Scars Of Love

37 Capítulo 36


Notas iniciais
Olá minha gente! :D Como estão todos? Espero que estejam todos bem! Como é fim-de-semana, vim trazer-vos mais um capítulo de "Scars of Love". Boa leitura! ^^

(Isabella)

Eu e Petrus estivemos a conversar até tarde e ele acabou por adormecer na cadeira que estava junto à janela. Quando acordei ele ainda dormia.

“Como ele está diferente…” – pensei.

Sentei-me na beira da cama a observa-lo. Em criança e mesmo naquela época, ele sempre fora mais alto que eu. A sua voz tinha ficado mais grave, muito mais do que eu esperava. A cor da sua pele sempre foi de um moreno um pouco invulgar. Os seus pequenos lábios carnudos e vermelhos pouco tinham mudado. Embora o rosto se tivesse alongado e ficado com traços faciais de um homem feito, para mim, ele continuava na mesma. O que mais mudou nele foi a sua personalidade.

E o meu momento de observação tinha acabado. Ele começou a acordar. Apanhou-me a olhar para ele…

— Que se passa Isabella? – perguntou, ainda meio a dormir.

Corei.

— Hum… Nada, nada… – disse meio envergonhada. – Deves estar todo partido, ficaste aí a dormir.

— Por acaso acho que não dormia tão bem há algum tempo. – disse com um sorriso estampado no rosto. Fiquei confusa. Para além de ele ser bastante alto e o comprimento de uma cama ser tanto quanto a sua altura, não devia ser fácil para ele dormir todo encolhido. – Não estás a perceber, pois não? – sacudi a cabeça negativamente. – Mesmo não estando a dormir ao teu lado, tenho-te perto de mim e só por isso, acho que durmo melhor. – continuava a sorrir.

Fiquei surpresa. Não estava à espera que ele disse algo daquele género… Há bastante tempo que Valéria não aparecia e talvez ele estivesse a tentar dar-me mais algumas boas recordações caso algo acontecesse.

— Tu não mudaste nada… – sussurrei e sorri.

— Disseste alguma coisa?

Levantei-me num ápice da cama para disfarçar.

— Não, não disse nada.

Fui vestir-me e desci para ajudar. O dia foi calmo, houve pouca agitação. À noite para descontrairmos, decidimos ir para o jardim jogar cartas. Subi para procurar os baralhos de cartas que tinha guardados. Petrus estava a procurar juntamente comigo quando ouvimos alguma barafunda no jardim, mas pensamos que seriam os restantes a brincar. Ao chegarmos à entrada do jardim, os nossos amigos estavam parados, tipo estátuas, até pensei que eles estavam a jogar algum tipo de ludo ou algo parecido. Eu e Petrus ficamos ambos estupefactos a olhar um para o outro. Corri para junto deles, mas uma barreira repeliu-me. Petrus correu para junto de mim.

— Será a Valéria? – perguntou ele.

— Penso que não. Ela não tem poder para tal.

— Tens razão, Anciã. – à nossa frente apareceu uma bela mulher com umas vestes brancas. As suas vestes flutuavam acompanhando a brisa fresca da noite. Os seus longos cabelos castanhos avelã cavalgavam ao bom sabor da brisa. A sua expressão facial mostrava ambição de atacar. Os seus pequenos olhos azuis semicerrados fixavam um alvo. Os nossos olhos. Lembrei-me de repente de Medusa. Será que ela tinha um poder parecido com o dela? – Vejo que estás intrigada, Anciã. Bem, da vossa parte não preciso de apresentações, mas eu sou Agnes, uma das Consortes de Luther.

Consorte?! Desde quando um anjo poderia ter consortes? E se aquela era só uma delas isso queria dizer que ele ainda tinha mais? Credo…

— Não era preciso apresentar-se. Eu não preciso de conhecer intimamente os meus inimigos.

— E porque me consideras uma inimiga?

— E porque não serias, já que deixaste os meus amigos naquele estado…? – disse, apontando para eles.

— Ah, isso é só distração… – disse com um sorriso malévolo na sua face.

“Mais uma para eu aturar? Já não me chega a Valéria ainda tenho que aturar mais esta…” – pensei.

— Ninguém usa os meus amigos como distração! – estava a zangar-me seriamente.

Só por sorte, não tinha deixado o Punhal no quarto, cada vez mais me capacitava que tinha que andar sempre com ele, as coisas podiam acontecer a qualquer momento, aliás, o que estávamos a viver era prova disso.

— Oh que fofa… – sarcasmo como eu te odeio. – Bem, passemos à ação, não é verdade?

Pensei melhor e retirei a minha expressão enfurecida, mostrando uma completamente calma, mudando a minha expressão facial e a posição do meu corpo. “Elementos,” – chamei em pensamento. – “façam uma barreira por favor.”

A barreira, embora invisível, formou-se à volta de Petrus e de mim. Agnes não deu por nada. Se ela tinha o poder que eu pensava que tinha não podia passar pela barreira ou pelo menos era o que eu pensava. Agnes deu um passo e fixou o seu olhar no de Petrus. Sussurrou algo. Só o ouvi a sufocar e a parar, ficando tal como os outros ao redor da mesa. Tinha de arranjar uma forma de fortalecer a minha barreira, mas agora tinha de me preocupar em despachar aquela besta. Num dos nossos treinos, Kiba disse-me:

“— Nem sempre podes encarar o teu inimigo.”

Aquelas palavras agora faziam o máximo sentido. Ele explicou-me que existem outras partes corporais que podem ser feridas gravemente e aí, deixar o inimigo bastante ferido, senão, morto. Parece que a sua sabedoria juntamente com os exaustivos treinos iam começar a dar frutos. As coisas pareciam fáceis sendo assim ditas, mas fazê-las… Provavelmente seria muito mais fácil manejar a espada, bem, eu ainda não sabia a sua forma, o seu tamanho, o seu peso, teria de treinar com ela consoante isso. Naquele dia tinha vestido uma saia, o que tinha dado muito jeito. Retirei o Punhal do coldre preso à minha coxa direita. Podia dividi-lo, ferindo-a em várias partes, mas primeiro queria ver a sua reação. Reparei que o Punhal também criou uma segunda barreira em torno de mim. Senti algo a repelir parte da minha barreira que protegia Petrus. Agnes fixava o meu olhar. Os seus olhos ficaram completamente negros. Sussurrou outra vez, mas ainda não tinha conseguido perceber o que era, tinha de haver algo que combatesse o que ela dizia. Algo negro embateu na minha barreira. Agora que sabia que a minha defesa era suficientemente forte, poderia mata-la, olhando-a nos olhos, só para ela saber em que mãos morreu…

Notas finais
Então, o que acharam? Este capítulo foi bem longo! Já sabem, reviews fazem milagres! *-* Até ao próximo capítulo! ^^