Scars Of Love

28 Capítulo 27


Notas iniciais
Olá meus queridos leitores! Como estão todos? Estou a postar hoje um pouquinho mais cedo do que o normal, mas quanto mais cedo melhor, não é verdade? Deixo-vos então mais um capítulo, um pouco maior do que o habitual, para que comecem a roer as vossas unhas... Boa leitura! ^^

(Isabella)

Quando cheguei a casa, Kiba estava à minha espera no meu quarto. A coisa parecia séria. Pedi-lhe que esperasse na sala, pois queria tomar um duche e trocar-me. A troca foi rápida. Kiba encontrava-se no jardim. O seu semblante não mostrava quaisquer emoções. Um rapaz que era tão divertido, alegre, algo se passava para ele estar assim.

— Passa-se alguma coisa Kiba?

— Eu vou ter que regressar ao meu clã.

“O quê?” – pensei. – “E o treino?”

— Kiba posso ao menos saber a razão para uma partida tão repentina?

— Eu vou-me casar daqui a dois meses.

“Casar?!”

— A rapariga é uma sortuda! – disse-lhe com um sorriso estampado no rosto, mas ele não parecia muito feliz.

— Pois… – ele não me parecia bem. – Eu não sei se vamos poder concluir o treino.

— Podemos sempre concluir quando te casares não é?

Nada disse.

— Parto amanhã. – e dito isto virou-me costas.

Fiquei com macaquinhos no sótão. Tinha de descobrir o que se passava. Fui à procura de Simão para saber alguma coisa de Ana. Depois de tanta confusão, nunca mais me lembrei e tinha estado no hospital.

— A Menina Ana está bem. Amanhã já tem alta. Ela só teve uma gripe, mas doenças em Blue Voices não são lá muito recomendadas.

Fiquei descansada. Afinal ela estava bem. Decidi ir comprar alguma coisa para oferecer a Kiba e senti a falta da Ana já que ela para compras era fantástica. Fui ao shopping e percorri várias lojas. Decidi comprar um pequeno quadro. Chegada a casa, coloquei o quadro no canto do quarto e fui para o hospital.

Na manhã seguinte, tive uma grande surpresa.

— O Kiba já partiu Isabella. – disse a Rita.

Corri escadas acima e peguei na saca com o embrulho.

— Rita, sabes para onde ele foi?

— Ele disse que ia ao pontão da praia antes de se ir embora.

— Obrigada.

Cheguei em pouco tempo ao pontão. Kiba estava acompanhado de uma rapariga. Provavelmente aquela era a noiva dele. De certeza que também era boa pessoa. Estacionei um pouco atrás para não estar a fazer “espetáculo”.

— Desculpem estar a interromper, mas queria dar-te isto. – disse, um pouco ofegante de ter corrido até eles.

— Não precisavas Isabella. Obrigado.

— Não tens que agradecer. Afinal vais começar uma nova fase da tua vida. – disse sorrindo.

Olhei para a rapariga e esta não me parecia muito feliz.

— Então é esta Kiba?

“Esta?” – pensei.

O que é que se passava ali? Sem mais nem menos, deu-me um estalo.

— Ei, então? Eu fiz-te alguma coisa por acaso?

— Isto foi por roubares os homens das outras mulheres! – disse com raiva.

Meu Deus, a rapariga não estava bem.

— Yuki pára! Não tens razões para fazer isso! – ordenou-lhe Kiba.

— Ai não tenho? Então porque é que estás apaixonado por ela e mesmo assim vais casar comigo?

O meu corpo petrificou.

— Explica lá isso melhor… – pedi gaguejando.

A tal Yuki começou a explicar.

— O Kiba veio para aqui para te treinar, era só isso, mas com o tempo e estando afastado de mim, ele começou a apaixonar-se por ti. Para dizer a verdade, ele nunca me amou…

Eu estava estupefacta. Parecia um filme que eu tinha visto há uns anos. Não tinha feito qualquer reação, mas tinha de dizer alguma coisa.

— Então esta é a verdadeira razão da tua partida Kiba?

Nem teve coragem de me olhar na cara. Virou costas e respondeu:

— Sim, é. – disse quase num sussurro. – Eu não queria que soubesses, pois para além da tua vida estar uma confusão, como tu és muito impulsiva, ias causar confusão no meu clã.

“Mas o clã dele não era pacífico?” – questionei-me mentalmente.

— Se um lobisomem se apaixonar por um que não seja da sua espécie, ou o lobisomem se afasta ou a pessoa por quem ele está apaixonado tem de ser morta. – explicou Yuki.

A minha expressão mudou completamente. Aquele tipo de coisas era contra os meus ideais. Aquilo não podia estar a acontecer.

— Eu quero falar com o teu pai. – disse, num impulso.

Ele tinha razão, eu era impulsiva. Kiba, que até então tinha estado cabisbaixo, veio ter comigo num ápice e colocou as suas mãos nos meus ombros. Os seus olhos dele estavam marejados de lágrimas.

— Tu não podes fazer isso Isabella! Se pisares um pé no nosso território morres! E eu prefiro afastar-me e saber que vives saudável e feliz, do que viver com o peso na consciência de que morreste por pura estupidez minha.

— Um dia ainda vou falar com o senhor teu pai, vais ver! Agora vai, tens uma noiva para cuidar e em breve, um lar também.

Eu sabia que não era aquilo que ele queria ouvir. Ele queria que dissesse para ficar. Eu não podia fazer isso. Olhei para Yuki e vi a tristeza nos olhos dela, a mágoa, a dor. Eu também já tinha sentido aquilo. Kiba podia estar a sofrer, mas Yuki… Fui ter com ela e abracei-a. Sabia perfeitamente o que ela estava a sentir. Ela rodeou-me também com os seus braços e brotou as lágrimas que já há muito que ansiavam por o fazer. Segurei-a pelos ombros e disse-lhe:

— Eu sei perfeitamente o que estás a sentir, mas se achas que não vais ser feliz, renuncia, renuncia a este casamento e se fôr preciso, foge, eu irei ajudar-te.

A sua expressão facial mostrava admiração. Abraçamo-nos uma última vez e eles partiram. Não me despedi de Kiba. Aquele não era o momento certo para termos uma conversa racional. Voltei para casa. Daniela disse-me que Simão e Rita tinham ido para o hospital. Sentia-me cansada. Naquelas duas noites, pouco tinha dormido. Liguei uma vez para a minha mãe e pouco falamos. O meu assunto com Kiba estava inacabado. Se fosse necessário, iria modificar todos os ideais daquele clã. Difícil ia ser, mas não impossível.

Decidi ir visitar Petrus. Em meia hora cheguei ao hospital. Quando cheguei ao quarto, Petrus dormia sossegadamente. Não lhe podia contar o que tinha sucedido, ele no fundo tinha razão desde o início, é por este tipo de fenómenos que eu acho que os homens se conseguem “ler” perfeitamente. Sentei-me na grande poltrona. Refleti.

“Será que devo retomar a nossa relação?” – questionei-me.

Não, não podia. Tinha um objetivo traçado e não podia distrair-me com ele, embora o amasse…

Notas finais
Então, o que acharam? No próximo capítulo temos o final da conversa entre Petrus e Isabella... :3 Como será? Que surpresas lhes reservará o futuro? Deixem sugestões, tudo e mais alguma coisa nos reviews! Até ao próximo capítulo! ^^