Scorpius & Rose (vol. 2)
12 Capitulo 11 - Surpresas
Notas iniciais
Scorpius & Rose
Capitulo XI – Surpresas
Albus Potter fora abordado no meio do Ministério da Magia pelo assistente pessoal de Harry Potter assim que chegou. O jovem fora intimado a comparecer no gabinete do general dentro de cinco minutos, o que era ótimo, porque Albus só baixara a guarda de três dias, quase quatro, dentro do St. Mungus porque precisava daquela conversa. Só esperava que achasse seu pai e não o General Potter naquela sala.
— Sente-se – Harry indicou uma das poltronas a frente de seu gabinete quando o filho passou pela porta.
Al obedeceu, mas não podia esconder a insatisfação da diplomacia que seu pai tinha usado na voz, embora tenha permanecido em silêncio – afinal, ele sabia o que tinha ido fazer ali, mas ainda não sabia o porquê de ter sido chamado. Harry o estudou com cuidado, depois soltou o ar e Al percebeu o quanto o pai estava cansado. O moreno de fios grisalhos tirou os óculos e passou as mãos nos olhos.
— Como você está? – perguntou, recolocando a armação de lentes circulares no lugar. E bom, a pergunta fez efeito.
— Bem – Al disse, relaxando na cadeira, aliviado.
— Sua mãe vai me deixar louco – Harry riu um pouco, sem muita vontade, apoiando as costas no encosto da própria cadeira – Para ela, vocês nunca cresceram.
— Engraçado, que diante de toda essa bagunça, mamãe ainda é a única que pode tirá-lo realmente do sério.
— Bom, isso é verdade.
Al não disse mais nada, não sabia o que dizer. Quer dizer, ele queria falar algumas coisas, mas como ainda não sabia sua função ali, logo desconhecia a sua liberdade.
— O que aconteceu lá? – Harry tornou a quebrar o silêncio. Ele parecia realmente preocupado.
— É uma boa pergunta.
— Falo sério, Severus.
— Isso é um depoimento? Porque eu já o fiz e você pode lê-lo nessa mesma papelada aí.
— Não. Estou perguntando pra você, meu filho. O que houve?
Albus baixou a guarda, finalmente estava mesmo falando com o pai.
— O jogo acabou, uma das torres desabou – ele começou. – Depois de socorrermos Scorpius, Rose viu algo na Floresta e correu.
— Por que você não a seguiu?
— Scorpius ainda precisava de um médico, Olívia não podia segurar a varinha, então me encarreguei dele. Acho que Rose não viu, mas assim que ela sumiu na Floresta Proibida, o Tio Ron e Teddy foram logo atrás dela, então não me preocupei.
— E foi aí que as coisas saíram do controle lá dentro.
Al suspirou, as imagens do resto daquele dia passando e passando na sua cabeça incessantemente. Ele queria que elas parassem, que simplesmente se apagassem.
— Eu não sei o que houve lá; digo, na floresta. – ele quase engasgou quando voltou a falar – Scorpius acordou e toda a dor o deixou agonizante, tive que apagá-lo de novo. Até Minerva dá um jeito de tirar a gente dali sem sermos vistos. Só soube de Rose quando já estava no Hospital, ajudando uma das enfermeiras a preencher a ficha de Scorpius. A maca dela passou por mim, pai. Eu nem sei descrever o que eu senti quando eles pararam no meio do corredor para reanima-la.
Um breve silêncio se construiu. Albus baixou a cabeça e olhou para os próprios pés. Ele tinha tentado conversar com a mãe, mas a coisa não fluiu, e agora, de frente ao pai, ele se permitiu lembrar e contar tudo.
— O relatório de Teddy chegou faz pouco tempo, não tem o depoimento de Ronald. Ele só sai do quarto de Rose para higiene pessoal, isso porque Draco arrumou a chave do próprio escritório para ele. – Harry foi dizendo devagar, enquanto o filho se recuperava. – Mas aparentemente, Rose está estável.
— Foi um fracasso, não foi? – O mais novo perguntou, como se não tivesse ouvido nada que o pai acabara de falar.
— O que?
— A missão.
— Não, vocês se saíram bem, melhor do que esperávamos, ninguém sabe de vocês. Hogwarts acha que foi a estrutura e só.
— Pelo menos isso.
É, a missão, vista de fora, nem mesmo existiu, como era o objetivo da Divisão, mas internamente, era sempre um estresse. Não havia como Harry, ou qualquer outra pessoa, ensinar como receber o estresse, como lidar com ele depois do fim de cada trabalho. As pessoas eram diferentes entre si, cada um lida como pode, como sabe com base nas próprias emoções.
— Scorpius sabe dela?
— De início eu não quis contar nada, nem a tia Tori, nós estamos nos revezando, visto que ela está de férias. Mas já faz três dias, quando Rose não foi vê-lo na primeira noite, ele soube que tinha algo errado. Desde então Victoire o mantem sob o efeitos sedativos.
— Sedativos? – Harry franziu as sobrancelhas.
— Ele precisa ficar quieto pra que as cicatrizes sarem. Quando está consciente, Scorpius se revira que nem um louco pra ir atrás dela. – Al explicou.
— Pergunto-me o que Draco Malfoy acha disso.
— O Hospital tem uma política: médicos não cuidam de parentes e não podem se envolver no caso de outros médicos, nem questionar suas decisões. Mesmo que o tio Draco seja o Diretor do Hospital e Victorie apenas a Chefe de Cirurgia, a hierarquia não tem valor quando eles estão tratando alguém. Ainda que, independente disso tudo, duvido que ele agiria de forma diferente da dela.
— Mas Draco não pode tratar Rose.
— Sim, é verdade. Mas, por sorte, a burocracia não pode impedi-lo, já que Rose não tem nenhum envolvimento legal com Scorpius. E convenhamos, ele é a melhor opção que ela tem. Se pudesse estaria tratando dos dois.
— Bom, eu tenho algumas fichas médicas. Rose, como já disse, parece está fora de perigo se tudo seguir bem e Scorpius só precisa de mais dois dias para alta. Olivia já está encaminhada para algumas atividades leves aqui dentro e você saiu ileso.
— Se você diz...
— Fisicamente, pelo menos.
— Não acho que nós três devêssemos voltar a trabalhar juntos... – Pronto, era para aquilo que ele estava ali, para dizer isso ao pai.
Harry sorriu, um sorriso leve. Al o encarou intrigado.
— Imaginei que fosse dizer isso – o pai afirmou, com paciência.
— Sendo sincero, não me lembro da última vez que me controlei tanto na minha vida. A ideia de que meu melhor amigo poderia estar morto quase me fez estragar todo o plano. Ainda me pergunto como Rose conseguiu agir sem nem mesmo mudar de expressão. Ela acabou de perder a mãe, a expectativa da perda do namorado devia ter acabado com ela.
— E é exatamente por isso que vocês tem tudo para serem a melhor equipe que já tivemos. Não percebem o quanto de foco vocês tem? – Harry continuou. Al revirou os olhos. – Deixe-me ser mais claro, é difícil encontrar num grupo o companheirismo e o cuidado que vocês tem um com outro e ainda assim não comprometer a missão. Imagine, que na situação em que estamos, em que todos os agentes e soldados estão em campo controlando uma guerra por debaixo dos tapetes dos civis. Imagine Rose na Austrália e você aqui, imagine como você se sentiria se pensasse que ela estivesse em perigo, e vice-versa.
Severus não respondeu de imediato. Ainda não tinha pensado por aquele ângulo.
— Eu não estaria focado – admitiu, por fim.
— Exatamente. Eu preciso que você volte ao hospital.
— Eu mal tenho saído de lá.
— Quero que converse com Scorpius e quero que abra toda a situação de Rose a ele.
— Ele sabe sobre o coma.
— Mas não sabe sobre a coluna, os hematomas e o resto.
Harry tinha terminado aquela frase com um tom que deixava claro que o resto significava alguma coisa.
— Que resto? – Albus quis saber. A coluna ereta. – Que resto, pai?
— Pelo visto, Draco vai sair do caso de Rose. – O outro ia contando, paciente.
— Espera! O que?
— E Ronald vai ter que medir suas decisões com Scorpius a partir de agora.
— Mas! Eles não são casados, nem mesmo noivos. Rose precisa dele, de Draco! Victorie está proibida porque é prima! Não tem ninguém melhor do que eles pra ela e...
E ele continuaria se seu pai não o tivesse interrompido, e o calado de modo que ele nem mesmo se lembrava o que significava o encontro de uma consoante com uma vogal.
.:x:.
Primeiro a mesma parede branca, aí veio a mesma porta branca, e então o mesmo quarto branco depois da milésima vez que ele tinha sido sedado. A diferença, talvez até mesmo o divisor de águas, fosse que, em vez de Albus ou sua mãe na maldita poltrona branca, estivesse Draco Malfoy. O jaleco do pai estava estendido nas costas da poltrona e, de algum modo, essa imagem fez o ar de Scorpius faltar instantaneamente.
— Respire! – pulou Draco de onde estava, entregando uma máscara de oxigênio ao filho – Mantenha a calma e respire. Está tudo bem, ela está bem.
— Onde? Onde ela está?! – ele sussurrou, sem folego, a voz abafada pela máscara.
Draco não respondeu de imediato, as informações teriam que vir à tona com calma. Victoire só lhe deu permissão porque, além de ter o conhecimento profissional em situações delicadas, Draco era pai do paciente; controla-lo, em teoria, deveria ser mais fácil.
— Primeiro – o médico assumiu um tom frio, serio, que normalmente usava quando passava sermões ao filho quando este era menor –, prometa-me que vai se comportar.
— Não está sendo justo comigo.
— Então você volta para os sedativos e Victoire o declara incapaz até segunda ordem.
— Sua ética profissional não permitiria isso.
— Tratando-se do que está em jogo, estou me lixando para a minha ética.
Estava funcionando. Scorpius calou-se, concentrou-se nos olhos do pai, mas o muro estava ali, opaco para qualquer emoção. Draco falava sério. Colocar sua ética em jogo significava por sua carreira, bem como sua sanidade. O filho sabia que se tratava de Rose, suas atitudes extremas não ajudariam em nada. Concentre-se, babaca.
— Tudo bem – prometeu ao pai, abaixando a máscara. Ele não precisava mais dela, a respiração estava controlada.
— Até onde você se lembra?
— Fomos torcer por Hugo...
— Não precisa mentir pra mim, sou o único aqui que sabe da Divisão.
— Ahm?!
— Quem você acha que trata o pessoal do Potter?
É verdade, nenhum médico podia agir sem saber o que houve com o paciente e mesmo que não, mais cedo ou mais tarde o profissional descobriria.
— Acertaram-me na cabeça, suponho que na de Olívia também. Estávamos observando o final do jogo quando tudo aconteceu. Tudo ficou escuro e depois eu acordei no gramado na parte externa do campo com uma dor dos infernos, até Albus me pedir desculpas por ter que me apagar. Depois eu acordei aqui e você sabe o resto.
— E o que sabe sobre Rose?
Scorpius engoliu em seco.
— Sei que houve um confronto na Floresta Proibida entre os suspeitos e o resto da nossa equipe, e que ela está em coma deste então. Não sei se os desgraçados foram capturados. Não sei de mais nada.
Draco ajeitou-se na cadeira.
— Tudo bem, o que vamos conversar agora não pode ser mais comentado dentro das paredes desse hospital, ou eu sairei do caso de Rose e na situação dela, eu sou a única chance que tem e ...
— O que quer dizer? Que merda aconteceu naquela floresta?!
— Não me interrompa. O que foi que combinamos? – o pai ergueu uma sobrancelha desafiadora. Scorpius calou-se, com muito esforço, mas calou-se. – Pois bem. O que aconteceu foi que Rose chegou a mim com um trauma na coluna, por sorte, nenhum nervo foi permanentemente comprometido, portanto seus movimentos estão a salvo, mas isso pode mudar se o tratamento errado for executando. Entende o motivo de eu ser sua única chance? Eu tenho conhecimento de medicina bruxa e trouxa, especialmente em neurologia. O único de toda a Inglaterra. As minhas técnicas usam ambos os mundos.
Scorpius assentiu. A medida que Draco falava, a expressão do filho se esvaziava, as coisas iam passeando pela sua cabeça de modo a prendê-lo dentro das possíveis conclusões daquela conversa. Nenhuma das opções eram felizes.
— Algumas cirurgias foram feitas para recolocar e reconstruir vértebras. No total, cinco foram quebradas, logo na altura quadril. Aparentemente, Rose encontrou o grupo de inimigos sozinha e os enfrentou sem reforços durante tempo suficiente para ser alvejada de feitiços que comprometeram seu corpo. Ela está exausta. Parou duas vezes antes de ser internada. Por isso não podemos mantê-la na sala de cirurgia por tanto tempo, os procedimentos não podem ser completados de uma vez só. O corpo precisa se recuperar em intervalos de 24 à 72 horas. Ela está em coma induzido, para que seu metabolismo trabalhe melhor, mas estamos ficando sem tempo. Se ela não for acordada até o fim da semana, ela pode nunca mais o fazê-lo.
Draco parecia ter terminado, por hora. Scorpius não mais o olhava, seu corpo estava lá, seus olhos abertos, mas era como se ele mesmo não estivesse. O pai estava prestes a perguntar até que ponto ele teria prestado atenção, mas a voz do filho soou sem peso.
— O que espera que eu diga? Não tenho nenhum direito sobre ela. Ronald quem decide, ou até mesmo você, não eu.
— É exatamente por isso que eu estou aqui. – Draco disse, calmo, embora seu coração também estivesse a mil na expectativa de dizer o que tinha o levado ali pra dizer – Há algo que descobrimos, algo que muda tudo.
Scorpius virou-se para ele, a compreensão tomando aquele rosto, que por um minuto, desligou-se.
— Você não está me dizendo que... – ele começou a dizer, mas parou, engasgado.
Seu filho não era burro. E tanto Draco como ele queriam que aquela noticia fosse dada em uma circunstância absolutamente diferente. Draco queria que seu filho estivesse sorrindo quando o dissesse o que ele mesmo estava preste a dizer, ele queria sorrir de volta orgulhoso, animado. A coisa toda estava errada, trocada, em total negativo.
Mas, sabe-se que as coisas nunca tinham sido fáceis para Draco Malfoy, ele só não esperava que com o seu filho fosse do mesmo jeito.
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