Mesmo depois de muito implorar, os pedidos de Milo não foram atendidos, e agora Camus e o escorpiano partiam rumo a Bluegard.

O Grande Mestre do Santuário exigiu pressa, a missão deveria apresentar-lhe resultados o mais rápido possível, uma vez que a situação poderia se tornar extremamente mais grave, levando em consideração fatos antigos. Usufruindo dos poderes das Armaduras de Ouro, a distância entre Bluegard e a Grécia tornou-se mínima, e logo alcançaram seu destino.

Surpresos pelo o que viam Camus e Milo vasculharam o local onde deveria estar uma cidade de gelo.

- Tem certeza que é aqui, Camus? – Perguntou Milo, impaciente e confuso.

Camus parou de caminhar e analisou o lugar ao seu redor. A cidade de gelo, destruída há séculos, estava derretendo. Toda a camada de gelo que a cobria estava, aos poucos, tornando-se a mais cristalina das águas.

- Sim, Milo, é aqui mesmo. – Voltando-se para o companheiro, continuou. – Agora, precisamos encontrar uma biblioteca...

- Biblioteca?! Isso lá é hora pra ler, Camus?!

Pacientemente, o aquariano balançou a cabeça negativamente e pôs-se a explicar.

- Não, Milo. Não é pra ler que precisamos desta biblioteca. Não prestou atenção no que o Mestre nos contou? – Perguntou, tendo certeza do que significavam o silêncio e a careta do escorpiano. – Bluegard guarda o selo que protege Poseidon e seu reino, Atlântida.

“O Mestre nos contou o que aconteceu na Guerra Santa que antecedeu a nossa, com o antigo Cavaleiro de Aquário, que entregou sua vida para congelar toda a cidade que fica sob o mar.”

- Tá, tá, mas e daí?! O que isso tem a ver com a gente?

- É nessa biblioteca que está o selo, e nós precisamos encontrá-lo, porque é de Atlântida que vem toda essa anomalia.

Milo permaneceu em silêncio, mesmo quando Camus tornou a caminhar.

- Espere aí, francês. – Quando o aquariano atendeu-lhe o pedido, Milo foi caminhando até ele, lentamente. – Atlântida está debaixo d’água, certo? E o antigo cavaleiro aquariano congelou ela toda... Entendi. Mas, responda-me uma coisa: se está tudo congelado, como vamos entrar lá?!

Camus concordava que era uma ótima pergunta, mas ele já tinha uma resposta.

- O próprio Mestre Shion já nos disse como, Milo...

“Essa anomalia está fazendo com que Atlântida descongele, volte a ser o que era antes. Vocês precisam ser rápidos para evitar que o esforço e a vida de Dégel tenham sido em vão, pois uma vez que Atlântida ressurgir, Poseidon voltará, mais uma vez, junto a ela, e não deixará barato o que fizemos com ele.”

Milo não se opôs a Camus e nem reclamou quando este o mandou ser mais rápido. Precisavam agir depressa, antes que fosse tarde de mais.

A sorte parecia estar junto deles, pois não demoraram a encontrar a biblioteca. Adentraram-na e chegaram ao local onde estavam os selos de Athena. Assim que os removeram, uma luz forte os envolveu e quando notaram estavam em uma cidade onde o céu era coberto de água.

Analisando todo o lugar, perceberam que, como sempre, Shion tinha razão e que o tempo era mais curto que o previsto. Faltava pouco para que tudo estivesse descongelado.

- Certo, agora que chegamos aqui, precisamos encontrar a fonte desse calor, e resolver isso bem rápido. – Camus passou a se concentrar para tentar encontrar o lugar certo a ir. Buscava algo, um sinal, algum tipo de força que lhe dissesse para onde ir.

Porém, essa não era a única preocupação do grego.

- Camus, meu querido, desculpe te atrapalhar, mas... Como é que agente faz pra voltar?

O francês abriu os olhos e olhou para o escorpiano preocupado. Pela primeira vez, Camus não tinha uma resposta inteligente para dar.

- Concentre-se em concluir nossa missão, o resto não importa... Ainda. – Voltou a fechar os olhos e se concentrar no que fazia antes.

Milo ficou ainda mais preocupado com a questão, mas obedeceu.

- Ok, ok... Dando uma de Shaka!

O que o grego não imaginava era que a brincadeira daria certo. Por um segundo um enorme poder atravessou-lhe o corpo e uma imagem se formou em sua mente: um imenso salão, como se fosse o centro de um templo.

Quando Milo voltou a abrir os olhos, uma estranha sensação o fazia sentir como se o âmago de sua alma estivesse em chamas.

Ele sabia exatamente para onde ir.

- Camus...! – Sua voz soou séria com nunca antes.

Quando o Santo de Aquário abriu os olhos, assustado pela firmeza na voz de Milo, o escorpiano já ia à frente, correndo em direção a um grande palácio.

- Milo...! Espere! O que aconteceu?!

- Não podemos perder tempo! Ele vai morrer!

A resposta de Milo deixou o francês ainda mais perturbado. A atitude do escorpiano o assustava.

Quando adentraram o lugar, Milo diminuiu um pouco, mas andava com passadas rápidas e largas. Caminhava certeiramente, sabia onde estava e para onde ia.

O lugar passou a exibir vestígios de uma batalha feroz, uma luta entre grandes e poderosas feras – era isso o que parecia. Paredes derrubadas, pilares caídos, piso quebrado, esburacado. Tudo intacto, como se a luta entre criaturas com poderes monstruosos tivesse acabado de acontecer. O gelo conservou cada gota de sangue, e conservava algo mais.

- Droga! Está frio aqui...! – Reclamou o grego, esfregando os braços. Mas não parou.

- Milo, o que está procurando? – Indagou o francês.

- O causador de tudo isso...

Nada parecia fazer sentido aos olhos de Camus, que começou a ficar irritado. Mas Milo sentia cada vez mais forte, as chamas queimarem sua alma. Ele estava perto de seu fim, iria morrer.

- Milo, pare com isso! Estamos com pre-...

- Sim, eu sei. E se não nos apressarmos, ele vai morrer e tudo vai acabar muito mal! Já estamos bem...

Antes que Milo terminasse a frase, ou mesmo que o aquariano o interrompesse, o Cavaleiro de Escorpião encontrou o que procurava. Aquele que lutou naquele cenário, aquele a quem pertencia o forte e grande poder que lhe incendiava a alma. Ali, preso naquele imenso bloco de gelo, conservando em sua expressão, ao mesmo tempo, a dor de quem lutava e a serenidade de quem poderia permanecer dormindo pela eternidade.

- Encontrei você... – Milo caminhou até o gelo que o prendia e estendeu-lhe a mão.

Camus se juntou a Milo e não acreditou no que via. Por um momento, acreditou que observava o reflexo de Milo, mas isso não era possível, pois o “reflexo” dormia, imóvel e eterno. Ficara mudo diante daquilo.

- Camus, você pode reverter o que o antigo Cavaleiro de Aquário fez? – Milo quebrou o silêncio súbito.

O aquariano, ainda um pouco atordoado, chacoalhou a cabeça e encarou o Santo de Escorpião.

- Como é?

- Sim, fazer o gelo que o prende derreter.

- Ficou louco?! Nem sabemos se é mesmo ele o motivo de tudo isso!

- Sim, é ele! – O escorpiano encarou seu parceiro; em sua expressão, súplica e medo. – Camus, se não o tirarmos daí ele vai morrer, ele está morrendo!

Camus estava confuso, não sabia o que fazer.

- E se tudo... Piorar, caso o tirarmos daí?

- Tudo vai piorar se não o tirarmos! Anda Camus! Confie em mim!

As últimas palavras do escorpiano doíam. Doíam por serem difíceis de aceitar, e doíam por serem impossíveis de recusar.

Camus não tinha certeza de que poderia fazer algo. À medida que Milo recuou alguns passos, o aquariano se aproximou e levou sua mão ao bloco de gelo. Concentrando seu cosmo, aos poucos sentiu o gelo se desfazer, e antes que o ser, que estava preso ali, pudesse ir ao chão, Milo o segurou.

A sensação de tocá-lo fora estranha, nunca sentira algo parecido. Seu coração ardeu ao sentir o cosmo daquele homem se chocar com o seu. Era quente e agradável. O aquecia.

Mas Camus o despertou de seus devaneios ao tocar-lhe o ombro.

- Temos problemas...

O escorpiano olhou a sua volta e logo compreendeu: Atlântida voltara à vida.

- E agora?! Como é que a gente volta?! – O Cavaleiro de Escorpião se desesperou. O que fariam caso topassem com o deus dos mares?!

Camus tentou lhe responder, mas as palavras não saíram de sua boca. Mas ele percebeu que estava tudo bem quando Shion surgiu ao lado de Milo.

- Camus, rápido! Venha! – O Grande Mestre já tinha uma das mãos sobre o ombro de Milo, assustando-o.

- Argh! Não me assusta, criatura! – Milo ainda teve tempo de reclamar, até que Camus se juntou a eles e Shion os levou de volta.

Quando estavam novamente no Santuário, Milo ainda tinha em seus braços aquele homem que possuía os mesmos cabelos longos e azuis.

No Salão do Grande Mestre, onde estavam agora, Dohko os aguardava.

- E então...? – O Santo de Libra indagou assim que os viu.

Mestre Shion se dirigia à sua respeitosa poltrona, visivelmente decepcionado, enquanto respondia.

- Parece que Atlântida ressurgiu, e Poseidon junto... Outra vez, conseguiu retornar.

- Mestre, perdoe-me. Eu não imaginei que, ao libertar aquele homem, isso viria a acontecer. – Algo fazia com que Camus assumisse a culpa, levando seu joelho direito ao chão.

Milo imitou o gesto, deixando o homem adormecido deitado sobre seu colo.

- Fui eu que insisti, Mestre. Ele chamava por mim, e iria morrer se não o tirássemos de lá.

Quando o Grande Mestre se voltou aos dois e se deparou com o rosto do homem, levou um choque.

- Por Athena! É... É o Kárdia!

(Continua...)

Notas finais
Mais um capítulo pra vocês!

Pra quem não conhece, o que eu tenho quase certeza de que é impossível, Kárdia é... Não vou falar agora, porque vai estar no próximo capítulo! *apanha.
Em fim, apenas recomendo, pra quem não conhece, que leiam e assistam "Saint Seiya: The Lost Canvas", pois é extremamente maravilhoso e terá muuuita ligação à fanfic.

Brigadinhoo!