School Killers
24 Novo professor
Notas iniciais
Era segunda-feira antes das costumeiras aulas do dia, um novo homem estava compondo o grupo de professores, porém antes que este pudesse se apresentar, Percy não segurou o impulso.
— Pai? — questionou pasmo, olhando o homem que claramente era seu pai, mesmo com os anos que ele não via o homem, era impossível não reconhece-lo.
Poseidon guiou os olhos para o filho, tentando conter a surpresa dele ter seguido tal rumo na vida, mas todos perceberão que ele não esperava ver o garoto ali tanto quanto o menino.
Perseu tinha fugido de casa com quinze anos de idade, desde este dia ele ficou por conta própria e ainda por cima nunca mais tinha ouvido falar da sua família, agora estava frente a frente com seu pai que ele sempre julgou ser um homem tradicional e pacato como ele sendo um professor de uma escola de assassino.
— Bom, esse é Poseidon Jackson, novo professor do terceiro ano, ele já recebeu a avaliação necessária para tal cargo e ele já tinha sido treinado quando mais novo para o cargo, porém não assumiu devido problemas que não convém ninguém aqui saber — Ares explicou, ignorando o corte que tinha recebido de um dos alunos de Nico — vocês vão ver ele andando pelos corredores da escola, então se acostumem.
Poseidon assentiu, tomando a frente se apresentando brevemente, porém logo os alunos foram liberados para suas rotinas normais.
— O quanto vocês estão dispostos a aguentar por um cliente? – Nico questionou, fazendo com que todos exibissem caras confusas enquanto ele colocava sua arma em cima da mesa e se apoiava ali. — Estariam dispostos a morrer por um serviço? Serem torturados? Essa é uma questão que muitos de vocês não pensam quando decidem entrar nesse ramo, que mesmo com o treinamento impecável que vocês vão passar, nem sempre estaremos um passo à frente, é óbvio que ninguém se passa por consequências como tortura e morte de proposito, porém essa pode ser a consequência de um erro.
Uma das alunas levantou a mão fazendo com que Nico assentisse indicando que ela poderia falar.
— Senhor Di Ângelo, existe alguém que nunca falhou? — indagou curiosa, era uma das novas recrutadas que tinha entrado com a reavaliação de Atena.
— Não, não que eu saiba — respondeu, vendo-a assentir, com seus olhos verdes mostrando a decepção. — Independente de quanto nós treinamos, alguém se esforça mais, independente de quanto estudemos, alguém pode estudar mais, nosso empenho nos ajuda a chegar ao que chamamos de “perfeição”, porém a perfeição é medida por quem se esforça mais, é claro que o talento puro, a sorte, estão ligados com isso, mas nada te ajuda a ter a sorte na mão se o outro tem a sorte e o treino. Amanhã espero que estejam preparados, vamos começar a praticar a resistência a tortura e a dor.
— E como vamos fazer isso? — um garoto perguntou após ter autorização de falar.
— Obviamente treinando tortura corporal, quanto mais vocês sentirem dor, mais resistentes a ela vocês vão ser, então amanhã os homens venham com uma sunga por baixo e as mulheres ou de biquíni ou com um tope de ginastica e um short curto.
Nico quase conseguia sentir o pânico de alguns alunos naquela sala, mesmo parado na frente, apoiado contra a sua mesa, seus olhos vagavam com atenção por seus alunos e ele sabia reconhecer o medo quando via.
— Estão liberados, nos vemos mais tardes na aula de armas, podem ir — o Di Ângelo os liberou mais cedo, queria os deixar pensando sobre o que ele tinha dito.
Todos os alunos começaram a se levantar e recolher suas coisas para sair.
— Senhorita Chase, gostaria falar com você — chamou, antes que ela atravessasse a porta ao lado de sua fiel companheira, Thalia.
— Sim, senhor? — indagou, voltando e indicando que seus amigos podiam ir sem ela.
Nico deu a volta na mesa, sentando em sua cadeira, pegando um papel em sua gaveta e analisando brevemente.
— No segundo ano, temos o serviço de monitoria e um dos trabalhos é ajudar alunos com potencial, mas que tenham alguma dificuldade e eu reconheço seu potencial senhorita Chase, porém sua dificuldade com luta física pode ser um problema para você futuramente, então o senhor Jason Grace vai te dar aulas extras, claro se tiver interessada — explicou o porque de a chamar — aqui, caso queira é só o encontrar no horário e local do papel, com isto preenchido, atrasos serão considerados que você não está interessada e procuraremos outro aluno que esteja.
O papel branco foi esticado em sua direção e o homem sorriu simpático, coisa rara de se ver vindo dele. Anne assentiu, pegando a folha e murmurando um “obrigada” e saindo da sala em passos rápidos para encontrar com seus amigos.
— Pensei que daria a folha para a Grace — Ares adentrou a sala do amigo, que levantou o olhar o revirando.
— Por quê? Ela não precisa de treino de luta extra, as aulas estão sendo o suficiente e tenho certeza que o treino dela deve ser o mesmo que o do irmão.
— Então ela também tem problema de padronização e fácil previsão de golpes? — o La Rue indagou apoiando-se na mesa.
— Tem sim.
— Zeus é um merda mesmo, nem para treinar os filhos direito — Ares negou, sabia que esse era o problema do empresário, logo sabia que ele havia passado isso para os filhos.
— Sim, mas eles têm seus talentos, não posso negar.
— Claro, está explorando muitos da senhorita Grace.
Nico levantou o olhar irritado para Ares, que riu da cara que o amigo fez. Nico negou em reprovação e voltou a abaixar a cabeça e a fazer seu trabalho.
Não muito distante dali, Atena organizava a papelada em sua nova sala, separando-os em pilhas para saber o que tinha que fazer com cada um, quando braços envolveram sua cintura e a puxaram contra o corpo, fazendo com que o perfume tão conhecido invadisse seu nariz e um sorriso seus lábios.
— Sabe que não deveríamos correr o risco de mostrar nossa relação aqui dentro, né? — Atena lembrou, ouvindo sua risada leve e rouca em seu ouvido.
— Estamos sozinhos em seu escritório, ninguém vai saber que somos casados — Poseidon disse, mas a soltou, ficando de frente para ela, apoiando o quadril na mesa e a encarando.
— Como foi o primeiro dia? — perguntou, levantando o olhar rapidamente da papelada, mas logo voltando sua atenção para ela.
— Bom, o terceiro ano é incrivelmente disciplinado, mas nenhum deles tem a malicia que é necessária nesse ramo, eles provavelmente vão passar apenas por passar — deu de ombros — sabe, eles já perderam a paixão por isso, não vão longe.
— Mas alguma novidade? — Atena indagou, ela já tinha ouvido falar sobre isso na minúscula turma do terceiro ano.
— Meu filho estuda aqui — contou.
A Chase largou de imediato a papelada e encarou os olhos verdes-mar de seu marido, procurando qualquer sinal de que fosse mentira ou uma piada, mas não era.
— O mais velho? Que fugiu de casa com quinze anos? — Atena questionou, só para confirmar.
— Sim, Percy — assentiu — me esforcei tanto para mantê-lo longe disso tudo e olha só. Está cursando a turma do primeiro ano com o Nico Di Ângelo, acho engraçado que eles devem ter a mesma idade.
Atena concordou, se afastando de Poseidon e se sentando em sua cadeira, tacando o nome do filho dele na busca de alunos, não demorando a acha-lo.
— Perseu Jackson, aluno da turma de teste, vasto conhecimento sobre armamento, traz uma experiencia grande de fora das aulas, excelentes notas e parece ter um objetivo fixo, tem mania de agir como se fosse bobo e até mesmo lerdo, porém é perceptível que essa é a sua técnica para criar subestimação, está mais preocupado em ser feliz e se divertir, tenta tirar o proveito de tudo para si, nada é completamente inútil quando se trata do dia-a-dia dele. Comanda uma das maiores máfias americanas, começou apenas como um traficante simples com quinze anos. Tem talento nato para a coisa.
Após ler o resumo da ficha do Jackson, levantou o olhar para Poseidon que estava claramente surpreso.
— Acho que deveria falar com ele, sabe? Tentar se entender com ele, vocês são pai e filho.
— Tem razão, vou conversar com ele.
Dito isso, novamente Atena ficou sozinha em seu escritório, suspirando e analisando a ficha do menino com seus olhos tempestuosos preocupados.
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