Scream - Survival 2
25 And There It Goes...
Notas iniciais
Concentrada. Focada. Era o que definia Genevieve Lovegood. Ou como era conhecida, "Gigi". A estudante desesperada por uma resposta quase tendo cãibra ao ficar rígida feito ferro, paralisada diante da página do livro que comia com os olhos. Sozinha naquela sala grande, onde atrás de seu computador havia a visão de várias outras fileiras na horizontal de PC's, uma verdadeira "Lan House" gelada e abandonada.
—Anda... Anda... -Passava pelos nomes um a um em agonia.
Não percebera a movimentação silenciosa que vinha por trás, que, como uma sombra se esgueirava em direção a garota. O Reflexo do espectro na tela preta do computador mostrava o quão perto estava agora, em como a máscara retorcida parecia flutuar numa nuvem negra vindo em sua direção.. até os cachos amarelos da menina concentrada de cabeça baixa.
Vagaroso.. astuto. O Fantasma de Pendleton se aproximou em passos lentos e bem colocados, não deixando que o piso frio e liso da área de informática da biblioteca entregasse seu andar. O tecido preto feito breu da fantasia que vestia também não dava vestígios de nenhum som. Movimentava-se de modo quase dançante graças a sua leveza e das tiras negras espalhadas pelo traje que mais eram como filetes pendurados, coisas que davam a aparência de maior movimentação ao espectro, e embaixo de seus braços longos, mais filetes ainda mais grossos e densos haviam, pendurados entrelaçando-se uns nos outros erguendo-se junto com o braço coberto pelo traje do psicopata onde agarrada com ferocidade entre seus dedos, estava a faca de caça, que por um momento emitiu uma "Luz", um leve reflexo em sua lâmina causando um ponto brilhante na tela do computador. Brilho pequeno e Quase imperceptível a qualquer um, menos para Gigi que com sua visão periférica sentiu ser acertada no rosto pela minúscula luminosidade que desapareceu quase que ao mesmo tempo conforme o maníaco fazia sua mira dramática levando as mãos aos céus, juntando-as sobre o capuz pegando um longo impulso que ao terminado, desceria feito um cometa acertando em cheio a cabeça da loirinha.
O Momento era esse. Uma morte repentina e cruel para uma sobrevivente cheia de garra? Ou a eliminação de uma bisbilhoteira prestes a desvendar o mistério da Faculdade da Morte?
Gigi sentiu o gelo na alma, que escapou de si percorrendo seu corpo por dentro.. deixando em suas entranhas os efeitos do ar frio do medo que suas narinas pegaram no ar. Não se moveu. O desespero geralmente grita para que fuja, mas o medo.. este o paralisa. A melhor forma de escapar é não deixar seu inimigo perceber que você tem conhecimento de seu jogo? Bem, seus olhos disseram isso por ela, ao se levantarem discretamente dando de frente com a tela do computador, tendo de presente a visão grotesca da morte certa vindo bem atrás de si furtivamente. Quis gritar.. mas se conteve. Não esboçou nenhuma reação física. Fingiu não ter percebido tentando esconder a tremedeira que percorria seus ossos numa "epilepsia" interna que a consumiu. Abaixou um pouco mais a cabeça dando a entender que lia o livro e que nem sequer percebera a Morte. Embora seu olhar permanecia fixo assistindo ao que acontecia por trás de seus ombros pelo reflexo, vendo a coisa chegar mais perto.. quase baforando sua ígnea e seca respiração embaixo da máscara que, justo agora.. não podia ser ouvida, como se não existisse.
A vermelhidão se instalou em seus globos azuis avisando da tempestade de lágrimas que possivelmente estava por vir. Tensa.. feito um soldado no campo. Pronta para agir no momento certo.. Gigi deixou o assassino alcançar a distância de quase meio metro de suas costas indefesas que mascaravam suas expressões de preocupação e medo profundo estampada no rosto.
Congelou assistindo ao seu próprio filme de horror enquanto percebeu os dois braços longos levados ao alto, prontos para atacar..
E num silêncio mórbido, cada segundo antecipava o pior. Prendeu a respiração permanecendo paralisada diante do terror, e num estalo de ação simultânea... aconteceu!
Seus olhos captaram em gritos o golpe prestes a atingi-la quando o mascarado desceu-lhe a faca com tudo o que tinha como um vulto saído do inferno. Uma ação rápida, violenta e imparável onde num piscar de olhos, A loirinha com intensa destreza, desviou da facada certeira atirando-se para o lado, caindo da cadeira giratória que graças as rodinhas, fora deslizando para o outro lado desaparecendo da frente da mira da lâmina pontuda, quando um forte estalo se deu no teclado, que foi acertado com força bruta tendo a faca cravada em si onde o algumas teclas saltaram no ar com o impacto que fez o objeto quicar revoltado sobre a mesa no mesmo segundo em que Lovegood encontrou o chão frio num baque seco!
A ponta da faca pareceu atravessar o teclado criando um pequeno furo na madeira vagabunda que sustentava o monitor e seus acompanhamentos em cima, o momento ainda era o mesmo e o medo também, no que Gigi contemplava o mascarado estando numa posição nada animadora, estirada de barriga para cima, remexendo-se depressa no chão arrastando-se para trás usando os ante-braços e cotovelos, encolhendo os joelhos para próximo de si, se repugnando da figura assassina que em pé e curvada, pousou uma das mãos no teclado quebrado segurando o mesmo pressionando-o firme sobre a superfície da mesinha, para enfim conseguir retirar sua lâmina dos destroços de plástico e teclas quebradas graças a seu golpe "mortal".
—Ai meu Deus.. Ai meu Deus!.. -Exclamou ela, ouvindo os sons agudos da sola de seus tênis raspando no piso conforme se impulsionava para trás em tremores ilógicos com uma rapidez extraordinária, cruzando a sala de informática numa marcha ré, estirada.
Aquele braço maldito da figura, sacudiu-se violentamente durante o raspar da lâmina no plástico rígido, de onde ela saiu enfim por inteira graças a sua força bruta conforme o capuz preto balançou para os lados na dança macabra do esforço momentâneo do assassino, que deu dois passos rápidos para trás afastando-se de onde anteriormente estava seu alvo, para em seguida aquela Máscara arrepiante se virar na direção de Gigi, encarando a garota diretamente!
—Seu Puto!! -Berrou ao sentir suas costas encostarem na parede de uma das extremidades do local, ficando logo abaixo de uma janela por onde a pouca luz do fim de tarde nublado adentrava. Levantou-se apoiando as mãos no chão levando seu corpo gradativamente para cima deslizando as costas pela parede de concreto no processo, quando teve o vislumbre do repentino movimento em sua frente. "Ghostface" tinha um punho agitado, do qual sacudiu no ar mostrando a fúria de seu objeto de corte e amiga fiel, passando a correr desgovernado em sua direção numa reta fatal. E nas ondulações que o capuz negro fazia ao ser arrebatado pelo "Vento" enquanto o assassino corria, houve o tão esperado estridente ruído agudo do qual a própria existência do Mascarado dependia para sobreviver: O GRITO.
—Ahhh!!!!!!!! -Gigi gritou com toda força. E isso pareceu atiçar a figura, que correu ainda mais rápido chegando perto o suficiente para acertá-la de uma vez quando de repente, o improvável porém de certa forma esperado golpe aconteceu, com o punho fechado de Gigi acertando a máscara com seu soco de direita.
Uma reação claramente surpresa vinda dela com o seu grito horrível, que afastou imediata e involuntariamente o maníaco de si, com o mesmo rodopiando ao ser acertado. Mas por conta de sua velocidade assustadora, o golpe não foi capaz de pará-lo. "Ghostface" passou bem ao lado de Gigi feito um vulto desgovernado num rodopio brutal batendo contra a parede bem próximo ao seu ombro. A loirinha viu estrelas ao perceber que a faca passara a centímetros de seu pescoço no processo, por conta da ânsia em golpeá-la do assassino que esticou o braço durante seu giro.
Ela se afastou veloz cobrindo por um instante a garganta tentando sentir se fora ou não golpeada. Ao não perceber nada de diferente, dor ou sangue entre seus dedos, passou a correr carregando no rosto todo o pavor do qual tinha direito. Precisava fugir imediatamente!
Não teve tempo para pensar em qual direção seguir, pois então colocou os joelhos e os pés para trabalhar em fuga alucinada em frente mesmo. Passando por aquele mini-corredor composto de Monitores de computador que a cercavam em ambos os lados, um labirinto de monitores de máquinas inativas que refletiam sua corrida do medo como espelhos escuros.
—Socorro!!! -Olhou para trás por um instante ainda com os braços frenéticos por conta do impulso, vendo o fantasma perseguí-la de modo incansável sedento por seu sangue naquela breve reta. -Sai de perto de mim!!! Saaaai!!!
Tornou a olhar para frente enquanto seus cachos amarelos dançavam em volta de seu rosto, apenas para perceber que a reta chegara ao fim. E instintivamente ergueu as mãos colocando-as para frente ao bater inevitavelmente contra a dura parede, amortecendo o impacto com as palmas que suaram frio. -Merda!! -Esgueirou-se para a esquerda saindo novamente da mira pontiaguda que já causara 7 vítimas vindo em sua direção.
Agitou as pernas acelerando sua fuga, paralela aos "Corredores" de máquinas à sua esquerda contornando a sala em velocidade tremenda! O problema é que Gigi podia ser rápida.. mas o fantasma também era, e não dava indícios de que iria desistir. Ainda mais agora que diversão estava começando!
Como uma luz no fim do túnel, Gigi avistou a porta de madeira no fim da nova reta onde tomava cuidado para manter o ritmo e não bater com a cintura numa das mesas à esquerda devido ao espaço limitado. Definitivamente um lugar que não foi feito para correr!
Os passos pesados e agora desinibidos do Mascarado eram muito evidentes. Pancadas ameaçadoras no chão que indicavam o quanto ele estava perto. Perto demais agitando-se na perseguição em espaço contido que estava acontecendo.
Que inferno... aquela reta parecia jamais acabar. O medo faz as coisas parecerem mais longas e demoradas. Coisa que Gigi não podia se dar ao luxo de ser! Com a visão astuta e braços ágeis, avistou um pouco mais à frente uma das cadeiras giratórias mal colocadas. Estava desproporcional as outras perfeitamente enfileiradas cada uma de frente a um monitor. Esta se encontrava um pouco torta e por ser a primeira da ponta de um dos pequenos corredores de máquinas, estava um pouco para fora de seu território quase invadindo a passagem pelo contorno da sala por onde a loirinha corria frenética.
"Pensa Rápido" -Esticou os braços agarrando a coisa pelo encosto, puxando-a com facilidade graças as rodinhas, conforme girou seu corpo na direção contrária ficando de frente ao assassino, levando a cadeira consigo e "jogando-a" na direção dele. A mesma deslizou veloz sendo solta pela Loira num impulso brutal. Uma ação tão rápida e cheia de impulsividade onde Gigi berrou mais uma vez ao perceber a proximidade assustadora do espectro, tendo empurrado a cadeira para frente aos gritos. A cadeira percorreu alguns poucos centímetros servindo de freio ao assassino, acertando-o na altura da cintura retardando por um momento seu desempenho, no qual ao ser atingido sua cintura se dobrou para frente, foi um golpe surpresa a ele conforme o mesmo cambalhotou sobre o encosto da cadeira sendo apenas um vulto negro rolando para frente, estabacando-se no assento de forma violenta, sendo expulso pelo objeto que deslizou para o lado fortemente ao sentir os seu peso na queda torta, deixando-o sem nada para se conter a não ser o chão frio onde se estirou com tudo rolando.
Gigi nem sequer olhou para trás para contemplar com orgulho o tombo feio (Ou lindo) que fizera o mascarado passar, a essa altura a porta de madeira à frente já dizia Adeus fechando-se lentamente gemendo por suas dobradiças ante-impacto que não a permitiam bater, cuja a sombra de Gigi podia ser vista afastando-se gradativamente corredor à fora.
Ela parou num freada brusca por um instante, sacudindo-se toda abanando as mãos. Via-se cercada pelo forte branco emitido pela luz do corredor. Olhou para trás virando-se rapidamente avistando ao fundo uma porta de ferro vermelha com a palavra "EXIT" estampada em cima. A Tranca horizontal lhe pareceu muito tentadora. Mas o único pensamento que lhe passou pela cabeça foi a desgraçada imagem de tentar a todo custo abri-la sem sucesso enquanto o assassino se aproximava em fúria. Conseguiu nitidamente se ver aos berros batendo no ferro estando num beco sem saída vítima de inúmeras facadas. "Não!" -Pensou virando-se a direção em que antes percorria.
Contemplava em sua frente o fim do breve corredor onde ao invés de terminar num beco sem saída com uma porta que poderia ou não abrir, ele dava entrada para o Lobby principal da biblioteca como se se expandisse abrindo a ampla visão para o teto alto e todas as prateleiras lotadas em volta. Era quase como adentrar um palácio.
Dava pequenos saltos durante a corrida que agora ficou sem rumo. Não sabia a qual direção seguir. Olhou para várias direções, perdida e desesperada. Até que se atirou na primeira linha que suas pernas lhe jogaram. Para frente!!
Gigi passou direto pelo desocupado balcão de pedra da recepção, deixando-o para trás. E não parando de correr, lançou seu olhar para a direita avistando a entrada principal do prédio: A Enorme porta de vidro giratória. A mesma que usou para se esgueirar e entrar silenciosamente. As faixas amarelas ainda se entrelaçavam grudadas no vidro da mesma pelo lado de fora, com os dizeres "Keep Out" e "Crime Scene".
Freou mais uma vez de forma repentina, sem tirar os olhos da possível saída. Mas antes que pudesse fazer algo a respeito.. o inevitável ocorreu. Acertada com tudo por um vulto negro em alta velocidade, a garota foi meio que "Arremessada" a uns metros dando uma corrida involuntária ao ser acertada pelo forte impacto do corpo incógnito do Mascarado que feito a porcaria de um caminhão, a "Atropelou" enquanto corria em sua direção.
Mal percebeu o que a atingira pois já se encontrava com os braços esticados clamando para se segurar em algo enquanto tentava parar seus passos desnorteados, cuja as solas do tênis raspavam no chão no que ela tentou manter o equilíbrio. Fora lançada em frente desgovernada num empurrão forte:
—Ahhhh!!! Cristo! -Bateu contra uma imensa estante assim que suas mãos atingiram os livros tentando segurar em alguma coisa, onde seus braços acabaram atravessando a prateleira fazendo os livros despencarem do outro lado.
Uma avalanche de capas e páginas se deu do outro lado da prateleira, preenchendo o chão daquele corredor e Gigi infelizmente numa posição nada favorável, perdendo as forças com o susto pós-impacto contra a presença de madeira maciça, despencando no chão e cobrindo a cabeça como podia conforme mais capas duras e páginas agitadas caíam sobre si.
Assim que o aparentemente "Último" livro caiu batendo em seu ombro e quicando no chão, a garota olhou para cima tendo a horrível visão do fantasma correndo para cima de si à toda velocidade.
—Filho da puta!!! -Gritou pegando um livro do chão, usando todo o impulso da força que ainda lhe restara para atirar o objeto nele. -Arrh!! -O livro se abriu no ar num rodopio não acertando a figura, que mesmo assim se esquivou por precaução dando uma leve curvada e abaixada na cabeça, voltando quase que imediatamente a ficar ereto.
—Nãããããoo!! -Ela se levantou apoiando-se com o ante-braço numa prateleira quando aquela capa preta a alcançou batendo contra si fazendo a grande estante balançar.
Seu grito cessou dando lugar um incômodo silêncio. Com a boca aberta.. uma grande entrada escancarada por onde não saía nem entrava ar.. Gigi encarou seu agressor com incredibilidade, perplexa e desapontada consigo mesma.
A máscara estava bem diante de si, como se a olhasse nos olhos a menos de um palmo de tocar seu rosto. O Assassino parecia imóvel, apenas observando a expressão atônita no rosto da garota.
Ela sentiu uma forte pressão no abdômen, gemendo baixinho entre soluços incontroláveis de boca aberta, por onde entre seus lábios.. um filete de sangue se mostrou esticando-se para baixo feito baba. Seu queixo desceu junto com seu olhar de quem não estava acreditando, apenas para encontrar a mão negra do psicopata posicionada conta sua barriga, e ali.. um pouco do cabo da faca podia ser visto, sendo banhado em sangue escorrendo por cima dos dedos cobertos por luvas do mascarado. Ela o encarou novamente erguendo a cabeça repentinamente. Nunca imaginou que uma facada doesse tanto assim. Quem diria.. Contorceu o rosto de dor soltando um urro dolorido agarrando com um tapa e prensando os dedos, na máscara! Sentiu o látex entre seus dedos por poucos milésimos de segundos até que de imediato o assassino sacudiu a cabeça feito um cachorro molhado repugnando seu ato de tentar arrancar-lhe o disfarce, respondendo com agressividade. Afastou-se violentamente puxando o cabo da faca trazendo a lâmina para fora das entranhas de Gigi por onde sangue escorria, apenas para golpeá-la de novo no mesmo momento com ainda mais força, colando seu corpo no dela deitando a cabeça para trás feito um estuprador que chega ao orgasmo com sua vítima.
—Ah!...ah... ah... -O que começou como um segundo grito, transformou-se em gemidos roucos.
A Máscara agora torta e mal posicionada a encarava com deformidade embaixo do capuz negro. A faca entrou desta vez um pouco mais para cima, na altura do estômago logo abaixo de seu peito arrancando-lhe todo o ar trazendo na garota o espontâneo jato de sangue que pulou de dentro de sua garganta feito vômito. Lábios estremecidos. Visão embaçada e o local parecia estar Girando.. Lovegood cambaleou do pescoço para cima, entortando os pés de dor extrema estremecendo sob o controle da faca dentro de si. Faca esta retirada com brutalidade, deixando escapar o sangue para fora do rombo em sua blusinha que escorreu-lhe em abundância descendo por suas pernas encharcando as meias e os tênis.
—Você matou Carl... -Falou baixinho quando em seguida, a Máscara se movimentou vagarosamente para cima e para baixo indicando um "Sim".
"Ghostface" se afastou retirando dela sua arma, e seus braços que eram a única coisa que mantinham Gigi em pé. Foi para trás contemplando seu delicioso sofrimento vendo-a cair estirada de bruços entre os livros espalhados no chão.
Mas não morrera. Não senhor... Gigi "cravou" suas unhas no piso, dobrando os dedos contorcidos em agonia, enquanto usava os braços para se arrastar.. Lenta.. e futilmente iniciou uma rastejada sem propósito. Mostrando que até mesmo no último segundo, jamais desistiria.
Suas pernas ainda se dobravam, de forma lenta abrindo-se e em seguida se esticando conforme pegava o fraco impulso por onde se arrastava. Doía... Deus, como doía. Era o Inferno. Soluçava para respirar sem saber se queria a Morte rápida ou mais luta. A loirinha deslizou de bruços ainda por mais uns instantes sendo observada pelo fantasma que em pé, a assistia de cabeça deitada para o lado. Ou mostrando uma certa "Pena" com deboche.. ou curioso para ver até onde ela chegaria...
O Rastro vermelho espesso se dava entre as pernas da garota, que pincelou o piso branco com uma larga camada de sangue na distância de pouco mais de 60 centímetros que conseguiu se arrastar. Até que suas forças enfim terminaram.
Os braços pararam de se mover, as pernas também.. e sua bochecha já foi de encontro ao chão frio entre lágrimas que lhe escorreram. A Boca ainda sangrava.. fitou o chão com tristeza.. vendo as botas do assassino caminharem de encontro ao seu rosto, parando diante de seus olhos.
Com um último esforço, Gigi sorriu exibindo os dentes tingidos de vermelhos girando o pescoço para que pudesse ver a coisa que em pé ali estava. Encarou o fantasma mais uma vez soluçando entre seu sorriso falso e a decepção nos olhos. E de modo cínico conseguiu falar.. ainda que gaguejasse:
—E.. eu.... s...se...sei.. que.. quem vo...você... é...
E esta última atitude de deboche da expert em filmes de terror, foi o que lhe deu o fim. Tudo ficou escuro de repete. Gigi foi levada ao breu junto com um som de "Crack" por conta da forte pancada repentina que sofreu na cabeça quando aquela bota desceu com tudo sobre seu crânio pisoteando-o. Ela ainda ouvia o pulsar de seu coração mesmo que sua visão tenha ficado completamente preta. Os pés tremia, o corpo todo tremeu em todas as suas extremidades como uma pessoa que sofre de Epilepsia. Tendo uma concussão repleta de espasmos violentos saltitando feio um peixe fora d'água. E não durou muito, pois outra pisada lhe desceu brutalmente afundando-lhe parte do crânio causando um "Splash" vermelho que espirrou para os lados manchando até partes da prateleira ao seu lado.
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—Então, Senhorita Ripley... -Dizia o Heitor sentando-se em sua cadeira de Couro repousando-se com as mãos na barriga. Aquela PANÇA DE SHOPP MALDITA que Claire fitava como se jogasse uma maldição.
—Senhorita? -Olhou em volta ironicamente como se procurasse pela Tal.
—Engraçadinha.. Eu vim tratar de um assunto sério.
—Por que não aceita logo que perdeu e ficamos quites? Aulas canceladas: Vencemos. Estudantes Mortos: Você venceu.
—Por favor, peço que tenha respeito dentro desta sala.
—Whatever...
Ele mudou o semblante ficando sério, porém passava uma imagem de pena. Claire não entendeu e desfez aquela sua cara de Demônia ficando perdida com o sujeito.
—Claire. Eu sinto que te devo explicações.
—Ah, deve? -Cruzou os braços esperando uma resposta convincente.
—Sim.. -Ele se inclinou para frente abrindo uma pasta que estava sobre a mesa. Na primeira folha, Ripley conseguiu ver o seu próprio rosto. Era uma foto sua em preto e branco mostrando o dedo do meio. Parecia mal humorada. Os cabelos levemente bagunçados e a julgar pela foto tirada quase que de corpo inteiro, pegando dos joelhos para cima, podia-se notar um ferimento em sua coxa, um bem recente com os vestígios de sangue seco que escorreram pelo machucado. A Foto foi tirada na delegacia de Ashville na noite dos assassinatos, aquela mesma noite que se deu toda a confusão na Mansão dos Stone. Confusão essa que tirou a vida de três de seus mais preciosos amigos, Violet, Alissa e Dylan.
Ela ainda se lembra como se fosse ontem. As ambulâncias chegando feito uma cavalaria junto com as viaturas. E ao invés de passarem uma sensação de sossego e paz por tudo ter terminado.. ela, Edward, Amelie, Keaton e Marty foram obrigados a passar o resto daquela madrugada infernal na delegacia dando depoimento testemunhando sobre o caso do "Fantasma de Ashville". Exausta depois de um milhão de perguntas e gravações de voz.. ainda enfileiraram os 5 Sobreviventes para tirar foto e ela claro que não gostou. Mandou um belo "Foda-se" na hora do Flash sendo imortalizada com aquele dedo obsceno levantado. A Diaba riu de lado ao ver a foto, o insulto em si não era uma má lembrança.
—Você já fez coisas.. memoráveis pelo jeito. -O Homem falou sem graça, virando a página de uma vez. Parecia constrangido com a imagem.
—Sabe, Heitor.. eu já fiz muita, mas muita besteira na vida. E Confesso.. de que algumas eu tenho até saudade! -Abriu um sorriso.
—Pois então. É sobre isso que queria falar com você, Senhorita Ripley.
—Manda.
—Você não sabe a desgraça que você e seus amigos fizeram.
—Eles não são meus amigos.
—Talvez não. Mas não hesitaram em seguir o que você disse, dado é claro a sua "Influência" no assunto. Admita para mim, ser a sobrevivente de um massacre tem suas vantagens. Mas essas vantagens param quando as pessoas se afastam de você após descobrirem quem você realmente é, não é verdade?
Ela fez bico olhando para o teto. Não gostou nada da pergunta. Prestes a mandá-lo para a casa do caralho, respirou fundo respondendo:
—Eu não tenho vergonha do que fiz.. ou de quem eu sou. Você é quem devia. Alguém mata no seu colégio e você não faz nada?
—E quem disse que eu não fiz nada?
—AH, me fala o que você fez então, "Sherlock".
—Bem, uma das regalias do serviço secreto é que ele é sigiloso até que o caso seja encerrado. E por eu estar te contando isso agora.. é porque a única opção óbvia da equação é viável.
—O quê?.. Que caso foi encerrado? -Perguntou agressiva, querendo ouvir tudo menos a resposta que se seguiria.
—O Caso Pendleton.
—Não acredito! Como assim? Vão parar de investigar?
—Ao menos por enquanto.
—Pera aí, pera aí, pera aí! -Exclamou exigindo uma pausa. -Você tá me dizendo que tu tava com o serviço secreto?!
—Mais ou menos...
—Puta que me Pariu era só o que me faltava. E o que houve?
—O que houve? VOCÊ.
—EU?!
—Sim, senhora.
—SENHORITA! -Corrigiu ela sarcástica, como uma ofensa.
—Enfim, Claire. Os oficiais encarregados no caso compraram meu silêncio em troca disso. A intenção era abafar os assassinatos pois eu não sei se você tem conhecimento disso mas.. Serial Killers tendem a matar mais quando ficam "Famosos". E não queremos isso, certo? Atrair a atenção da mídia é tudo o que esse canalha queria. E eu não iria dar isso de bandeja pra ele, concorda? Reese ameaçou... vocês invadiram o meu escritório.. e não importou o que eu fizesse.. em menos de uma semana isso aqui estava cercado de repórteres e eu tive de dar uma entrevista enquanto o corpo de uma garota morta, UMA ALUNA, cujo EU SOU RESPONSÁVEL POR.. passava numa maca manchada de sangue. O plano "A" era manter silêncio e deixá-los fazer uma investigação silenciosa.. não deixar o assassino perceber que estávamos perto de pegá-lo. Mas aí.. "Laurie Strode" e companhia entram aqui com tudo e estragam tudo. Bem. Então eles começaram o plano "B".
—Que seria?
—Fechar a escola.
—Tá.. e o que que tem? Pelo menos as mortes vão parar, cacete!
—Você não entendeu. Pendleton é só uma jogada, Claire. Há alguns anos atrás.. Houve..
—Eu sei dos assassinatos.
—Oh... -Ele pareceu surpreso. -Então você sabe..
—Sim, querido.
—Que esta noite é o Aniversário?
—Dessa eu não sabia..
—Pois eu sabia. E Reese também. Por isso que quando as mortes começaram ela ficou tão inquieta.
—Estou chocada. Mas vem cá, que merda hein! Tu sabia.. E por que deixou isso acontecer?
—Por Que VOCÊ deixou isso acontecer?.. -Retrucou ele, exigindo uma resposta.
—Tá botando a culpa em mim? Eu te processo hein, filho da puta.
—Se acalme. Não é o que você está pensando. Aliás, se você e esses arruaceiros se permitissem pensar não teriam feito o que fizeram. Toda ação tem consequências. Sabe o que aconteceria se a Mídia levasse a história ao alto? Exatamente o que está acontecendo agora. Pendleton seria evacuada antes que os pais nervosos nos processassem.. e antes é claro, do assassino ser pego. Sabe o que isso significa? Que seja quem for.. já fez suas malas.. se misturou na multidão de alunos que estão caindo fora daqui agora mesmo.. e seja quem for.. desaparecerá sem deixar rastros.
—Meu Deus.. -Comentou decepcionada.
—E tem mais. A polícia sabe que isso tem a ver com você. Sabem que tem a ver com Ashville.
—O QUÊ?!
—Acha que eles são burros, Senhorita Ripley? Há uma onda de assassinatos acontecendo em cidadezinhas espalhadas pelo País.. pelo mundo! E agora, um assassino surge em Pendleton, mesmo lugar onde coincidentemente dois dos sobreviventes de Ashville estão estudando? Acha que não fariam essa ligação? Alguém lá fora.. é seu inimigo. Não é quem diz ser. Alguém.. começou isso por sua causa. Por causa do que houve na sua antiga cidade. Aquela maluca na cadeira de rodas começou alguma coisa. Um tipo de culto assassino à moda de "Charles Manson". Isso virou caso até pro Pentágono. A "inteligência" está atrás de tudo isso.. o FBI está caindo a pau. Sem ninguém saber, é claro. Mas graças a você.. esse assassino vai sair daqui livre e Senhorita Ripley.. você querendo ou não. Ele ainda pode vir atrás de você. Ele está cumprindo uma missão aqui. Aparando as pontas soltas. Tem um bando de malucos perambulando por aí... seguidores daquela tal Dawson, a garota louca que tentou te matar e eles estão louquinhos para acabar com a raça daqueles que mataram a "Deusa" deles. Um conselho, Senhorita Ripley. Corra. Se cuide por tudo o que é mais sagrado. Pois graças as suas ações, e por favor não me entenda mal.. falo isso como um amigo. Mas.. Pendleton não pode mais proteger você. Volte para casa, fique segura.. não converse com ninguém que não confie ou conheça 100%. Há um lobo entre vocês...
—Eu.. eu não fazia ideia disso no dia.. eu.. nossa eu tava com tanta raiva e todo mundo só queria ajudar. Fizemos aquilo pois pensávamos que era a coisa certa!
—E quem disse que era a coisa certa?... Claire.. posso te chamar de Claire?
—Claro..
—Claire. Alguém manipulou vocês. Queria atrair atenção. Ou talvez.. quisesse que as aulas fossem canceladas por este exato motivo. Para sair daqui livre andando tranquilamente.. Já parou pra pensar nisso?
—Oh meu Deus... -Ela tirou o celular do bolso do Sobretudo teclando insanamente.
—O que foi?
—O Senhor tem razão... tem toda razão!... Deus, eu fui uma idiota! Edward!...
—Edward?
—Ah, me desculpe Heitor.. -Levantou-se empurrando a cadeira para trás. -Mas.. eu preciso ir.
—Já está na hora mesmo. -Disse ele esticando o pescoço para olhar através da janela. -Está escurecendo..
—Eu sei! Eu.. eu tenho que sair daqui!
—É a coisa a certa a fazer..
—To indo.. -Deu as costas se agilizando indo de encontro a porta o mais rápido que podia. E ao abri-la, parou. Claire olhou por cima dos ombros percebendo como o Heitor a fitava com preocupação nos olhos tendo até uma certa curiosidade no olhar. Envergonhada, ficou de frente a ele sutilmente tirando a mão da maçaneta: -Heitor..
—Sim?..
—Sabe. As vezes a gente acha que conhece uma pessoa. Que por conversar ou vê-la todos os dias.. tiramos não sei de onde uma confiança.. ou conclusão precipitada sobre se a pessoa é boa ou má.. e algumas.. quer dizer, muitas vezes, nos enganamos.
—Eu sei.. -Ele respondeu em compaixão.
—Eu estava errada sobre você. Você tinha seus motivos e estava fazendo o melhor que podia. Peço desculpas..
—Não precisa se desculpar...
—Por minha causa... 7 pessoas podem ter morrido em vão. E isso é algo que vai dificultar o meu sono..
—Eu entendo. Mas tem uma coisa.. você não sabia. Aliás, como poderia saber? -Sorriu sentindo pena da garota. -Eu é quem devo desculpas. Sou EU quem me enganei sobre você, Claire.
—Não... -Ela negou cabisbaixa. -O Senhor não se enganou sobre mim... e é aí que mora o problema. -Retirou-se rapidamente para evitar mais constrangimento puxando a porta para deixar batê-la atrás de si.
—Claire! -O Homem chamou. mas não houve resposta. A Diaba desapareceu porta afora em passos rápidos encharcados de arrependimento.
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—"Hey, Hey, Hey, Heeeey Foxy! Ohhh Hey Foxy, Oh Miss Foxy Brown!!" -
Cantarolava Reese girando com um braço aberto e o outro próximo a boca, onde com a mãe segurava sua lanterna de vigia fingindo que era um microfone. Cantava durante a trilha sonora dos créditos de abertura de seu filme favorito "Foxy Brown". O mesmo passava nas inúmeras telas num painel do qual Reese usava para vigiar o colégio. Mas esta sendo a "última noite" da faculdade, e com ela estando quase deserta... A Segurança não tinha muito o que ver nas câmeras portanto passava o tempo vendo filmes e cantando (Como sempre).
—Uaau!! -Deu um grito fino de empolgação remexendo os quadris de modo "Sexy" fechando os olhos se entregando ao "Ritmo do filme". Ficou de frente às telas balançando a bunda em exclamação:
—Uhulll pega eles garota!
—Ahm.. Reese? -Paul entrou furtivamente dando toques na porta.
—Ahhhh!!!!!! -Berrou em tremendo susto virando-se em direção a porta se sacudindo assustada. A Vergonha lhe tomou conta, botando um dos braços para trás apertando "Discretamente" o botão "Switch Channels" no painel onde de repente, a imagem do filme que passava nos monitores foi automaticamente substituída pelas imagens dos perímetros da faculdade. -OH, meu Deus!! Você me deu um Puta susto, moleque! -Exclamou retirando uma mecha de cabelo da testa abaixando a lanterna.
—Ah, desculpe.. o que está fazendo?. -Perguntou Paul prestes a morrer de rir.
—Bem, nada.. -Respondeu com vergonha retomando a pose séria onde até botar as mãos na cintura para empoderar respeito, assim o fez.
—Ah, tá! Até parece Hahahaha!!
—Se não vai fazer algo útil pode por favor sair? Isso é uma área restrita, caramba!
—Eu sei! Eu sei! Desculpe.. -Ele ainda cobria os lábios impedindo-os de que soltassem uma gargalhada.
Reese o correspondeu com um olhar irônico e desconfiado, como se lesse a mente dele e já soubesse que nada de inocente viria de lá.

—O Que você quer, menino?
—Reese.. já faz tempo que você não fala comigo. Que não me conta o que tá acontecendo e por isso meu jornal tá uma catástrofe! Notícias dessa semana? ZERO. E graças a quem? Graças a você!
—Se veio pra reclamar, a saída é logo ali.
—Como eu ia dizendo... você pode não ter feito nada por mim. Mas vou fazer por você. Você vai embora hoje?
—Sim.. assim que vocês últimos pirralhos deixados para trás darem o fora, eu tenho uma cama e um cobertor me esperando.
—Eu não iria embora se fosse você. -Ele disse mordendo os lábios e arqueando as sobrancelhas com seu sorriso maroto.
—Xiii... que tá pegando?
—Dizem os boatos que hoje não é só a nossa última noite aqui. Dizem por aí.. que o assassino vai atacar esta noite.
—E eu tenho que acreditar em você?
—E se for o mesmo assassino?...
—E o que você tem com isso, garoto?
—Reese.. qual é.. ninguém nunca descobriu quem matou todo mundo aqui em Pendleton. Você chegou pertinho ASSIM de pegar o maníaco mas.. tudo deu errado.
—É, meu corte na barriga que o diga.
—Então! É o seguinte. Se você ficar.. pode pegar o assassino hoje e ser uma heroína!
—Garoto. Primeiro — Você é estranho. Segundo — Isso tá muito estranho. E Terceiro — Por que infernos eu ficaria aqui quando o assassino voltar a atacar?
—Ora, ora, ora.. "Proteger e servir".. sonha em entrar pra polícia mas não aceita um desafio? Vamos Reese, sei que está louca pra ficar!
Ela desviou o olhar, pensando a respeito. E suas feições entregaram sua verdadeira curiosidade e ânsia por heroísmo. Sorriu em sem graça e assim Paul bateu uma palma comemorando:
—Aí! EU sabia!
—Mas você é muito cara de Pau. Não veio aqui pra levantar o meu astral, o que você quer?
—Apenas pense. Eu estou MORRENDO de medo. E gostaria que pelo menos ALGUÉÉÉÉM... -Apontou para ela. -Me protegesse essa noite. E outra, se pegarmos o assassino todo mundo sai ganhando. Eu fico com a história e você com a fama de heroína! E aí? Vai negar?!
—Por que os Branquelos sempre querem ficar pra morrer, eu não entendo isso!
—Porque Reese... alguém tem que ficar pra contar a história. Se a história não é contada.. então nunca aconteceu. E os mortos.. não falam..
—Você é doidinho de pedra sabia? Porque não foge de uma vez com seu namorado?
—Hey, tá dentro ou não?
—Tá. E o que eu tenho que fazer?
—Seu trabalho, apenas. Fique de olho.. -Disse Paul Apontando para os monitores atrás da segurança.
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