School Days

45 Capítulo 45: Don't


Durante o intervalo do treino de futebol, Noah observava a interação entre o mais novo casal de Roosevelt com uma expressão entediada. Não, ele já não sentia mais nada por Frannie, mas ela e Matt às vezes eram muitos... Grudentos. Pareciam a versão heterossexual de Josh e Wally na época em que namoravam.

– Ei, ei, ei! Podem parar com a agarração! — Exclamou o treinador Walker, puxando Matt pelo braço esquerdo. — Isso é uma escola, não um motel!

O quarterback murmurou um "sinto muito", enquanto Frannie se limitou a rir divertida, antes voltar às arquibancadas. O treinador então soprou o apito, indicando que o tempo de descanso havia terminado.

– Você não está bravo comigo, não é? — Matthew quis garantir, enquanto o alcançava na "corrida" ao redor do campo.

– Não tenho motivos para estar cara. Passei quase dois meses correndo atrás da sua namorada. — Respondeu.

– Eu nem tinha reparado... — Riu Matt.

– Ah, é porque não deu muito certo. Acho que ela é... — Olhou para os lados, para garantir que nenhum dos outros jogadores escutaria. — Eu acho que ela pode ser lésbica.

Matt gargalhou.

– Você não pode estar falando sério...

– Sei que parece idiotice, mas eu acho mesmo que ela gosta da Gwen.

– E o que te faz pensar assim? — Perguntou, curioso.
Noah então começou a explicar detalhadamente todas as evidências.

(...)

– Foi só isso mesmo? — Liz quis garantir.

– Sim, foi só o que conversamos. — Confirmou Gwen, revirando os olhos e rindo.

– Agora posso saber o porquê desse interrogatório?

– Não é um interrogatório. Eu só queria ter certeza de que você não... — "Tenha voltado atrás na sua decisão de não ficar com ele." — Tenha feito algo idiota.

– Ficar com ele, você quer dizer? — Arqueou uma sobrancelha.

Liz suspirou longamente, antes de responder:

– Sim.

– Por que a ideia de nos ver juntos te incomoda tanto? — Parou de andar quando alcançou o próprio armário.

– Não incomoda. — Mentiu.

– Se você diz... — Deu de ombros. — De uma forma ou de outra, eu e ele não vai mesmo acontecer. — Fez uma pausa. — Não me entenda mal, Seb é um ótimo amigo e tenho muito carinho por ele... Mas quando olho para ele não vejo alguém com quem eu possa ter um relacionamento, sabe?

– Entendi.

– Quer terminar de ver Orange hoje? — Sugeriu.

– Claro! — Exclamou. Aquela série era mesmo legal e o mais importante: poderia passar mais tempo ao lado da baixinha. — Os garotos também?

– Bom... Rony e Josh com certeza não, porque eles tem um encontro duplo com Frannie e Matt, mas o Noah eu nunca sei. Ele aparece quando dá na telha, praticamente mora lá comigo e meus pais. — Brincou. — Está em qual episódio?

– No mesmo em que paramos. Não tenho Netflix, lembra? Meu pai diz que é uma armação do capitalismo e um incentivo à pirataria. — Disse a loira. — Não com essas palavras exatamente, mas mais ou menos isso. Enfim, estamos no episódio dois da segunda temporada, se não me engano.

– "É azul, mas tem gosto de vermelho". — Falou o título do episódio. — Até que esse é normal.

– Perto de "Soco no seio", "Pedido lésbico negado" e "Donut sangrento", com certeza. — Concordou.

(...)

Ao ver Susan correr até o banheiro femino, Sebastian foi atrás dela. Para sua sorte, mais ninguém estava ali, porque se alguém falasse algo para o diretor, estaria ferrado. Arregalou os olhos e virou de costas ao ver que a ex namorada vomitava. Aquilo era muito nojento...

Demorou algum tempo até que ela terminasse o que estava fazendo e notasse sua presença. Imediatamente, se levantou e perguntou:

– Mas que porra está fazendo aqui dentro?

– Vim falar com você, é claro. — Ele respondeu, com a maior naturalidade do mundo. Na verdade, estava muito nervoso sobre aquilo, mas não queria demonstrar. — Eu sei o que está acontecendo, Sue.

– Não sei do que está falando. — Tentou negar.

– Você não me enganada, eu sei que está grávida do Grayson. — Revirou os olhos. — Mas antes que venha falar alguma coisa, eu não vou fazer nada para te prejudicar, na verdade, vim oferecer ajuda, caso precise.

– Isso é mesmo sério? — Olhou-o com descrença. — De onde veio todo esse espírito altruísta?

– Não é nenhum espírito altruísta! — Revirou os olhos novamente. — Éramos amigos antes de começarmos a namorar e eu quero que voltemos a ser.

(...)

Becky e Britt conversavam na saída do colégio. Tudo parecia voltar ao normal — pelo menos a parte de serem melhores amigas — e estavam felizes com isso. Bom, pelo menos Britt estava.

– Você ama a Claire? — Perguntou a morena, repentinamente.

Brittney olhou para ela, sendo pega desprevinida pela pergunta.

– Becky, você precisa parar com isso. — Pediu. — Eu estaria mentindo se dissesse que não sinto mais nada por você, mas agora eu tenho outra pessoa e eu gosto muito dela. Talvez eu não ame, mas sei que é algo forte. Então, por favor, vamos ser amigas e deixar de lado o que aconteceu.

Becky bufou.

– Você quer que eu saia do armário? Isso é o suficiente? — Insistiu. — Tudo que eu quero é voltar com você. Eu amo você e estou disposta a me assumir agora mesmo se isso me fizer ter você de volta.

– Eu já dei a minha resposta. — Falou, antes de seguir até o estacionamento, onde Claire a esperava.

Ela definitivamente não estava disposta a dar outra chance para Becky quebrar seu coração. Finalmente havia encontrado a pessoa certa e não iria abrir mão disso.

– Tudo bem? — Questionou Claire, ao ver sua expressão. — O que vocês estavam conversando?

– Eu estou bem. E não é nada, não se preocupe.