Scars Of Life

4 QUATRO - Assassina.


De repente, um grito desafinado e com um toque de ira feminino quebrou aquele silêncio, os dois sobressaltaram e pararam ao mesmo tempo, olhando para os lados. Por um segundo Mellanie teve a sensação de que corria perigo, mas Ryan a abraçou, envolvendo os braços em sua cintura, ela abaixou seu rosto, fechando seus olhos, ele continuou olhando, procurando de onde havia vindo aquele grito, semicerrou os olhos e não encontrou nada vivo ali, exceto os pássaros negros que também se assustaram e levantaram voo.

"O que foi isso?" Mellanie manteve os olhos fechados, olhando para baixo.

"Será que tem mais alguém aqui?" ele franziu as sobrancelhas, soltando-a.

"Fique aqui... eu vou investigar." ele começou a caminhar, deixando-a para trás.

Ela, sem rumo, olhou para os lados, tudo o que enxergou foi o vazio, então correu para ele, apoiando-se em seus ombros.

"Seu idiota! E se for mesmo alguma coisa ruim? Vai me deixar aqui pra morrer?" ela disse, entredentes.

"Está com medo de morrer, é, Mellanie? Até um tempo atrás parecia exatamente o que você queria. Ou era só uma cena?" ele zombou dela, sem parar de caminhar. Mellanie se soltou dele, parando de caminhar, cruzou os braços e franziu as sobrancelhas, ele riu.

"Relaxa, estou brincando com você, na verdade eu quem fiz cena, aquela fala de "fique aqui que vou investigar" é tão filme de terror, e como nossas vidas se parecem com um... calma aí, eu não deixaria você morrer, por mais que você quisesse, vamos logo antes que aquela alma do inferno que gritou em algum lugar aqui nos devore" ele manteve uma expressão irônica.

"Não estou com medo, eu não tenho medo de mais nada... eu só quero te acompanhar, se ela te devorar eu te dou cobertura e..." antes que ela terminasse, ele a interrompeu.

"Confesse logo que você está com medo, Hale!" ele continuava a rir.

"Confesse você, não precisa enganar a si mesmo, eu não vou rir de você como você está..." ela levantou uma sobrancelha, mais uma vez ele a interrompeu, agarrando-a e colocando sua mão direita sobre a boca dela, silenciando-a

"Cale a boca, Mellanie, eu estou tentando ouvir de onde vem os barulhos." ele parou de caminhar, atento.

Agora eles escutavam um choro, muito baixo e difícil de se ouvir, ainda não conseguiam identificar muito bem de onde ele vinha, os dois franziram as sobrancelhas e se entreolharam, Mellanie apontou para a direita, Ryan balançou a cabeça negativamente e apontou para a esquerda, ela franziu as sobrancelhas e cruzou os braços, ele se afastou dela, deixando-a falar.

"O choro está vindo á direita, preste atenção." ela sussurrou para ele, descruzando seus braços.

"Não! Vamos então cada um para um lado, se encontrarmos alguma coisa nós gritamos." ele se virou para ela.

"Tudo bem." ela deu de ombros, seguindo para a direita.

Os dois seguiram caminhos opostos, atentos ao choro contínuo da garota, pelo jeito, o caminho de Mellanie era o certo, pois cada passo a mais que ela dava o choro se aumentava, Ryan parecia intrigado, pois o choro se distanciava, ele olhou para trás, correndo para a mesma direção, entrando em um corredor diferente do de Mellanie, ela ouvia o barulho se aproximar e começou a correr um pouco, conforme ela corria e produzia um estalo nas folhas secas espalhadas no chão o choro parou, agora só se ouvia uma respiração acelerada, assustada, diminuiu os passos, caminhou mais um pouco e encontrou a dona daquele misterioso choro e respiração, era realmente uma garota, parecia uma boneca de porcelana, trajava um vestido preto com algumas manchas na altura dos joelhos, lembrou bastante o traje do trabalho sobre os tempos de renascença italiana que Mellanie havia feito no colégio ano passado, com rendas e mangas longas vermelhas, haviam dois laços com as bordas da mesma cor no decote e na barra do vestido, também usava um colar de pérolas com mais manchas, pareciam sangue... com uma cruz de ansata grande e prateada, em seus pés haviam sapatilhas pretas. Seu rosto estava extremamente branco e não era de natureza como o de Mellanie, era isso também que a fazia parecer uma boneca, era óbvio que era proposital essa impressão, o contorno de seus olhos eram pretos e estavam escorridos por conta do choro, estava com um batom vermelho escuro que destacava seus lábios, o contorno também era preto, os cabelos pareciam de mentira, negros e longos com algumas mechas cinzentas, ela limpou as lágrimas imediatamente.

"Quem é você? O que faz aqui? Como me encontrou aqui?" ela abaixou seu rosto.

"Desculpe, o seu grito me assustou, então vim procurar o que era, se você quiser posso me retirar." Mellanie franziu as sobrancelhas, olhando-a, colocou as mãos na cintura.No mesmo momento, ouviram passos novamente, Mellanie deduziu que fosse Ryan e acertou, ele chegou, ofegante, atirando-se de joelhos no chão, olhando para as duas, a garota ajoelhada sobre o túmulo o olhou, confusa.

"Você venceu!" ele exclamou, ainda ofegava.

Mellanie parou de olhá-lo e se virou para a desconhecida novamente, abaixando-se e a olhando.

"Qual é o seu nome?" disse, semicerrando os olhos.

"Scarlet..." a outra garota respondeu, parecendo um pouco assustada, suas mãos se fecharam.

"Você..." antes que Mellanie pudesse lançar outra pergunta, Scarlet disparou.

"Desculpe se assustei vocês! Por favor, não contem para eles que eu estou aqui, não contem... não..." ela fechou os olhos, abaixando a cabeça.

Ryan e Mellanie trocaram um olhar preocupado.

"Hã... eu sou Ryan." ele olhou para Scarlet, estendendo a mão á ela, como um gesto de cumprimento.Scarlet tornou a abrir os olhos, olhando-o, estendeu sua mão esquerda com as longas unhas pintadas de preto, apertando a mão dele.

"Desculpe por causar essa confusão, vou ser mais clara..." ela levantou mais seus grandes olhos negros para os dois estranhos á sua frente. "Eu sou Scarlet Streisand, sei que não deveria estar exibindo minha vida pessoal para estranhos como vocês, mas pessoas estão atrás de mim, inclusive minha família, eles querem me ver morta, pois houve uma confusão muito grande... então... por favor, se alguém entrar aqui e perguntar por mim, digam que não me viram aqui."

"Esta mulher é uma criminosa, vamos sumir daqui." Ryan puxou Mellanie para cima, sussurrando em seu ouvido.

"Cala a boca! Ela parece ser muito nova pra isso." sussurrou de volta, começando a falar alto novamente. "Hã... quantos anos você tem se me permite perguntar? É só uma curiosidade."

"Quinze, completei na semana passada." ela virou seu rosto para o lado.

"Essa sim é uma garotinha virgem." Ryan sussurrou novamente para Mellanie, que lhe deu um tapa no braço.

"Idiota." murmurou e voltou a olhar para Scarlet

"Acalme-se, vamos nos sentar e explique direito o que houve, não vamos contar á ninguém." Mellanie estendeu as mãos para ela se levantar.

"É, vamos manter em segredo, temos histórias para te contar também, talvez você se enterta um pouco e pare de perturbar os mortos com esses gritos." Ryan franziu as sobrancelhas.

A garota fez um beicinho e franziu as sobrancelhas como se fosse começar a chorar, mas depois teve uma mudança repentina de expressão, começando a sorrir.

"Tudo bem." ela sorria docemente, quem a visse não dizia que estava chorando há minutos atrás.

"E se for uma armação? Essa garota é muito estranha!" sussurrou Ryan novamente no ouvido de Mellanie.

"Psiu!" gritou Mellanie, fuzilando-o com o olhar, sentou-se ao lado de Scarlet. "Bem, Scarlet... meu nome é Mellanie, estou aqui, por que eu perdi minha mãe hoje e não quero passar a noite com minha tia."

"Nossa... você parece ser tão madura... e fazer isso." Scarlet colocou a mão levemente sobre seus lábios, olhando-a.

Ryan riu.

"Obrigada." ela disse, entredentes. "Mas..." Scarlet a interrompeu.

"Ah, não precisa contar sobre vocês, eu já me sinto segura com vocês. Tudo o que aconteceu foi que eu matei uma pessoa que merecia ser morta, nada mais... e agora todos estão me culpando, mas não sabiam o que essa pessoa fazia comigo, acho que isso não é bem um crime" ela parou de sorrir, abaixando a cabeça e franzindo as sobrancelhas.

"VOCÊ O QUE?" Ryan e Mellanie gritaram em uníssono.

"Essa pessoa era meu tio, ele era um pedófilo pervertido... mal sabia minha tia, eu precisava ter feito algo." ela levantou novamente seu rosto para os dois.

"Explique... isso direito" disse Mellanie, um pouco atrapalhada.

"Meus pais sempre trabalharam muito e não tinham tempo para mim, por isso na maioria das vezes eu ficava na maioria das vezes com meu tio Brent que estava desempregado, ele não era tão velho, devia ter uns trinta anos no máximo, eles confiaram nele, isso que me dá mais ódio, ele traiu a confiança de todos!" ela cerrou os punhos. "De início, ele foi um ótimo tio, eu nem sentia falta dos meus pais, mas assim que completei quatorze anos ele começou a agir diferente, ele me olhava de um modo estranho e eu muitas vezes me sentia constrangida, foi aí que um dia aconteceu, eu lhe desejei boa noite e me deitei, mas no meio da noite ele apareceu em meu quarto..." ela bufou."

"Scarlet..." ele dizia, se aproximando de mim com aquele olhar, eu estava deitada de bruços com uma camiseta grande e um shorts curto, mas nada tão exagerado, estava descoberta, como sempre dormia, ao ouví-lo me chamar abri os olhos e o olhei, me virando de frente.

"Tio Brent? O que faz aqui á esse horário? Amanhã de manhã não íamos fazer um passeio divertido?" esfreguei os meus olhos, tentando enxergá-lo melhor, sem sucesso, a luz ainda estava apagada, ele se sentou em minha cama, mesmo no escuro, eu podia notar que seus olhos percorriam todo meu corpo.

"Divertido... por que não nos divertimos aqui, agora, Scarlet?" ele deslizou a mão em meu abdômem, até minhas coxas, eu franzi as sobrancelhas, olhando-o, um pouco assustada, isso nunca havia acontecido antes.

"T-tio Brent... eu... você está me assustando." encolhi minhas pernas, gaguejando.

"Scarlet..." ele sussurrava, colocando seu dedo indicador sobre meus lábios, em seguida aproximando o rosto do meu, e me beijando, eu virei o rosto.

"Pare! Por que está fazendo isso?" fiz um olhar preocupado, mantendo meu rosto virado para o lado.

"Você não quer que eu te machuque, quer?" desta vez, ele se inclinou totalmente para cima de mim, deixando minha cintura entre suas pernas, avançou novamente, encostando os lábios em meu pescoço e apertando meus seios.

"Para, por favor! Eu não quero isso, eu não posso, eu não sei, não sou experiente... e você é meu tio, não precisa fazer isso. Por favor, me deixe sair." fechei meus olhos com força, movendo minhas mãos até as dele para removê-las dali, foi aí que ele me deu um tapa no rosto.

"Estou mandando você ficar quietinha, ou seu titio vai ficar muito ofendido" ele empurrou minhas mãos para baixo novamente, inserindo as mãos agora por baixo de minha camiseta, fechei os olhos com força, eu não sabia se fugia, se batia nele, ou se prosseguia, eu sei, eu não devia prosseguir.

Eu tentei de tudo, o meu desespero era maior do que tudo naquele momento, eu o mordi, empurrei-o, chutei, dei tapas, cuspi em seu rosto, mas nada funcionava, ele não saia de cima de mim, chegou um momento em que eu comecei a chorar ao sentí-lo, minhas mãos apertavam o travesseiro, lágrimas escorriam continuamente de meus olhos, ele parecia realmente gostar do meu sofrimento, pois quanto mais eu chorava e implorava para ele me largar, ele se tornava mais intenso.

A partir desse dia eu não tive mais paz, quando me encontrava com meus pais não conseguia contar para eles pois sabia que eles contariam a polícia e prenderiam meu tio, e ele havia me advertido, se eu contasse o que havia ocorrido naquela noite á alguém ele me mataria, eu não queria morrer, por isso permaneci minha boca fechada, portanto, meu comportamento com ele nunca mais foi o mesmo, eu achei que seria só aquela noite, mas isso começou a virar um passatempo da madrugada para ele, haviam noites em que ele chegava a me acorrentar na cama e deu um fim na chave da porta do meu quarto, eu não conseguia impedí-lo, esse inferno durou um ano, até hoje, eu fui a festa á fantasia de minha amiga, como vocês podem notar, eu não costumo andar nesses trajes... quando cheguei em casa, o silêncio a consumia.

"Tio Brent?" chamei, olhando para os lados, estranhando por ele nao estar na sala, enquanto depositava minha bolsa no sofá, resolvi ir até o quarto dele e lá estava ele, dormindo, roncava um pouco, eu estaria livre nesta única noite, e eu tinha uma oportunidade de estar livre para sempre, fiquei parada como uma assombração na porta do quarto dele, naquele momento mil pensamentos tomavam conta de minha mente, foi aí que eu me foquei em apenas um deles, sabia certamente o que estava fazendo, fui até a cozinha, lá tirei da gaveta de talheres a maior e mais afiada faca que encontrei, olhei-a por alguns segundos, depois voltei ao quarto novamente, cuidando para não fazer nenhum movimento brusco, parei diante da cama dele, ele dormia de frente e isso facilitaria, abaixei um pouco o cobertor deixando seu peito á mostra, ele estava sem camiseta.

Segurei a faca com as duas mãos, entrelaçando meus dedos, levantei-a e fechei os olhos, impulsionando-a para baixo novamente com toda minha força, virei meu rosto e ainda assim senti um pouco do sangue espirrar em mim, eu pude ouvir o barulho do objeto rasgando a pele e o coração dele, ele ainda conseguiu acordar e me olhar, segurei a faca em seu peito, pressionando-a um pouco mais para baixo, ele levantou um pouco sua cabeça, eu o olhei."Scarlet... o que... você..." ele tentou dizer, com a voz muito fraca, mas não conseguiu terminar a frase, deitando novamente sua cabeça e fechando os olhos. Sangue. O sangue dele tomava conta de toda a cena, seu coração frio mutilado á minha frente que liberava uma quantidade imensa de sangue, manchando todo o lençol branco, puxei a faca para cima, removendo-a.

"Queime no inferno agora... titio." eu disse, com ironia, sorri, satisfeita.

"Scarlet! Brent! Aonde vocês estão?" era a voz de minha mãe, eu conseguia ouvir os passos dela, havia me esquecido de que já deveriam ser umas dez horas de um Sábado, dia em que minha mãe recebia folga e vinha me buscar.

Não havia como eu me esconder, e antes que eu pudesse pensar em fazer algo, ela entrou no quarto, estava tudo bem até ela acender a luz.

"O QUE... ESTÁ ACONTECENDO AQUI? SCARLET? VOCÊ..." ela gritou, não continuando a frase, começou a chorar, correndo para perto de mim e me empurrando contra a parede.

"Fui eu quem fiz isso." sorri, vitoriosa, mesmo sabendo que podia ser claramente notado.Minha mãe me olhou, apavorada, mantive o sorriso.

"Scarlet, por que você..." ela abaixou o tom da voz.

"Seu irmãozinho tão querido que você confia tanto, abusou de sua filha menor de idade durante um ano, além de ameaçá-la... eu tive que por um fim nisso, não está feliz por mim, mamãe?" voltei a ficar séria.

"Ah, meu Deus, o que foi que eu fiz de errado, minha filha se tornou uma assassina!" ela exclamou, empurrando-me contra a parede com força, sentei-me no chão, ela caminhava de um lado para o outro, sem rumo.

"Devia estar orgulhosa de mim, você costumava dizer que mataria qualquer pessoa para me proteger, eu poupei o seu trabalho." mantive minha expressão séria, olhando-a.

Ela se aproximou de mim e me surpreendi com seu ato, ela me deu um tapa no rosto.

"CALE ESTA BOCA! Não estou orgulhosa de você, muito pelo contrário, eu tenho vergonha de você, não consigo nem chamá-la mais de minha filha, eu devia ter seguido o conselho de seu pai e te colocado num reformatório" o modo que ela me olhava, me fez abaixar a cabeça e chorar, apenas.

"Não precisa falar assim comigo, eu só estava tentando me livrar de uma tortura, mas agora eu vou desaparecer e não terá que se preocupar comigo." fechei os olhos.

Ela se afastou, ouvi a porta bater, ela na verdade não estava indo embora, estava ligando para a polícia, demorei um pouco sentada ali até que meu pai chegasse e gritasse comigo dizendo que eu deveria morrer, cansada de tanta humilhação fugi enquanto eles estava desligados limpando a cena do assassinato, eu não tinha para onde ir, o resto de meus tios e meus avós moram em outra cidade, então eu corri aqui, no cemitério, eu tenho medo de fantasmas e sei que aqui é repleto deles, mas entre ser humilhada por meus próprios pais e assombrada... eu prefiro a segunda opção."

"O QUE VOCÊ TEM NA CABEÇA?" Ryan e Mellanie perguntaram em uníssono mais uma vez, incrédulos.

"Dá pra parar de falar os dois juntos? Parece que foi ensaiado." ela riu baixinho e abaixou a cabeça.

"Mas por que você matou o seu tio? Podia claramente entregá-lo para a polícia, como ele ia te matar estando preso? Agora a situação se agravou." Ryan levantou as sobrancelhas, suspirando."Ele merecia ser morto, está dizendo isso por que não era com você, acredite, não gostaria de estar em meu lugar, foi horrível." ela colocou a mão levemente sobre seus lábios, levantando o olhar para ele novamente, abaixou sua mão. "E eu não vou ser presa... sou menor de idade."

"Não, não vai mesmo, você vai é pro juizado de menores." disse Ryan.

"Ah... eu não sei o que fazer, me ajudem!" ela pulou para cima de Ryan, abraçando-o, ele franziu as sobrancelhas e olhou para Mellanie.

"Eu devo ter algum atrativo que fazem as pessoas me abraçarem..." ele bufou.

"Desculpe," Scarlet se afastou. "foi instinto."

"Agora não me pergunto mais o motivo do tio ter estuprado ela, ela com certeza deveria provocá-lo." Ryan olhou para Mellanie, rindo.

"Ahhh... então você me acha... atraente, Ryan?" Scarlet sorriu de leve, olhando-o, um pouco corada.

"Está vendo! Ah, eu vou embora." ele virou as costas.

"Fica aí." Mellanie disse com um tom de ordem, segurando seu braço. "Scarlet, eu disse que podia ajudar e eu vou ajudar, você tem amigos?" perguntou ela, olhando-a.

"É claro que eu tenho, muitos amigos, eu sou a mais popular do meu colégio, tá bom?" ela franziu as sobrancelhas, parecendo um pouco ofendida com a pergunta.

Mellanie mordeu seu lábio inferior, um pouco constrangida, afinal só havia tido um único amigo em toda a sua vida.

"Hã... desculpe..." ela abaixou a cabeça, fechando os olhos.

"Oh... eu disse alguma coisa que não devia?" Scarlet levantou as sobrancelhas, olhando-a.

A pergunta de Scarlet não foi respondida, Ryan olhou para Mellanie, preocupado, entendia o por que dela ter se deprimido, ela havia se lembrado de Nate mais uma vez, ele se aproximou dela.

"Eu sou seu amigo, Mellanie." ele sussurrou em seu ouvido, ela abriu seus olhos e o olhou, ele sorriu.

"Bom, Scarlet... terminando... eu sugiro que você escolha uma amiga sua e converse com ela, não sei, peça para passar uns dias com ela até isso se resolver e você conseguir fugir para a cidade do resto de seus familiares." Mellanie continuou, olhando-a.

"É uma boa sugestão." a garota fez uma expressão pensativa.

"É..." ela sorriu de leve, depois virou as costas, afastando-se, Ryan a seguiu.

"Vocês vão me deixar aqui sozinha?" Scarlet colocou as mãos na cintura.

"Não me sinto bem, eu vou voltar para o túmulo de minha mãe, aliás, eu nem sei por que eu saí de lá... a gente se vê, Scarlet... foi um prazer conhecê-la e ouvir um pouco de sua história." ela parou enquanto falava, sem se virar para Scarlet novamente.

"Tudo bem... tchau." Scarlet manteve uma expressão confusa.

Ryan e Mellanie continuaram caminhando, distanciando-se de Scarlet que os olhava sem mudar a expressão em seu rosto, as últimas estrelas que haviam restado no céu haviam desaparecido, ás vezes uns relâmpagos iluminavam o céu e as nuvens cinzentas, as árvores secas dançavam com o vento. Mellanie cruzou os braços, havia começado a ventar mais e ela sentia frio com apenas aquela blusa preta de um tecido fino, embora tentasse esconder isso, Ryan notou e tirou seu sobretudo, entregando á ela, ela parou, olhando-o, balançou a cabeça negativamente, olhando para baixo em seguida e voltando a caminhar, ele insistiu, avançando alguns passos numa velocidade maior e colocando o sobretudo sobre os ombros dela, sem parar de caminhar os dois se olharam, Ryan sorriu, os lábios de Mellanie se contorceram para sorrir, mas ela não conseguiu, voltou a olhar para a frente.

"Por que está agindo desse jeito comigo? Só por que se tocou que eu pareço a Lucy? Eu não preciso disso, Ryan, desculpe, aprendi a me virar sozinha." ela levantou os braços, tirando o sobretudo sobre seus ombros e devolvendo á ele.

"É, eu gosto do seu jeito, não tenho culpa." ele não insistiu em tentar protegê-la do frio.

"Ryan... me escute," ela parou, segurando o rosto dele com as duas mãos, forçando-o á olhá-la. "eu não sou ela, nunca vou ser, então pare de me tratar como sua namorada, deixe-me livre!" ela franziu as sobrancelhas.

"Agora eu entendo o motivo de você não ter amigos... Mellanie... de onde você tirou isso? Eu não disse que sou seu amigo?" ele a olhou, sem tentar se livrar das mãos dela.

"Sim, disse, mas acontece que você já me beijou e eu não quero que isso aconteça de..." antes que ela pudesse terminar de falar, ele a abraçou, ela ficou imóvel, abaixando suas mãos e fazendo uma expressão de boba. "... novo." continuou, mais baixo, depois retribuiu o abraço.

"Eu não costumo dizer as coisas em vão, se digo que é minha amiga, significa que é mesmo, acredite em mim." ele sussurrou no ouvido dela, beijando sua bochecha em seguida e se afastando, já haviam chegado ao lugar em que estavam antes, Ryan sentou-se no mesmo túmulo, ao lado do da mãe de Mellanie, ela se virou, olhando para ele, que suspirou e olhou para o céu, Mellanie deu passos lentos até ele e sentou-se ao seu lado, em seguida deitando a cabeça em seu colo, ele abaixou o olhar para ela, acariciando seu rosto, ela olhou para frente, estava muda. Embora quisesse cortar aquele silêncio, não tinha palavras para o fazer, ela sentia que ele estava sendo verdadeiro com ela, algo lhe dizia isso, ela fechou os olhos e encolheu as pernas, mesmo com aquela tristeza que ainda a consumia, os seus pensamentos eram positivos agora e ela conseguiu, mais uma vez, ser tomada pelo seu sono abundante. Tudo havia se resolvido, Ryan e Mellanie pararam com as discussões...e naquele momento, Scarlet, a assassina de quinze invernos de sobrevivência corria com um turbilhão de pensamentos até a casa de uma de suas melhores amigas.