Scream For Me

10 Então somos três?


Notas iniciais
Hey guys! Hoje tem SFM! Sim, sim, vocês leram certo :D Obrigada pelos reviews e por estarem acompanhando a fic gente! Obrigada mesmo! Esse capítulo é bem emocionante, pelo menos eu achei. E é super importante para a história. Então, prontos para a ansiosa continuação? Enjoy!

Está tudo parado. Tudo morto. O tempo, o vento, as pessoas...

John caminha até o corpo mais próximo e o vejo se abaixar e tocar o pescoço, checando a pulsação. Eu já sei que não há mais vida ali, George também sabe, John também deve saber, mas mesmo assim ele faz questão de verificar apesar da falta de um braço.

Ando por entre os carros e vejo no chão mais pessoas que não tive a chance de ter uma conversa. Todas sangram, manchando de vermelho o chão ao seu redor. Algumas ainda tem os olhos abertos. Não quero olhar.

George está parado sem saber o que fazer. Ele não conhecia essas pessoas, mas demonstra compaixão em não falar nada. O silêncio grita mais do que qualquer coisa. Ele exclama que não há mais nada por aqui.

O sol já está indo embora e com ele, minha esperança. Continuo andando e passando pelos carros a procura de algo que não sei. Olho para trás e John está parado olhando para alguém no chão. Vou até ele.

E ali está Gabe, a doce e amável Gabe, abraçada a um pequeno corpo já sem vida. Ela o protege em seus braços como se fosse preservá-lo de todo o mal. Dou um grito e levo minhas mãos até minha boca. Não, não, não! Não, isso é demais para mim. Caio de joelhos e acaricio o rosto de Gabe suavemente. Ela está tão serena, ali no chão. Seus belos olhos azuis fitam o céu. Não! Tiro o bebê de Ana de seu colo e o seguro em meus braços com todo o carinho e cuidado que encontro dentro de mim. Tão jovem, tão puro. Choro sem me importar com nada. Apenas choro como a tempo não faço.

John se ajoelha ao meu lado, e passa um braço ao meu redor. Ele encosta sua cabeça na minha e posso jurar que senti uma lágrima quente molhar meu cabelo. Sei que ele sente uma dor semelhante a minha, provavelmente pior. Ele os conhecia, eram sua familia. Ficamos ali por alguns minutos até que ouvimos um grunhido. John olha em volta e eu levanto minha cabeça procurando pelo som. Assistimos George dar uma facada no ouvido de Zac. Ele nos olha e abaixa o olhar, quando o levanta não sabe o que dizer.

– Me desculpe. Ele, se transformou. Tava parado, deitado no chão, e do nada se levantou. — George fala. — Eu não podia deixar ele... Eu não podia... Sei que ele era amigo de vocês, mas eu não podia deixar que ele...

– Tá tudo bem cara. Obrigado. — John diz e balança a cabeça para George, que retribui o gesto. John levanta e se põe a andar.

Olho para o bebê, a garotinha em meus braços, e mais lágrimas continuam escorrendo. Não sei como fazer parar. Pela primeira vez em algum tempo, choro porque me importo. Passo meus dedos pelo frágil rosto dela e enfim noto uma enorme mancha vermelha em seu peito. Um tiro. Olho ao redor e paro em Gabe, que também tem sangue manchando sua camiseta. Um tiro.

As peças se juntam em minha cabeça e franzo a testa diante do que parece que aconteceu. Gabe levou um tiro, que atravessou pela bebê. Elas levaram um tiro. Alguém disparou. Elas foram assassinadas. Alguém as matou. Uma ultima lagrima desce solitária por meu rosto. Rastejo até Gabe e coloco a bebê de volta em seus braços, como se nunca tivesse saído dali. Me levanto do chão e limpo minhas lágrimas com a manga de minha blusa.

– Sinto dizer, mas houve uma chacina do caralho aqui. Foram pessoas, não walkers. — George diz olhando ao redor.

– Essa é exatamente a conclusão que cheguei. — John aparece dizendo.

– Então somos três. — falo chegando mais perto dos rapazes. — O que não entendo, é porque não levaram nada. Os carros estão aqui, no mesmo lugar que antes.

– Não me importa se apenas acabaram com tudo sem levar nada, ou se roubaram até as identidades. Esses filhos de uma puta mataram a minha família. Vou encontrá-los nem que eu tenha que ir no inferno procurar. — John diz passando a mão em sua barba pra fazer.

– Precisamos dar um fim pra eles. — George diz de repente.

John e eu olhamos para sua cara como se ele estivesse louco. Já estão mortos, ele quer mais o quê?

– Não, vocês não me entenderam! — George exclama lendo nosso pensamento. — Eu quero dizer que eles vão voltar, assim como aquele garoto ali voltou. — ele pausa e continua lentamente. — Podemos, não sei, atingi-los na cabeça e enterrá-los depois. Ninguém decente merece voltar desse jeito.

– Concordo com a parte de atingi-los na cabeça para não se transformarem e não corrermos o risco de voltarem como aquelas coisas, mas não temos tempo para velório e enterro nenhum. — John pega sua faca para não fazer barulho, se agacha e a enfia na cabeça da primeira pessoa que vê. — Temos que sair logo daqui.

Assinto com a cabeça porque sei que esse é o certo. As pessoas que fizeram isso podem voltar e não queremos estar aqui despreparados para sermos abatidos sem mais nem menos. Quando chegarmos até eles, será porque queremos vingança. E iremos consegui-la. Por Gabe e pela bebê. Por Ana que deu sua vida em vão. Por todos aqueles que morreram aqui.

George e eu nos juntamos a John, e juntos, nós três perfuramos os cérebros de todos ali, apenas uma garantia para que não voltem e se tornem o que mais detestavam quando vivos. Não é um trabalho divertido, e nunca será. Olhar para os rostos deles e enfiar uma faca na sua cabeça. Dói, até em mim que mal os conhecia.

Agimos rápido. Usamos a razão e deixamos nossos corações um pouco de lado. Pegamos a gasolina dos carros, enchemos o tangue do nosso e colocamos o que dava em galões que encontrei em um dos carros na estrada.

Quando estávamos prestes a entrar no carro para cair fora dali, ousei dar uma ultima olhada por cima de meus ombros para ver o que estávamos deixando para trás. Não deixando porque era nossa opção, mas porque tiraram de nós o direito de escolha, talvez do mesmo jeito que Gary fez com George.

Entro no carro, me sento atrás do volante e fecho a porta. George já havia entrado e John está lá fora ainda, olhando para o nada. Ele então ocupa seu lugar ao meu lado e então dou a partida. O carro ganha vida e engato a ré para sairmos desse cemitério.

E agora, mais do que antes, não temos para onde voltar.

Notas finais
E ai? O que acharam? Parece que nosso trio favorito terá que arrumar um caminho para seguir... Muitas surpresas estão por vir por aí galera, aguardem... Até o próximo capítulo gente! Beijos!