Schizophrenic
45 06 de junho de 2015 parte 2
Notas iniciais
–Merda pra você – Chris falou entrando no camarim dos meninos, que estava vazio.
–Você veio – falei sorrindo.
–Não perderia isso por nada. Está pronto?
–Só um pouco nervoso, e preocupado com Bryce e Bryan e Isaac e...
–Hey, você vai arrasar. Vá lá e quebre a perna.
–Cinco minutos – Bryan falou batendo na porta – Merda pra você, Adam. Tudo pronto? — Fiz que sim com a cabeça. — Você consegue.
Não havia visto Bryce ainda e provavelmente só nos veríamos no palco devido ao avanço do horário.
Uma luz branca tentando me cegar foi a primeira coisa que eu “vi” ao entrar no palco, pelo menos com ela podia ignorar a plateia, era possível perceber que a casa estava cheia.
Mentiria se disse que me lembro de cada fala que proferi, cada passo que dei, cada música que cantei, aquela parte da noite para mim em minha mente era quase como aquela luz. Branca. Só me lembro de duas coisas da apresentação.
Era a primeira cena que Bryce e eu estávamos juntos no palco, eu já havia percebido que ele estava um pouco diferente no palco, mas nada de fato alarmante, mas quando entramos juntos, pude perceber porque eu o achei diferente. Havia um furo em sua orelha esquerda.
–O que faz aqui? — sussurrei para Bryan no meio de uma dança a dois.
–Depois eu explico. — ele sussurrou de volta.
Outro branco, outra parte da noite no piloto automático. A segunda cena que lembro era a cena do nosso primeiro beijo.
–Posso não ser a pessoa mais confiável, mas... As pessoas falham, e mesmo sendo falhas merecem uma segunda chance, não acha? — ele perguntou.
Ele estava improvisando?!
–Como assim, Bernard? — perguntei (Bernard era o nome do personagem).
–A vida nos dá escolhas, Jonh, e as vezes fazemos escolhas erradas, magoamos as pessoas que amamos. Quero lhe pedir perdão, perdão por tudo o que vou errar, tudo o que iremos passar, e se por acaso algo ficou no passado, quero lhe pedir perdão também. Está disposto a isso? — Ele balbuciou meu nome, não era uma simples fala.
–É difícil dizer. São tantas dúvidas, tantas questões, e não faço ideia do que iremos enfrentar.
–Estaríamos juntos, algo além disso importa?
–Mas e...?
–Apenas uma vez, escolha por você, esqueça tudo o que nos cerca, Adam, esqueça meu irmão, nossos colegas, seus demônios.
Eu me aproximei dele dessa vez, não esperei pela atitude dele. Aquele beijo, aquilo sim é algo que me lembro com perfeição, cada toque, cada espaço em sua boca, a sensação de dividir o oxigênio com ele. Não me importava com a plateia, só queria....
–Podemos fazer da certo. Bryan – sussurrei o nome dele.
Não lembro como a peça acabou, nem faço questão, o momento importante estava registrado.
Fomos aplaudidos de pé, Isaac estava lá, meus pais também, o que me deixou intrigado, imaginei que eles não iriam, mas eles estavam lá.
***
Eu já estava em casa, o elenco havia saído para comemorar, Isaac foi junto, a propósito, ele havia voltado para casa mais cedo, finalmente, e depois James foi me pegar. Estava tentando ligar para Bryan, o que... O que seria de nós agora? Não tivemos tempo de conversar depois da peça, não nos deixaram sozinhos em nenhum momento, mas ele não atendia.
Estava tentando mais uma vez, antes de dormir, e ele atendeu.
–Bryan, pensei que já tinha ido dormir – falei.
–Na verdade, ele já está dormindo. — Isaac falou do outro lado da linha.
–Onde você está?
–Onde tudo começou, Adam.
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