Edward lhe veio ao pé do ouvido:
—Algo errado?...
—Tem alguém aqui.. -Respondeu em cochichos. -Esperem... -Observou o nada a sua volta com desconfiança.
Ela sabia. Se tinha uma coisa que Claire Ripley sabia, era se algo ou alguém a vigiava. A Velha sensação paranoica de estar sozinho em casa e olhar instintivamente por cima dos ombros lhe fez uma visita naquele momento. Não sabia explicar como nem porque, mas sabia com todas as suas forças que ALGUÉM estava nas redondezas, observando cada passo dado. Será?
Ao mirar a lanterna em frente tendo em vista o longo corredor, avistou a porta de seu quarto aberta, como havia deixado. De fato.. Ainda nada "Estranho". Acompanhou a direção reta e de aparência interminável dando um passo à frente. Porém, o restante do grupo não acompanhou, permaneceram em suspeita apenas observando com o medo estampado na cara. Claire então, cerrou os olhos procurando no inalcançável fim do corredor, aquilo que lhe espreitava. E seus instintos nunca foram tão certeiros.
Mais um passo à frente, estendeu o braço na tentativa de fazer a luz que carregava ter mais alcance, e para seus mais medonhos arrepios... A Confirmação veio vestida de preto. A velha figura se mantinha parada no fim da reta, pobremente iluminada pela ridícula luz apontada para si ao longe. A Máscara branca ficou em evidência, uma verdadeira assombração que congelou o sexteto de imediato. Não se moveu. Não como os lábios de Ripley ao proferir:
—Ninguém.. Se.. Mexe..
—Você ficou louca?! -Reclamou Edward tentando puxá-la pelo ombro, sendo rejeitado por um gesto brusco da Diaba que se livrou de sua mão retirando com força o ombro de seu alcance.
—Agora não Edward! Eu sei que uma hora ou outra eu vou morrer. Mas se é pra ser encontrada numa poça de sangue.. A última coisa que vou fazer vai ser arrancar os olhos desse animal!
—Claire!! -Implorou Kirstin em choro. -Não faz isso!!
—Vamos sair daqui!!! -Kenny se prontificou dando um pulo de tensão, inquieto desconfortável. -Vamos, vamos!! -Insistiu agarrando o primeiro braço desconhecido próximo a si no escuro: Quinn, que se recusou:
—Me solta, Me solta! Me larga seu louco! -Vociferou entre os puxões.
—Calem a boca!! -Ordenou Claire, Silenciando o escândalo. Não podia ver por estar de costas a todos, mas o grupo se iluminava encontrando uns nos outros as caras de pavor naquele pequeno círculo infernal, tendo apenas a silhueta de Ripley em sua frente, separando-os do corredor medonho e a figura distante os encarando imóvel. O que viram, foi o queixo da Scream Queen se mover para o lado e uma frase que saiu de sua garganta com firmeza: -Vão.
Ed não acreditou. Ela enfim topara o jogo? Como pode? Ele não sairia dali sem ela jamais e só de pensar que ela estava disposta a ficar para trás e se engalfinhar com o mascarado o encheu de horror e ódio.
— O que pensa que está fazendo?
—Vão. -Retrucou curta e grossa.
—Claire..
—Vou estar logo atrás de vocês.. deem o fora daqui. Chamem a Lizzie!
O Grupo não reagiu. Em segundos onde uma atitude clara e objetiva valeria a pena, nenhum deles sequer se moveu. Com feições que imploravam para fugir, embora a "Moralidade" dissesse o contrário. E a reação que poderiam ter, era imprevisível. Ligariam o foda-se e preocupariam-se apenas com o próprio rabo? Ou a luta seria unida?
—Desgraçado.. -Ela fitou diretamente o fantasma. -Vem!
Ele respondeu com sua reverência, curvando levemente a cabeça aceitando as condições. Claire fez o mesmo porém de forma rápida e nada dramática, carregando ódio nas veias.
—Corram!!! -Gritou ao ter a confirmação do que aconteceria.
O quinteto se agitou em desespero, e ainda não saíam do lugar.
Tarde demais, o espectro sinistro já empunhava sua faca numa maratona fatal. Correndo feito um louco na única direção disponível: Claire.
Conforme se aproximava na reta, tornando-a cada vez menor como se o corredor fosse gradualmente engolido conforme se aproximava, a capa preta se remexia com a alta velocidade do fantasma com sede sangue.
—Agora!!!! — Berrou ela dando as costas deixando de iluminar o assassino, sacudindo os braços indicando para todos correrem imediatamente. E assim o fizeram, aos gritos!
—Ahhhhhh!!!!! Não deu pra saber qual voz era de quem, pois assim que o quinteto se dissipou em fuga desgovernada, as lanternas mudaram de direção deixando de iluminar uns aos outros tornando-se flashes contra as paredes e o chão, sendo chacoalhadas em direções aleatórias onde ninguém via ninguém e silhuetas obscuras estavam indistinguíveis, ao som de passos em variadas direções desnorteadas.
A Confusão se deu início em gritos e correria naquele pequeno espaço mas Claire se recusou a seguir a tendência, saindo da mira do psicopata assim que as luzes se dissiparam feito loucas, pondo as costas contra uma parede que antecipava o corredor da qual o infame assassino vinha correndo. Preparada, apenas com suas mãos e nada mais... para enfrentar o Horror.
Foi com agilidade e total falta de bom senso que Quinn se jogou para a direita por puro impulso, descendo as escadas em seu primeiro lance curto, chegando ao patamar num piscar de olhos, onde se segurou na borda do corrimão para se virar acompanhando a direção contrária que o segundo lance lhe oferecia, retomando o caminho do qual Rachel havia surgido com Claire. Seu choro de agonia clamava por uma saída imediata daquele pesadelo sem olhar para trás. E se tivesse, teria percebido como Kirstin sem querer lhe acompanhara os passos, decidindo no calor do momento seguir a primeira pessoa que viu correr provavelmente achando que todos iam na mesma direção. A Garota chegou a pular o primeiro e curto lance de escadas num salto horrendo, caindo no patamar tentando manter o equilíbrio e a visão, esforçando-se para manter a luz onde pudesse ver os degraus seguintes.
Edward claro, a acompanhou, porém sem a mesma bravura do salto, agitando as pernas descendo degrau por degrau em velocidade bizarra, deslizando a palma pelo corrimão tendo a lanterna caótica e desnorteada de Kirstin como seu guia, se dando conta de como era ruim estar sem nada.
—Corre, corre!!! -Exclamou incentivando Kirstin e os gritos de Quinn que já se afastara um pouco dos dois, provando ser a mais rápida na descida turbulenta.
Kenny desapareceu em direção desconhecida assim que os Flashes se espalharam na confusão, silencioso e com rapidez... Ninguém mais o viu ou ouviu. Sabe-se lá onde o garoto tinha ido parar ou qual lado seguira.
Claire, contava os segundos pressionando as duas mãos contra o peito, segurando o celular de Edward frente a sua intensa e quente respiração, ansiosa e apavorada ao pressionar o botão na lateral do aparelho desligando a lanterna. Mas que jamais daria o braço a torcer a tais sensações. Conseguiu ver Paul afastando-se ao longe graças a luz que menino portava seguindo de volta pelo corredor de onde vieram, e o modo como o mesmo olhou para trás por um instante fitando-a por cima dos ombros enquanto desacelerou um pouco seus passos, reconhecendo que Ripley havia ficado parada. Havia uma certa pena em seus olhos.. Talvez ele voltasse para buscá-la... Claire não reagiu, o fitou como quem analisa seu comportamento. O Julgou pelo olhar sabendo que o menino seria naquele momento, desprovido de qualquer caridade ou solidariedade. Se provou estar certa quando Paul continuou sua corrida dando as costas à Diaba, calado e rápido, recobrando seu ritmo acertando o piso com seus passos frenéticos e aparentemente sem nenhum remorso por saber que "Abandonara" a garota, pensando em sua própria sobrevivência.
Desapontada, mas não surpresa. Os últimos segundos de aflição chegavam como um trem bala para Claire, que escutou os passos pesados e extremamente próximos do psicopata.. Alcançaria o Lobby em questão de milésimos de segundos!
Fechou os olhos ao respirar fundo, mantendo os ouvidos atentos na escuridão. "Bang Bang Bang Bang!" As pancadas da sola das botas do fantasma indicaram sua maior proximidade. Ripley abriu os olhos encontrando o nada além de sua própria força de vontade. A última pancada anunciou o terror ao seu lado, quando instintivamente, Claire deu sua ação fatal: Esticou o braço para a direção do vão do corredor de modo rígido e rápido, mantendo-o parado no ar firmemente ao esperar pelo segundo decisivo. Quando repentino e violento, o assassino que corria de forma desgovernada bateu o pescoço contra o ante-braço magro e duro de Claire, que se manteve firme no impacto, sentindo ser acertado pelo mascarado, que por sua vez, caiu rodopiando para trás tendo sua corrida freada pela Diaba assim como nos filmes de ação.
Não negou a dor e o desconforto de ter feito aquilo, mas a satisfação pessoal fora maior ou ouvir o grande baque do psicopata atingindo o chão num grunhido irreconhecível e que mal parecia humano.
—Ai!! -Exclamou recuando o braço, enquanto já ligou novamente a lanterna do celular, saindo de onde estava dando uns passos a frente no escuro, afastando-se de sua posição original. Apontou o aparelho na possível direção onde o monstro caíra, iluminando-o de modo trêmulo vendo-o se levantar cambaleante, pressionando uma das mãos contra o pescoço. A figura negra usou as duas paredes do corredor paralelas a si para se levantar, esticando os braços exercendo sua força contra elas, assim, erguia-se dramática e lentamente. Uma das mãos, fechada.. Punhos cerrados segurando a faca apontada para cima.
—Filho de uma puta!!! -Claire partiu para cima com sangue nos olhos despejando uma pancada na máscara usando o celular. Foi com toda força, e para uma garota baixinha e bem magra como ela, isso não era dizer muita coisa. Mas se a força de vontade é o combustível dos invencíveis.. isso seria a confirmação da força metódica e voraz da Scream Queen que fez recuar aquele corpanzil coberto de preto com seu golpe. O Assassino afastou-se imediatamente ao ser acertado, cambaleando para trás de forma desajeitada.
Ela então posicionou a luz novamente, para poder vê-lo de novo afim de dar outro golpe. Pois acertá-lo no breu seria uma chance em um milhão, e tempo não podia ser perdido. Mas para cada ação, existe uma reação. E esta veio na forma de um fantasma que retornou para frente em sua direção sem perder tempo, remexendo seu braço para acertá-la com a faca em movimentos frenéticos.
—Ah!!! -Gritou de susto, recuando... Escapando por pouco da lâmina que cortou o ar passando a poucos centímetros de seu rosto.
Deu uma leve corrida para trás, lutando para manter a luz focada na figura para não perder nenhum de seus movimentos ágeis e violentos, afim de não ser acertada de surpresa. Ghostface não desistiu, agitou seu punho mais uma vez com sede golpeá-la, esfaqueando o ar em todas as direções possíveis conforme se aproximava. A lâmina vinha em ziguezague clamando para adentrar em sua carne, Claire se afastava um pouco mais a cada tentativa de golpe do assassino, indo para trás trêmula durante as investidas da faca agitada, inclinando-se se um lado para o outro tentando desviar das direções em que a ponta cortante descia contra si.
—Ah!!!! Saaai!! -Berrou acelerando o passo, focando na máscara inexpressiva e distorcida quando sentiu suas costas baterem contra algo rígido e frio, Uma parede!
Era o fim! Sem saída, encurralada no escuro. Seria assassinada!
—Não!! -Levantou os braços de forma instintiva de se proteger, mesmo que inutilmente, contemplando mais uma investida tenebrosa do maníaco, que não poupou esforços em sua facada feroz. O golpe veio em direção ao seu rosto, do qual Ripley fechou os olhos desviando a cabeça no último instante, tendo a ponta da lâmina acertado a parede num baque seco, segundos que contam! A Final Girl já via como a faca recuava para acertá-la novamente, e sem pensar... Agarrou o pulso nervoso do mascarado mantendo a pontuda e reluzente arma do mesmo parada a um palmo de sua bochecha, medindo forças contra a coisa aterradora que estremecia forçando com tudo o que tinha, a faca para penetrar a cara da "Heroína". Claire sentiu seus nervos gritarem com o esforço, numa competição de queda de braço no ar onde se perdesse a concentração... estaria tudo perdido!
Seus olhos piscaram em agonia com a proximidade da Lâmina, que tremia com a força feita pelo inimigo. Urrou de nervoso e terror, exibindo os dentes respirando pesadamente. Com a outra mão, iluminava a máscara portando o aparelho celular, que também estremecia diante da situação.
O Assassino foi rápido em agarrar com sua mão livre, o pulso da garota, apertando-o cada vez mais em forma de fazê-la derrubar a única luz que tinha.
—Não!!! -Urrou de raiva com a forte pressão em seu outro pulso erguido, que era entortado gradativamente pela falta de piedade do fantasma, onde seus dedos ameaçavam desistir, atrofiando-se a ponto de deixar o celular escapar.
Ele então, puxou o pulso rígido de Claire para si de modo repentino, mandando-o de volta num ato violento, batendo-o contra a parede.
—Ah, merda!!!! -Exclamou de dor, mas ainda mantendo a concentração na mão direita, tentando afastar a faca de si mas a mesma ainda se mantinha na mesma posição fiel. Suou frio enquanto seu outro pulso ia e voltava, sendo batido contra a parede. O Filho da puta queria desarmá-la a todo custo, não pararia de bater sua mão contra a parede até que ela soltasse o celular. Cada pancada fazia surgir um urro de Ripley, que fazia de tudo menos desistir.
—Pare, seu escroto!!!
Mas, quando o orgulho baixou a guarda e a Morte lhe encarou de frente, não hesitou em pedir:
—SOCORRO!!!!!!!
O Grito foi ouvido por Edward que ainda descia as escadas, o fazendo parar de imediato. Ao perceber que Claire não o havia seguido como o esperado, o Grito de socorro lhe despertou algo indescritível. Travou num dos degraus vendo Kirstin continuar sua fuga desesperada:
—Ed, corre!!! -A Voz da menina pareceu abafada para ele. O Tempo parou... Assim como ele. A Deixou correr sozinha com um frio no peito, ainda tendo a mão enfaixada pousada sobre o corrimão.
Kirstin e sua lanterna agitada desapareceram após ela se virar no patamar seguinte, acompanhando o próximo lance dobrando a direita em gritos medonhos:
—Ai meu Deus! Ai meu Deus!!
Edward Graim tomou uma decisão. Mordeu os lábios de raiva batendo o pé contra o degrau em que estava:
—Que droga, Claire!!!
Kirstin já se afastara e com isso, não conseguiu ouvir o praguejo de Graim, e muito menos notar que estava sozinha em seu trajeto.
Edward Virou-se decidido a retornar o caminho, se pondo a subir os degraus com a mesma intensidade criada pelo medo que teve ao descê-los. Sua melhor amiga precisava de ajuda, e não deixaria os gritos passarem despercebidos.
Claire se mantinha forte, mas por dentro sabia que perder não era algo inalcançável. A possibilidade de acabar numa poça de sangue lhe deu um despertar. Suas forças pareceram se esgotar de repente, e no impulso firme que o assassino mantinha, a faca acabou se aproximando mais um pouco de sua pele.
—Urrrghh!!! -Insistia em se manter forte, e já que não podia atacar de frente por estar imobilizada em ambos os braços, usou a perna. Ergueu o joelho com força acertando o espectro entre as pernas.
Ele reagiu se remexendo, fazendo Claire ser balançada de um lado para o outro raspando as costas na parede. Porém, não a deixou escapar mantendo-a presa frente a si.
—Me larga!!
A máscara veio em sua direção rápida e forte, dando-lhe uma cabeçada brutal causando-lhe uma pancada na nuca que deu contra a parede. Não gritou, nem esperneou. Vendo que ao dar o golpe o assassino foi levemente distraído afastando as suas mãos, acabando por soltá-la "Sem querer", Claire foi tomada pela raiva vinda com a dor da pancada, mostrando os dentes feito um cachorro jogando o pescoço para frente abocanhando a máscara numa mordida feroz, cravando os dentes no látex puxando o mesmo feito um pedaço de carne.
—Claire!! -A Voz de Edward surgiu, distraindo a atenção do assassino, que empurrou a Diaba para longe de si com força bruta:
—Ai caralho!! -Claire se sacudiu perdendo o equilíbrio, lutando para ficar de pé com o empurrão, retornando a ser freada pela parede.
Ed estava sério, frio e cauteloso. E só estando a apenas alguns passos de distância, se prontificou a atacar, correndo na direção dos dois cruzando o pequeno Lobby em fúria.
A Faca subia novamente, quando o garoto agarrou a figura por trás segurando-o pelos ombros, puxando o mesmo exercendo toda sua força para tirá-lo da frente da Diaba. Tudo o que Claire viu, foi o assassino desaparecendo de sua frente sendo engolido pela escuridão num puxão repentino. A Figura girou em torno de si tentando pegar nos braços de seu agressor mas a escuridão lhe impedia.
—Fica longa dela, caralho!
Edward, com as mãos em seu alvo acabou tendo a situação facilitada ao seu favor. Proferiu um golpe de sorte no escuro acertando em cheio o que pareceu ser a Máscara. Puxou o tecido preto entrelaçado entre seu dedos para aproximar o assassino lhe dando mais um soco, não sou be direito dessa vez onde o acertou, mas só de ter acertado já era alguma coisa! Mas tudo o que vai, volta, e Edward entre urros socando a figura, foi golpeado de volta com uma possível cotovelada na altura do tórax, que lhe deixou escapar todo o ar que possuía, recuando prontamente desgrudando-se do assassino em meio a tosses e tentativas horripilantes de respirar.
—Hey!!! -Berrou Claire jogando a luz em ambos, levando toda a atenção a si e seus lábios inchados por onde um pouco de sangue lhe escorria por um momento. Caída no chão quase deitada, com o braço um pouquinho levantado iluminando os dois.
Ghostface se encontrava curvado para frente, tateando o chão em busca de sua faca, caída bem próxima de si, parando o que fazia erguendo a cabeça dando de cara com a luminosidade apontada para os dois.
Ed pressionava o peito em expressão dolorida, vendo então uma oportunidade como nenhuma outra para agir. E ambos pensaram o mesmo. Com o Lobby agora levemente visível, saber exatamente onde seu alvo está para acertá-lo era um luxo! Edward e o assassino não perderam tempo.
Simultâneos, usaram de suas artimanhas para começar o ataque. Graim vinha à toda ainda fazendo careta de dor, agachando-se diante do fantasma em pose de um predador que cravaria suas garras na presa. Já o Mascarado apertava forte o cabo da faca assim que a pegou do chão, trazendo-a de volta onde pertencia pronto para perfurar Edward onde viesse a calhar.
A faca de caça subiu, e Edward desceu metendo as mãos na porcaria da máscara, puxando-a de modo desajeitado, prestes a arrancá-la de qualquer jeito! Claire mostrou espanto gritando conforme se agitava no chão, uma verdadeira plateia em euforia:
—Vai, vai, vai!!!!
O Rosto fantasmagórico foi retirado, atirado ao longe por Edward, onde girou no ar como um boomerang, acertando Claire nos olhos cobrindo-lhe parcialmente o rosto causando algo decadente. A Diaba, no susto de ter o objeto batendo em sua face, se sacudiu de modo instintivo indo para trás deitando-se no chão involuntariamente, levantando os braços por puro reflexo o que fez com a luz do celular se voltasse para cima... O Menino se antecipou de ansiedade ao se abaixar um pouco mais para ver o rosto sob o capuz, que retraiu escondendo-se deixando Edward sem um vislumbre do rosto do assassino, quando tudo voltou à completa escuridão.
—Claire, Não!!!! -Gritou Graim ao ter a luz tirada do assassino, mas era tarde demais. Um golpe em suas canelas o derrubou de imediato, culpa de uma rasteira dada pelo Psicopata, que encoberto pelo breu deixava o local tendo o som de seus passos frenéticos se afastando cada vez mais acabando com as esperanças de ser descoberto.
Edward caiu sentado apoiando-se com os cotovelos, desapontado mas ao mesmo tempo aliviado ao ouvir que o maníaco fugia.
—Ahhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!! -Um grito de raiva surgiu de Claire, chacoalhando-se como num ataque epiléptico em completo nervoso: -Não acredito!! Porraaaaaa!! -Tascou a máscara no chão expressando seu ódio.
—Claire... -Suspirou Ed.
—Você tinha a melhor chance de todas, e conseguiu arruinar!!!!!
—Eu tirei a máscara, a culpa foi sua!!
—Ah é, grande ideia jogar aquela merda em mim, otário. -Reclamou jogando a luz diretamente em seus olhos. O Garoto se retraiu cobrindo o rosto.
—Porra, desculpa! Não foi minha intenção. Juro!
—Eu sei! Mas mesmo assim. Fale em final "Anti-climático". Nossa... E eu achei que Maze Runner é que tinha um final brochante. Estávamos quase lá!!! Que merda!
—Tá.. Se agora vamos parar de reclamar. Podemos dar o fora daqui?
—Como quiser... -Se levantou decepcionada. -Não acredito!
—Chega, Claire!
Ela se calou cabisbaixa. Assim que ele se levantou cansado e dolorido, Ripley cedeu:
—Desculpa.. E obrigada por ter voltado..
—É claro que eu voltaria. -Respondeu forçando um sorriso de lado.
—Eu sei.. É que.. Acabou, não é?
—É.
—Esse era o jogo. Se tivéssemos visto quem era... Podíamos dar isso como encerrado. Mas agora.. Ele ou Ela.. Vai fugir e sabe-se lá Deus o que vai acontecer. Não era assim que eu imaginava o fim dessa história em Pendleton.
—Você tá sangrando... -Comentou ele cerrando os olhos percebendo o ferimento no lábio de Claire.
Ela o encarou em desgosto fazendo bico, odiava ser interrompida quando falava ou quando alguém iniciava um assunto alheio ao que ela dizia. O fitou com seu cinismo:
—Quem se importa?!
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