School of Hunters
10 O massacre do bar
Notas iniciais
Antes
“Angie o levou. Minha filha o chantageou e como vocês são muito protetores, ele aceitou segui-la para poder me salvar.”, respondeu. “Nós precisamos encontrá-los, urgentemente. Precisamos trazer a verdadeira Angie de volta.”
“Nós vamos Cas, nós vamos...”, tentou acalmar o anjo.
Agora
Angel esperou tranquilamente até dar três horas da manhã. A partir desse horário, a híbrida já ficou desconfortável lá fora. "Chega de espera!", pensou a jovem. Levantou-se sem acordar o Winchester, que dormia acostado a parede exterior do bar e adentrou, arrombando a porta. Viu a sua frente apenas o barman que, provavelmente, era o dono do lugar e os valentões sem discrepância.
"E aí? O que acham de uma garota atrapalhar o jogo de vocês, hein?", foi irônica com os homens que se entretinham na mesa de sinuca.
"Ah! E o que fará para nos atrapalhar?! Irá mandar flores?!", zombou o mais velho deles.
"Nã-na-ni-na-não.", negou rindo de deboche. Fechou a cara. "Vou fazer uma coisa mui pior...", deu um sorriso malicioso. Deixou, então, sua arma branca a vista de todos os presentes. Os fortões caíram na gargalhada. "Estão achando pouco? É? Pouco é o que restará de vocês quando eu decorar essas paredes com seus restos mortais!".
Eles avançaram para cima dela.
{...}
O caçador acordou assustado, com o barulho de vidro se quebrando. Rapidamente, ergueu-se. Cambaleou e quase caiu de tontura. Olhou para o lado e não encontrou Angel. Analisou ao seu redor e nada da híbrida. Logo, supôs que aquele barulho estivesse relacionado a ela. Localizou a origem daquilo e foi ver o que acontecia. Visualizou Angel espancando os homens que outrora estavam na sinuca. Em um intervalo deles se levantarem novamente e a garota apagá-los por alguns segundos, o mais alto dos homens pegou-a pelo pescoço e arremessou-a na a direção de Sam, na porta de entrada. Ela o derrubou e se levantou no mesmo instante, ignorando o Winchester.
Caminhou sem pressa e com um sorriso malicioso de volta para a briga. Sangue escorria de sua boca. Toda a extensão de sua pele estava cheia de arranhões e cortes profundos que manchavam sua roupa. O chão se apresentava na cor escarlate. Sua vestimenta estava toda rasgada.
Abaixou a cabeça, balançando esta negativamente e a levantou novamente, em segundos, com os olhos não mais azuis vibrantes, mas, sim, verdes. Lentamente, ergueu sua mão direita e estalou os dedos. Todos os homens caíram mortos, até o barman que só observava a confusão. Mas, uma coisa a híbrida não sabia: o dono (e também barman) tinha chamado à polícia. Deste modo, ao ouvir a sirene ainda longe, Angel virou-se para a saída e passou por Sam, puxando-o pelo braço. O Winchester estava catatônico.
“Vamos, Sammy! Vamos nos divertir agora!”, falou o tirando do transe.
“Mas, o que... o que acabou de acontecer?! Você não é assim! Você não é a Angel que eu conheço!”, relutou, negando segui-la. Ele fez um movimento com o braço que fez com que a híbrida o soltasse e parasse de insistir.
De repente, lágrimas escorreram dos olhos da garota. Lágrimas rebeldes. Neste momento, Sam lembrou-se do que Castiel dissera hora antes: Isso demora a passar e a única forma de reverter rapidamente é pondo em perigo alguém muito querido para o híbrido ou fazendo algo que desperte algum sentimento bom muito forte nele. Desta forma, o lado anjo se fortalecerá.
“O lado anjo se fortalecerá.”, murmurou mais para si.
“O lado anjo se fortalecerá. Pensando no que meu pai te disse?”, comentou enxugando o rosto tomando um ar orgulhoso.
Sem resposta. A sirene estava cada vez mais próxima. Num estalo, Sam a levou para os fundos do bar.
“Leve-nos para longe daqui!”, pediu sem demorar ofegante.
“Por que eu faria isso?! Você acabou de bater de frente comigo!”, questionou.
“Por causa disso.”, puxou a pela cintura, aproximando-a de seu corpo. Seus lábios se tocaram em um longo beijo. Soltaram-se após o caçador ficar sem ar.
“Pode deixar...”, assentiu sorrindo maliciosamente.
Dormitório de Angel e Klara
Klara deitava-se em sua cama de solteiro olhando tristemente para a da amiga. Sentia sua falta, mesmo que mal a conhecesse. Lembrou-se dos poucos momentos que tiveram.
***
“Oi.”, disse Klara.
“Olá.”, retribuiu Angel. “O que deseja?”
“É... Bem... como pode ver, vou ser a sua companheira de quarto.”, respondeu a ruiva. “Você poderia me ajudar com as minhas coisas?”
A outra ficou paralisada por um instante.
“Você poderia me ajudar com as minhas coisas?”, perguntou novamente.
“Ah! Ah! Claro!”, caiu em si.
Angel terminou de abrir o resto da porta e Klara entrou com o que tinha nas mãos, uma bolsa de alça, casaco e um livro. A híbrida saiu e foi pegar o resto, uma bolsa cheia de livros e a mala.
“Aliás, meu nome é Klara.”, começou. “E o seu?”
“Acho melhor não nos envolvermos, pois não pretendo criar raízes por aqui.”, respondeu rudemente.
“Mas, para convivermos no mesmo quarto, por, no mínimo, dois anos, devemos nos conhecer.”, avisou.
“Angel, me chamo Angel.”, falou sem emoção alguma.
***
“Você vem, Angel?”, perguntou para a garota que estava jogada na cama olhando para o teto.
“Agora não. Vou ficar só mais um pouco.”, respondeu pensativa.
“Então, tudo bem. Já vou indo. Nós nos encontramos lá.”, falou alegremente saindo do recinto.
***
“Nem parece que fui eu que te convenci a ir.”, comentou a ruiva risonha, toda arrumada e sentada em sua cama.
“Pronto!”, disse Angel saindo do banheiro, com um short rasgado preto; uma camisa curtinha branca, com o logo da Starbucks, sendo a sereia uma caveira; tênis All Star branco de couro; um casaco cinza com um colete de couro preto por cima deste; sua habitual “coleira” (cordão que parece uma coleira de cachorro) preta; cordão e brincos, ambos de asas de anjo (ou pégasus, tanto faz) dourados.
“WOW!”, admirou-se a outra. “Você está LINDA! Vai ser a estrela da festa! O Sam vai adorar!”, exclamou levantando-se.
Angel não respondeu. Pegou seu celular na escrivaninha e seguiu para a porta do quarto.
“Ei! Espere por mim!”, gritou Klara correndo atrás da híbrida.
***
Ela saiu de seu transe com o despertador, que marcava oito horas em ponto.
“Meu Deus! Já estou atrasada!”, exclamou preocupada. Levantou-se e pegou a roupa que tinha separado para a aula que começava as nove. Colocou, então, uma calça jeans, uma camisa branca regata e tênis Adidas branco com três listras azuis bebê.
Antes de sair, pegou sua jaqueta jeans. No corredor do andar, viu um monte de alunos em frente aos outros dormitórios que não eram deles. Passou por eles e neste instante, uma lembrança veio a tona. Uma lembrança relacionada a Angel e a um menino que lhe era familiar, mas que Klara não o conhecia. Uma fala do tal menino aflorou em sua mente: “[...] Seu pai quer vê-la em seu escritório.”.
“Que pai? Quem é o pai dela? Qual é a história dela? Quem é a família dela?”, questionou-se silenciosamente.
Balcão abandonado
Dean e Castiel estavam sentados ao lado da grade arremessada pela híbrida, cada um preso em seus pensamentos. Num pulo, o Winchester levantou-se e ajeitou suas roupas que ficaram um pouco amassadas pela postura que adotara enquanto nada falava. O anjo ergueu seu olhar até seus olhos encontrarem o rosto do caçador.
“Vamos lá!”, disse o loiro. Ele esticou a mão para o seu colega.
“É, vamos achar minha filha e acabar logo com isso!”, suspirou. Aceitou a ajuda e se levantou com o impulso.
Os dois, então, seguiram para a saída, em direção ao Impala. Quando entraram no carro, Dean cogitou em ligar o rádio, mas não o fez, apenas sentiu o ronronar suave produzido enquanto girava a chave na ignição e caia estrada adentro.
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