School Killers
46 Um pedido
Notas iniciais
— Annabeth? — a voz fraca de Percy chamou pela loira que endireitou a postura piscando acordando de um cochilo que ela tinha tirado.
A Chase sentiu todo o ar de seu pulmão se esvair ao olhar o moreno ao seu lado, ele estava deitado, seu peitoral a mostra o sangue ainda sujava o chão a sua volta e seu corpo, o curativo que Bianca tinha feito não parecia que estava ajudando de alguma coisa, um casaco servia de travesseiro para sua cabeça, mas ele estava pálido e parecia cançado, seu corpo suava frio e seus olhos pareciam se esforçar para se manter aberto.
— O que foi? Está sentindo algo? Eu...
— Não, não — ele sorriu suavemente — vem cá — pediu abrindo o braço bom a vendo hesitar sobre deitar ou não, mas ela o fez.
Percy a apertou contra seu corpo, colando sua boca no ouvido dela deixando que o cabelo loiro dela ocultasse o movimento de sua boca enquanto sussurrava.
— Se eu não conseguir sair daqui vivo...
— Você vai ver... — falou sentindo sua voz falhar e tentando se afastar, mas ele forçou ela continuar ali.
— Se eu não conseguir eu preciso que me faça um favor... — ele engoliu em seco apertando a blusa dela fechando os olhos — você pode me fazer um favor?
— Posso, claro — ela garantiu, mesmo que a ideia dele não sair vivo daqueles cinco dias a assustasse.
— Eu preciso que vá até o di Angelo e pegue com ele minha filha e garanta que ela não vai ficar sobre os cuidados do meu pai — as palavras chocaram a Chase, que nem ao menos sabia que ele tinha uma filha, aquilo parecia tão absurdo.
Mesmo tentando se mexer ele não a deixou sair dali.
— Coloque-a... — sua voz falhou e ela sentiu uma lágrima gelada em seu rosto — coloque-a pra adoção, mas me garanta que meu pai não vai ser o responsável por ela.
— Eu prometo — ela falou e o braço se afrouxou —, mas por quê? Eu... eu nem sabia...
— Eu fiz muitas escolhas erradas Anne, eu me envolvi no mundo das drogas, piorei o mundo de diversas formas possíveis, vi coisas horríveis e entrei em um colégio de assassinos, pois era unicamente sorte eu não ter sido preso por meus crimes e queria garantir que minha filha não tivesse que me ver sendo levado pra a cadeia, mas criei oportunidades para ser manipulado, usado, fiz coisas que me arrependo, mas uma delas não foi fugir de casa com quinze anos de idade, os dez anos que eu passei na rua sobrevivendo não foram comparados com os inferno que eu vivi na casa da minha família, eu podia não ter um teto, mas eu me sentia mais seguro, ele afirma que mudou, mas eu não consigo confiar no homem que eu via morando no mesmo teto que eu e eu não quero ter que pensar na minha filha passando por isso.
Poseidon era o padrasto de Annabeth, ela mal via o homem, afinal ele não morava com sua mãe, mesmo que fossem casados, mas mesmo assim ela nunca imaginou Poseidon Jackson como um homem ruim, talvez ele realmente tenha mudado, considerando que ele é um assassino profissional e tudo mais, todavia, entendia completamente o lado do garoto.
A loira suspirou assentindo se afastando apenas para encurtar a distância novamente e selar seus lábios com calma. Ela não sabia direito qual era a relação entre ela e Perseu, mas sabia que gostava disso, mesmo relutante, seu cérebro sabia muito bem administrar o que sentia e ela queria que ele vivesse, queria que ele chegasse ao final dos cinco dias com todos.
Ela se acomodou ali ao lado dele tentando não deixar nenhuma parte do seu corpo em cima dele, mesmo que seus braços estivessem entrelaçados, para que ela tentasse dormir. Observou ao redor.
Jason tinha a cabeça de Piper em cima de suas pernas, a morena estava apagada e respirava com um pouco de dificuldade, estando tão soada quanto Percy; no braço do loiro Thalia dormia segurando com força uma arma travada. Os mais longe eram Bianca e Leo que dormiam abraçados perto das mochilas com os suprimentos para caso alguém tentasse rouba-los os dois pareciam ser o de melhor estado para defender a situação.
— Como está a Piper? — Percy perguntou baixo, mas sem tentar disfarçar que falava naquele momento.
— Mal, mais estável, o ferimento dela foi em um lugar mais grave que o seu, mas Bianca acha que vocês dois chegam no final do quinto dia se não tivermos muito mais problemas — Anne respondeu suspirando — mas ela está apagada a um tempo, a di Angelo acha que é o jeito dela de aguentar a dor.
— Eles são estranhos — Percy riu, gemendo logo depois.
— Estão aqui a mais tempo do que nós, não temos noção nenhuma das histórias deles — Anne comentou sorrindo de lado.
— Foi um elogio — ele complementou sorrindo de lado e aos poucos fechando os olhos.
Recostou sua cabeça de forma que sentisse o cheiro do cabelo de Annabeth e adormeceu inalando o perfume suavemente a fazendo sorrir, mesmo que pensasse no que lhe havia sido pedido e dito.
Ao mesmo tempo que entendia o motivo de Percy nunca ter mencionado nada sobre uma filha, ela imaginava o desespero que ele deveria estar se encontrando naquele momento: baleado no primeiro dia de uma chacina, a dor devia estar se tornando insuportável, febre, seu corpo tentando batalhar para se manter inteiro, vivo, se curar de alguma maneira, ele achava que morreria e nunca mais veria sua filha.
Se perguntou com quanto anos a menina estaria, o motivo dela estar com o di Angelo, dentre tantas coisas. Mas não queria força-lo a falar nada, não era seguro, não tinha o direito de exigir nada dele naquele estado. Quando ambos saíssem, depois de todo aquele sufoco ela lhe faria as perguntas que queria e teria as respostas verdadeiras, talvez até pudesse conhecer a pequena, afinal ela não deveria passar dos dez anos de idade.
Talvez ela pudesse viver com eles, ajudar Percy a cuidar da menina, achar uma alternativa sem ser o mundo do crime parecia uma boa saída, afinal o mundo dos assassinos de aluguel estaria danificado por tempo indeterminado.
Eram tantas possibilidades, ela não queria se ver sonhando, não era do tipo de fantasiar coisas, ainda mais com outras pessoas, mas aquilo não a impediu de adormecer com um sorriso suave no rosto.
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