Scars
1 Prólogo
As lágrimas escorriam de seus olhos castanhos, enquanto a dor que ela lutava tanto para esconder, aparecia. Não conseguia acreditar que isso pudesse ter acontecido. Por que deixou que isso acontecesse? Por quê?
A morena suspirou pesadamente, e fitou a chuva que escorria da janela. Seus pais estavam no andar debaixo, e ela sabia que eles discutiam como a consolariam, como tirariam aquela dor, como a ajudariam a superar. Mas era impossível. Essa dor nunca seria esquecida. Era completa e extremamente impossível.
Isabella olhou o quarto ao seu redor, pensando em como tudo seria dali para frente. Ela sabia que não poderia ficar naquele casulo que criara para sempre. Bella tornou a suspirar e se levantou, para que pudesse terminar de arrumar suas malas.
Era hora de sair dali.
Um lugar que outrora trazia tanta felicidade, agora só trazia dor.
— Bella, querida, eu posso entrar? – indagou sua mãe, batendo delicadamente à porta.
— Claro, mãe – murmurou.
Renée Swan adentrou o quarto, enquanto seus olhos azuis percorriam o rosto de sua única filha. Não conseguia entender o que ela estava sentindo, mas imaginava.
— Quer ajuda com as malas? – perguntou, aproximando-se e sorrindo docemente.
Bella assentiu, sem sorrir nem nada. Ainda não tinha capacidade para sorrir, nem mesmo que fosse um sorriso forçado.
Juntas, ambas pegaram, dobraram e guardaram as coisas de Bella. Ela partiria amanhã.
(...)
O caminho para Port Angeles foi longo e silencioso. Charlie dirigia, alternando olhares para Renée – que apertava as mãos, em sinal de puro nervosismo – e Bella – que suspirava a todo o momento.
Ele se sentia inútil. Queria poder dizer algo à filha, animá-la, mas não conseguia. Tudo o que fazia era olhá-la.
A despedida foi igualmente silenciosa. Charlie abraçou a filha e a olhou, tentando transmitir pelo olhar como ele realmente sentia muito. Bella suspirou e beijou a bochecha do pai, partindo para o abraço da mãe.
Renée abraçou a filha, tentando conter as lágrimas. Bella precisava de alguém que estivesse forte, naquele momento tão difícil.
Isabella Swan acenou mais uma vez para os pais e seguiu para o avião. Ela esperava que nunca mais precisasse voltar ali algum dia. Fechou os olhos e encostou-se na poltrona. Era hora de começar uma nova vida.
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