Scorpius Malfoy e a Pedra da Ressurreição
7 Investigando
Notas iniciais

Alvo ficou estupefato com a cara de pau de Órion de mentir daquele jeito. Aquele pedido de desculpas não foi verdadeiramente aceito pelos dois amigos, principalmente Scorpius, que ainda estava atravessado com as palavras de Rose a seu respeito.
— Ele falou mal de mim pra Rose e falava mal dela pra mim. Mas quando viu que não era mais conveniente, passou a elogiá-la, dizendo que era sua amiga...
— Só podia ser da Sonserina! – gritou Hugo, que chegou acompanhado de Louis e dos gêmeos Scamander.
— Olha só quem está por aqui! O idiota, o bobalhão e os gêmeos bons de briga!
Lorcan ficou irritado com a brincadeira de Alvo, mas Lysander o segurou.
— Lorcan, calma! É só brincadeira, Alvo Potter é nosso amigo! E ainda é afilhado de nossa mãe!
— Contem, como foi a detenção de vocês? McGonagall reclamou muito?
— Não, a senhora McGonagall foi bastante gentil conosco – respondeu Lysander – Só nos aconselhou a evitarmos confusões com Daley. Quem reclamou mesmo foi a mamãe!
Lysander fez uma cara de horror ao lembrar-se do berrador que Luna enviou aos gêmeos ao saber da detenção. Lorcan foi indiferente.
— Querem saber? Até gostei do castigo que a Sra. McGonagall nos deu. Ajudar o Sr. Hagrid foi muito divertido! Se eu pudesse, faria isso pra sempre!
Os outros garotos sorriram. Exceto Lysander, que não gostava muito das criaturas mágicas.
— Lorcan mandou uma carta ao papai se desculpando pela briga, explicando os motivos e dizendo que brigaria de novo só pra voltar a trabalhar com Sr. Hagrid. Espero que ele não me inclua nisso, porque soube que a Floresta Proibida está infestada de narguilés!
Os garotos riam mais ainda, menos Hugo, que tinha pavor de aranhas e tinha ouvido falar que havia exemplares gigantes dessa espécie na Floresta. Então, tentou mudar de assunto.
— O dia das Bruxas é daqui a três dias! Mal posso esperar pelo banquete...
— Ih, é mesmo! – disse Louis – Ano passado foi tão legal... Ah, ia me esquecendo! Hoje é seu aniversário, não é Scorpius?
— Sim, é.
— Parabéns.
— Obrigado.
— Parabéns pelo seu dia, Scorpius Malfoy. Aceite este presente dado de bom grado – disse Lysander, retirando do bolso um colar de rolhas de cerveja amanteigada e entregando a Scorpius, que olhou intrigado.
— O que é isto, Scamander?
— Um amuleto para protegê-lo dos narguilés. Foi feito por minha mãe e ela jura ter sido fundamental para que ela completasse os estudos em Hogwarts em segurança. Este colar era o de Lorcan, que, não sei por que, decidiu jogar fora.
— Lysander, o papai já disse que não existem narguilés em Hogwarts!
— Papai só diz essas coisas pra não ficarmos com medo, Lorcan! Encare a realidade! Se fosse mentira, nosso avô não teria escrito uma matéria sobre isso no Pasquim!
Os outros garotos gargalhavam. Scorpius ficou espantado com a convicção que Lysander afirmava aquelas coisas.
— Muito obrigado pelo amuleto, Lysander. Vou tomar muito cuidado com os narguilés, fique tranquilo.
— Por nada. Mais uma vez, parabéns. Vamos, Lorcan! Daqui a pouco teremos outra aula de voo e você deve treinar bastante se quiser mesmo entrar pro time ano que vem.
Lysander correu. Lorcan demorou um pouco para cumprimentar Scorpius.
— Felicidades. Se não quiser essa coisa, pode jogar no lixo, depois eu digo ao meu irmão que os testrálios levaram.
Lorcan saiu e os outros garotos já estavam sem fôlego de tanto rir das coisas que Lysander dizia.
— Ai ai... Esses dois são uma figura! – falou Hugo.
— Amo esses moleques – disse Alvo.
— São meio doidinhos, mas são legais! – Atalhou Scorpius, que olhou para Hugo e se lembrou de seu desafeto – Weasley, é verdade que Black fez você tropeçar?
— Sim!
— Mas como foi isso?
Louis fez uma cara de tédio, revirou os olhos e pensou “Vai começar tudo outra vez”. Hugo inflou o peito, fez uma cara séria e narrou os fatos.
— Bem, estava eu indo à aula de Herbologia, que não é exatamente a minha matéria preferida, vocês podem achar estranho, mas ultimamente tenho gostado muito mais de História da Magia, espero que Neville não fique chateado por me ouvir dizer isto, mas...
Louis tossiu e Hugo continuou.
— Como eu ia dizendo, estava atrasado para a aula de Herbologia porque acordei tarde, passei a noite lendo o livro sobre o duelo de Dumbledore e Grindewald, ótima leitura, inclusive, recomendo...
Louis tossiu mais alto e Hugo fez uma cara zangada, mas não se abalou.
— Então, eu acordei em cima da hora para a aula de Herbologia. Não tive tempo nem de tomar banho, só coloquei o uniforme por cima de meu pijama e corri para a estufa. Até esqueci o livro sobre as mandrágoras, estamos estudando essas plantas peculiares, sabiam que o grito delas é capaz de matar?
Os garotos balançaram a cabeça positivamente, sem muita paciência.
— Pois é, vocês já estudaram as mandrágoras e sabem, mas Lili não sabia disto. Ou pelo menos não prestou atenção no professor Neville, porque ela se esqueceu de colocar os abafadores e desmaiou na aula, se não fosse eu e o Nogueira pra acudir...
Louis tossiu mais uma vez e Hugo perdeu a paciência.
— Quer parar de tossir, Lou? Estou contando uma história importante aqui. Ah, a propósito, Lili está bem, foi só um susto, nem precisou ficar muito tempo na enfermaria.
— Mas e o Black...
— Ah, é mesmo, Scorpius. Voltando, antes da Lili desmaiar, eu estava a caminho da estufa quando dei de cara com o Black. Ele ficou me encarando com aqueles olhos pretos dele, mal dá pra ver a pupila de tão preto que é. Eu ignorei porque estava atrasado, é realmente bonito o Órion Black, assim como os outros rapazes da família que possuem uma beleza clássica que remonta aos quadros renascentistas...
Louis tossiu de novo.
— E como eu estava contando antes do senhor Louis William Delacour Weasley ter outro acesso de tosse, o Black me olhou feio e eu caí. Alguns poderiam dizer que eu tropecei nas minhas próprias pernas, como foi o caso de minha irmã Rose, mas estou certo de que foi o senhor Órion Black que me fez cair. Ele deu uma risadinha sarcástica, que lhe deu um certo charme, tamanha beleza me desconcentrou um pouco, mas me recuperei a tempo e tentei me levantar para retornar ao meu caminho. Antes, dei uma boa olhada no Black, que, aliás, possui um belo corpo também...
— Tá, chega. Depois desse jornal todo aí que você descreveu, qual a prova que você tem de que foi mesmo o Black que te fez cair?
Hugo ficou revoltado e se exaltou.
— O jeito que ele me encarou o tempo todo, Al! Ele deve saber da minha mãe, e do seu status sanguíneo, mamãe vive ouvindo críticas de pessoas que não gostam de ver uma nascida trouxa como Ministra da Magia. E o Black vive se gabando de ser de uma casa antiga e nobre, sem contar que vive implicando com outros colegas meus que também são nascidos trouxas, o que me faz concluir que ele deve ser outro supremacista sangue puro.
Scorpius suspirou, convencido de que estava certo o tempo todo. Hugo prosseguiu.
— Não entendo o que Rose viu naquele cara, sinceramente. Eles estão sempre estudando na biblioteca e ela suspira por ele pelos cantos. Lili me contou que ela tem uma foto dele guardada embaixo do travesseiro!
— Ela deve estar iludida com a beleza dele, que você exaltou tão fortemente, Huguinho...
— Eu? – Hugo empalideceu – Nada disso, Lou, só estava narrando os fatos. E mesmo não sendo uma garota, não pude deixar de perceber que Black é um rapaz bonito. Só não presta.
— Acredito em você, Weasley. Black é um falso, veio me pedir desculpas por uma discussão que tivemos, mas sei que ele está fingindo. E além de tudo, é afilhado daquela namorada que o papai inventou de arrumar! Eles devem estar envolvidos num complô pra deixar papai na miséria, assim como Pansy Parkinson fez com os outros ex-maridos.
— É mesmo? – surpreendeu-se Hugo – Coitado de seu pai, Scorpius. Soube que Blásio Zabini está vivendo de favor na casa de Gregory Goyle.
— Papai tem que saber dessas coisas! Vamos investigar tudo sobre Órion Black e Pansy Parkinson pra desmascarar esses dois! Quem está comigo?
Scorpius estendeu a mão direita. Alvo pôs a dele por cima, seguido de Hugo e Louis. Os garotos puseram as outras mãos por cima e as levantaram, dando urros de alegria.
...
Os quatro garotos começaram os trabalhos fuçando tudo o que existia a respeito dos casamentos de Pansy Parkinson e do passado de Órion. Louis e Hugo usaram um computador da biblioteca, que diferente de um computador trouxa, não tinha a internet, e sim a WitchNet, uma rede mundial de computadores bruxos que se conectavam por meio de uma série de feitiços.
— Vamos ao site da Durmstrang, lá deve ter algo sobre Órion Black.
Não acharam nada especificamente no site da Durmstrang, mas conseguiram fazer contato com Ivan Awfulitch, um professor de Transfiguração que estava on-line para bate-papo.
“Boa tarde, senhor Awfulitch, aqui quem fala é William Delacour, assistente da senhora Minerva McGonagall, diretora de Hogwarts” — digitava Louis.
“Boa tarde, Sr. Delacour. O que deseja?”
“Gostaria de saber mais informações a respeito de seu ex-aluno Órion Black.”
— Gostaria? Acho que você deveria ter sido mais respeitoso, Lou.
— Como assim, Hugo?
— Sei lá, o cara é professor, e os professores gostam de usar termos como “Por gentileza”, “Humildemente”, “Se não for incômodo”...
— Vou deixar assim mesmo. Simples e direto. Você, quando vai contar alguma coisa ou escrever algo, fica enrolando e leva séculos para deixar a mensagem.
— Já estão discutindo? – interrompeu Alvo, que coincidentemente chegava da aula de Transfiguração.
— Não, eu só tô dizendo ao Lou pra ser mais gentil com o professor da Durmstrang, professores gostam de ser bajulados. Papai mesmo, quando virou professor, não me deixa mais chama-lo de pai ou papai, lá na sala é professor Ronald, senhor Weasley...
— Ih, nisso eu vou ter que concordar, nas aulas o tio Rony tá parecendo o tio Percy!
Os três garotos sorriram baixinho, para que a Madame Pince não os tirassem dali.
— Olha, ele mandou um arquivo!
Louis clicou no arquivo, que abriu instantaneamente.
— O que é isso?
— Uma ficha com os dados do nosso vilão, Hugo. Leiam em silêncio.
“Nome: Órion Wozniak Black; Data de nascimento: 12 de janeiro de 2006; Ano de ingresso em Durmstrang: 2017/2018; Média acadêmica: Ótimo; Detenções/Suspensões: zero; Observações: Advertido em 03 de setembro de 2018 por ter defendido ideias de Gellert Grindewald e em 09 de novembro de 2019 por manifestar publicamente interesse em dementadores e nas relíquias da morte.”
Os garotos contemplaram a ficha, intrigados. Alvo conjurou o feitiço Documentus Impressus em um pergaminho em branco para que os dados na tela se materializassem nele.
— Pronto. Acharam outra coisa quando eu não estava?
— Materializei essas reportagens antigas do Profeta Diário falando dos casamentos da Sra. Parkinson. A única coisa que me deixou contente foi que a rata da Rita Skeeter também não gosta daquela lá – disse Hugo, retirando da mochila um rolo de pergaminho com várias páginas do Profeta Diário.
— Ótimo, vamos para aquele banco porque não podemos ficar muito tempo aqui.
Alvo arrastou os primos para uma cadeira e ficou lendo as colunas de Rita Skeeter junto com eles.
“... Pansy Parkinson, a outrora jovem e bela estudante de Hogwarts, tem feito escolhas equivocadas sobre sua vida. Além de seu conturbado e rápido casamento com Marcus Flint, que acabou de forma traumática, ela ainda tem aderido a métodos trouxas para manter a beleza. Parkinson teria sido vista entrando em uma clínica de cirurgia plástica, usando um longo sobretudo marrom com um capuz para não ser reconhecida. A cirurgia plástica é um método trouxa para alterar a aparência e as formas das pessoas, acrescentando volume aos seios ou nádegas e diminuindo o nariz. Embora não sejamos adeptos desses métodos primitivos de beleza, aconselharíamos a senhorita Molly Weasley II a reduzir o seu nariz avantajado se quiser arranjar um bom marido antes dos trinta...”
— Essa mulher é podre! Não tem como gostar dela...
— Tem razão, Hugo, mas é um mal necessário. Lembre-se da investigação!
Scorpius chegou e rapidamente se juntou aos outros na leitura.
“... Até que durou muito a união de Pansy Parkinson e Blásio Zabini. O relacionamento, que ambos faziam questão de mostrar que era uma paixão juvenil reaquecida, terminou com mágoas e trocas de acusações. Zabini afirma que Parkinson estava mais interessada em adquirir parte de seu patrimônio financeiro do que em seu amor. Já a ex-senhora Zabini diz que seu ex-marido era um controlador e ciumento, que dilapidou por ele mesmo toda a fortuna deixada por sua mãe, já falecida. O fato é que Parkinson foi vista conversando ao pé do ouvido de Cassius Warrington, e ela parecia alegre demais para quem está passando por um complicado divórcio. Já Zabini não tem sido mais visto nas festinhas da alta sociedade que costumava frequentar ao lado da esposa. Sua elfo doméstica Klinny foi vista revirando latões de lixo e quando perguntada a respeito de seu senhor, ela chorou e pediu que deixem Zabini em paz. Tentamos ouvir as partes, mas nenhum dos dois quis dar declarações.”
— Nossa! Espero que Todd e Frida não tenham que revirar latões de lixo também, isso seria demais pra eles... – disse Scorpius, lembrando-se dos elfos domésticos de sua família.
— Aqui não tem nada além do que Rose nos disse antes das aulas começarem – resmungou Alvo.
— Talvez devêssemos tentar falar com Blásio Zabini!
— Como, Hugo? O senhor Zabini não iria aceitar receber quatro garotos desconhecidos na casa dele.
— Lou, mas nós temos o Malfoy aqui, o pai dele deve ser amigo do Zabini e...
— Esquece, Hugo. Meu pai e o Zabini não se falam há anos.
— Mas nem um pouquinho?
— Não, papai não tem muitos amigos da época da escola. Ele conta que tinha dois guarda-costas e uns bajuladores. Eles devem ter abandonado papai depois que ele caiu em desgraça com Voldemort, e o único que ainda fala com ele fora tia Dafne é Theodore Nott.
— Theodore Nott, o autor do livro sobre os Sagrados Vinte e Oito?
— Oi?
— Esqueceram? Theodore Nott foi quem escreveu aquele livro que tinha as informações sobre os Black, os Weasley, e as outras famílias sangue-puro que eu mostrei naquele dia. Ele deve saber tudo sobre famílias sangue-puro e pode ter mais informações sobre Pansy Parkinson, Órion Black e qualquer outro!
— Mas como vamos falar com ele, Hugo?
— Theodore Nott tem parentes aqui.
— Sério, Al?
— Sim. Gutemberg Nott, um colega nosso, mas é um antipático, esqueçam. Tem também Edwiges Nott, uma menininha do primeiro ano da Sonserina que eu peguei chorando outro dia por causa de uma azaração feita por John Flint. Levei a coitada pra enfermaria e fiquei com ela até Slughorn chegar.
— Podíamos tentar fazer com que ela falasse com Theodore a respeito de Pansy Parkinson!
...
Edwiges Nott, uma garota de cabelos castanhos na altura do ombro, óculos grossos e dentes avantajados, não quis cooperar com a investigação. Ela não se satisfez com os doces da Dedos de Mel dados por Alvo, muito menos com uma falsa varinha que solta confetes da Gemialidades Weasley.
— Eu já disse, eu quero um mini-pufe!
— Esquece essa pirralha. É melhor pensarmos num plano B.
Alvo e Scorpius pensavam, pensavam, mas nada vinha em mente. Suas reflexões foram interrompidas pela chegada de Mateus Nogueira, que usava três casacos, duas luvas e uma touca para tentar se proteger do frio.
— Caraca, aqui na Inglaterra é um frio de rachar! Eu achei que o lugar mais frio que existisse era Curitiba, mas me enganei, Hogwarts é o lugar mais frio do planeta!
— Ué, e como é o inverno no Brasil?
— Geralmente é com céu nublado, chuva, alguma neblina e vento gelado. Em alguns lugares do Sul do Brasil até cai neve, mas é raro. Eu mesmo nunca tinha visto neve pessoalmente.
— Não? Bom, sempre tem a primeira vez, né?
— É, Alvo, vai ser o meu primeiro Natal com neve! Que nem nos filmes, com boneco de neve, lareira, guerra de bolas de neve...
— Eu é que gostaria de saber como seria um Natal sem neve, acho que seria muito diferente.
— Pois é! Eu costumava passar o Natal na praia, pegando onda e jogando quadribol o dia todo! Lá no Brasil tem muitas praias exclusivas para bruxos, a minha favorita é a da Vassoura Quebrada. Meus pais tem uma casa lá. Se quiserem ir um dia, estão convidados!
— Tá, qualquer dia apareceremos lá. Voltando à nossa investigação, Alvo, que tal mandarmos uma carta ao Nott fingindo ser meu pai? Posso tentar imitar a letra dele...
— Quem é esse tal Nott de quem vocês tanto falam?
Alvo e Scorpius contaram a Mateus da investigação e do plano para tentar convencer Theodore Nott a dar maiores informações sobre Pansy Parkinson e Órion Black.
— Antes de fazer isso, vocês poderiam tentar um jeito mais fácil de descobrir algo sobre o Black.
— Qual?
— Que tal vasculhar as coisas dele pra ver se tem alguma coisa, sei lá, algo que mostre que ele é do mal? Você não é monitor, Alvo? Deve ter autorização pra fuçar as coisas de algum aluno...
— Não posso fazer isso, mas sua ideia é maravilhosa, Mateus! Poderíamos fazer assim: Scorpius vigia o Black e o distrai caso ele queira voltar para o quarto, enquanto eu vou lá e procuro algo comprometedor!
Os meninos combinaram de fazer isto após a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. Alvo e Scorpius tentavam conter a ansiedade e prestar atenção nas explicações de Rony sobre Patronos.
— Para conjurar o feitiço do Patrono, vocês devem pensar em uma lembrança feliz, a melhor e mais forte que vocês tiverem. O Patrono é excelente para espantar dementadores, mas num grau mais avançado, pode tomar a forma de um animal e ser usado para transmitir mensagens. Na próxima aula nós começaremos a treiná-lo, tempo suficiente para que pensem na lembrança mais feliz que vocês tiverem. Esta será a tarefa de casa, não consegui pensar em uma mais difícil.
Os alunos riram. Rony sorria consigo mesmo, pois estava certo que eles achavam que seria moleza. Mas ele se lembra da dificuldade que teve enquanto tentava aprender a conjurar o Patrono durante as reuniões da Armada de Dumbledore.
Scorpius seguiu Órion, que caminhava pelos corredores. Rose passou por ele e o ignorou, indo em direção ao novo amigo.
— Órion, está empolgado para a próxima aula de Defesa Contra as Artes das Trevas?
— Sim, mas não entendi muito bem essa tarefa. Como pensar numa lembrança feliz vai me ajudar a realizar um feitiço tão poderoso?
— Ora, foi como o professor falou, somente os puros de coração podem fazer esse feitiço, por isso pensar numa lembrança feliz é fundamental! Ah, já estou sonhando com essa aula! Mamãe diz que é um feitiço muito complicado, mas se eu ficar nervosa, aí é que eu não consigo mesmo!
Scorpius sorria pensando que Órion Black não iria conseguir fazer o feitiço. Afinal, ele não era tão puro de coração. Scorpius achava que iria se sair melhor, e já tinha até uma lembrança em mente: o dia em que recebeu sua carta de admissão em Hogwarts.
...
Alvo entrou no Salão Comunal da Sonserina. Estava vazio. A maioria dos sonserinos preferia ficar do lado de fora, brincando, estudando. Pôs a capa de invisibilidade que pegou do irmão mais velho, aproveitando que James estava ocupado treinando Quadribol para a próxima partida, Grifinória contra Lufa-Lufa. E entrou no quarto de Órion.
Foi fácil descobrir a cama dele, na cabeceira havia um retrato com o brasão dos Black. Alvo abriu as gavetas e encontrou alguns papeis. A maioria sem importância, mas uma carta de Pansy Parkinson chamou a atenção. Alvo duplicou a carta e guardou a cópia no bolso. Abriu a gaveta de baixo. Nela havia algumas roupas íntimas e Alvo sentiu algo sólido. Pegou e notou que era um caderninho. Um diário. O duplicou também e guardou no bolso. Certificou-se de que não havia nada fora do lugar e saiu, para o seu dormitório.
Pegou um espelho que usava para se comunicar com Scorpius e avisou ao amigo para que viesse rápido. Em pouco tempo, Scorpius apareceu.
— E aí, achou o quê?
— Uma carta de Pansy Parkinson para ele e um diário. Leremos o qual primeiro?
— A carta.
Alvo abriu a carta e leu em voz alta.
“Olá, Órion, como está se saindo em Hogwarts? Você é um rapaz inteligente e bonito, tenho certeza que será muito querido por todos. Tente evitar confusões com os colegas, sobretudo com Scorpius. Ele é meu futuro enteado e Draquinho ficaria muito chateado se você e ele brigassem. Lembre-se que os Malfoy continuam poderosos e influentes e podem nos ajudar muito. Não faça qualquer comentário negativo sobre os sangues-ruins, eles podem se queixar à diretora, que é amiga da Ministra da Magia, que também é sangue-ruim e não vai hesitar em punir você pra defender seus iguais. Seja prudente, sua madrinha Pansy”.
— Que nojenta! – Exclamou Alvo, jogando o papel em cima da cama.
— Sabia que ela era uma interesseira. Só errou numa coisa: nossa família já não é mais tão influente assim... Agora o diário!
Alvo pegou o diário e os dois começaram a leitura.
15 de junho de 2021
Minha madrinha acabou de chegar, dizendo que eu vou ter que morar com ela. Preferia viver com tio Phineas, ele pelo menos me deixaria continuar em Durmstrang se eu não fizesse feitiços na frente da mulher trouxa dele. Agora vou ter que mudar de escola. Perguntei por que eu não poderia continuar em Durmstrang, Pansy disse que seria melhor pra mim. Aquela chata não sabe de nada, só se importa com ela mesma. Disse que logo moraríamos numa casa grande e que eu deveria ter paciência.
— Puxa, a vida do Órion não é nada fácil!
— Tá com peninha dele, Alvo?
— Eu não.
02 de julho de 2021
Pansy me contou de seu namorado novo. Draco Malfoy. Nome bonito, imponente. Disse que ele é de uma família tão rica que nem precisa trabalhar pra ter vida boa. E que tem um filho da minha idade. Espero que não seja um mauricinho chato.
— Eu não sou um mauricinho chato. Não é, Alvo?
— Só de vez em quando.
20 de agosto de 2021
Acabamos de voltar do Beco Diagonal. Lá, Pansy me apresentou ao seu namorado e ao filho dele. Draco Malfoy foi bastante gentil comigo. O garoto ficou meio cismado. Mas o que eu mais gostei foi de ter ido à lanchonete Doces e Bolos. É uma lanchonete nova e o sr. Malfoy me deixou pedir o que eu quisesse. Eu aproveitei pra pedir aquele bolo de Floresta Negra que explode na boca. Delicioso.
— Foi à Doces e Bolos e nem me chamou...
— Não deu, você ficou lá com seus irmãos e seus primos, fica pra próxima.
01 de setembro de 2021
Meu primeiro dia em Hogwarts foi melhor que o esperado. Fui para a Sonserina, a melhor casa que um bruxo que deseja a grandeza pode escolher. Apesar de ultimamente a Grifinória ter revelado bruxos famosos, como Harry Potter e a atual Ministra da Magia Hermione Weasley, eu ainda prefiro a casa de Salazar Sonserina. Fiquei surpreso ao saber que um dos filhos de Harry Potter é meu colega e sonserino. Alvo Potter se parece bastante com o pai, pude constatar isso depois que comprei um sapo de chocolate com a figurinha dele. Talvez os Potter sejam mesmo uma família destinada à grandeza, já que um deles é da mesma casa que a minha.
— Realmente, vou ter que concordar com o Black, nossa família é mesmo grandiosa.
— Até esse desgraçado achou a figurinha do seu pai e eu não! Sou um azarado mesmo...
Scorpius Malfoy e eu já tivemos os nossos atritos. Não sabia que ele era tão amigo assim do Potter. Acho que os Potter devem algum tipo de favor aos Malfoy, já que Lucius Malfoy nunca foi punido por ter sido Comensal da Morte.
— Vovô só não foi pra Azkaban porque cooperou com a justiça.
Sinto que ele tem potencial a se juntar ao clube que pretendo formar em Hogwarts, é um pouco ressentido e fracassado, mas talentoso, parecido com os colegas que eu recrutei nos tempos de Durmstrang.
— Ele acha isso de mim??? Não sou fracassado. Ressentido talvez, mas fracassado não!
07 de setembro de 2021
A aula de Defesa Contra as Artes das Trevas foi divertida. Preferia Durmstrang, que até bem pouco tempo dava aulas de Artes das Trevas. Infelizmente, não peguei essa época. O professor Ronald Weasley é um idiota, mal conseguiu controlar os morcegos-vampiros e ainda falou que tudo fazia parte da aula. Ele pensa que nós somos bestas. Não deu pontos a Scorpius por ele ter feito exatamente o que fizemos para nos proteger dos morcegos-vampiros, mas também, foi justo ele ter tirado pontos porque foi ele que derrubou a gaiola e provocou a confusão. Ouvi uma discussão dele com Potter e tentei fazê-lo entrar pro meu grupo, mas Scorpius é um paspalho, insistiu em defender o Potter e brigou comigo também. Acho que vai ser mais difícil do que eu pensei.
— Que grupo será esse que o Black tanto fala?
— Não sei e tenho raiva de quem sabe.
12 de setembro de 2021
Consegui chamar três pessoas para o meu grupo. Todas da Sonserina: Gutemberg Nott, Isaac Freymont e Anabelle Avery. Decidi dar um nome semelhante ao grupo que eu tinha em Durmstrang: Realeza de Hogwarts. Na nossa primeira reunião eu falei a respeito de meus antepassados, os Black. Avery disse que era bom ver que ainda existia um descendente masculino para perpetuar a linhagem. Freymont disse que a bisavó dele era minha prima distante e Nott disse que muitos casamentos entre primos poderiam gerar degenerações na família.
— Comecei a simpatizar com esse Nott.
Acho que Nott foi à minha reunião só pra tumultuar, ele ainda se queixa por eu não ter ajudado muito naquele trabalho de Feitiços. Ele ainda teve a cara de pau de falar que famílias com muitos casamentos entre primos tinham maiores chances de gerar abortos. Aborto é ele que mal consegue voar numa vassoura. Tive que me segurar pra não bater naquele cara. Será que ele sabe que meu tataravô é um aborto? Acho que sim, ele é filho daquele Theodore Nott, que escreveu um livro sobre as famílias puro sangue.
— Claro, como nunca pensei nisso antes?
— Nós quase nunca falamos com Nott, Alvo, como poderíamos saber?
15 de setembro de 2021
Ouvi uma conversa maravilhosa de Alvo Potter, Scorpius Malfoy e o Nogueira. Eles falavam da Pedra da Ressurreição e disseram que estava na Floresta Proibida. Logo vou marcar com meus companheiros uma expedição à Floresta para encontrar a pedra e ressuscitar o Lorde das Trevas.
Alvo largou o diário no chão. Ele começou a desaparecer, assim como a carta de Pansy para Órion.
— Você não pegou os originais?
— Não, ele poderia desconfiar! Mas acho que isso foi o suficiente.
— Não, Alvo! Ele quer ressuscitar Voldemort! Vai chamar o pessoal do grupinho dele pra ir atrás da pedra! Isso vai ser perigoso, e se algum deles se machucar? E pior: e se algum deles conseguir? Temos que contar tudo à McGonagall!
— Sem provas? Não poderia voltar lá pra pegar o diário de Black de novo, e se contássemos, ela perguntaria como descobrimos isso e se ela soubesse que eu invadi o quarto do Black eu ficaria em detenção ou pior: Perderia o cargo de monitor! Não! Temos que pensar em outra coisa.
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