Scorpius Malfoy e a Pedra da Ressurreição
13 A Pedra da Ressurreição
Notas iniciais

Scorpius corria para a Floresta Proibida. Não tinha ideia de onde Rose poderia estar, muito menos como faria para encontrar a Pedra da Ressurreição. Passou com cuidado pelo Salgueiro Lutador e se escondeu para evitar um centauro que corria para a direção oposta. Estava claro, era quase meio-dia, mas dentro da Floresta ficava escuro, por conta das árvores. Scorpius conjurou uma luz da varinha e tentou se guiar por ali. Cansado de tanto caminhar, ele se sentou, com a varinha na mão, e pegou um bolinho que guardou no bolso para comer no caminho. Estava amassado, mas ele comeu assim mesmo. Pôs a mão esquerda no chão para se levantar, quando sentiu uma coisa. Algo pontudo, no formato de uma pedra. Scorpius começou a cavar, até que viu uma pedrinha verde-oliva em formato de losango, com o emblema das Relíquias da Morte dentro. Ficou olhando aquilo ali e deduziu que poderia ser a Pedra da Ressurreição.
Perguntou-se: como usaria aquilo? Até que pensou em Astória. Já tinha pesquisado sobre a pedra. Mas onde? Na biblioteca? Não, era uma lembrança mais distante, uma história que sua mãe tinha lhe contado quando ele era muito pequeno. O conto das Relíquias da Morte, sobre os irmãos Peverell. Dizem que eles realmente existiram, e a Pedra da Ressurreição era uma prova disso. Dizem que Harry Potter era o senhor das Relíquias, controlou a Pedra, a Varinha das Varinhas e a Capa da Invisibilidade. E era tudo verdade, Alvo contou a ele sobre a carta do pai confirmando a lenda. Mas como usar a pedra? Scorpius ainda não sabia. Ele tentou de tudo. Gritou “abra”, tentou fazer feitiço e até jogou a pedra contra o tronco da árvore. Nada deu certo. Pegou a pedra do chão de novo e ficou olhando mais uma vez. Havia fissuras, mas parecia funcionar. Ficou rolando de um lado para o outro, jogando de uma mão para a outra. E começou a girar a pedra na mão. Girou uma, duas, três vezes e quase deu um grito quando se deparou com uma luz cinza brilhante. Era Astória Malfoy, bem ali na sua frente.
— M-mamãe?!
— Filho, como você está grande!
Os dois tentaram, mas não conseguiram se abraçar.
— Ah, desculpe, meu querido. Deve ser porque estou assim. Você sabe, estou morta e não posso mais retornar à minha forma antiga...
— Eu entendo, mamãe.
— Mas o que faz aqui? Seu pai não disse que aqui é um lugar perigoso?
— Eu sei, mãe, mas eu tenho que encontrar a Rose, o Black a arrastou até aqui, e... Nossa, esqueci completamente! Desculpe, mãe, eu vou ter que ir agora, gostaria muito que você realmente voltasse pra gente, papai está arrasado e eu...
— Isso não vai ser possível, Scorpius. Não do jeito que você achou que fosse. Eu não sou um fantasma, e sim um espectro do que eu era. Estou em um lugar melhor agora, com sua avó Heloísa, seus bisavós e outros que preferiram seguir em frente. Mas me diga, quem é essa Rose? Sua amiguinha?
— É alguém muito especial. Gostaria que vocês se conhecessem, se você continuar aqui mais um pouquinho, será que ela vai poder te ver também?
— Não, filho, só você pode me ver. Eu sou uma parte sua. Infelizmente, não poderei conhecer essa Rose que você tanto fala. Mas tenho certeza que ela deve ser mesmo alguém muito importante. Desejo que vocês sejam muito felizes e um dia, quando todos nos encontrarmos novamente, você me apresenta a ela. Nunca se esqueça: eu sempre vou te amar.
Astória foi desaparecendo aos poucos. Lágrimas se formaram nos olhos de Scorpius, que murmurou:
— Eu também te amarei pra sempre, mãe.
— Estava falando com quem?
Scorpius engoliu em seco. Órion Black surgiu em sua frente, com Rose logo atrás. Ela estava toda amarrada e seus olhos transpareciam terror.
— Não te interessa – respondeu Scorpius, com coragem, e segurando firme a pedra na mão esquerda.
— Nossa, quanta ousadia! Espero que tenha achado a pedra, senão eu entregarei Rose às aranhas gigantes!
Rose chorava e balançava a cabeça negativamente, tentando gritar.
— Você nunca a terá. Não a merece!
— Entregue agora!
— Ela não vai funcionar.
— AGORA!!!
— Como você pode ter tanta certeza que...
Antes de concluir a frase, Órion estuporou Scorpius, que voou longe. Rose teve outro grito abafado. Mas o feitiço não acertou Scorpius em cheio, ele conseguiu se desviar o suficiente para se manter acordado, embora, com dificuldades de se mexer devido à queda.
— Isso agora é meu.
Órion pegou a pedra que Scorpius deixou cair no chão, virou-a três vezes e luzes brilhantes surgiram. Mas em vez de Voldemort, quem apareceu foram seus pais, Arturo e Melania, sua avó Cassiopeia e seu bisavô Marius. Eram todos bastante parecidos, tinham os traços característicos dos Black. Só que Marius era calvo, tinha cabelo comprido e barba prateada, as madeixas negras com mechas brancas de Cassiopeia estavam presas em um coque, Arturo tinha cabelo curto e era o único dos quatro que tinha olhos cinza e Melania tinha cabelos longos que passavam da altura do ombro, olhos brilhantes e gentis.
— Ué... Mas...
— Não está feliz em nos ver, filho?
— Sim, papai, mas é que eu...
— Deveria mostrar mais respeito, se não queria nos ver, por que foi nos incomodar?
— Ah, vovó... Tinha esquecido como a senhora era rabugenta.
— Sempre foi assim. Reclamona desde muito nova. Se ela tivesse passado o que eu passei, daria graças a Deus por ter um fio de magia.
— E o senhor, sempre dramático, não, papai? – retrucou Cassiopeia – Eu não tenho culpa que o senhor era um aborto, nunca pôde desfrutar do status de ser um Black, muito menos herdar a casa do Largo Grimmauld...
— Sempre preferi a Dinamarca, nunca liguei praquele lugar.
— Mas vô Marius, eu sempre achei que o senhor quisesse a Mansão Black de volta.
— Pra quê? Pra ver o meu nome riscado? Pra ver meus parentes ralhando comigo por ser um aborto? Dizendo que eu sou a vergonha da família, a desonra da minha casa? Dei graças a Deus quando me mandaram pra Dinamarca, a família trouxa que cuidou de mim me tratou muito melhor que meus pais de verdade.
Órion se entristeceu. Sempre acreditou que o avô se orgulhava da família, que queria recuperar o status perdido...
— Triste? Decepcionado?
— Não, mãe, é que eu achei que...
— Não fique assim. Órion, você sempre foi nosso maior tesouro! O primeiro homem Black a ter o dom da magia em gerações! Você está destinado a grandes feitos! E agora está em Hogwarts, a escola de nossa família! Percebe que agora os Black tem a chance de voltar a ser grandes novamente?
— Sim, pai, e é por isso que eu queria usar essa pedra pra trazer de volta alguém, que jurou dar às famílias nobres a grandeza de sempre...
— Não me diga que está falando daquele mestiço do Riddle?
— Eu falava do Lorde das Trevas, vó...
— É tudo a mesma coisa! Riddle, Lorde das Trevas, Voldemort... Mas ele não pode voltar. Está preso. Suas tentativas de escapar da morte e os danos que ele provocou na própria alma fizeram com que ele ficasse preso para sempre no plano espiritual. Está num lugar que só os piores bruxos têm acesso, e você não vai querer ir parar lá, não é?
Órion se deu conta do grande erro que cometeu. Olhou para Rose, que tentava em vão se soltar. E para Scorpius, que se mexia discretamente para pegar sua varinha, desarmar Órion, soltar Rose e escapar em segurança.
— Foi por causa dele que você fez isso com esses dois?
— Foi, mãe...
— Esqueça isso! Se um dia eu disse pra você ter orgulho do nosso passado, foi para que você não tivesse vergonha dele, como o vô Marius, e sim para que você seja um homem melhor e siga em frente!
— Até porque o Lorde das Trevas foi o responsável por acabar com a linhagem masculina dos Black – disse Marius – Ele matou seu primo Régulo e provocou a morte do seu primo Sirius, os ideais dele só nos prejudicaram. Você é muito novo, não estrague sua vida por causa disso!
— Expelliarmus!
Órion foi desarmado por Scorpius, deixou a Pedra da Ressurreição rolar para longe, e antes que pudesse reagir, foi interrompido por Rony e James, que retiraram a Capa de Invisibilidade e surgiram com varinha em punho. O rapaz se rendeu, James tomou a varinha dele e Scorpius ajudou Rose a se soltar.
— Esse feitiço de amarração foi forte mesmo!
— Eu estava quase conseguindo me soltar antes de vocês chegarem.
— Ah tá bom. Tava aqui chorando, implorando pra que eu a soltasse, e ficou desesperada quando o Black me estuporou.
— Não foi bem assim que aconteceu!
Scorpius e Rose sorriram. Estavam mais aliviados agora, que estava tudo bem. Ela correu até o pai, que a abraçou emocionado e disse:
— Nunca mais tente bancar a heroína, mocinha!
James amarrou as mãos de Órion, o arrastou até a diretoria e falou:
— Sem querer piorar as coisas, mas acho que se não te expulsarem, você vai ficar em detenção pelo resto da vida!
...
Na sala da diretora, Rose foi recebida por sua mãe, que a abraçou bem forte. Alvo ficou feliz em ver Harry e James logo se juntou aos dois. Quem não estava nada feliz era Pansy Parkinson, que olhava Órion com uma cara de poucos amigos.
— Muito bem, acho que você nos deve uma boa explicação, Órion Black.
— Primeiramente, gostaria de pedir desculpas a todos. Acho que não consegui me adaptar a essa escola. Sei que agi muito errado, mas não pensei muito nas consequências. Eu só queria que minha família fosse grande e respeitada de novo, eu não imaginei que...
— Sra. McGonagall, não precisa expulsar meu afilhado, eu mesma faço questão de retirá-lo dessa escola. Foi um erro trazê-lo pra cá.
— Respeito sua decisão, Sra. Parkinson. Tais atitudes são realmente incompatíveis com os dogmas de Hogwarts.
— Sem querer me intrometer, mas o garoto não merece uma segunda chance? – perguntou Harry – Ele parece arrependido, devíamos ao menos dar-lhe o direito de escolher se prefere sair ou não...
— Eu não quero ser incômodo a ninguém. Já errei uma vez e só fico nessa escola se me quiserem aqui. Mas eu preferiria voltar à Durmstrang. Lá era o meu lugar. Obrigado por tentar me ajudar, senhor Potter. E mais uma vez, desculpas por tudo.
Minerva McGonagall decidiu deixar Órion permanecer até o fim do ano letivo. Mas ganhou outra detenção: agora ele também era o responsável por auxiliar Hannah Longbottom na ala hospitalar. Ele até pegou gosto por isso.
— Sabe, sra. Longbottom, descobri minha verdadeira vocação. Terminando os estudos, vou estudar para ser um medibruxo. Quem sabe eu não volte a trabalhar com a senhora?
...
Saindo da sala de Minerva, Harry abraçou James e Alvo.
— Estou muito orgulhoso de vocês, meus filhos!
— Valeu, pai! Fizemos o que o senhor teria feito em nosso lugar.
— Não sei se eu faria tão bem, sem ao menos me machucar um pouquinho... – Harry virou-se para Scorpius e disse:
— Também lhe agradeço, Scorpius Malfoy, por ter tido a iniciativa de resgatar minha sobrinha. Foi um ato de muita coragem, seus pais se orgulhariam disso.
— Não precisa me agradecer, senhor Potter, não fiz mais que minha obrigação. Eu é que lhe devo tudo: minha existência, minha admiração e meu respeito!
Harry e Scorpius apertaram as mãos. Rony, Hermione e Rose passaram por eles. Elas agradeceram Scorpius, e Hermione até o abraçou. Rony nada disse, só acenou com a cabeça.
— Rony não muda nunca! Adeus, meninos, vou ver sua irmã e depois volto para o trabalho. Em breve nos veremos novamente!
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