Scars
13 Capítulo 12 - The Cure
Bella POV.
- Elle... – murmurei. – Por favor, vá embora.
- Eu não vim te fazer mal, Bella – disse-me. – Sério. Eu só quero conversar com você. Prometo não gritar nem me exceder. Apenas quero conversar.
- Tudo bem... – respirei fundo. Dei passagem para ela entrar e acariciei minha barriga. Tudo vai ficar bem. Sim. – Sente-se.
Ela se sentou e me encarou. Depois olhou para minha barriga e esboçou um sorriso.
- Eu sinto muito pelo o que aconteceu naquela noite – disse, surpreendendo-me. – Eu não sabia que você estava grávida, nem mesmo que tinha alguém... Eu só cheguei aqui e perguntei onde Isabella Swan morava, e eles me disseram. Hoje foi assim também. Todo mundo conhece todo mundo em Forks.
- Eu não estou entendo... – murmurei, sem olhá-la. Era difícil admiti-la ali, na minha casa e na de Edward, sabendo de tudo o que ela fez. Ela, minha melhor amiga, quem deveria ter me apoiado.
- Eu vou te explicar tudo, Bella – disse. – Tudo. Peço que escute primeiro, ok? Depois vou deixar você fazer o que tiver que fazer.
Apenas assenti.
Eu ainda estava confusa demais.
- Sabe, Bella – começou, suspirando –, eu sempre te vi como uma boa pessoa, desde que nos conhecemos antes das aulas na Forks High School começarem. Vi como meu irmão se encantou com você, e resolvi me aproximar, porque eu sabia o que acontecia toda vez que ele se encantava por garotas.
“Só que, com o passar dos dias, percebi que você não era como as garotas que Jason estava acostumado a lidar. Geralmente, ele encontrava mulheres que faziam de tudo para ter sua atenção, e você era tão diferente! Senti-me bem com isso; você não seria enganada. Só que Jason evoluiu a um ponto, que até eu acreditei nele...
“Ele veio me dizer que era apaixonado por você, e eu acreditei. Pediu minha ajuda para te conquistar, e eu, boba, ajudei. Então, vocês começaram a namorar. Fiquei feliz, apoiei, porque meu irmão estava mudando, mudando por alguém, mudando por você, minha melhor amiga.”
Respirei fundo, prendendo-me naquele momento. Eu não iria me prender nas lembranças. Não mesmo.
- Só que meus pais não aceitaram – suspirou. – E eu comecei a pensar em tudo o que eles haviam dito. Meu irmão passou a fazer aquelas viagens, e um dia, quando fui com ele, vi que ele ficava com outras garotas. Discuti com ele, mas ele acabou me convencendo, dizendo que nossos pais estavam certos.
“Por mais que você tivesse boas condições financeiras, não era aquilo que meu pai havia preparado para Jason. Então, fiquei calada, continuei sua amiga, e não te falei nada, absolutamente nada, sobre o que acontecia nas viagens de Jason.
“Então, teve aquelas fotos de quando viajamos no verão. O Jason nem se lembrou de você, Bella, e por um momento senti-me mal. Cheguei a pegar o celular para ligar para você, mas minha mãe me impediu...
“Voltamos e agimos como se tudo estivesse bem. Jason saiu uma noite, sem dia para onde ia, e quando voltou, no dia seguinte, tinha um sorriso enorme no rosto. Não entendi o que tinha acontecido, até você chegar para mim e dizer que estava grávida.”
Senti meus olhos se enchendo de lágrimas, mas não permiti que elas caíssem.
- Eu tive que te livrar daquela, Bella. – Senti meu coração apertar, mas continuei segurando as lágrimas. Não podia chorar na frente dela. – Então, disse tudo aquilo, e passei todos esses anos me matando por ter dito aquilo. Matando-me por ter dito o que eu disse no enterro do Jason. Não foi sua culpa. O Jason estaria ali mesmo que você não tivesse ido atrás dele, mesmo que ele não soubesse de sua gravidez.
“Entenda, você era boa demais para nós. Boa demais para Jason. Você tinha – tem – um coração tão bom! Merece pessoas que saibam valorizar isso, que saibam valorizar a pessoa maravilhosa que você é. Não se culpe por nada, Bella. O Jason não estava ligando para a gravidez, continuava saindo com uma mulher diferente a cada dia.
“No fim, ele teve o final que ele mereceu. Faleceu, ainda novo, sem nem ter amadurecido, mas ele deixou-me uma lição, e eu a aprendi, mesmo tendo demorado anos para isso.”
Eu não conseguia pensar direito. Só ficava com as palavras de Elle martelando em minha mente.
- Eu vim te pedir perdão, Bella. – Sua voz tirou-me de meus devaneios e eu a fitei, embora não a enxergasse realmente. Era tudo muito confuso. – Mais do que isso, até. Vim te libertar, dizer que não é a sua culpa, é somente a da minha família.
- Por quê? – murmurei. – Por que agora?
- Porque só agora permiti-me sair das sombras de meus pais – confessou. – Eu tentei vir falar com você diversas vezes, mas eles não deixaram. Diziam que iam cortar minha mesada, parar de pagar minha faculdade...
“Mas agora cansei. Estou formada, tenho meu próprio dinheiro, e estou apaixonada por alguém que pode morrer. Meu marido, Gerry, tem leucemia, e ninguém sabe se ele vai sobreviver.”
- Eu sinto muito – sussurrei.
- Não sinta – sorriu triste. – Agora eu conheço a dor que você sentiu. Agora eu entendo tudo, Bella, tudo. Eu imagino a minha vida sem o Gerry e isso dói muito! E só agora, percebo totalmente o quão você sofreu...
“Perdeu o homem que julgava amar, descobriu que ele nunca te amou, descobriu que sua amiga era uma falsa, perdeu o seu bebê... Eu sinto tanto, Bella. As palavras não são suficientes para dizer o quão eu sinto, mas eu precisava disso, precisava ter a certeza de que você sabia que não era sua culpa, que você poderia ser feliz novamente.”
- Elle, eu... – suspirei, sem saber o que dizer.
- Só desejo que você seja feliz – disse, cortando-me. – Eu quero que você seja feliz, quero que se liberte de todo o seu passado. Quero que você seja feliz com aquele homem que estava com você naquele dia, com o homem que está vivendo aqui com você. Ele te ama verdadeiramente, Bella. Eu vi nos olhos dele um amor enorme, um carinho profundo e um respeito, preocupação, paixão e desejo... Eu vi tanto nos olhos dele!
“E você o ama também. Você o ama como nunca amou ninguém e ele te ama como você nunca foi amada. Vocês vão ser felizes e esse bebê só vai aumentar a felicidade ainda mais, Bella.”
- Elle...
- Seja feliz, Bella, apenas isso. – Levantou-se. – Eu estou indo, voltando para o meu marido, e peço que você seja feliz. Não te peço para me perdoar, eu sei que não mereço isso, mas peço que seja feliz. Por você, pelo homem que ama, por seu bebê, por sua família. Você merece ser feliz como ninguém nunca foi. Merece tirar todas essas feridas e todas essas cicatrizes. Seja feliz, Bella, apenas isso. E acredite, nunca foi sua culpa.
Eu a vi se afastar, vi-a sair da minha casa, mas não consegui fazer nada.
Apenas fiquei ali, sentada, enquanto tudo o que ela tinha me falado me atingia com força.
Nunca foi sua culpa.
Permiti-me levantar, com lágrimas nos olhos, e peguei minha bolsa.
Eu precisava de Edward. Precisava do seu abraço, seu carinho, suas palavras, seu amor... Só que ele estava trabalhando e eu não queria preocupá-lo. Decidi, então, visitar minha mãe.
Eu também precisava dela.
O caminho até a casa de meus pais não era grande, então fui a pé. Meu pai estava trabalhando, então eu poderia conversar com minha mãe e voltar para casa antes de Edward chegar.
Eu não queria preocupá-lo.
Minha mãe me recebeu de braços abertos, assim que abriu a porta e percebeu que eu chorava. Abraçou-me e ficou calada, apenas esperando que as lágrimas parassem de cair. Depois que me senti mais calma, permiti-me contar tudo para ela. Detalhes de tudo o que havia acontecido entre eu e Jason, Edward e eu, e a conversa que tive com Elle. Ela me ouviu atentamente, pronta para me receber toda vez que eu deixava os soluços saírem mais fortemente.
Ela estava sendo mãe, e dessa vez, eu a entendi. Sentia-me capaz de fazer qualquer coisa por esse bebê que eu abrigava. Não sabia o sexo, não via seu rosto, mas já o amava. E faria de tudo por ele.
- Não foi sua culpa, meu amor – murmurou, abraçando-me. – Não foi. Permita-se viver, Bella, permita-se curar. Viva por você, por seu filho, por Edward. Você, meu bem, merece ser feliz.
Quando fui embora, momentos mais tarde, ainda não me encontrava totalmente recuperada. Apesar das palavras de minha mãe ainda ecoava em minha mente, assim como as de Elle.
Eu perdi nove anos de minha vida, permitindo-me culpar por aquilo que eu não tinha culpa. Permitindo sentir uma dor que Jason não sentiria caso algo acontecesse comigo.
Então, dessa vez, enquanto seguia para o banheiro de minha casa, e pegava a lâmina que eu havia escondido, eu pensava na dor que eu causei nas outras pessoas – meus pais, Edward, Alice... Todos aqueles que queriam se aproximar de mim – e não nas que foram causadas por mim.
Entretanto, não cheguei a pressionar sequer a lâmina em meu pulso já cicatrizado. Olhei a lâmina, minha válvula de escape por tanto tempo, e a joguei fora.
Joguei-a fora por mim.
Por Edward. Por nosso filho. Por minha família. Joguei a lâmina fora, simplesmente porque não iria precisar dela mais.
Hoje era o último dia que eu iria me permitir sofrer.
Edward POV.
Eu estava preocupado. Bella não me ligara como eu havia pedido, quando chegasse a casa de meus pais, e ela simplesmente não atendia ao celular e nem ao telefone de nossa casa.
Eu estava quase tendo um ataque quando liguei para minha mãe e ela confirmou o que me preocupara: Bella não aparecera por lá.
Eu tentei ligar diversas vezes para casa, mas Bella não atendia. Mandei milhares de mensagens para ela, mas ela também não retornava. Eu já estava ficando louco, quando finalmente ela me mandou uma mensagem.
Eu estou bem, estou em casa. Desculpe-me preocupá-lo, mas tive que resolver umas coisas... Conversamos quando você chegar em casa.
Eu te amo, Edward. Como nunca amei e amarei ninguém. E sei que você me ama como eu nunca fui e nunca serei amada por ninguém também.
Havia algo errado, mas senti-me aliviado. Ela estava bem. Pensei em ligar, mas naquele momento chegou mais um paciente e eu tive que atender.
(...)
Duas horas depois, eu estava indo para casa. Já se passava das nove da noite. Eu havia conseguido folga, só voltaria a trabalhar no dia seguinte a consulta de Bella. Isso me daria três dias de folga, sem contar os dois do fim de semana. Não era muito, mas eu ficaria com Bella e com nosso bebê.
Para mim, era tudo o que importava.
Estacionei na garagem de minha casa e de Bella. Desci, ansioso, e entrei em casa. Eu precisava vê-la. Precisava ver que ela estava bem.
Encontrei-a deitada no sofá, os olhos fechados, o nariz vermelho, o semblante cansado.
Ela tinha chorado.
Havia acontecido alguma coisa.
Ela estava inquieta, resmungando alguma coisa, e eu não tive coragem de acordá-la. Peguei-a cuidadosamente no colo e acabei por sorrir ao ver que ela se aninhara a mim. Levei-a até o quarto e a coloquei cuidadosamente na cama, dando-lhe um beijo na testa.
- Eu te amo – sussurrei.
Tomei um banho rápido, ansioso para voltar para os braços de Bella. Quando voltei, percebi que o sono ainda estava agitado, mas logo foi se acalmando, quando percebeu que eu estava ali.
- Eu sempre estarei aqui com e por você.
Permiti-me dormir, ali, com Bella em meus braços, enquanto eu acariciava sua barriga levemente.
(...)
Quando acordei, percebi que Bella ainda dormia e sorri. Ela ainda estava parecendo preocupada, mas eu deixaria para conversar com ela quando ela estivesse acordada.
Eu queria olhar em seus olhos, quando fosse perguntar o que tinha acontecido.
Era incrível como olhos castanhos, tão comuns, podiam me atrair tanto. Mas eu me perdia neles, simplesmente os achava incríveis.
Afastei-me dela e segui até o banheiro, onde tomei um banho quente e relaxante. Depois, voltei para a cama, e beijei sua testa lentamente.
- Bom dia, princesa – sussurrei, quando a vi abrir os olhos. – Vá tomando banho que eu vou fazer nosso café, está bem?
- Eu faço... – murmurou, ainda deitada. – Você deve estar cansado.
- Não, senhorita – ri. – Estou ótimo. Então, ande.
Eu sabia que tinha acontecido algo na noite anterior, mas sabia de Bella o suficiente; ela me falaria quando estivesse pronta. Por isso, mesmo estando preocupado, fiz nosso café da manhã.
Alguns minutos depois, Bella desceu, vestindo shorts e uma blusa. Sua barriga ficava a cada dia maior e ela estava linda.
- Você está tão linda. – Eu sorria como um bobo, indo até a ela, e acariciando sua barriga.
- Estou enorme – riu. – Mas eu já amo esse bebê, e não vejo a hora de tê-lo em meus braços.
- Eu também.
Tomamos café em silêncio. Eu vi que Bella abrira a boca diversas vezes, mas não falou nada. Depois que terminamos, ela me puxou para o quarto e nos deitou na cama, acomodando-se em meu peito, de uma maneira que eu pudesse ver seus olhos.
- O que aconteceu? – perguntei docemente.
- Edward... – suspirou. – A Elle veio aqui ontem.
Imediatamente senti meu corpo ficar rígido. Elle... A amiga que tinha machucado-a tanto, a irmã do canalha que fez a minha Bella sofrer.
- Deus! – murmurei. – Eu sabia que você não podia ficar sozinha, sabia... Ai, Bella, eu sinto muito, eu...
- Edward – interrompeu-me –, ela veio pedir perdão, ela vai dizer que nada do que havia acontecido era a minha culpa.
Encarei-a, perplexo.
E, então, Bella me contou.
Contou-me o que havia acontecido, contou-me de tudo o que a Elle havia dito, contou-me que foi conversar com a mãe, e me contou, também, que jogou sua lâmina fora.
- Eu vou me permitir viver – disse-me, sorrindo um pouco. – Vou me permitir ser completamente feliz, sem essa dor e essa culpa que por tanto tempo me atormentaram. Eu vou te amar, Edward, e vou me permitir ser amada. Eu te amo. E eu sei que nunca vou amar outra pessoa como eu amo você.
Senti-me comovido com suas palavras. Beijei seus lábios calmamente, nossas línguas dançando em uma perfeita sincronia. Quando me afastei, Bella estava sorrindo.
- Eu te amo, meu bem – murmurei, dando-lhe um beijo na testa. – E eu prometo para você que vai dar tudo certo. Eu vou sempre estar ao seu lado, sempre. Eu te amo, nunca vou conseguir parar de repetir isso.
- Obrigada por nunca desistir de mim – sussurrou. – Obrigada por me amar, obrigada por sempre estar ao meu lado. Eu prometo que serei a melhor amante e mãe. Prometo.
- E eu prometo que serei o melhor para vocês. O melhor. Só o melhor.
Ela simplesmente sorriu ainda mais.
- Você já é o melhor, Edward. Você é a minha cura. Enquanto eu tiver você, eu vou ficar bem.
- Então, você vai ficar bem para sempre.
- Sim. – Ela sorria tão lindamente! Eu faria de tudo para sempre ver aquele sorriso em seus lábios. – Além do para sempre.
Bella POV.
Edward e eu passamos o fim de semana juntos, aproveitando nosso momento. Ele estava todo carinhoso, preocupado com cada movimento meu, ajudando-me no que eu precisasse. Eu o amava a cada dia mais; não cansava de dizer-lhe isso.
Ele teria que voltar a trabalhar na quarta feira. Na terça levantamos cedo. Era o dia de mais uma consulta e ambos estávamos ansiosos. Queríamos saber logo o sexo do bebê.
Edward me fez colocar uma roupa mais pesada. Estava frio – grande novidade em Forks –, e ele estava preocupado com o fato de eu pegar um resfriado.
Depois de pronta, tomamos café rapidamente, e seguimos até o consultório, onde a Dra. Marie nos esperava.
Edward conversou com ela mais do que eu, falando em uma linguagem que eu desconhecia: medicina. Depois, tirei o casaco, e com a ajuda de Edward deitei-me. Marie conversava conosco o tempo todo, sempre sorrindo. Ela passou o gel em minha barriga, e eu logo vi meu bebê na tela que havia ali.
Ela seguia explicando, e eu somente deixava as lágrimas – de felicidade – rolarem pelo meu rosto. Edward também estava emocionado, sempre apertando minha mão, limpando minhas lágrimas...
- Então, prontos para saberem o sexo do bebê? – indagou-nos Marie, sorrindo. Somente assenti, Edward provavelmente já sabia. – Quer fazer as honras, papai?
- Teremos uma menina, amor – Edward murmurou, sua voz carrega da de emoção.
Uma menina...
Uma menina para a tia Alice encher de roupas cor-de-rosa.
Uma menina para as vovós e os vovôs mimarem.
Uma menina para ser uma grande amiga da mamãe.
Uma menina para o papai fazer as vontades.
Uma menina para todos os homens sentirem ciúmes, quando nos apresentasse o primeiro namorado.
Uma menina...
Nossa menina.
Marie nos deu licença por alguns minutos e eu somente fiquei ali, com Edward, e com nossa garota.
Eu estava tão feliz, que seria capaz de anunciar para o mundo inteiro isso.
- Eu te amo – sussurrei. – Muito.
- Eu também, meu bem – riu. – Eu também.
Nada poderia ficar mais perfeito.
(...)
Chegamos a nossa casa tarde, depois de termos escolhido tudo para o quarto de nossa filha. Esme e Alice pediram para decorar, mas eu não aceitei. Eu queria que Edward e eu fizéssemos isso, queria que nós dois escolhêssemos tudo.
E assim foi.
Nos dias que se seguiram, eu me dedicava inteiramente a isso. Edward ajudava sempre que não estava no trabalho, e nos finais de semana também. Estávamos felizes, ríamos sempre, e eu me sentia bem.
Como há muito não me sentia.
Então, o quarto ficou pronto. Lindo. Havia uma foto minha e de Edward, eu já com minha barriga grande, e as mãos de Edward estavam em minha barriga. Sorri imensamente.
Eu não via a hora de esses quatro meses passarem rápido!
Edward POV.
Eu já havia me decidido que seria naquela noite. Deixei uma roupa para Bella, junto com um bilhete, pedindo que ela a vestisse e me esperasse na sala. Cheguei do trabalho e corri até o quarto de hóspedes, onde tomei um banho quente e relaxante. Depois de pronto, segui até a sala e Bella já estava ali. Linda.
- Onde você está me levando? – indagou-me.
- Você verá – ri.
Não disse-lhe nada enquanto a levava até a campina. Bella me perguntava o que eu estava fazendo, mas eu apenas sorria. Eu estava feliz. E estava seguro de minha decisão.
Peguei a cesta que eu havia preparado, junto das duas mantas e coloquei tudo em uma mão são. Com a outra, segurei a mão de Bella e levei-a até um lugar mais isolado. Coloquei uma manta no chão, a cesta, ajudei Bella a se sentar, e me sentei ao seu lado, colocando a outra manta em nós dois.
- Hoje vamos jantar aqui – murmurei, sorrindo.
Jantamos em meio a conversas e sorrisos. Bella passava a todo o momento a mão na barriga e eu também, louco para que nossa filha logo estivesse ali.
E então chegou a hora.
Ali, diante das poucas estrelas que haviam no céu, diante de todos os animais, as árvores, folhas, diante da natureza, eu a pedi em casamento.
Expliquei-lhe que não seria exatamente agora, porque não queria que todos pensassem que estaríamos nos casando apenas por causa do bebê. Seria depois que nossa filha nascesse. Eu sempre quis Bella, sempre.
E ela seria minha mulher.
Foi incrível quando ela disse sim para mim. O sorriso no rosto enorme, a mão estendida para acolher o anel que eu escolhera com tanto carinho e cuidado.
- Eu te amo – sussurrei.
- Eu também, Edward, eu também.
Nada poderia ficar mais perfeito.
Bella POV.
Sexto mês de gravidez; quase sétimo. Estou me sentindo enorme já, minhas pernas doíam, minhas costas também, e meus pés ficavam inchados por qualquer coisa.
É claro que Edward tem sido um amor – meu noivo –, e sempre que chega do trabalho, mostra-se bastante preocupado, fazendo massagem e dizendo palavras doces.
Eu sei que ficarei incomodada – principalmente no final da gestação –, mas será por um bem maior. Logo nossa pequena estará aqui conosco.
Então, em uma quarta, decidi me consultar. Marquei uma consulta com uma psicóloga, e no horário estava pronta, indo até lá.
Edward sabia, claro. Eu conversei com ele sobre isso, e não quis esperar o fim da gravidez. Edward havia sido minha cura, eu me sentia bem, sentia-me feliz, mas queria conversar com um profissional, saber dele se eu estava realmente bem.
Não queria ter recaídas.
Nunca.
Então, eu tinha consultas duas vezes ao mês, que seriam suspensas por algum tempo depois que o bebê nascesse, mas eu logo voltaria.
Os meses de passaram rapidamente e logo eu já havia completado 36 semanas. O bebê podia nascer a qualquer momento, como poderia enrolar por mais alguns dias. Tenho conversado bastante com minha mãe, Esme e Rose. Alex estava para completar quatro meses e estava lindo. Ele ficava a cada dia mais parecido com o pai.
Alice e Jasper ainda acham que é cedo tentar ter filhos. Eles querem esperar um pouco mais, curtir o casamento; de acordo com eles, vai acontecer quando tiver que acontecer.
E, então, aconteceu.
Eu estava em casa, sozinha – Edward insistia para que eu ficasse com os pais dele, ou com Rose, ou com meus pais – quando senti uma pontada nas costas. Tinha sido assim o dia inteiro, mas não achei que pudesse me preocupar, então não quis dizer nada para Edward. Ele ligava a todo o momento, dizendo-me que logo chegaria em casa.
Decidi tomar um banho e me deitar. Era noite, Edward logo chegaria. O jantar já estava pronto – a empregada que Edward contratara deixara tudo pronto antes de sair –, mas eu não sentia fome. Tomei um banho quente e demorado, deixando meus músculos relaxarem. Sequei-me e coloquei um pijama largo, confortável. Deitei-me na cama e fiquei assistindo a TV.
As pontadas aumentaram, e eu comecei a sentir contrações também. De acordo com a médica, caso isso acontecesse, ainda iria demorar. Minha bolsa não tinha estourado, então, procurei me acalmar. Ficar nervosa não iria ajudar em nada.
Perto das oito da noite, Edward chegou, já me chamando assim que ele entrou em casa. Eu senti outra pontada forte, e evitei responder. Provavelmente, eu gritaria. Então, ele veio até o quarto e sorriu quando me viu.
- Como está? – perguntou, depois de me dar um beijo.
- Bem – menti. – Só cansada.
- Não andou muito, não é?
- Não saí hoje, Edward – ri. – Pode ir tomar o banho sossegado.
- Já jantou? – Ele se levantou, já pegando sua toalha.
- Não estou com fome. – Desviei o rosto para não ver a desaprovação dele.
- Ah, Bella... – suspirou. – Depois do meu banho, iremos jantar juntos, então.
Eu somente assenti. Era inútil discutir com Edward. Eu amava isso nele; o modo que ele cuidava de mim, o modo que sempre se mostrava preocupado, carinhoso... Eu o amava, e muito.
As pontadas aumentaram e eu suspirei pesadamente, levantando-me. No mesmo momento, senti algo estourar e, quando olhei para o chão, arregalei os olhos.
A bolsa tinha estourado.
Procurei me manter calma. Verifiquei se o líquido tinha sangue – se tivesse, significava que minha filha estava sofrendo – e fiquei aliviada ao ver que era incolor. Sentei-me na cama e fiquei esperando que Edward saísse do banho.
Ele saiu, com a toalha enrolada na cintura, e eu me perdi em seus músculos. Depois, balancei a cabeça.
- O que foi? – perguntou, sorrindo.
- Hmm... – Fiz careta para uma nova contração. – Fique calmo, está bem? A bolsa estourou.
- Ah, tudo bem. – Eu esperei quieta, enquanto ele absorvia o que tinha falado. Quando ele percebeu, seus olhos se arregalaram, e ele correu, já pegando uma roupa e vestindo. – Fique calma, vai dar tudo certo.
- Você que precisa ficar calmo – murmurei, apertando o travesseiro. As contrações estavam ficando mais fortes. – Precisamos avisar a todo mundo...
Foi um correria. A bolsa da minha filha já estava pronta, no carro de Edward, assim como a cadeirinha estava devidamente acomodada. Ele me ajudou a trocar de roupa, enquanto ao mesmo tempo avisava a Carlisle e pedia para ele ligar para o resto do pessoal. Edward me pegou no colo e me levou para o hospital.
Em breve, eu teria minha filha nos braços.
Edward POV.
Eu não saí um minuto do lado de Bella, deixando que ela apertasse minha mão.
Eu estava ansioso.
E, então, eu ouvi o choro de minha filha.
Senti meus olhos se enchendo de lágrimas quando eu a peguei no colo pela primeira vez. Ela abriu os olhos – verdes, como os meus – e eu sorri. Era incrível pensar que eu e Bella havíamos a feito. Que um bebê tão pequeno, tão lindo, era nosso.
Foi emocionante vê-la nosbraços de Bella, também.
Emocionante ficar ali, admirando-as.
As duas mulheres da minha vida.
- Eu te amo. – Rimos quando percebemos que havíamos dito juntos.
Eu sempre amaria Bella, independente de qualquer coisa.
Eu a amava – como ela mesma sempre dizia – como nunca amei ninguém, e ela me amava como nunca fui amado por ninguém.
Nada de passados, cortes, feridas. Eu sabia que ela ainda tinha medo do que podia acontecer, mas iria sempre estar ao lado dela. Se possível, não deixaria nem as cicatrizes.
Eu seria a cura dela.
E seria sempre assim.
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