Scars

14 Epílogo


O relógio soou alto, fazendo com que a morena resmungasse e virasse de bruços, enterrando o rosto no travesseiro. Sabia que tinha que acordar, mas ela podia enrolar por mais dez minutinhos...

Seu marido, Edward, sorriu ao entrar no quarto e encontrar a esposa do jeito que ele imaginara que ela estava. Eles haviam se casado seis meses depois do nascimento de Anne, em uma cerimônia simples, porém maravilhosa. Edward já se encontrava pronto para sair; vestia jeans e uma blusa azul escura. Havia acabado de sair do quarto da filha – agora com quatro anos – e a arrumara. Então, sabendo que Bella enrolaria, resolveu vir acordá-la.

- Bom dia, amor – murmurou, sentando-se na beirada da cama e beijando sua testa.

- Hmm... – Ela sorriu, ainda com os olhos fechados. Era incrível como somente a voz dele era capaz de fazê-la sorrir.

- Você tem que levantar, meu bem. – Edward aproximou-se, beijando os ombros da esposa levemente e depois se afastou, sorrindo.

- Uhum... – murmurou, ainda preguiçosa.

- Então, vamos – disse suavemente. – Vá se levantando e se arrumando, enquanto eu preparo seu café.

- Tá bom – bocejou, fazendo Edward rir. Ele se levantou e se dirigiu até o quarto da filha novamente, pegando-a no colo e levando-a até a cozinha da casa.

Quatro anos haviam se passado desde o nascimento de Anne. Bella agora estava grávida de gêmeos – dois meninos – e estava com quatro meses de gravidez.

Ela continuava freqüentando um psicólogo; não com a mesma frequência, apenas uma vez por mês. Ela se sentia bem, as lembranças do passado não a atormentavam mais, mas, mesmo assim, ela tinha medo de parar de ir e voltar a ser o que era antes.

Bella levantou com cuidado, fazendo uma careta ao se sentir ainda cansada. Ela sabia que seria assim – ainda mais esperando gêmeos – e não reclamava. Ela simplesmente estava louca para conhecer seus dois meninos. Seguiu para o banheiro, onde tomou um banho rápido – o mais rápido que uma gravidez de gêmeos já com quatro meses podia permitir – e vestiu-se rapidamente também.

Depois de pronta, seguiu até o quarto de Anne, mas ela não estava lá. Sorriu. Edward era um ótimo marido, com certeza já estava alimentando a filha.

Então, seguiu para a cozinha da casa, encontrando o marido colocando alguma coisa na boca da filha.

- Bom dia – disse, sorrindo. Ela deu um selinho em Edward e um beijo na testa de Anne, que sorriu para a mãe.

- Bom dia, mama – Anne sorriu, tomando um pouco de suco.

- Você está linda – Edward murmurou, quando ambos estavam sentados, pegando algo para o café. Foi impossível não sorrir quando ele viu Bella corar. Cinco anos juntos e ela ainda corava.

- E enorme – riu.

Edward revirou os olhos, mas nada disse. Quando todos terminaram o café, ele ajeitou a cozinha – era um domingo, então a empregada não viria. Bella permaneceu na sala com Anne, esperando por Edward. Quando tudo estava pronto, eles seguiram para a casa dos Cullen.

Bella resolvera fazer seu chá de bebê hoje, já que ela já sabia os sexos e já que os bebês podiam nascer a partir do sétimo mês. Ela queria deixar tudo pronto.

Assim que se aproximaram da casa, eles viram Alex brincando com Carlisle. Alex já estava com cinco anos, a cada dia mais parecido com Emmett, enquanto a irmã – Olívia, de dois anos – era a cópia de Rosalie. Desceram do carro, e assim que Edward retirou Anne da cadeirinha, ela foi até o avô, que a pegou no colo. Bella sorriu.

- Ei, Bella! – Alice veio em sua direção, sorrindo imensamente. – Como vão meus sobrinhos?

- Pesados – riu. – Cadê a Claire?

- Com a mamãe – sorriu. Claire tinha três anos e era a única filha de Jazz e Alice. Eles não planejavam ter mais filhos.

As duas entraram na casa, enquanto Edward seguiu para o jardim, ficando com Carlisle, Emmett e Charlie. Rosalie, Claire, Olívia e Esme estavam na sala, as duas mais velhas sentadas no tapete, brincando com as meninas.

- Cadê a mamãe? – Bella perguntou, depois de ter cumprimentando todo mundo.

- Ah, ela foi a cozinha, verificar o almoço. – Esme revirou os olhos. – Eu disse que não precisava, mas ela insistiu, então...

Os pais de Rosalie e Jasper também estavam ali. Eles não ficaram muito, saíram assim que o almoço terminou, porque tinham uma viagem para fazer naquele mesmo dia.

Os convidados chegaram. Bella e Edward não convidaram muita gente; pessoas do trabalho e alguns amigos, apenas. Já era noite, e bem tarde, quando eles se despediram de todos e foram para casa.

Edward não pôde evitar sorrir quando viu Anne adormecida no banco detrás, assim como Bella estava com os olhos quase fechando, as mãos passeando livremente pela barriga.

Ele as amava tanto! Eram as mulheres de sua vida. E ele também não via a hora de ter seus dois garotinhos por perto. Queria muito conhecê-los. Queria muito vê-los.

Como eles seriam? Idênticos, era óbvio, já que eram univitelinos, mas seriam parecidos com ele ou com Bella? Uma mistura dos dois, talvez?

Sorrindo, estacionou o carro e o desligou. Bella dormira, Anne também.

Era a hora de colocar as duas na cama.

Pegou Anne primeiro, levando-a até o quarto e tirando sua roupa. Colocou seu pijama de frio e a cobriu.

- Boa noite, princesa – murmurou, beijando sua testa.

Quando voltou, encontrou Bella bocejando, já descendo do carro, e sorriu.

- Eu já estava vindo te buscar – disse. – Eu só fui colocar a Anne na cama.

- Eu imaginei – bocejou. – Nossa, eu não vejo a hora de me jogar na cama.

- Vem, meu bem – riu. – Vou te levar para cama.

Bella acabou optando por um banho, que ela e Edward tomaram juntos. Quando saíram, foram direto para a cama, onde deitaram e dormiram instantaneamente.

(...)

Os dias se seguiram normalmente. Bella ainda estava trabalhando – apesar dos protestos de Edward – e Anne já estava na escola, então todos acordavam cedo em dias de semana. Edward deixava a filha na escola e Bella no trabalho, e depois de dar milhares de recomendações, ele seguia para o hospital.

Na hora do almoço, seguiu para a galeria, mas Bella não estava lá. Alice sorriu quando o viu.

- Nem vem – riu. – A Bella foi só a padaria, porque nós estamos cheias de trabalho hoje.

- Ela deveria comer coisas saudáveis – revirou os olhos.

Decidiu, por fim, esperar pela esposa. Anne só era liberada da escola às três da tarde e era Esme quem a buscava – às vezes Renée –, aproveitando para pegar o filho de Emm e Rose também. Quando Bella chegou, não ficou surpresa ao ver o marido ali, embora não tenha dado-lhe muita atenção.

Ela e Alice tinham realmente muito trabalho a fazer.

Depois, Edward voltou para o hospital, de onde só sairia às sete da noite. Bella saía da galeria às seis e, junto de Alice, ia para a casa dos Cullen, onde ficava esperando pelo marido. Ela não fazia isso geralmente, mas como estava grávida e não a deixavam dirigir... Ela simplesmente não tinha escolha, embora soubesse que era para o seu bem e para os bebês.

Na quarta feira, Edward e ela saíram mais cedo do serviço, já que Bella tinha uma consulta médica. Eles se emocionaram, como sempre acontecia, e foram embora para casa completamente satisfeitos.

Os dias se seguiam rapidamente e, na semana seguinte, completando cinco meses de gestação, Bella tinha uma consulta com a psicóloga.

Ela levantou cedo – era o dia de sua folga – e arrumou Anne, para que ela pudesse ir para a escola com o pai. Despediu-se de Edward com um caloroso beijo, e foi se arrumar.

Depois de pronta – e de ter tomado café da manhã – andou calmamente pelas ruas de Forks, lembrando-se de muita coisa que acontecera em sua vida. Passou pela padaria onde havia ocorrido o encontro com Jacob há mais de quatro anos. Ela não o vira muito – Jacob havia parado de enchê-la quando se apaixonou por uma garota de La Push, Leah – e se sentia feliz por isso. Tudo o que queria era poder continuar com sua vida, com Edward, seus pais, sogros, cunhados e sobrinhos.

Não tinha notícias de Elle, também. Não sabia se o marido dela estava vivo, não sabia onde ela morava ou como ela estava.

Só esperava que ela pudesse estar feliz – como Bella estava.

No consultório de sua psicóloga, ela não teve que esperar muito. Contou como havia sido sua semana, como se sentira, e como hoje tinha pensando em algumas coisas. A psicóloga ouviu tudo atentamente, e, quando Bella terminou de falar, ela sorriu.

- Bella, você está dispensada – disse.

- Como? – murmurou Bella, confusa.

- Dispensada – riu. – Sabe, você ficou aqui muito tempo, e eu esperava o dia que você fosse me dizer isso que me disse hoje. Você acabou de me dizer que lembrou-se de algumas coisas e isso nem te afetou.

- É verdade – sussurrou.

- Na verdade, desde o dia que você veio aqui pela primeira vez – continuou – que eu já te imagino completamente curada. Lógico que às vezes você vai se sentir um pouco triste, isso faz parte da vida, mas você tem um marido ótimo, querida, uma filha, e logo vai ser mãe de gêmeos. Você cresceu, Bella, superou, e seguiu em frente.

“Tudo o que eu desejo agora é que você seja feliz, como você vem sendo. Quando eu tive aquela conversa com o Edward, seu marido, no começo, quando te pedi para conversar com ele, eu soube imediatamente que vocês foram feitos um para o outro. Ele te ama, você o ama. É notável o brilho de vocês dois, mesmo a distância.”

- Então...

- Então, agora, vá viver sua vida – riu. – Suas feridas estão cicatrizadas, em cicatrizes impossíveis de serem rompidas novamente. Só seja feliz, Bella, você merece.

Quando saiu do consultório, Bella sorriu.

Ela se sentia extremamente bem, e, se lembrando de Jason, Elle, o bebê que perdera, tudo o que acontecera em sua vida, ela só sentia que havia aprendido seja lá qual lição que ela tinha que aprender.

A vida não é fácil, sofreremos muitas vezes, nos sentiremos perdidos e sem rumo, de uma maneira que tudo o que vamos querer é tirar aquela dor.

Buscaremos meios de lidar com ela – através de bebidas, drogas, cortes –, mas nada será nunca suficiente, porque fugir não é o certo.

Só quando se enfrente, se encara e se decide seguir em frente, é que tudo écapaz de dar certo.

E ao perceber isso, compreender o que a psicóloga havia dito, Bella somente sorriu e pegou seu celular.

- Oi, amor, está tudo bem? – Edward perguntou, assim que atendeu ao celular.

- Sim – riu. – Eu só acabei de sair do consultório. A minha psicóloga me dispensou, ela disse que eu estou completamente curada.

- Isso é ótimo, princesa. – Ela sabia que ele estava sorrindo. – Vá para a casa de seus pais, ok? Eu passo lá para te buscar assim que sair daqui. Consegui a tarde livre, poderemos almoçar juntos.

- Hmmm... Ok – sorriu.

Quando desligou, ao invés de ir para casa, Bella foi até o hospital, e ficou esperando por Edward encostada em seu Volvo. Quando o marido apareceu, ele sorriu.

- Eu vim fazer uma surpresa – disse, abraçando-o.

- Que surpresa boa – sorriu.

- Eu te amo – murmurou. – Muito.

- Eu também, princesa – riu. – Eu também te amo muito.

Eles trocaram um beijo rápido, mas cheio de significados. Edward abriu a porta do carro para Bella, e, juntos, eles seguiram para casa.

Mais tarde, quando Edward voltou da rua, trazendo uma Anne animada, eles se deitaram na grande cama de casal que havia no quarto, e colocaram um filme para passar na televisão.

Bella sorriu, ao se ver deitada com a cabeça escorada no peitoral de Edward, enquanto Anne estava do outro lado dele, os olhos verdes brilhando em direção a televisão. Beijou os lábios do marido rapidamente e sorriu.

As cicatrizes sempre estariam lá, mas, agora, elas não provocariam mais dor.

Ao vê-las, ao senti-las, Bella se lembraria de Edward. Porque, graças a ele, ela tinha superado. Agora, ao pensar em tudo o que acontecera, ela só se sentiria feliz, porque ela tinha Edward, ela teria seus gêmeos e ela tinha sua Anne.

E ela nunca esteve tão feliz.

Notas finais
n/a: Não consigo acreditar, fato. A Scars... Finalizada :/. Mas, enfim... Tinha que acontecer, não é? Eu realmente, amores, não tenho muito a dizer. Acho que o que a Bella pensou nessas duas últimas páginas se resume a tudo. Todos terão problemas, todos, um dia, acharão que é o fim do mundo. Fugir e se esconder não vai adiantar, então temos que enfrentar nossos medos de frente :}. Eu espero que vocês tenham gostado dessa história tanto quanto eu. A Scars vai estar sempre guardadinha em meu coração. Ela é muito especial para mim. Obrigada a todos vocês, leitores, que acompanharam, recomendaram, surtaram e tudo o mais. Obrigada a todos os usuários notificados. E obrigada a beta, Friida Cullen, por todo o apoio. Obrigada por tudo, amores. Eu vejo vocês na Innocence e na Laços Sanguíneos – uma short nova que eupostei essa semana. Beijos, beijos. Deh C. / Frii n/b: *senta e chora* É quase inacreditável que a Scars acabou. Mas nada dura para sempre, né? Vou sentir muita falta disso aqui, dessa correria de beta e tudo mais, sentir falta de surtar a cada recomendação nova e a cada review. Vocês sabem que é graças a vocês que a fanfic anda! Como a Deh disse, a Bella passou por muita coisa, mas isso não impediu de viver. Não a impediu de ser feliz. Por isso eu digo a vocês: não pense que um simples acontecimento na vida de vocês, será o fim do mundo. Por mais que pense ao contrário, sempre terá uma saída. Seja ela fácil ou não de lidar. Mas o importante, amores, é que ela sempre vai estar lá, apenas esperando para que vocês a achem e possam ser feliz novamente! É com grande orgulho que me despeço dessa fanfic maravilhosa! Mil beijos :* Friida Cullen
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!