Scorpius Malfoy e a Pedra da Ressurreição
2 Os novos alunos

Scorpius foi junto com os Weasley e os Potter para o Beco Diagonal. O pai lhe mandou outra coruja, perguntando se estava tudo bem e contando sobre suas férias com Pansy.
— Ela chama papai de Draquinho, Alvo! Você precisa ver como essa mulher é insuportável!
Alvo sorria discretamente. Scorpius estava apreensivo, pois tinha combinado com o pai de se encontrarem no Beco e estava com medo que Pansy quisesse ir também. Tinha medo que ela quisesse apertar as bochechas na frente de todos, e certamente James e Fred não o deixariam em paz.
— Calma, Scorpius! Está com medo de quê, de que ela o chame de Scorpinho também?
— Você também, Alvo? – o garoto ria, e Scorpius socava seu braço esquerdo.
— Acho que Scorpius tem razão em desconfiar dela – interrompeu Rose.
— Descobriu algo sobre a mais nova mãe do nosso companheiro?
Rose trazia nas mãos um anuário de sua mãe dos tempos de colégio e um caderninho com anotações.
— Pansy Parkinson foi colega de nossos pais. Ela era da Sonserina, e certamente foi amiga de seu pai, Scorpius – o loiro arregalou os olhos, impressionado – Tem diversas fotos deles juntos, podem até terem sido... — Rose deu um risinho sarcástico — Namorados!
Scorpius ficou ainda mais surpreso e apavorado. Sabia que o pai não era lá um exemplo em seus tempos de juventude, mas ter namorado Pansy era demais.
— Ela foi monitora-chefe junto com Blásio Zabini no ano em que Snape foi diretor de Hogwarts e ela entregou diversos colegas para serem torturados pelos irmãos Carrow. E também liderou um grupo de alunos da Sonserina que queriam entregar tio Harry e a Armada para Voldemort.
Pansy era pior do que Scorpius pensava. Alvo teve que concordar com o amigo.
— Ela também foi comensal da morte?
— Não, Al, ela não chegou a tanto. Não participou da batalha, pois os alunos da Sonserina foram mandados de volta para as suas casas juntamente com os alunos menores de idade. E ela não estava entre os que retornaram com Slughorn para reforçar os aliados. Não tem muitas informações sobre ela depois de Hogwarts. Só que ela se casou duas vezes e conseguiu arrancar boa parte da fortuna de seu último marido, Blásio Zabini.
— Agora ela quer arrancar dinheiro do papai... – resmungou Scorpius, desolado.
— Não fica assim, Scorpius. Se ela te deixar sem nada, eu falo com o papai pra ele separar um apartamento pra vocês terem onde morar!
Scorpius sorriu sem esperança. Nem mesmo as palhaçadas de James o fizeram se alegrar.
— O que há com seu amiguinho Malfoy, Al? – indagou James.
— Ele tá chateado por causa da nova madrasta dele.
— Puxa, nova madrasta, é? – James se virou para Scorpius – Não é motivo pra ficar irritado, afinal você tem os NOMs para se preocupar!
Scorpius ficou ainda mais preocupado. Tinha se esquecido dos exames. James franzia o rosto, tentando se lembrar de algo.
— Pra que eu vim aqui mesmo? Ah, Alvo, chegou uma carta pra você!
Alvo foi até a sala e ficou maravilhado com o que viu. Ele foi escolhido monitor da Sonserina. Rose também estava radiante, também era a nova monitora da Grifinória e já estava vestida com seu novo uniforme, com o distintivo de monitora reluzindo. Hugo e Lílian assistiam a tudo aquilo com inveja e planejavam enfeitiçar os distintivos dos irmãos.
Gina, Hermione e seus filhos foram juntos para o Beco Diagonal. Elas levaram Lílian e Hugo ao Olivaras para comprar uma nova varinha para ele, que tinha quebrado em um acidente nas férias, enquanto James, Alvo, Rose e Scorpius foram em direção às Gemialidades Weasley. No caminho, encontraram Hagrid, que foi até eles.
— Olá, garotos! Estão prontos para mais um ano em Hogwarts?
— Ah, sim, eu estou prontíssimo! Ainda mais agora que serei monitor!
— Parabéns, Alvo! Você está deixando seu pai muito orgulhoso! Sabe quem será monitora junto com você na Sonserina?
— Ainda não. Só espero que não seja a chata da Kate Richards. – disse Alvo, com desagrado. Kate Richards era uma quintanista da Sonserina que era apaixonada por ele e tentava mil maneiras de conquistá-lo.
— Então você, James, deve ser o novo monitor-chefe, não?
— Com muito orgulho! – dizia ele, pomposamente – Honrarei este posto assim como meu avô fez. E ficarei bem longe das confusões, prometo!
Hagrid sorria, simpático. Scorpius, que tinha receio do meio-gigante e achava que Hagrid não gostava dele, tentava puxar assunto.
— Eu estou feliz por eles e vou tentar novamente entrar para o time de Quadribol.
— Que bom – respondeu Hagrid, indiferente. E virou-se para Rose – Também estou contente em ver que a senhorita é nova monitora da Grifinória, Rose querida! Seus pais também devem estar muito felizes em ver que você está seguindo os seus passos!
— Sim, claro – Rose ficou quase tão vermelha quanto seus cabelos – papai e mamãe ficaram mesmo muito orgulhosos de mim!
— Tio Rony chorou e ficou dizendo “ai, a menininha do papai é monitora agora...” – disse James, imitando o tio com uma voz melosa, o que arrancou gargalhadas dos presentes.
— O papo está bom, mas tenho que ir. Tenho assuntos a resolver. Vocês já se encontraram com Luna? Os gêmeos vão entrar em Hogwarts neste ano e ela está eufórica! – os garotos balançaram a cabeça negativamente e se despediram de Hagrid.
— Adoro esse cara! – disse James, levando os outros para a Floreios e Borrões. Scorpius estava indo com eles, mas parou ao ver o pai e a nova namorada dele. Rose cutucou Alvo e apontou para a moça.
— Oi, filho, sentiu saudades de mim?
Scorpius abraçou o pai, enquanto as outras crianças olhavam para a moça ao lado dele.
— O que vocês dois tanto cochicham? – indagou James.
— Essa aí é a nova madrasta do Scorpius que eu te falei.
— Ah... – James a olhou de cima a baixo – até que é jeitosinha.
Os três sorriram, e foram interrompidos por Hermione, Gina, Lílian e Hugo, que finalmente os encontraram. Hermione olhou para Pansy e a reconheceu imediatamente.
— Pansy Parkinson?
Pansy deu um gritinho e acenou para as duas.
— Hermione Granger! Nossa, há quanto tempo não nos vemos, querida!
“Querida???” pensou Gina. “Ela odiava Mione!”
— Está diferente, com uma pele boa! Nem parece ter se passado tantos anos! Bom saber que mesmo sendo Ministra da Magia ainda consegue tempo para se dedicar à família! E você... Ginevra, não? Você está muito bem! Casou-se com o Potter, fiquei surpresa quando soube! Aquelas crianças são suas?
— Sim, são. Os dois garotos mais altos e esta menina aqui.
— Lindos meninos! Eu ainda não tive os meus, mas tenho um afilhado adorável que é como se tivesse saído de mim! Onde ele está? – Pansy se virou, procurando alguém até que ela viu um rapaz alto, branco, de cabelos e olhos muito negros – Ah, ele está ali! Órion, querido! Venha, quero que conheça alguém!
O rapaz andou até a madrinha. Era um rapaz muito bonito, tinha feições clássicas e deu um discreto sorriso para Rose, que retribuiu.
— Este aqui é Órion Wozniak-Black, meu lindo afilhado! Ele perdeu os pais num trágico acidente de avião e agora está vivendo comigo, as tias não quiseram ficar com ele, são umas fúteis mesquinhas... Bem, não vamos falar delas! Espero que não tenha ficado nenhum ressentimento sobre as nossas briguinhas de juventude, eu nunca falei sério quando falei de seus dentões...
— Ah, não... – respondeu Hermione, impaciente.
— Então tá bom! Vou comprar os materiais com meu afilhado, ele foi transferido para Hogwarts agora que vai viver comigo e espero que nossas crianças sejam amigas!
— Então tchau! – disse Gina, rapidamente, e antes que Pansy pudesse falar qualquer outra coisa, ela arrastou Hermione e os meninos para dentro da loja.
— Que mulherzinha chata! – cochichou ela para a cunhada enquanto as crianças faziam suas compras. – Você não acreditou em seus pedidos de desculpas, acreditou?
— Eu não! Ela sempre foi muito cruel conosco, e não me esqueço do que ela tentou fazer na batalha. Mas não podemos deixar de lembrar que ela pode ter mudado um pouco, muitos sonserinos que estudaram conosco repensaram suas atitudes. Veja Draco Malfoy, por exemplo! Naquela época, você pensaria que ele mudaria tanto?
Gina foi obrigada a concordar com Hermione.
Alguns dias depois, foram todos para a Plataforma 9 ¾. Harry fez questão de desmarcar alguns compromissos só para acompanhar os filhos até o trem. Ele, Gina e os meninos estavam indo até a plataforma, quando encontraram uma família estrangeira.
— Com licença, senhor – dizia o homem, que tinha estatura mediana, era calvo e barrigudo. – pode me dizer onde fica a plataforma 9 ¾?
— Claro, estamos indo para lá também. Está atrás desta parede, é só empurrar o carrinho até lá.
Os estrangeiros sorriram. O garoto, moreno, alto e de cabelos bem curtos, disse:
— Show! Melhor que no Brasil, que a gente tem que gritar o nome da escola até um ônibus aparecer.
— São brasileiros?
— Sim, somos! Quer dizer, eu sou – disse o homem – minha mulher é inglesa e meu filho é meio a meio. Sou José Nogueira, esta é Ellen e este garotão aqui é Mateus. Nos mudamos para cá recentemente e nosso filho agora vai estudar em Hogwarts!
Os Potter se apresentaram, cumprimentaram os Nogueira e Mateus logo fez amizade com Alvo. Ainda mais que o bruxinho inglês viu um adesivo na mala do brasileiro da seleção brasileira de quadribol.
— Também gosta de quadribol, Nogueira?
— Sim. Modéstia à parte, sou o melhor batedor do meu país! – os dois sorriram – Mas pra mim, ninguém supera Gonçalo Flores, o melhor artilheiro da América Latina!
— Também é fã do Gonçalo Flores? – Alvo indagou, exultante.
— Quase todo mundo no Brasil adora aquele cara. Claro que tem uns haters, que não conseguem nem montar num vassoura e acham que tem direito de falar mal do Gonçalo, mas a maioria o adora e acha que a próxima Copa do Mundo de Quadribol é nossa!
Ao atravessarem a parede, eles encontraram Luna, Rolf e os gêmeos. Lorcan e Lysander estavam tão ansiosos para estudar em Hogwarts que até tremiam. Os dois não eram idênticos, mas poucos notavam suas diferenças. O cabelo de Lysander era num tom de loiro mais claro que o de Lorcan, que por sua vez tinha os olhos mais azuis, enquanto o irmão tinha os mesmos olhos cinza-prateados da mãe. As personalidades também eram distintas. Lorcan era decidido e independente, e Lysander era espiritualista e sonhador. Os dois usavam túnicas, azul para Lorcan e branca para Lysander, e colares de rolhas de cerveja amanteigada feitos por Luna para proteger os dois dos narguilés.
— Harry, você por aqui! – Luna cumprimentou os dois.
— Como vai, Luna?
— Bem, eu e Rolf estamos bem, mas os meninos estão tão nervosos que eu já não sei o que fazer para acalmá-los.
Luna estava usando um vestido com estampas das quatro casas de Hogwarts e usando um colar com o brasão da escola. Rolf, que tinha cabelos castanhos, olhos azuis e firmes, estava usando uma roupa simples, se comparada à da esposa: um suéter bege feito de lã islandesa, uma calça de couro marrom e botinas velhas, que foram de seu avô.
— Agora é a nossa vez de trazermos nossos filhos para Hogwarts! Estou quase tão ansioso quanto eles. – Rolf olhou para os brasileiros e os reconheceu – Não acredito! José? José Nogueira?
José sorriu e os dois trocaram um caloroso abraço. Eram velhos amigos.
— Quer dizer então que você veio morar aqui na Inglaterra? Está gostando daqui?
— Sim, já tinha vindo aqui antes, mas fora aquelas dificuldades de adaptação, estamos bem. Eu estou quase me acostumando aos costumes ingleses, mas de vez em quando sinto falta da comidinha lá de casa...
— Já se conheciam?
— Sim, Harry, eu e José trabalhamos juntos no período que eu passei morando no Brasil, com meu avô. Tem mais de dez anos que não nos vemos, acho que os meninos ainda nem eram nascidos!
Enquanto os adultos conversavam, James, Alvo, Lilian foram se juntar aos seus amigos. James logo encontrou Fred e os dois correram para o trem. Lílian encontrou suas amiguinhas da Grifinória e foi colocar a conversa em dia. E Alvo arrastou Mateus para apresenta-lo a Scorpius.
— Já que vai estudar com a gente, é bom ir se enturmando, pois ser excluído é muito chato. Digo isso por experiência própria!
Scorpius se despediu de seu pai e foi seguido por Órion, que não sabia o que fazer ali.
— Alvo, te procurei um tempão, o trem já vai sair!
— Encontramos uns estrangeiros no caminho, e este aqui vai ser nosso colega! Scorpius, quero que conheça Mateus Nogueira. Mateus, quero que conheça Scorpius Malfoy.
— Prazer – disseram os dois ao mesmo tempo e apertaram as mãos.
— Vocês estão em que ano em Hogwarts?
— Quinto. E você?
— Bom, eu estava no terceiro ano na Castelobruxo, mas não sei em que ano eu vou estar aqui. Terei que fazer alguns exames antes de me matricular, soube que Hogwarts é bem mais exigente do que a escola de magia brasileira. Também ouvi falar que aqui tem quatro casas, lá no Brasil nós chamamos de alas, que não disputam apenas campeonatos de Quadribol.
— Não?
— Não, as alas de lá disputam uma gincana anual que envolve dança, teatro, esportes e testes de conhecimento. Eu era da Ala Norte, logo em meu primeiro ano vencemos a gincana, foi maravilhoso. Ano passado, perdemos para a Ala Oeste por pouco, mas nesse ano vínhamos fortes e eu espero que meus colegas da Ala Norte não me decepcionem. Sabiam que Gonçalo Flores também foi da Norte?
— Sério? – Alvo ficava cada vez mais impressionado com as coisas que Mateus lhe contava. Scorpius também, mas o ciúme não lhe permitia demonstrar.
— Sim, enquanto ele estudou lá, nós ganhamos a gincana quatro vezes. São oito anos que você passa estudando na Castelobruxo, quatro alas, logo é uma boa porcentagem. Ano passado ele foi jurado convidado, são cinco, sendo que quatro são ex-estudantes de cada ala e um é o diretor da escola. Infelizmente, fizemos feio pra ele, mas pelo menos eu consegui uma selfie!
Mateus exibia todo orgulhoso uma foto dele com Gonçalo e uma dedicatória no verso: “para Mateus Nogueira, o melhor batedor da Ala Norte e de toda a Castelobruxo, Gonçalo Flores”.
— Uau! Até me deu vontade de estudar lá na Castelobruxo! Será que eles ainda fazem intercâmbio com Hogwarts?
— Não sei, pergunta à sua diretora. Alvo e Mateus sorriam, e Scorpius ficava ainda mais enciumado. Resolveu interromper.
— Papai está cada vez mais enfeitiçado pela Pansy Parkinson. Ela praticamente vive lá em casa.
— Mesmo? – falou Alvo, indiferente.
— Acho que ela deu uma Poção do Amor pra ele.
— Depois investigamos isso.
— Ele me obrigou a fazer amizade com o afilhado dela.
— O Órion? – perguntou Alvo.
— Ele mesmo. Vive no meu pé, aquele chato – Alvo e Mateus fizeram sinal e Scorpius rapidamente entendeu – Ele está atrás de mim, não?
Os dois novos amigos balançaram a cabeça e Scorpius se virou. Órion ficou um pouco desapontado ao saber que Scorpius não gostava muito dele, mas disfarçou. Teria tempo para mudar a impressão negativa.
— Este é Órion...
— Black! Órion Wozniak-Black. Também fui transferido para Hogwarts. Estudava na Durmstrang e devo ser colega de vocês, também estava no quinto ano.
Alvo e Mateus se apresentaram, e o brasileiro apertou a mão de Órion, que correspondeu friamente.
— Já deve estar na hora de entrar. Não vão se despedir de seus pais? – perguntou ele a Alvo e Mateus, que foram dar um último adeus a eles. Scorpius não gostou de ver o modo como ele tratou os dois.
— Alvo é meu amigo, e se quiser andar comigo, vai ter que ser legal com eles, tá bem?
— Eles? Até mesmo o brasileiro? Pois tive a impressão que você não gostou muito dele...
Scorpius foi obrigado a concordar. Não tinha gostado nada de Mateus. O achou muito tagarela e irritante. Mas Órion também não era o seu favorito. O achou arrogante e presunçoso. Scorpius não conseguiu decidir qual dos dois ele gostava menos. Acabou dando empate técnico.
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