Scream - Survival 2
40 Dance With The Devil - Part 2
Notas iniciais
A estrada seguia numa reta de aparência sem fim à frente deles. Cercada pela paisagem natural de ambos os lados, exibindo o horizonte verde que se estendia feito um gramado interminável contendo as ondulações de distantes montanhas ao fundo. Tendo como única lembrança da civilização no cenário, cercas tortas de arame farpado dos dois lados da estrada, logo após o acostamento de cada faixa. O Céu alaranjado ainda brilhava com o pôr-do-sol, embora nuvens negras já se mostrassem espalhadas em fragmentos, prontas para cobrir a luz do dia a qualquer momento.
O Cross fox vermelho seguia a 120km deslizando pelo asfalto negro. As faixas amarelas que dividiam os lados da pista, pareciam se estender a cada vez que davam a impressão de passarem por baixo das rodas esquerdas do carro, ficando para trás como vultos.
O Passageiro, Tim, apertava em ansiedade o cinto de segurança na transversal de seu peito sendo tomado por uma preocupação visível, com olhares esperançosos ao horizonte, e medo à vista de trás. Vista essa que compartilhava com Paul que, ao volante, carregava uma tensão ultrajante.
Suas mãos suadas e escorregadias de nervoso tentavam se manter firmes na direção, abrindo e fechando os dedos de hora em hora para garantir firmeza em seu toque escorregadio. A testa chegava a brilhar de suor frio em sua investida estática e paralisada no banco. A Mórbida curiosidade e vontade de ter certeza sobre o passar da fuga, o faziam espiar a vista que o retrovisor tinha a oferecer e a cada 5 segundos, alternando o olhar que mudava freneticamente de direção, ia e vinha se dividindo entre o retrovisor e a estrada, repetindo o ato inúmeras vezes. A Cada vez que o fazia, a Pickup preta que o perseguia parecia estar mais perto.
O Vidro traseiro, como uma tela de cinema exibia a cena que disparou o coração do casal. O Para choque preto e torcido da Pickup de Edward se manifestava passando a encobrir toda a vista traseira do veículo, crescendo... Parecendo tomar maior magnitude ao se aproximar em alta velocidade, tornando o ronco de seu motor mais forte do que nunca aos ouvidos da dupla.
—Ai, que merda... -Resmungou o Jornalista, em tensa expectativa preparando-se para o pior.
Até que o inevitável surgiu: Um forte impacto traseiro ao som da lataria amassando, impulsionando os corpos de Paul e Tim para frente, mas subitamente contidos pelos cintos de segurança. Cabeças chacoalharam, torsos foram arremessados para frente, voltando a recostar-se sobre os bancos de forma bruta, forçada e trêmula. Mas o ataque quase serviu para catapultá-los, sendo que Paul aproveitou a "Empurrada" e o susto para firmar ainda mais o pé no acelerador, aumentando a velocidade e se distanciando novamente do ameaçador Para choque preto, exibindo a ele sua traseira retorcida com a placa pendurada, prestes a cair. A Vibração forte ainda assolava os bancos e o painel do carro, no que via o ponteiro do cilindro subir com o ronco cada vez mais intenso do motor, passando de 120km.... 125km... 130km...
Dois monstros de lata seguiam furiosos pela estrada de campo numa intensa perseguição.
Na Pickup, Edward e Claire mantinham-se concentrados na vista à frente, falavam um com o outro sem ao menos trocarem olhares, firmando a atenção no carro vermelho que agora se afastava.
—Ed, não deixa eles escaparem.
—Não vou. -Respondeu levantando o queixo, encarando o horizonte. Após parecer ter confirmado o que procurava, proferiu: -Pronta?
—Nasci prematura.
Leves e ágeis, eram as mãos de Graim sobre o volante girando-o para a esquerda. O Carro deslizou na direção sem nenhuma derrapada ou movimento brusco, tomando a contra-mão da pista. Acelerando um pouco mais, Edward tremeu sobre a direção em ansiedade e medo, ao perceber a absurda velocidade em que a dupla fugi e que teria de acompanhá-los. O ponteiro lhe apontava os 130km, e ficou nítido o modo como encarava sua mão direita ainda enfaixada agarrando o volante como podia, querendo se distanciar de pensamentos negativos ou temerosos do que poderia acontecer com ele ou Claire na estrada. Coisas que iriam além de uma mão machucada.
—Você tem mesmo um plano, Claire? -Indagou tenso e firme.
—Tenho. -Retrucou seca e de cara fechada.
—Tá... -Acelerou um pouco mais, respirando fundo desta vez torcendo para que nada de ruim acontecesse.
Paul foi imediatamente atraído pelo reflexo no retrovisor lateral e o som do motor que o perseguia que mudou de direção. Pelo vidro, a clara visão de um dos faróis dianteiros de Edward se pondo ao seu lado o pegou de surpresa. O Carro, como uma sombra negra, acelerou de tal forma que o alcançou em segundos, obstruindo por completo sua visão lateral ao alcançá-lo, pondo-se lado a lado de si seguindo pela contra-mão. O que podia ver agora era a janela escancarada do perseguidor e o infeliz rosto de Claire que lhe sorria cínica, de modo que fez sua raiva subir por entre sua nuca, quase causando tontura no jornalista.
Lado a lado, ambos preenchiam a estrada.
Os bracinhos de Ripley se ergueram, e em seguida os pousou sobre a borda de sua janela, debruçando-se sobre a mesma com os cotovelos, apoiando o queixo sobre as mãos feito uma adolescente que declara seu amor pelo gatinho do colégio. Forçou um sorriso meigo em pura ironia, chamando a atenção do assassino:
—Como vai, queridinho?
—Vai se foder! -Respondeu gritando, desviando o olhar em desdenho.
—Agora não dá, estou indo foder você. Mas quem sabe mais tarde?
Ele não respondeu, ao invés disso virou o rosto de lado, parecendo dizer algo a Timmy. Claire não conseguiria ouvir nem se quisesse. Mas desconfiou da situação o suficiente para desfazer a pose de deboche na janela, tornando a recostar-se sobre o banco.
Paul então falou com urgência:
—Amor, vê se você consegue alcançar a mochila no banco de trás. -Apontou para trás de forma rápida, temendo descuidar da direção, voltando os olhos para a direção o mais rápido o possível.
O Garoto aquiesceu sem esconder o pavor. Destravou o cinto livrando-se da tira preta que o continha, e assim debruçou-se de lado, passando o torço no espaço entre os dois bancos e alcançando com as mãos estendidas o objeto deitado no banco traseiro.
—Peguei! -Exclamou recuando com um certo esforço, portando a mesma consigo colocando-a contra o peito.
—Ótimo, pega o celular que eu estava usando.
—Ok... -Posicionando a mochila no colo, Tim a abriu puxando o zíper depressa. Sem hesitar, vasculhou naquele amontoado de roupas e acessórios o tal aparelho. -Ai, caralho... -Ansiava em sua busca.
—Anda logo, não temos muito tempo!
—Calma, eu vou encontrar! -Lacrimejou de nervoso insistindo na forte procura, não se importando em retirar e jogar para trás algumas peças de roupas como camisetas e bermudas leves terrivelmente dobradas, peças que ocupavam o espaço dificultando sua procura.
—Tim!
—Calma!!!
Claire pressionou as costas contra o banco com força, alcançando uma pequena e metálica alavanca na parte inferior esquerda do acento, puxou a mesma impulsionando o banco para trás, ajustando-o de modo que houvesse mais espaço entre seus joelhos e o painel, onde pôde esticar as pernas. Em seu esforço ao usar as costas para empurrar o encosto, alertou:
—Ed, tem alguma coisa errada.
—Errada como?
—Olha pro Paul... Algo não está certo.
—Não posso tirar os olhos da estrada, Claire. Estamos a mais de 100 por hora na contra-mão... Desculpe mas não dá pra eu ficar dando "Olhadinhas" nesses maníacos. Achei que você tivesse um plano.
—E tenho, só precisa confiar em mim!
—Eu confio em você, só que não temos muito tempo aqui. Não vamos ficar nessa estrada para sempre. Qualquer deslize meu aqui, a gente capota!
—Eu sei, eu sei! Só... Mantenha a velocidade! Não desgruda deles. Tenta ficar bem do ladinho, porque desse jeito eu consigo ver bem o Paul. Eu quero distrair ele, preciso manter contato visual e quero que ele responda.
—Você é meio doida, mas O.K...
—Achou? -Indagou o jornalista, irritado
—To quase! Ele caiu lá no fundo. -Retrucou mocinho abaixando a cabeça aflito, quase colocando a face dentro da mochila.
Paul o via remexer o interior da bolsa pelo canto do olho, e decidindo conferir por contra própria, virou-se fitando o garoto com seu semblante indignado. Bufou irado ao notar o desespero inútil do namorado em meio a desodorantes e peças de roupa indistinguíveis:
—Idiota!!! Está bem aí!
—Tem certeza de que você trouxe?!
—Se me fizer mais uma pergunta besta dessas eu te arranco a língua, Timothy!
—Calma! Espera que eu já sei.
—"Já sabe" o caralho, faz logo o que eu mandei.
—Vou tentar uma coisa.
—O quê? Que merda você tá fazendo? -Pelo canto do olho, percebeu em como o garoto puxava um objeto ainda indefinido do fundo da bolsa. -Aff... -Bufou recobrando atenção ao volante.
Dividido entre a curiosidade de olhar para o lado esquerdo e espiar Edward e Claire, e a tensão de manter o controle perfeito na direção, Paul decidiu não desfocar da pista. Ouviu o fechar do zíper que parecia vir da mochila, e em seguida o som abafado que a mesma fez ao ser jogada de volta o banco de trás de qualquer jeito. Ao que pareceu, Tim se "Arrastou" de ladinho, ao que o jovem se movia desengonçado no banco.
Se inclinou para mais perto do namorado, parando à beira da marcha. Paul remexeu os ombros ao senti-lo encostar sobre si, como quem nega afeto ou exige espaço.
—Dá licença? -Disse rude.
—Amor, encosta a nuca no banco.
—Pra quê?
—Vai... Você vai ver. -Insistiu em tom manso.
Nitidamente descontente, o Jornalista acatou ao pedido recostando a cabeça sobre o encosto, tendo de esticar os braços afim de manter-se firme ao volante conforme se afastou com o restante de seu corpo, pressionando-se contra o assento.
Deixando livre um espaço considerável entre ele e o volante, e mais ainda para Tim, um espaço excelente que lhe liberou a vista de toda a janela do motorista, recebendo sua desejada ampla visão da Diaba e seu fiel amigo na direção, paralelos a eles.
—O que você está fazendo? -Perguntou o assassino, incomodado com o pulso de seu namorado que entrou sem sua frente, entendendo-se na altura de sua boca.
—Não se mexe, amor. Senão posso acabar te acertando! -Alertou ao pegar impulso.
—Com o quê?!! -Exclamou fechando os olhos por um segundo, temendo que algo o atingisse no rosto assim que a mão magra e fechada do garoto se tornou um vulto num movimento de arremesso que por pouco não lhe acertou.
Daqueles dedos finos e longos fora lançada a inimiga pontiaguda já conhecida pela "Turma". A Reluzente faca de caça modelo 'Buck120', que se desprendeu de Timothy ao que o mesmo a lançou com seu punho leve feito um dardo envenenado, portando um sorriso convencido na face.
A Coisa rodopiou no ar numa linha reta arrepiantemente perfeita, adentrando à Pickup pela janela aberta de Claire passando a centímetros de seu rosto desavisado, que mal viu o que a quase lhe atingira, mas que foi o suficiente para lhe arrancar um gritinho agudo de modo breve, batendo as costas contra o banco ao recuar com o pequeno susto.
O Vulto que passara diante de seus olhos seguiu com uma batida no seu lado esquerdo, um baque agudo e assustador que estremeceram as mãos de Graim, resultando numa reação repentina do jovem que virou o volante involuntariamente, assustado, acabando por jogar o carro no acostamento da contra-mão numa leve derrapada que lhe custou um pouco da velocidade.
Firmando o volante para a direita novamente com um pouco de sua freada instintiva, Edward recobrou o controle assustadoramente rápido, derrapando no acostamento com as rodas traseiras quase num cavalo de pau, levantando uma certa fumaça pela fricção dos pneus. O Veículo chegou a deslizar de lado numa curvatura em meia lua no que logo ficou de frente à estrada novamente, prestes a recobrar a direção.
Acelerando de imediato como deveria, o monstro de lata de Edward retornava a[ à estrada para dar continuidade a sua perseguição após o rápido porém odioso infortúnio. Claire já berrava como o esperado, batendo de ansiedade e raiva contra o painel, pulando sentada e aflita:
—Vai, vai, vai, vai, vai!!!! Eles não podem escapar!!!!
O Cantar dos pneus foi o que pareceu acalmá-la. Ou pelo menos, sentir que estavam retomando a velocidade anterior, embora o carro vermelho era visto com uma distância decepcionante... Deixando-os com a vista pequena de sua traseira que ameaçava desaparecer no horizonte caso não fossem páreos para acompanhá-lo.
—Rápido.. Mais rápido!
E Assim as cercas na beira da estrada erguidas por estacas de madeira ficavam para trás cada vez mais rápido, indicando o aumento da velocidade que trazia uma forte vibração no interior da Pickup. Ripley já não aguentava mais de tanta raiva e frustração perante a situação. Fitou Ed engolindo seco ao ponto de querer morder a própria língua e comê-la de tensão. Ficou desagradavelmente surpresa ao olhar para o lado e não encontrar o amigo com aquele semblante confiante de motorista de fuga de um filme de ação como imaginara.
Ele mantinha a mão direita ainda enfaixada pressionada contra a bochecha, guiando apenas com a esquerda. Era notável que ele sentia algum tipo de dor ou desconforto, embora tentasse esconder sem dar um pio ou alertar Claire de sua condição. Obviamente a garota se assustou um pouco, chamando-lhe a atenção:
—Ed..
Ele a fitou discretamente, logo focando-se de novo na estrada sem responder.
—Ed, que foi?
Ao invés de falar, ele a mostrou. Retirando a mão da frente, exibiu o risco fino, vermelho e ardido que se instalou por sua bochecha. Um ferimento leve e superficial, uma linha curvada no formato de um sorriso que esboçou duas gotinhas de sangue que lhe desceram sob a pele, pingando ao chegar no queixo. E logo ao seu lado, era visível uma marca trincada no vidro que sofrera um impacto.
—Ah, não.... -Cerrou os olhos, indignada.
—Não foi nada.
—Foi sim.. Foi o fim deles.
—Olha só. -Disse ele abaixando a cabeça por um segundo, apontando na direção de seu colo.
Acompanhando seu gesto, ela logo avistou a faca pousada sobre uma das coxas do amigo, caída após tê-lo acertado no rosto e batido contra a janela.
—Edward, acelera esse carro.
—Estou acelerando! Estamos a.... 100Km... 105km....
—Isso não é suficiente!! -Sua fúria se mantinha apontada na cor vermelha do carro que perseguia. Tentando não deixar que ele reparasse em seus deslizes, sutilmente se entortou para a direita deixando que sua mão mergulhasse para dentro do vão estreito entre seu banco e a porta, afim de alcançar algo...
Ainda que houvesse a vantagem de tê-los "Deixado para trás", o casal assassino não compartilhava felicidade na velocidade. Pois as veias saltadas no pescoço de Paul exibiam seu descontentamento em meio aos seus gritos numa discussão:
—Que merda foi que você fez?!
Não foi essa reação que Tim esperava. Definitivamente. Se quase ter tirado Claire e Edward da estrada e se distanciarem de ambos após uma manobra assassina com a faca não foi o suficiente para fazê-lo feliz, o que seria? Desapontado consigo e com a atitude do namorado, o garoto meio perplexo e agora cabisbaixo se pôs a tentar amenizar aquele ódio do parceiro, que até então não entendia o porquê de tamanha intensidade.
—Amor, o que foi?... -Retrucou sem jeito.
—"Amor, que foi?" — O Imitou com voz fina. -Você tem noção do que acabou de fazer?
Antes que pudesse sair de seu transe de moleque desentendido e responder, a bruta voz do jovem lhe berrou outra vez:
—Você quase acaba com tudo!
Respirou fundo antes de dar o seu próprio berro sob lágrimas que ameaçavam cair:
—Paul, eu não sei mais o que você quer de mim!
—Não, você é que não sabe o que está fazendo!!
—Caralho, eu fiz tudo por você! Olha como você fala comigo, isso é horrível!
—Meu Deus.. Esse menino não entende! O que foi que você jogou ali? Foi a droga da faca, não foi?!
—É! Era pra acertar um deles e com sorte encerrar essa perseguição!
—Não... Não, só... Pare de tentar fazer as coisas porque toda vez que você tenta, você só faz desgraça! Como você é burro! Claire e Edward vão estar mortos ainda hoje! Se os tirarmos da estrada eles vão provavelmente voltar a Universidade ou ir a polícia e contar tudo! E Agora, eles terão provas porque graças a sua atitude de idiota, eles tem uma faca com suas digitais nela! Imbecil! E é o mesmo maldito modelo de faca que matou todo mundo, sua anta!
—Não!.. Isso não é verdade....
—Pare de falar merda.
—É Sério! Acha que eu fui burro assim? Eu não joguei a nossa faca!
De repente, a pele avermelhada e suada de Paul sofreu uma drástica mudança na cor, assumindo uma palidez digna de um cadáver, que o fitou de forma ardente:
—O que você disse?... -Não gritou desta vez, o que foi ainda mais arrepiante ao mocinho que o encarava morrendo de medo, abaixando até seu próprio tom de voz.
—Eu disse que não joguei a nossa faca.
—E... Que faca que você jogou?...
—A Do Daniel. -Respondeu acoado, com medo de uma possível reação hostil de Paul.
—Timothy, como você está com a faca do Daniel? A Clarice... É quem estava com a faca do Daniel...
—Eu peguei.
—Pegou onde?
—No quarto dele...
—Por quê?...
—Porque eu ia matá-lo.
—Eu perdi alguma coisa? Porque até onde eu sei... Eu matei o Daniel, com a minha faca.
—Eu sei.
—Como assim "Eu sei"? Você nem estava lá... -Parou repentinamente de boca aberta, tramando uma linha de raciocínio. Enquanto arregalava os olhos em surpresa e raiva, percebia em como a expressão de Tim entregou o jogo sem que ele se esforçasse na adivinhação. -Você estava lá... Filho da Puta, o que você fez?
—Eu não fiz nada.. -Acoou-se no banco temendo o que Paul pudesse fazer com aquele olhar diabólico.
—O que você fez?...
—Eu não fiz nada!
—Você fodeu tudo, não foi?
—Eu matei a Rachel! -Gritou em desabafo, retirando um fardo do peito em lágrimas.
—Você... Filho da Puta, desgraçado!!! -Lançou contra ele seu punho fechado numa brusca investida acertando-lhe na altura do ombro. Com um pulo de tensão, o jovem se afastou para inutilmente tentar desviar do golpe. Inevitável, assim como sua contorção de dor que se deu em seguida.
—Ai!!... Precisa partir pra agressão?...
—Precisa! Caralho, que merda! Nosso único álibi é que você devia estar na casa da tua tia. Assim a polícia saberia que eu não estava mentindo e que você realmente era um "Santo", que eu te liguei pedindo ajuda e você mandou a polícia pra lá antes que todos nós morrêssemos!
—Mas foi isso que eu fiz!
—Não... Não foi. Você estava lá em Pendleton... Se eles olharem os arquivos de chamada, vão ver que você ligou de lá e não da casa da sua Tia.
—Mas como vão olhar?! Eles não sabem disso.
—Você não entende?! Se Claire e Edward saírem dessa estrada... Ainda mais com aquela faca.. Eles vão saber!! E quem foi que mandou você desrespeitar uma ordem minha?! Eu jurava que a Clarice tinha matado a garota.
—Eu pus a sua fantasia depois de pegar a faca do Daniel e fui atrás de vocês... Mas depois da Rachel... Eu fiquei muito tenso e decidi dar o fora. Quando eu estava saindo é que eu vi que o Daniel estava morto! Eu caí fora!
—Mas mesmo assim. Você teve é sorte, muita sorte. A Clarice apareceu logo em seguida vestida de Ghostface, a vadia estava espreitando ali naquela área no escuro, e nos atacou logo depois da Rachel ter aparecido morta. Se ela tivesse te visto andando por ali no escuro tentando sair... Você teria morrido.. Porque ela não sabia do seu envolvimento. E Cá entre nós, eu bem queria que você tivesse levado uns furos com aquela faca!
—Que horror!
—Que horror o caralho, olha a merda que você me aprontou! Não é a toa que a perícia não consegue reconstituir a cena do crime. Eles suspeitaram do envolvimento de uma segunda pessoa.. Que merda...
—Mas pensei que você tinha dito que tinha outra pessoa lá...
—Cala a boca! Cala a boca e isso não é da sua conta, Inferno!!!! -Exclamou dando murros no volante, arrancando buzinas desafinadas e repetitivas no processo.
As quatro rodas da Pickup queriam queimar o asfalto com sua vibração constante em seu ganho de velocidade e persistência. Faixas amarelas eram vultos que entravam por debaixo do carro em linha reta. Pondo um pouco mais de força sobre o acelerador, Graim mirou na traseira vermelha que já não se distanciava tanto... Pouco a pouco... O Inimigo ilusoriamente parecia retroceder ficando maior na aproximação. Embora algo estivesse acontecendo ali do seu lado. O Demônio feminino no banco do passageiro fazia um certo esforço entortando-se para o lado, tentando esconder seus gemidos de força enquanto torcia o braço enfiado no vão, na tentativa de alcançar algo entre o minúsculo espaço entre o banco e a porta.
—Claire, que porra você tá fazendo? -Espiou de relance, procurando manter os olhos na estrada.
—Arh!... -Soltou um gemido rouco de esforço.
—Claire?..
—Tô quase.. -Tateou o carpete de forma desesperada, logo sentindo nos dedos o metal gelado que tanto procurava. -Que merda, por que eu fui por aqui?.. Ed, a pista da contra-mão ainda tá livre?
—Tá sim.
—Coloca a gente nela de novo, eu vou querer ver a cara do Paul mais uma vez.
—Já não viu o bastante?
—Obedece! -Se reergueu puxando consigo do vão o revólver que roubou de Reese. -Finalmente.... -Disse admirando a arma, pousando-a em seu colo em seguida.
Naturalmente curioso e por razões óbvias, Edward torceu o pescoço para o lado afim de encontrar o que ela tinha em mãos, ou melhor, sobre si mesma. Seu choque foi inevitável:
—Mas o que é isso?!
—É uma arma. -Respondeu irônica com uma naturalidade absurda.
—Onde foi que você arranjou isso?
—Roubei.
—Como é?
—Roubei da Reese.
—Por que isso tá no meu carro?
—Porque eu trouxe.
—Claire, por quê você tá com isso?
—Pra plantar batata! Para com isso e dirige.
—Não até você me explicar o que tá acontecendo!
Respirou fundo ao perder a paciência e a pose debochada, adotando um tom ríspido e ameaçador:
—Vira esse voltante e põe a gente na faixa da contra-mão, agora!!!
—Ok, ok, ok!! -Respondeu apavorado se pondo a atender o comando. A Essa altura, chegou a imaginar a amiga lhe apontando a arma. O que gerou um certo "Medinho" que serviu como um incentivo a fazer o que ela pediu.
Deslizando como uma bailarina bêbada, a Pickup tomou seu lugar na faixa ao lado com o giro do volante, invadindo-a com uma curta derrapada que a fez balançar. "Lá vamos nós de novo"...
O único farol dianteiro do carro que ainda funcionava emitiu um brilho mais forte, com a ameaça da escuridão que se anunciava por trás do pôr-do-sol. Amarelo e chamativo, a luminosidade bateu contra o retrovisor lateral de Paul mais uma vez, quase lhe cegando por um instante. De alguma forma, o serviu como um aviso.
—Merda... -Praguejou ao espiar a cena pelo espelho, cobrindo os olhos brevemente.
Erguendo frente ao rosto sua colega mortal com admiração, Claire levou o cano da arma até os lábios, tascando um beijinho na coisa como um ato de Boa Sorte.
—Lá vamos nós... -Sorriu ao perceber que se aproximavam. 10 míseros metros os separavam. Meteu o dedo indicador no botão da janela, abaixando os últimos 5 centímetros de vidro levantado. Lançou a mão livre para o lado esquerdo de sua cintura, onde apertando a fivela, destravou seu cinto de segurança que emitiu um alto "Click" ao se soltar, deixando a fivela recuar sozinha e bater na lateral do carro, ficando suspensa como de praxe.
Assustadora foi a rapidez que Ed se virou para checar a situação:
—Claire, põe o cinto.
—Agora não dá.
—Põe esse cinto, por favor! Seja lá o que estiver pensando em fazer... Não faça!
—Você me conhece... -Dizia exibindo os dentes num sorriso malicioso.
—Abaixa essa arma e vamos conversar.
—Eles merecem...
—Olhe pra você mesma... Analise essa situação com toda sua inteligência. É hora pra isso?
E foi com aquela sua carinha cínica de uma Grande filha da puta que Ripley proferiu:
—É hora de Dançar com a Diaba. -Segurando firme a parte de trás do cano da arma, moveu uma trave superior para frente e para trás (Click! Crack!) Destravando a mesma. -Bora! -Anunciou-se sem rodeios.
Subiu os joelhos contra o peito, pondo os pés sobre o banco.
—Oh, meu Deus... -Protestou Ed, em vão.
Não prestou atenção no amigo, ergueu o tronco pegando impulso, entortando-se para o lado ao colocar a cabeça para fora. A Adrenalina lhe acertou em cheio ao sentir o repentino vento fresco no rosto, mandando seus cabelos para trás em extrema força. Balançou a cabeça de modo que espantou uma ou duas mechas negras que lhe cobriam a testa, preparando-se para o grande ato.
Batidas incontáveis e fortes dentro do peito, um leve suor frio que gelava sua alma junto com o vento forte e o vestido branco apertado que quase lhe subia pela bunda. Mas decidiu não perder a confiança, nem mesmo ao perceber que estava com medo! Sim, medo. De cair e rolar na estrada, de morrer ao tentar fazer a loucura que planejou... "Tarde demais pra desistir, desgraçada."
Pôs a arma entre as pernas, apertando-a com os joelhos, pois precisava das mãos livres no momento. Com a esquerda, agarrou-se na estreita porém firme alça de teto do carro, presente na parte superior do interior do veículo. Com um pouco de força, usou do impulso para se erguer um pouco mais debruçando-se com o tronco para fora do carro, sentando-se de lado na borda da janela, deixando as pernas para dentro do carro. Manteve os dedos firmes chegando a tremer de agonia conforme via o asfalto logo abaixo de si. Um frio na barriga que só sentiu em brinquedos de parques de diversões. Tudo o que ouvia era o sopro do vento lhe entupindo os ouvidos, impossibilitando-a de escutar até mesmo os protestos desesperados de Graim ao volante.
—Vamos lá... Vamos lá... -Disse a si mesma percebendo o quanto se aproximavam. Sentia que se Edward acelerasse um pouco mais, poderia esticar um dos braços e tocar na lataria do carro de Paul.. Mas quem disse que o plano era esse?
A Mão direita, única disponível... Desceu até o meio de suas pernas apanhando o revólver. Pesado. Mais pesado ainda quando segurado contra o vento e com pouco ponto de equilíbrio. "Merda, será que eu vou conseguir?!" — Respiração em ritmo acelerado.... Claire estendeu o punho apontando a arma.
Seu braço magro parecia um ponteiro, mudando de direção tendo sua força para ficar parado desafiado pelo vento, afetando drasticamente sua mira, que mudava de segundo em segundo. Espremendo os olhos que já lacrimejavam de irritação em piscadas fortes, cabelos pretos bagunçados dançando para trás feito labaredas, e uma tensão do inferno... Via ao alcance de seu dedo coçando no gatilho, a lataria vermelha. Podendo ver claramente através do para-brisas traseiro deles, os topos das cabeças dos garotos se sobressaindo pelo encosto de seus bancos. E acertá-las.. Era o objetivo. "É Agora!"
—Instinto de sobrevivência é o caralho!!!! -Apertou o gatilho com seu pulso agitado e trêmulo. Deu-se um altíssimo estrondo no momento do disparo, e cacos de vidro na cor vermelha saltando no ar em estilhaços no que a lanterna traseira do CrossFox se espatifou. -Cacete! — O Veículo pareceu reagir, perdendo estabilidade ao fazer um ziguezague instintivo com o susto de ter sido atingido. Claire sorria por dentro ao saber que isso se dava a quase perda do controle da direção de Paul. Seu dedo deslizou sobre o gatilho novamente, e com este tiro veio a recompensa de um visível porém pequeno buraco no vidro traseiro como resultado.
—Isso! Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!! -Esbanjou-se com um grito longo e feroz atirando de novo: (Splaft!) Faíscas pularam da lataria vermelha em sua lateral atingida de raspão. (Powff!) Mais um disparo, e um baque agudo e seco se deu contra a janela do banco traseiro, que se desfez em milhares de pedacinhos deixando apenas o enorme buraco que revelava o interior do carro.
—Ahhhh!! -Gritou Paul em terror abaixando a cabeça, insistindo em manter as mãos firmes no volante. -Filha da puta!! Ela está armada!
—O que vamos fazer?! -Respondeu o namorado em Histeria berrando com a cabeça entre as pernas, numa posição fetal cobrindo a nuca.
—Eu vou dirigir e você vai calar a boca!!
Ela não conteve o sorriso maléfico no que se preparou para o terceiro disparo.
—Vamos lá... Vamos lá! -Seu indicador atacou de novo com mais um estrondo, onde a terceira bala, causa de uma perda total de foco e mira, corrompida por seu pulso que desceu sem querer ao perder forças por inexperiência e força do vento, disparou para baixo acertando ao acaso, o pneu traseiro esquerdo do inimigo causando um alto estouro ensurdecedor, no que o ar escapou ao som da borracha rasgada raspando no asfalto em alta velocidade.
—Vadia!!! Claire, sua vaca! -Berrou aos cuspes encarando-a pelo retrovisor lateral.
Mas não ficou olhando a tempo para ver seu punho e levantar mais uma vez em mais uma investida.
—Ela vai me pagar caro por isso.... Ela v... -Interrompido por um susto que o fez saltar do banco feito um adolescente na poltrona do cinema vendo um filme de terror, o jovem esboçou um gritinho desprevenido e um tanto afeminado. Causado pelo ato do para-brisas traseiro ser despedaçado por completo, alvejado por uma das balas da Diaba. O Grosso painel de vidro se desfez com agilidade recaindo sobre o banco traseiro com uma alta batida, espalhando cacos no interior do veículo, e pedaços pontiagudos ainda chegaram a ser arremessados contra o painel e o volante feito dardos desgovernados. -Ahhhhhhhhhhhh!!!!!
—Aaaaaaaaaiiii!!!!!!! -Acompanhou Timmy aos berros, debatendo-se num desespero desproporcional e de aparência exagerada, trazendo consigo um choro insuportável quase que imediato, com aquela sua voz fina que já demonstrava uma certa rouquidão. Se dando conta do exagero inesperado, Paul indagou:
—Que foi agora, caralho?!!
—Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!! -Ao invés de responder com palavras, o mocinho insistiu nos gritos, torcendo-se para os lados como se estivesse com o corpo em chamas, tacando-se contra o encosto do banco de forma horripilante carregando uma expressão dolorosa infernal.
Com um pneu estourado fazendo com que ele perdesse certo controle, Paul se viu obrigado a contornar a situação num ziguezague incontrolável, do qual lhe ameaçava ser jogado no acostamento a cada segundo. Derrapadas curtas e viradas bruscas no volante para se manter na pista, indo e voltando conforme a caraça do veículo chacoalhava em seu eixo.
—Isso!! -Comemorou a Final Girl. Apontou o cano da arma contra eles novamente, mordendo o lábio de ansiedade chegando a fechar um dos olhos para ter uma mira mais precisa. Mas ao apertar o gatilho, não teve a recompensa esperada. Nenhum disparo foi efetuado. Tentou novamente... E Nada! Se viu apertando aquela merda repetidas vezes em seco! -Isso é hora de ficar sem munição?!
Enquanto isso, o assassino adotando uma aparência avermelhada entre as gotas de suor que lhe preenchiam a testa, desistiu de apenas se manter intacto:
—Que se dane! Urrrgh!!!! -Urrou de ódio não querendo prestar atenção no "Drama" do namorado. Resolvendo agir impulsivamente com vingança. Girou o volante para a esquerda arreganhando os dentes feito um cão raivoso.
Claire é quem suspirou de terror ao ver a lataria vermelha se aproximar com tanta agilidade contra si.
—Caralho! -Exclamou brevemente recuando como podia, encolhendo-se contra a capota deitando a cabeça sobre o teto, ainda segurando firme na alça de segurança no interior quando sentiu o impacto na lateral do carro, que quebrou a única lanterna dianteira de Edward. O Balanço foi mais forte que o esperado, quase acabou perdendo o equilíbrio e as forças no que fechou os olhos sentindo tudo se estremer. Impacto dado pelo capô dianteiro de Paul, que afastou Edward de si quase jogando-os contra o acostamento novamente.
—Meu Jesus Cristinho!!!! -Esbranqueceu Ed em aparência cadavérica girando o volante com toda sua habilidade usando uma mão só, onde com a outra esticou em puro instinto, agarrando uma das pernas de Ripley estendidas sobre o banco.
—Ahhhhhhhhhh, Cacete!!! -Pôde finalmente escutar um dos gritos da amiga e sua derrapada breve. -Não pare, Edward!! Não pare!! — Ouviu enquanto batidas se deram sobre teto do carro, já se dando conta de que era Claire esmurrando a capota ao dar ênfase em seu alerta.
Graim pode não ter retirado o pé do acelerador, mas o pavor em seu rosto era nítido assim como sua força que dava puxões nada delicados no tornozelo de Ripley:
—Desce daí, Claire!!!
—Já vou!! Me puxa um pouco!!
E Assim ele o fez. Subiu a mão apertando sua panturrilha, fazendo mais força afim de puxá-la.
—Vem! Ajuda!!! -Implorou ele quase sem fôlego.
—Tô indo! -Antes sentada na janela, agora deslizava as costas para dentro do carro mais uma vez, encolhendo as pernas afim de não acertar o amigo com um chute indesejado no rosto.
—No que você tava pensando, sua louca?!! -Reclamou ao ver que ela não estava ferida, apenas descabelada.
—Eu perdi a arma!!
—O quê?! -Gritou incompreensivo.
—EU DISSE QUE PERDI A ARMA!! FOI NA HORA QUE ELE BATEU NA GENTE!
—Eu entendi! Só estou é pasmo que depois dessa loucura de quase ter sido esmagada, você só está preocupada com a arma que perdeu! Claire, se ele tivesse batido um pouco mais forte, eu poderia ter jogado o carro pro outro lado sem querer e você seria arremessada!
—Vaso ruim não quebra! Você viu se algum tiro meu acertou eles?!
—Não, eu estava dirigindo! Como eu vou saber?
—Maldição!! -Praguejou num forte chute frustrado contra o painel.
—Hey, hey!! Calma, caralho. Destrua o carro deles, não o meu.
—Desculpa! Desculpa mesmo amigo... Arrrrrgh!! Que ódio... -Grunhiu de raiva cobrindo o rosto, esfregando as bochechas à beira de um descontrole.
—Respira.
—To respirando...
—Se concentra.
—Eu quero eles mortos!
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