Scars Of Love
34 Capítulo 33
Notas iniciais
(Isabella)
Quando acordei o relógio marcava o meio-dia. Não tinha dormido muito para as horas que me tinha deitado. Petrus já não estava no quarto. As promessas que tínhamos feito… Não podia esquecê-las, mas também não me podia desconcentrar. Era verdade, ele completava-me.
Depois de tomar um duche rápido e vestir algo leve, desci para procurar Petrus e os outros. Encontrei-o na sala de estar.
— Como é que te sentes? – perguntei.
— Sinto-me melhor. E tu? Como estás?
— Não recuperei totalmente, mas estou bem.
— Não te vale de nada mentires-me, sabes disso.
Sorri.
— Onde estão os outros? Já acordaram?
— Nenhum deles acordou ainda, sabes que eles não têm tanta resistência quanto nós. – fui sentar-me à beira dele. – Já sei o que vais dizer Isabella.
— A culpa não foi só tua Petrus. Tu não tens assim as costas tão largas, não tens de levar com as culpas todas.
Petrus ia começar a falar novamente quando a sala se transformou na grande sala violeta em que eu e Petrus tínhamos estado anteriormente. A nossa Rainha estava, como habitualmente, sentada no seu lindo e grande trono.
— Isabella, como havia dito, vim dar-te mais informações sobre o punhal que te dei. Neste pergaminho, – apareceu um pergaminho na sua mão direita. – está tudo explicado do que pode acontecer com o teu punhal e também a sua história.
— Obrigada minha Rainha.
Algo tão rápido e repentino… A sala violeta desapareceu. Voltamos à sala de estar. O pergaminho encontrava-se agora nas minhas mãos. Li-o em voz alta:
“Desde Artémis, este Punhal não pertenceu a mais ninguém. Artémis, uma anciã musical que viveu há milhares de anos, forjou este Punhal para proteger aquele que amava. Juntou safira com metal e pediu à Lua para que esta lhe concedesse o poder dos seus raios lunares. Quanto mais Artémis praticava com o Punhal mais ele se transformou até se tornar numa enorme e bela espada.
Enquanto não lutava, a grande espada permanecia na forma de punhal, sendo depois ativada quando era chamada. Artémis manejava aquela espada com uma enorme facilidade, enquanto que um humano não poderia fazê-lo.
Artémis apaixonou-se por um humano. Naquela altura, a Sociedade dos Anciões Musicais tinha regras muito rígidas e não permitiam envolvimentos com outros que não fossem da sua espécie. Artémis foi contra as regras e acabou por se revoltar. A Sociedade acabou por matar o seu amado e então, Artémis acabou por matar quase todos os Anciões Musicais e o seu edifício. A ponta da sua espada, ao bater no chão, rachou o solo em todas as direções. O edifício ficou em pedaços. Não sobrou pedra sobre pedra.
Para se conseguir manobrar a espada com a última tática, a pessoa que a possuir tem de ter um coração cheio de amor, cheio de vontade de proteger, cheio de amizade. O Punhal adquire o seu máximo poder nos dias de lua cheia. Este Punhal pode apenas pertencer a uma pessoa com um enorme poder musical, mas acima de tudo, a uma pessoa que tenha um coração cheio de bondade.”
Assim acabava o pergaminho. Eu e Petrus estávamos estupefactos.
— Ainda bem que não sou humano… – disse o Petrus em tom de brincadeira.
— Olha, não brinques! Isto é sério!
— Eu sei, desculpa…
— Bem, parece que o meu treino vai ter que evoluir no seu nível de dificuldade.
Aquele punhal era misterioso, sentia-o desde o primeiro momento em que o tinha visto. Certamente que me traria grandes surpresas…
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