School Red Objetive
8 Capítulo 7 - Mentira
Notas iniciais
Akira conversava animadamente com Ever — e recebia algumas patadas vez ou outra, porém não parecia se importar. Nicki, pensativa, logo comentou com Karen:
— Ei, Karen. Você acha que é uma boa ideia pedir ajuda para o Beyond? Acho que num caso como esse, deveríamos trabalhar junto com outros investigadores. — ela olhou para a loira de canto de olho.
— Ele parece bem inteligente. Mas eu não sei… e aquele menininho albino? Como era o nome dele?
— Near, eu acho.
— Beyond disse que ele era inteligente, não é? Quer dizer…
~Flashback on~
— Er… com licença. — o de cabelos negros olhou para as garotas de relance.
— Vocês são as novatas. — concluiu, e Nicki logo estreitou os olhos um tanto receosa. Karen aproximou-se dos dois, junto a Ever.
— Somos sim.
— O que é isso na sua roupa? — Nicki juntou toda a sua coragem para dizer aquilo, e Beyond olhou para a própria camisa e depois novamente para a loira.
— Geléia.
— De morango?
— Quem lhe disse? Matt, Mello, Near… ?
— Foi o Matt.
— Ah. — um silêncio constrangedor tomou a sala. As três garotas se encararam sem saber mais o que dizer, mas Karen resolveu quebrar o silêncio:
— Quem é Near?
— Um menino albino. Ele é um dos mais inteligentes do colégio, junto com Mello e Matt. Eles estão logo atrás do L.
— Ah, entendi…
~Flashback off~
— Mas pode parar, Nicki! — exclamou Karen. — Se ele é um dos mais inteligentes aqui, quer dizer que tem chances do Near descobrir quem é o assassino primeiro!
— Por isso nem farei esforço para descobrir. — disse Akira, intrometendo-se na conversa, já que havia acabado por deixar Ever um pouco irritada demais. — Oras, já sabemos que os vencedores serão ou L, Near, Mello ou Matt. Talvez Light também entre nas possibilidades, mas…
— Ah, mas para trabalhar nossos instintos detetives! — argumentou Nicki.
— “Instintos detetives”… ?
— Estamos numa escola para detetives, certo? Certo! — completou Nicki.
— Ah, Nicki. — começou novamente Akira. — Mas o Beyond deve ter concluído a mesma coisa que eu.
— Mas nós precisamos treinar nossos cérebros… !
— Ele vai descobrir e vai apresentar as provas para Watari, que vai apresentar pra escola. Não é assim que funciona? — coçou a nuca, estreitando os olhos. A loira apontou para o horizonte, exclamando:
— Vamos falar com os professores e pegar nossas pistas então!
Os adolescentes se entreolharam e assentiram.
Não demorou para que todos os adolescentes fizessem o mesmo.
Naquele colégio, era uma tal de uma gritaria rondando os corredores — os alunos ali quase pensaram que ficariam surdos. Alunos e mais alunos eram vistos correndo por entre os corredores a cada minuto; quase se atropelando.
Naquela confusão toda, não tardaram a perder-se na própria escola: os grupos de alunos — Nicki, Ever, Karen e Akira; Mizu, Gilbeth e Light; Joe e Matsuda; Evanecer, L e BB; Mello, Matt e Danny — se separaram, e estava tudo uma confusão só. Watari quase teve de pegar um megafone e gritar para que todos ficassem em silêncio por alguns segundos.
Alguns se encontraram após determinado período de tempo, mas aos outros, não restou alternativa ao tirarem suas conclusões sozinhos.
Nicki não soltara a mão de Karen, que não soltara a mão de Ever, que não soltara a mão de Akira. Como uma corrente — talvez fosse por aquele motivo que eles acharam uns aos outros em poucos segundos.
A confusão inicial já não estava mais tão insuportável, e ao menos, os colegas conseguiram achar uns aos outros ao procurar com um pouco mais de cautela.
Os alunos prestavam atenção nas palavras do mais inteligentes — mais especificamente, nas palavras de L. Ele sugeriu para Evanecer e BB que falassem primeiro com os professores, e como havia previsto, uma multidão de alunos foram correndo até a sala dos mesmos.
Nicki, motivada pelos outros, acabou por arrastar suas amigas — e Akira — para lá também. Joe achou aquilo irritante, e esperaria que os alunos se dispensassem da sala para falar com os professores, e Matsuda achou aquela uma decisão muito inteligente. O restante dos alunos todos jogaram-se à porta que já transbordava de tantas pessoas.
Karen passou pela multidão — e não pareceu se importar em ter que acotovelar alguns — e puxou os outros três para dentro da sala.
Falaram com Júlio, Otemoi, Alice e conheceram Akihito, o pai de Akira. Pegarem em base todas as informações. Analisaram-as, e discutiram sobre, e logo o grupo andou novamente a observar a cena do crime.
Mizu, Gilbeth e Light fizeram a mesma coisa, seguindo assim os outros grupos.
As informações que conseguiram foram respectivamente:
O estado do corpo, que na situação, não parecia mais a mesma garota — estava com parte do rosto desintegrada. O assassinato fora cruel e brutal, à sangue frio.
À que horas aproximadamente fora morta, como havia sido uma informação oferecida por Watari.
Seu últimos contatos, foram seus pais. Na história, ela ligou para eles quando estava saindo de uma balada, dizendo que estava voltando para casa. A menina morava sozinha — fez questão quando completou 18 anos —, e só ligara para eles dizendo que estava tudo bem. Depois disso, não foi mais vista.
E uma informação deveras interessante para os detetives: ela teria faltado às aulas nos dois dias.
Não demorou para que eles chegassem a conclusão que o assassino talvez teria a torturado. E dali chegavam as teorias: o assassino provavelmente seria um dos professores, porque o corpo foi deixado no corredor num horário que não era o horário de aula. Logo, o assassino precisaria ter acesso à escola.
A informação foi o que os grupos de detetives precisavam. Alguns escolheram professores aleatórios, outros tomaram em base as informações passadas por cada um.
Os primeiros a correr para a sala de Watari foram Mizu, Gilbeth e Light. Eles apresentaram suas teorias, e acusaram o professor Júlio. Conforme as informações dadas, a menina não se dava bem com o professor, e aquilo servia para incriminá-lo.
Mizu saiu da sala com as bochechas cheias de ar, irritada. Ela tinha certeza que tinha sido Júlio. Watari disse que não iria dar a resposta, e que no momento em que eles apresentaram uma teoria, eles não poderiam apresentar outra e nem dizer para outros alunos o que Watari havia lhes dito. Disse que chamaria quem for que tivesse acertado para a sua sala na hora certa.
O segundo grupo foi de Evanecer e BB — L disse que Watari o pediu para não participar da gincana para dar uma chance aos outros alunos, então ele apenas disse para o seus irmãos começarem com os professores e não se pronunciou mais. Evanecer e BB já acusaram Akihito, levando em conta que ele não estava na escola nos mesmos dias que a menina ficara desaparecida.
Nicki, Akira, Karen e Ever acusaram Alice. Segundo Akira, ela estava com inveja porque a vítima tinha seios maiores que os dela, porém Ever logo o interrompeu dizendo que era porque Alice e a aluna teriam tido uma discussão depois de uma balbúrdia provocada pela aluna.
Mello, Matt e Danny acusaram também Alice — porque Mello disse que era ela. Simples assim.
Joe recusou-se a apresentar uma teoria para Watari — porque ele sabia que Matsuda iria o seguir e dizer o que achava. Na sua opinião, a teoria de Matsuda era simplesmente ridícula: ele achava que o assassino era Beyond Birthday, porque ele havia aparecido na escola com roupas sujas por manchas vermelhas e tinha cara de terrorista. Se não fosse pela última parte, a teoria podia até fazer um pouco de sentido.
Near esperou a sala esvaziar-se, para dizer o que achava. Ele achava que o culpado era Soichiro Yagami — uma teoria bem diferente das demais. Ele traçou um perfil psicológico pelas informações dadas pelos professores e percebeu que a menina era encrenqueira. Como monitor, Soichiro sempre a repreendia e provavelmente estaria cansado de tomar responsabilidade por todos os seus atos.
O albino saiu da sala de Watari e sentiu os olhos de todos os alunos sobre si, como se dissessem “ele deve ter acertado”.
O diretor se deu conta que os que não haviam apresentado teorias, não iriam apresentar e que todas as teorias — anotadas por ele — foram deveras diferentes umas das outras. Assim que ele saiu de sua sala, teve a mesma sensação de Near. Os olhos de todos fixaram-se nele, porém ele não pareceu se incomodar.
Acompanhado por Soichiro, ele deu alguns passos para frente para que os alunos pudessem o ver e o ouvir bem. O homem atrás de si parecia de certo modo abatido.
Num caminhar pesado, ele parou e encarou os alunos. Aquele clima tenso em que se esperava a resposta, e a pessoa que havia acertado quem era o assassino. Watari piscou. Respirou fundo, e começou:
— Vejo que trabalharam bastante para isso. Vou dizer que esperava que a gincana durasse por pelo menos dois dias, mas vocês trabalharam tanto sobre isso que acabaram por finalizá-la hoje mesmo. Estou orgulhoso. — os alunos, que ouviam atentamente, sorriram com a frase, alguns trocando olhares alegres entre si. Watari limpou a garganta. — Mas, enfim. Vamos ao que interessa e ao que todos estão esperando para saber. Eu gostei muito das teorias de todos. Foram bem pensadas e bem elaboradas, desconfiando de quem podiam desconfiar. Se eu pudesse ao menos escolher quem venceu, seria tudo bem mais fácil para nós.
No momento em que ele disse aquilo, o clima de tenso passou para macabro. Uma sensação um tanto ruim atormentou os alunos ao ouvir o pesado suspiro do idoso.
— Vai uma pergunta para os veteranos: quem se lembra da menina encrenqueira que estava indo para o 3º ano, chamada Lilian Soraho? — a maioria dos veteranos, incluindo Akira, levantaram a mão. — Ela morava sozinha, e daqui do colégio ia direto para casa sem falar com ninguém, certo? Lembram-se que ela sempre faltava os três primeiros dias? — eles novamente assentiram. — Foi por isso que não nos preocupamos com a sua falta ontem e anteontem.
Com os batimentos cardíacos acelerando-se aos poucos pelo nervosismo, os alunos já começavam a se preocupar. Aquela conversa estava indo para um rumo não muito agradável.
— Sinto por enganá-los assim, — continuou o velhinho — porém esse foi o único jeito que encontramos de dar a notícia, fazê-los cooperar e continuar calmos.
Akira olhou para Nicki assustado com as palavras, e Nicki o olhou também franzindo o cenho. Piscou uma, duas, três vezes. A respiração de alguns era ouvida ali em meio ao silêncio, até que Watari cerrou os olhos e abaixou a cabeça. Com a voz ainda firme, declarou claramente:
— Usamos o nome falso “Leila Mirieh” para disfarçar o caso.
Os olhos de Nicki esbugalharam-se. Ela de certo modo entendeu o que o diretor queria dizer.
— Leila Mirieh na verdade é Lilian Soraho. Isso não é uma gincana.
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