Notas iniciais
É hoje a estreia de Scorpius no time E ainda vai enfrentar a Grifinória, de sua amada Rose Como será que ele vai se sair?

No dia seguinte, Hogwarts respirava Quadribol. Só se falava na partida a Grifinória contra a Sonserina. Restabelecidos, Scorpius e Rose agora estavam em campo, em lados opostos. Praticamente toda a escola estaria assistindo o jogo, e a torcida estava bem dividida. Mas Scorpius não apareceu no café da manhã.

— Cadê o Malfoy, Potter? Não me diga que ele resolveu desistir em cima da hora?

— Relaxa, Eastwood, eu vou ver onde ele está.

Scorpius estava encolhido em cima da cama, ainda de pijamas, sem coragem de sair. Alvo se sentou aos pés dele.

— O que foi, cara? Tá todo mundo atrás de você!

— Eu... Eu não vou mais!

— Ficou louco? Seu maior sonho se realiza e você resolve, de repente, jogar essa chance fora? É por causa da Rose que você está desistindo?

— Não! – Scorpius se sentou – É que... Eu acho que não vou conseguir. Estou com medo. É isso.

— Medo, Scorpius? Logo você, que ontem mesmo enfrentou Órion Black e encarou a Floresta Proibida? Um dos caras mais corajosos que eu conheço vem me falar de medo?

— Desculpa... É que eu nem dormi direito ontem e ainda tive um pesadelo horrível com a partida. Sonhei que estava voando na vassoura e estava usando a camisola da minha avó...

Alvo começou a rir e Scorpius se irritou.

— Pô, cara, é sério!

Alvo retirou do bolso o vidro com a Felix Felicis dentro. Os olhos de Scorpius brilharam de ambição.

— Ah, uma pena que você não possa usar isso hoje...

— É a Felix Felicis?

— Ela mesma. Jay ganhou de Slughorn e nós bebemos um pouco ontem pra ir atrás de você e da Rose. Ontem foi um dia tão maravilhoso pra gente... Conseguimos desmantelar de vez a Realeza de Hogwarts e os caras de lá vão passar o resto do ano na ala hospitalar. Papai nos prometeu que nos levará para a próxima Copa do Mundo de Quadribol, ganhamos 100 pontos para as nossas casas, James ganhou a moto do papai, a Kate Richards me deixou em paz e resolveu sair com Alexsander Rowle, finalmente consegui conjurar um Patrono corpóreo...

— Foi mesmo? Onde? Quando?

— Pouco antes de dormir, fui ao banheiro dos monitores treinar um pouco, como sempre faço. E ontem deu certo! A propósito, meu patrono é uma corça. Meus pais vão ficar muito felizes quando souberem! E a última: dei uma lida no capítulo dos Potters daquele livro dos Sagrados Vinte e Oito e encontrei alguns parentes meus que foram da Sonserina!

— Sério? Achei que todos os Potters fossem da Grifinória.

— É, mas alguns eram como eu. Charlus Potter, um primo distante, foi da Sonserina, assim como sua esposa Dorea Black, o filho deles, Augustus Potter, e ainda Egbert Potter, Sarah Potter e Linfred III, mas esses viveram séculos atrás. Acho que papai nem sabia disso.

Scorpius sorriu e Alvo também. O loiro começou a se arrumar e Alvo saiu, contente por ter feito o amigo se sentir melhor.

No café da manhã, Scorpius estava mais alegre, devorava um croissant de queijo enquanto ouvia Lucas Eastwood discutir os preparativos da partida com o resto do time. Alvo, sorrateiramente, colocou um copo de leite ao lado do amigo. Esperou Scorpius beber e este reparou que o outro guardava, discretamente, o vidrinho com a poção da sorte no bolso do casaco.

— Você não...

— Eu o quê? – perguntava Alvo, se fazendo de desentendido.

— Mas não pode, cara! É ilegal! – cochichava Scorpius, furiosamente.

— Eu não sei do que você está falando – Alvo cruzou os braços e sorriu maliciosamente.

Os alunos se prepararam para assistir o jogo. O narrador oficial, Seamus Washington, estava resfriado, então Mateus Nogueira foi escalado para ser narrador da partida derradeira.

— Bem amigos amantes de Quadribol! Estamos aqui para acompanhar a finalíssima do Campeonato de Hogwarts, e é Grifinória contra Sonserina, meus amigos! Quase um Brasil e Argentina de tanta rivalidade! Vamos à escalação: A Grifinória conta com Fred Weasley II como goleiro, aliás, em uma ótima fase depois daquela participação desastrosa de Karl Jenkins na partida contra a Corvinal. Os batedores são os excelentes Drake Peakes e Liza Sundance, nunca vi um casal formar uma sintonia tão perfeita, principalmente na hora de defender o time. Os artilheiros são um show à parte: Yann Fredericks e Elizabeth Shay são ótimos, mas Rose Weasley é a verdadeira sensação do time! Só perde em destaque para o nosso apanhador e capitão James Sirius Potter, que vem defender sua invencibilidade: em onze jogos, nunca perdeu o pomo! Agora, em sua última partida, ele quer encerrar com chave de ouro sua brilhante participação na equipe. Claro que para isso eles contam com as vassouras Nimbus 5000, que está entre as melhores já fabricadas! E agora a Sonserina. No gol temos Dustin Harper, um brutamonte que afugenta as goles apenas com o olhar. Os batedores, ou melhor, as batedoras, as irmãs Hilda e Gilda Rickett conseguem ser rápidas e precisas. Os artilheiros Lucas Eastwood, James Flint e Edward Grant são imbatíveis juntos, velozes como flechas. Mas a estrela do dia é nosso estreante Scorpius Malfoy! Substituindo Órion Black, após duas participações vergonhosas e outras encrencas que não citarei aqui, Malfoy tem a difícil missão de derrotar o mito James Potter e pegar o pomo antes! Mas a missão vai ser complicada: a diferença entre a Grifinória e a Sonserina é de 240 pontos, assim Scorpius só pode correr atrás do pomo se a Sonserina estiver vencendo por 100 pontos de vantagem! Praticamente uma goleada! Obviamente, Potter tentará pegar o pomo no primeiro minuto do jogo, vamos ver quem se sairá melhor nessa! Nosso desafiante, assim como o seu time, está usando as vassouras Vararápidos. Não é pra me gabar não, mas as vassouras brasileiras atualmente estão na vanguarda da tecnologia!

Os jogadores da Grifinória e da Sonserina apertaram as mãos e se posicionaram. Madame Hooch deu o sinal e a partida começou. Scorpius procurava não olhar para Rose, para se concentrar apenas no pomo, atento às palavras de Mateus e aos movimentos de James, que estava do outro lado fazendo o mesmo.

— E Grifinória com a posse da bola. Rose Weasley voa direto para as balizas da Sonserina enfileirando os jogadores adversários, quando, ah! A goles foi interceptada por Flint, que partiu a toda velocidade. Ela passa por Fredericks, Shay, Peakes rebate um balaço em sua direção, e ele... Escapa! O balaço passou raspando por Flint, que repassa a goles para Eastwood, que voou rapidamente para o campo adversário e ele... Marca! Dez a zero para a Sonserina!

O jogo permanecia disputado. A partida seguia praticamente empatada até Eastwood e Grant fazerem uma sequência de 70 pontos, levando o jogo para 230 a 120 para a Sonserina, quando Scorpius notou James voando em direção à arquibancada. Devia estar atrás do pomo. Ou seria uma manobra para despistá-lo? Sabia que James era um jogador muito inteligente e que costumava enganar os apanhadores adversários, fazendo-os ir a uma direção oposta enquanto ele pegava o pomo. Scorpius apertou os olhos cinza e notou um brilho dourado um pouco acima da torcida da Sonserina. Sem pestanejar, voou como uma flecha para alcançar o pomo. James viu a manobra e tentou bloquear a visão de Scorpius. O sonserino passou por cima dele, esticou a mão o máximo que pôde, James o agarrou, os dois caíram da vassoura e rolaram no chão. Madame Hooch paralisou a partida, os rapazes se levantaram, James ficou apalpando os bolsos, procurando o pomo, quando notou que Scorpius o segurava. A torcida da Sonserina veio abaixo, Slughorn vibrava de alegria, Alvo pulava de felicidade e o restante da torcida aplaudiu.

— É, meus amigos, foi uma partida emocionante! Os dois times fizeram um jogo limpo, bonito e merecem nossos aplausos, mas a Sonserina é a campeã e vai receber a Taça de Quadribol das mãos da diretora Minerva McGonagall!

James ajudou Scorpius a se levantar e os dois rapazes apertaram as mãos.

— Meus parabéns – disse James, tristemente.

— Obrigado. Você também foi muito bem, Potter! Parabéns.

— Valeu.

Uma chuva de sonserinos tomou conta do campo. Scorpius apertou a mão de dezenas de colegas que nem sabia os nomes, Dustin Harper o ergueu nos ombros e do alto, ele pôde ver Rose o olhando com uma expressão de serenidade e frustração. Ao lado dela, estava Fred, que acenou para ele e Scorpius retribuiu o aceno. Lucas Eastwood estava tão emocionado que nem conseguiu agradecer à Minerva pela Taça. Ele a ergueu e passou para Scorpius, que a beijou e chorou de emoção. Olhou para Alvo, que piscou para ele e sorriu.

...

— Que dia! – disse Alvo, no dormitório dos meninos. Mas Scorpius não estava tão feliz assim.

— O que foi, cara? Você conseguiu, jogou bem, pegou o pomo, vencemos o campeonato. Qual o problema?

— Não foi uma vitória justa – respondeu ele, aos prantos – Eu trapaceei.

— Do que você está falando? – indagava Alvo, cinicamente. Scorpius empalideceu ainda mais e seus olhos se encheram de cólera.

— Você! – rosnou ele, apontando para o amigo – Aquela poção! Vou dizer tudo à McGonagall, que foi você que me deu aquilo e que eu não sabia que estava tomando, ela vai marcar uma nova partida, talvez eu saia do time, mas vou sair com a cabeça erguida, pois não quero ser um trapaceiro.

— Não estou entendendo nada – falou Alvo, tirando do bolso do casaco o vidro com a Felix Felicis intacto. Scorpius começou a gaguejar.

— Vo-Vo...

— Você não achou que eu fosse lhe dar a poção no dia da partida, né? Sei mais que todo mundo as consequências de jogar a final do campeonato sob o efeito da Felix Felicis. Mas você estava tão nervoso que eu tive que agir. Fazer você pensar que bebeu a poção foi a solução mais eficiente que encontrei. E olha como deu certo!

— Mas...

— O copo de leite? Eu só mudei de lugar, não coloquei nada nele. Fica tranquilo, Scorpius Hyperion Malfoy. Você jogou bem, você pegou o pomo, e eu vou dormir, porque amanhã terei o dia inteiro pra perturbar Jay e receber meus dez galeões que apostei com ele nessa partida!

Notas finais
Espertinho esse Alvo, hein? A quem será que ele saiu? A nossa história está chegando ao fim, mas não pode terminar sem sabermos o destino de Scorose