Scars Of Love
18 Capítulo 17
Notas iniciais
(Isabella)
Acordei tardíssimo… Devia ser perto das onze e meia da manhã, mas pelo menos tinha recuperado, não totalmente, mas quase tudo. Tomei um longo banho, sentia-me bem, para além de estar um lindo dia! O sol raiava alto e a brisa estava leve e fresca. Vesti uma roupa leve e desci para falar com Simão. Não eram umas horas de sono que me fariam esquecer da conversinha que ia ter com ele.
— Simão, Simão! Onde é que estás?
— O Simão saiu. – disse uma voz masculina.
Era Kiba, o rapaz dos olhos grandes.
— Outra vez?! Será que aquele rapaz nunca sabe estar em casa?! Que tédio, gente, que tédio.
— Tem lá calma, Isabella.
— Hein? Como é que sabes o meu nome? – perguntei, estranhando.
— Não sabes como é o Simão?
— Quem não o conhecer que o compre… – disse sorrindo.
— Bem, se o Simão chegar diz que eu preciso de falar com ele e que não saia de casa até eu chegar.
— Onde vais?
Deitei-lhe um olhar que dizia que ele estava a ser intrometido, mas mesmo assim respondi-lhe:
— Vou ao pontão da praia.
Apeteceu-me nadar um pouco, mas antes queria sentir a brisa. Embora aquele pontão me trouxesse más recordações, sentia-me bem ali. Revivi a cena da traição inúmeras vezes, mas nada iria estragar aquele dia. No entanto, desde que sai de casa que me sentia observada e receei ir para o mar, mesmo assim decidi ir.
Mesmo antes de conseguir alcançar o nível da água, um cão enorme apanhou-me e colocou-me numa das partes do penhasco. Olhando melhor, não era um cão, mas um lobo. Fiquei realmente assustada. De altura tinha mais meio metro que eu e o seu pelo era de cor de prata. Os seus olhos eram de um cinzento mais claro que o seu pelo e vistos de uma certa perspetiva podiam até parecer brancos. O seu comprimento, nem sei… Encostei-me às rochas e num flash de luz ele tomou a sua forma humana.
— Tu és doida?! O que é que tu ias fazer? – eu ainda estava estupefacta que nem conseguir verbalizar uma resposta. Ele virou-se para o horizonte. – O homem que te fez sofrer não merece nem uma lágrima tua. Um homem que faz isso a uma mulher não é um homem de verdade. – fiquei ainda mais estupefacta com aquelas palavras.
“Mas como é que ele sabia daquilo?” – pensei. – “Simão!” – gritei na minha mente.
— Kiba, eu não ia fazer nada.
Olhou para mim como se eu estivesse a mentir.
— Então para que é que te atiraste, diz lá.
— Estou a ver que o Simão só conta o que lhe convém… Bem, eu controlo a água, então as probabilidades de eu me afogar são praticamente nulas, é como se a água fosse minha amiga. E tu? Que aparência era aquela?
— Eu sou um metamorfo, digamos, um lobisomem, para perceberes melhor.
— Sim, eu percebi... Mas afinal posso saber o porquê de teres vindo visitar o Simão?
— Embora eu gostasse que fosse uma visita de cortesia, não é. O Rei do Fogo pediu-me… – não o deixei terminar.
— Desculpa interromper-te, mas afinal tu sabes da minha história toda? Então tu és vassalo do Rei do Fogo? Calma, as minhas aulas de Mitologia estão a mostrar os seus resultados. Os animais associados ao Fogo são os lobos e as raposas, ou seja… Ah, agora já percebi! – o rapaz estava muito sério a olhar para mim e eu corei. Eu tinha o vício de raciocinar alto e muitas pessoas não compreendiam. – Desculpa…
— Não faz mal, eu também faço isso, por vezes. – sorriu. – Desculpa ter-te seguido, mas senti que algo não estava bem. Farejei o perigo… Agora, indo diretamente ao assunto, o meu Rei enviou-me para cá para que te ajudasse a desenvolver ainda mais a tua defesa física.
Levantei-me do chão e encostei-me às rochas.
“Como é que eu vou treinar com um rapaz tão corpulento como ele?” – pensei. – “Não tenho a qualquer hipótese disto me correr bem!”
— Tipo, uns treinos, queres tu dizer?
— Sim, isso, mas uns treinos duros. Começamos amanhã.
“Amanhã?! Mas ainda eu nem tive tempo de me conformar psicologicamente!” – pensei.
— Claro, claro… – disse, relutante. Definitivamente, eu não estava preparada! – Eu vou voltar para casa, vens?
Não respondeu. Limitou-se a pegar-me e levou-me para cima. Estava realmente espantada com aquele rapaz. Durante todo o caminho nenhum de nós pronunciou uma única palavra. Quando chegamos a casa, Simão andava atarefado a preparar a sala para o jantar.
— Simão posso, finalmente, falar contigo?
— Pode ser depois do jantar?
— Não, não pode, tem de ser agora! – berrei-lhe e abri bem os meus olhos. Estava “on fire!” com aquele rapaz!
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