School Killers
36 O espião
Notas iniciais
Nico tirou o saco preto da cabeça do homem a sua frente, era seu terceiro e último alvo. Sua roupa suja de sangue, suas mãos exibiam arranhões, mas nada além disso indicavam que ele tinha entrado em uma luta.
Se manteve de costas para o garoto mexendo nas ferramentas na mesa, seus olhos negros vagando pelos instrumentos de tortura, pensando em quais usaria para fazê-lo abrir a boca antes de arrancar sua vida aos poucos.
— Confesso que fiquei surpreso quando li seu nome como um dos infiltrados da policia — o Di Ângelo falou com calma, amolando uma faca.
O silêncio perpetuou, nem ao menos os movimentos do homem se fizeram presente. Nico sorriu sádico.
— É, isso é sério, não tem nada com a escola e muito menos regras — continuou a falar, olhando por cima do ombro.
Ele levantou a cabeça para o encarar.
— Então antes tinham regras? — questionou com um tom forçado, o que não pode deixar de surpreender o torturador.
Os olhos de sua vítima estavam fixos nele, o que significava que ele já havia avaliado a sala que se encontrava.
O local não passava de um cubículo de concreto trinta por trinta, sem janelas ou ventilação a única entrada e consequentemente saída era uma porta pesada de aço no canto atrás da cadeira aonde ele havia sido amarrado.
Uma cadeira de metal, correntes de aço presas a argolas ao chão cinza com ondulações devido a pouca reforma e o muito uso. A mesa na qual Nico estava apoiado era uma mesa de cirurgia clássica, de metal e rodinhas, cheia de ferramentas de torturas prontas para as mentes mais criativas.
Não tinha jeito de fugir daquela sala, era óbvio que o aprisionado já tinha notado disso. Entretanto o Di Ângelo tinha certeza disso. Sem falar que o garoto teria que passar por ele, ele daria em uma sala que um passo em falso inúmeras armadilhas seriam acionadas, depois ele cairia em um labirinto que sem saber como sair levaria no mínimo uns seis dias para escapar, até lá ele já teria morrido sem água e comida.
— Algumas — Nico deu de ombros, cruzando os braços e tendo um sorriso de canto — a única tortura permitida era psicológica, nada mais do que isso, a morte deve ser rápida e indolor... já aqui, bom, como eu disse, sem regras!
— Faz sentido — concordou, dando de ombros — então o que vai ser? Vai me torturar por informações? Diversão?
— Eu fiquei curioso — o professor admitiu passando a mão no cabelo negro antes de virar-se de costas, pegando a pasta de informações que ele tinha, abrindo-a. — Eu vi seu histórico, não vejo um motivo...
— Eu tenho uma filha — contou, dando de ombros, fazendo Nico olhar confuso — O que foi? Sabe que eu não fui treinado pela policia e eu no mínimo sinto nojo, se quer informações eu vou te dar... a CIA pegou minha filha, tinham descoberto de algum jeito que eu havia me inscrito na escola e que seria chamado, logo me falaram que se eu não colaborasse eles levariam ela para uma das zonas negras...
O diretor. Nico pensou consigo mesmo, assentindo.
— Então? — incentivou que ele continuasse.
— Me falaram que tinham gente infiltrada já aqui dentro, mas como não tinham recebido nenhuma notícia acharam que eles tinham sido descobertos e mortos e como precisavam de informação e eu já era da área eu seria um bom bode expiatório e uma morte que não faria falta — continuou a falar, vendo o torturador cruzar os braços prestando atenção, lembrando de Luke e Octavian, seus dois alvos de mais cedo, que depois de horas sendo torturados, haviam falecido, um por perda de sangue e o outro simplesmente tinha sucumbido a dor. — Falaram que se no final eu não passasse nenhuma informação boa o suficiente, como o local da escola por exemplo, eles a levariam para uma das zonas negras, então eu topei.
— Por que está me contando? — questionou calmo, confuso.
— Você vai me matar, então pelo menos vou te dar todas as informações que eu tiver para você mata-los também — foi sincero.
Nico suspirou passando os dedos pela têmpora, processando seus pensamentos o mais rápido possível. Quando um sorriso travesso surgiu em seus lábios e uma ideia de como se livrar dos restos dos policias apareceu em sua mente.
— O que mais sabe sobre a operação? — questionou, apoiando seus braços na mesa.
— É ultrassecreta, eles não me explicaram muita coisa, me deram um número para eu ligar quando tudo acabasse que agentes me buscariam e me levariam a cede — respondeu.
Nico assentiu, sorrindo e tirando a chave de seu bolço soltando o garoto na cadeira.
— Eu não vou te matar, mas você vai me ajudar, estamos entendidos? — questionou calmo.
Não demorou muito a assentir em concordância.
— Ótimo, vamos ter muito o que conversar.
***
— O que a gente vai fazer exatamente? — Thalia questionou enquanto era puxada pelos corredores do prédio do segundo ano.
Já tinha passado do horário que eles podiam sair do prédio, então este estava lotado de alunos andando pra lá e pra cá, alguns conversando entre si, outros apenas já se preparando para dormirem.
— Eu sei que estamos em semana de prova... — Anne começou seu discurso facilmente decorado, mas teve o corte da Grace quase de imediato.
— Essa não é a questão.
— A questão é que você precisa se divertir — Piper abriu a porta do quarto dela, que era para onde as meninas caminhavam.
— Noite de meninas — a Chase deu de ombros sorrindo de modo incentivador e ao mesmo tempo culpado para a parceira de quarto.
Não demorou muito para Thalia e as outras garotas estarem bebendo, sentadas no chão do quarto de Piper.
— Então, como foi seu primeiro beijo? — Piper perguntou para Annabeth que corou e deu de ombros.
— Minimamente estranho — a Chase respondeu levando mais uma dose a boca. — Atualmente acho ridículo como eu pude ter algo por aquela pessoa, ainda mais porque sempre acreditei que era mais evoluída do que a maioria, então eu nunca cairia naqueles relacionamentos horríveis e abusivos, mas estava terrivelmente errada.
— Ninguém está livre de cair em um desses relacionamento, mulheres e homens podem acabar vivendo dessa forma e é uma merda — Thalia disse dando de ombros — principalmente se nos envolvermos em um relacionamento com pessoas como nós, sabe, assassinos, psicopatas e sociopatas, pessoas que têm pouco senso de sentimentos e que qualquer fagulha disso pode ser simplesmente arrancado porque é arriscado demais os possuir — molhou o lábio com a língua — somos ensinados a não sentir, nem ódio, nem amor, nem felicidade, apenas uma coisa deve mover a gente, dinheiro.
— É meio irônico — Piper comentou, chamando a atenção para si. Seu corpo deitado no chão gélido — sabe, quando eu entrei aqui foi pelo dinheiro, obviamente, eu morava na rua e nenhum emprego decente me dava uma oportunidade, então uma menina me achou e me acolheu, um tempo depois ela me disse sobre isso aqui e me preparou para eu poder entrar na escola, ela se formou tem uns dois anos e eu sempre achava que quando eu tivesse dinheiro eu ficaria feliz, mas agora essa ideia tem se enfraquecido na minha mente e a cada dia que se passa eu me importo menos com as coisas, apenas quero sobreviver até o final da escola.
— Eu nasci nesse meio — a Grace deu de ombros — nunca me importei com sentimentos, sempre achei que eram coisas de gente fraca e principalmente gente idiota.
— Sim, é coisa de gente idiota — a McLean riu fraco — minha mãe por exemplo, ela vivia da dor de corações partidos, ela tinha uma pequena venda em uma cidade no sul da França, sabe, aquelas clássicas lojas de bruxa que a gente vê em filmes, cheio de coisa estranha e pendurada para tudo que lado, e lá minha mãe vendia poções do amor, felicidade e tudo mais, porque para as pessoas elas preferiam acreditar que aquilo que minha mãe vendia era a solução para a vida deles, quando na verdade eles só precisam de um motivo para ter coragem e serem empurrados para frente.
Annabeth e Thalia riram com a ideia de comprarem soluções em poção e viverem sua vida a partir disso.
— O que aconteceu no final? — Anne questionou, vendo a amiga dar de ombros.
— Depois que eu briguei com ela nunca mais fui na loja, consegui uma passagem para os Estados Unidos e cá estou eu, depois de ter passado meses morando na rua procurando um pai que nem ao menos deve saber que eu existo — mordeu o lábio inferior respirando fundo e pesado, para logo em seguida ingerir o líquido de seu copo, sentindo o Wiskey queimar sua garganta.
— Esse lugar é uma merda — Annabeth concluiu suspirando pesado e jogando a cabeça para trás de modo que ela ficasse deitada na cama enquanto seu corpo estava sentado no chão.
— Mas vamos chegar ao final disso juntas — Thalia concluiu levantando o copo — e depois vamos fazer alguma coisa que realmente valha a pena.
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