16 de outubro de 1812

Acordei cedo.

Ainda sentia o corpo pesado por causa da missão de ontem.

Mas, estranhamente…

Também estava animado.

A primeira coisa que fiz foi sair do quarto e caminhar até o corredor.

Parei diante da porta da Andressa.

Toc. Toc.

Esperei alguns segundos.

Ouvi passos do outro lado.

Logo depois…

A porta se abriu.

Andressa apareceu.

Seu rosto ainda carregava um pouco do cansaço do dia anterior.

Mas, comparada ao estado em que eu a encontrei…

Ela parecia outra pessoa.

Sorri.

— Bom dia, Andressa!

Ela retribuiu com um pequeno sorriso.

— Bom dia…

Cocei a nuca.

— Eu só passei aqui pra ver como você estava…

Ontem você tava toda machucada.

Ela olhou rapidamente para o próprio corpo.

— Ah…

Eu tô bem melhor.

Ainda me assusto com a velocidade que a gente se recupera depois de dormir.

Assenti várias vezes.

— Pois é!

Dormir é praticamente magia.

É bom demais.

Enquanto conversávamos…

Meu olhar acabou descendo até seu pescoço.

A queimadura ainda estava lá.

Bem menor…

Mas ainda visível.

Ela percebeu meu olhar.

Puxou discretamente a gola para tentar esconder a marca.

Desviei o olhar na mesma hora.

— Enfim…

Eu tenho que ir agora.

Hoje tem missão.

Ela inclinou a cabeça.

— Missão?

Que missão?

— Vou caçar um Scar maligno.

Conhece os Madas?

Ela pensou por alguns segundos.

Depois balançou a cabeça.

— Nunca vi nenhum.

Mas alguns Scars roxos falavam bastante deles.

São tipo…

Superdemônios?

Ri.

— Acho que essa definição serve.

Ela deu uma risadinha também.

— Então…

Boa sorte.

Acenei.

— Valeu!

Tenha um bom dia!

Saí correndo pelo corredor.

Descendo rapidamente até a sala do Rafael.

Nem bati.

Abri a porta direto.

Rafael conversava com outra Scar.

Assim que entrei…

Os dois olharam para mim.

A Scar era bem diferente.

Sua cabeça tinha o formato de uma casinha desenhada por uma criança.

Triangular.

Completamente fora do normal.

Sem pensar muito…

Fui direto até ela.

— Oi!

Quem é você?

Ela abriu um sorriso enorme.

— Me chamo Yuri!

Mas pode me chamar de Yuri!

Pisguei algumas vezes.

— Ah…

Tá bom, Yuri.

Rafael soltou um pequeno suspiro.

— Ela vai ser sua parceira nessa missão.

Olhei imediatamente para ele.

— Sério?

Conta mais!

— Não.

Ela explica durante o caminho.

— Ah…

Então vai ser igual aconteceu com o Guilherme?

— Exatamente.

Ele voltou a organizar alguns papéis.

— Agora vocês já podem ir.

Yuri bateu palma.

— Bora!

Ela já começou a sair da sala.

Quando passei pela porta…

Rafael me chamou.

— Samuel.

Olhei para trás.

— Quando conseguir guardar outro Impar usando o [Treincim]

Me avisa.

Talvez eu consiga te ajudar.

Sorri.

— Pode deixar!

Ele fez um joinha.

Voltou ao trabalho.

E eu segui a Yuri para fora do Coliseu.


Assim que saímos…

Ela tirou a bússola do bolso.

Ficou encarando o ponteiro por alguns segundos.

— Hmmm…

Sudoeste.

A seta apontava exatamente entre o sul e o oeste.

Ela apontou naquela direção.

— É por aqui!

E começou a caminhar.

Fui atrás dela.

Mas, poucos segundos depois…

Ela começou a correr.

"Ah…"

"Então ela quer acelerar."

Também comecei a correr.

Só que…

Esqueci completamente que eu era muito mais rápido.

Em poucos instantes…

Já estava dezenas de metros à frente.

Atrás de mim, ouvi um grito desesperado.

— MEEEE ESPERAAAAAA!!

Parei imediatamente.

Olhei para trás.

Yuri vinha correndo o mais rápido que conseguia.

Quando finalmente chegou…

Estava completamente sem fôlego.

Ela colocou as mãos nos joelhos.

— Você…

Calma!

Tá com tanta pressa assim pra apanhar?

Cocei a cabeça, sem graça.

— Foi mal…

Vi você correndo…

Então achei que era pra correr também.

Ela respirou fundo.

— Hmmm…

Tá.

Tudo bem.

Só…

Anda igual uma Scar normal.

— Beleza.

Passei a acompanhar seu ritmo.

Agora…

Lado a lado.

Ela sorriu.

— Certo.

Hora da explicação da missão.

Assenti imediatamente.

— Isso!

Ela apontou para a frente enquanto caminhávamos.

— Nosso alvo é Roberto.

Um dos Madas.

O Impar dele é Doença.

Franzi a testa.

— Doença?

Ela assentiu.

— Isso mesmo.

E toma muito cuidado.

Ele consegue transmitir doenças através do toque.

Fez uma pequena pausa.

— Ou pior…

Pela mão fantasma.

Arregalei os olhos.

— Que assustador…

Ele é muito forte?

Ela deu de ombros.

— Na verdade…

Nem tanto.

Sorri.

— Ainda bem.

— Inclusive, foi justamente por isso que aceitei essa missão.

As chances da gente sair vivo são enormes.

Ela começou a gesticular enquanto falava.

— O Roberto mora dentro de uma caverna.

Só que ela é gigantesca.

Um verdadeiro labirinto.

Escura.

Cheia de armadilhas.

Olhei para ela.

— Pera…

Como isso faz nossas chances aumentarem?

Ela sorriu com orgulho.

— Simples.

Porque eu consigo enxergar no escuro.

Logo…

A escuridão não é problema.

Levantou um dedo.

— E também porque eu sou a melhor detectora de armadilhas de toda Scarloon.

Pisquei algumas vezes.

— Sério?

Você é a melhor?

Ela cruzou os braços.

— Sim.

Até porque…

Só existe eu com esse título extremamente específico.

Não consegui segurar a risada.

— Inovação!

Ela apontou para mim.

— Exatamente!

Aqueles que duvidam do meu trabalho…

Ainda vão se arrepender!

Era impossível não notar o quanto ela era animada.

Falava como se estivesse fazendo um grande discurso.

Depois voltou ao assunto.

— Ah, e eu já sei qual é o seu Impar.

É Cópia.

Então você pode copiar o meu.

Assim também consegue enxergar no escuro.

Por isso me escolheram pra missão.

Assenti.

— Verdade…

Falando nisso.

Qual é o seu Impar?

Ela parou de andar.

Colocou uma das mãos no peito.

Fez pose.

— Um Impar poderosíssimo.

Concedido apenas aos dignos de carregarem seu nome.

Meus olhos brilharam.

— Meu Deus!

Qual é?

Ela abriu um sorriso dramático.

— Meu Impar…

É…

Morcego!

Arregalei os olhos.

— Meu Deus!

Pensei por alguns segundos.

— O que é um mocergo?

Ela ficou completamente imóvel.

Piscou uma vez.

Depois outra.

— É…

Morcego.

Você…

Não sabe o que é um morcego?

Balancei a cabeça.

— Não.

Sou meio ruim com animais.

Ela levou a mão ao rosto.

— Meu Deus…

Samuel…

Morcegos são criaturas míticas!

Os maiores predadores da natureza!

Seres que usam seus superpoderes para enxergar no escuro…

E atacar suas presas quando elas menos esperam!

Meus olhos brilharam ainda mais.

— Que animal maneiro!

Quero muito saber como é ser um!

Ela começou a rir.

— Calma, meu pequeno gafanhoto.

Ainda não chegou a hora.

Guarda sua energia.

Você vai precisar dela lá dentro.

Assenti imediatamente.

— Sim!

Ela voltou a caminhar.

— Também não sei quantos Gomendis existem lá dentro.

Mas sei que eles ficam espalhados pelas cavernas.

Protegendo os corredores que levam até o castelo.

Levantou cinco dedos.

— Existem cinco corredores principais.

Cada um deles possui dois Gomendis.

Depois disso…

Chegamos diretamente ao castelo do Roberto.

Olhei para ela.

— Entendi.

Ela sorriu.

— Então o plano é simples.

Entramos em silêncio.

Passamos pelos Gomendis sem sermos vistos.

Chegamos até o Roberto.

E damos um jeito nele.

Sorri.

— Deixa comigo.

Vou pensar numa forma de fazer esse plano dar mais do que certo.

Ela deu um sorriso enorme.

— Esse é o espírito, Samuel!

Yuri passou um braço pelos meus ombros.

Como se fôssemos amigos há anos.

Mas, poucos segundos depois…

Ela congelou.

Olhou desesperadamente para a bússola.

— PU-!

Ela girou na mesma hora.

— A gente tava andando pro lado errado!

Era pra ser naquela direção!

Não consegui segurar uma risada.

— Kkk.

Ela apontou um dedo pra mim.

— Não ri de mim!

Antes que eu pudesse responder…

Ela me puxou pelo braço.

— Anda logo!

A gente pode continuar conversando enquanto anda!

Sorri.

— Adoraria.

Ela abriu um sorriso animado.

— Então eu vou te contar sobre o dia em que sobrevivi ao ataque de um monstro horrível!

E, durante o resto da viagem…

Yuri falou praticamente sem parar.


Depois de caminhar…

E ouvir histórias da Yuri praticamente o tempo inteiro…

O sol começou a desaparecer no horizonte.

As sombras aumentavam cada vez mais.

Até que…

Cerca de doze horas depois…

Yuri apontou para a frente.

— ALI!

Chegamos finalmente!

Olhei na direção indicada.

Na encosta de uma enorme montanha…

Havia uma abertura gigantesca.

A entrada da caverna era larga.

Escura.

Tão escura que parecia engolir a própria luz.

— Aquilo é a base dele?

Perguntei.

Ela assentiu.

— Isso mesmo.

Aquele covarde resolveu transformar uma caverna em casa.

E ainda construiu um castelo lá dentro.

Continuei observando a entrada.

Estranhei uma coisa.

— Ué…

Cadê os guardas?

Ela sorriu.

— Lá dentro.

Eles ficam escondidos esperando algum Scar desavisado entrar.

Quando isso acontece…

Matam sem pensar duas vezes.

Balancei a cabeça.

— Que crueldade…

Yuri então segurou meus ombros.

Seu rosto ficou completamente sério.

— Eu quase esqueci de falar uma coisa importante.

Presta atenção.

Assenti.

Ela levantou cinco dedos.

— Existem cinco corredores.

Em cada um deles…

Dois Gomendis.

Depois que atravessarmos todos…

Chegamos ao castelo do Roberto.

Entendeu?

— Entendi!

Ela sorriu.

— Ainda bem.

Porque eu odeio enrolação.

Continuou explicando.

— Os Gomendis daqui são meio burrinhos.

Então deve ser fácil passar escondido.

Mas…

Ela apontou um dedo bem na minha cara.

— Não sai de perto de mim.

Sério.

Assenti imediatamente.

— Pode deixar.

Vou ficar perto.

Ela segurou minha mão.

— EU TÔ FALANDO SÉRIO!

Acabei dando um pequeno pulo.

— OK, YURI!

EU ENTENDI!

Ela finalmente sorriu.

— Ótimo.

Então vamos.

Sem dizer mais nada…

Nós dois seguimos em direção à entrada da caverna.

Assim que cruzamos a passagem…

A luz do lado de fora praticamente desapareceu.

O ambiente ficou frio.

Seco.

A escuridão era tão intensa…

Que poucos metros à frente já não era possível enxergar absolutamente nada.

Yuri, no entanto…

Continuava andando normalmente.

Como se estivesse caminhando sob a luz do dia.

Olhei ao redor.

Depois para ela.

— Yuri…

Eu não tô vendo absolutamente nada.

Ela levou a mão até a boca.

— Ah!

É verdade!

Esqueci completamente!

Ela apontou para si mesma.

— Copia meu Impar.

Aí você consegue enxergar também.

Assenti.

Segurando a sua mão, ativei meu impar.

[Nada se cria, tudo se copia]

Um, Dois e Três!

Assim que copiei seu Impar…

O mundo mudou.

A escuridão deixou de existir.

Minha visão se adaptou completamente.

Agora eu enxergava cada pedra…

Cada detalhe das paredes…

Como se tudo estivesse iluminado por uma fraca luz azulada.

Meus olhos brilharam.

— Meu Deus…

Isso é incrível!

Yuri sorriu com orgulho.

— Eu falei.

Morcegos são animais lendários.

Cruzei os braços.

— Você inventou essa parte, né?

Ela fingiu não ouvir.

— Enfim!

Primeiro corredor logo à frente.

Hora de começar a infiltração.

Nós dois diminuímos o passo.

E seguimos em completo silêncio.


O primeiro corredor.

Assim que chegamos, avistamos dois Scars mais ao fundo.

Cada um carregava um pequeno aparelho que emitia um feixe estreito de luz. Como toda a iluminação vinha dali, o campo de visão deles era extremamente limitado.

Enquanto Yuri analisava a situação em silêncio…

Eu aproveitei para descobrir as habilidades do Impar dela.

Morcego.

[Corona]

Ganha mais 5% de Cuatru.

[ECO]

Pode enxergar no escuro.

[Batmano]

Cria asas de morcego.

Ok.

Bem simples.

Nenhuma habilidade ofensiva.

Talvez o Artefato dela compensasse isso…

Mas, por enquanto, não precisávamos pensar nisso.

Yuri se inclinou para a frente.

Então…

As costas dela começaram a rasgar.

RASG!

Duas enormes asas de morcego surgiram de dentro do seu corpo.

Ela olhou para mim.

— Agora é sua vez.

— Ok!

[Batmano]

Uma ardência percorreu minhas costas.

Era como se minha pele estivesse sendo aberta à força.

RASG!

Doeu por um instante.

Depois a dor desapareceu.

Quando olhei por cima dos ombros…

Duas enormes asas negras também haviam surgido.

Abri um sorriso.

— Nossa…

Isso é muito irado!

Yuri sorriu de canto.

— Agora falta descobrir como vamos passar por eles.

Ela levou a mão ao queixo.

— Eu sei como atravessar esse corredor…

O problema é se eles perceberem a gente.

Precisamos impedir que gritem ou fujam caso nos descubram.

Assenti.

— Entendi.

Deixa comigo.

Se o plano era agir no instante em que eles nos vissem…

Então era simples.

[Treincim = Ordem]

— Assim que algum deles olhar pra gente, eu faço ele dormir e caio em cima dele cortando a cabeça.

Yuri ficou alguns segundos me encarando.

Depois deu de ombros.

— Prático.

E eficiente.

Perfeito.

Nesse momento…

Passos ecoaram pelo corredor.

Yuri ouviu também.

Ela fez um sinal para cima.

Sem dizer uma palavra.

Deu um salto.

As asas se abriram.

Começaram a bater lentamente.

E ela levantou voo.

Sorri.

Já que ela fazia daquele jeito…

Eu faria melhor.

[Cópia, mas faz melhor]

Copiei seus movimentos.

Saltei.

Bati as asas.

E, em poucos instantes, alcancei a mesma altura que ela.

Assim que cheguei, Yuri segurou minha mão.

— Se prende aqui.

Ela virou o corpo completamente de cabeça para baixo, agarrando-se ao teto.

Fiz exatamente o mesmo.

Ficamos imóveis.

Observando.

Logo percebemos um dos Gomendis olhando justamente para nossa direção.

Não pensei duas vezes.

Soltei o teto.

[Copyraitos]

SWINH!

Um único corte atravessou sua garganta.

Nem teve tempo de reagir.

Antes mesmo do corpo atingir o chão…

[Cópia, mas faz melhor]

Bati as asas novamente.

Voltando para o teto.

Olhei para Yuri.

— Podemos seguir.

Ela soltou uma risadinha baixa.

— Você é muito bom nessas coisas, Samuel…

Ainda bem que somos amigos.

Sorri.

— Sim.

Agora vamos.

Avistamos o segundo Gomendi daquele corredor.

Mas, sinceramente…

Nem valia a pena dar destaque.

Passamos por cima dele.

Desci.

Matei.

E subi novamente.

Era necessário.

Se encontrasse o companheiro morto…

Com certeza avisaria alguém.

Seguimos em frente.

Sempre em silêncio.

Até chegarmos a uma bifurcação com três corredores.

Yuri retirou seu mapa.

Ficou alguns segundos encarando os caminhos.

Depois começou a murmurar:

— Uni… duni… tê… salame…

Apontou para o corredor da direita.

— Esse.

E seguimos.

Os corredores seguintes não tiveram muita diferença.

Subia.

Descia.

Matava.

Subia.

Descia.

Matava.

Repetimos esse mesmo processo diversas vezes.

Quando percebi…

Já tinha cortado mais de dez pescoços.

Finalmente chegamos ao último corredor.

Lá na frente…

Já era possível enxergar um enorme espaço vazio.

Yuri soltou o teto para caminhar ao meu lado.

No mesmo instante…

Minha cópia do Morcego terminou.

— Eu tô cego.

Ela deu um pequeno tapa na própria testa.

— Ah.

É verdade.

Segurou minha mão.

Pensando bem…

Cansei de ficar dizendo [Nada se cria, tudo se copia] toda vez.

Muito grande.

Muito trabalhoso.

A partir de agora…

Pra usar essa habilidade…

Vai ser só:

[Cópia]

Muito mais simples.

[Cópia]

No mesmo instante…

Minha visão voltou.

Yuri me observou por alguns segundos.

— Tá tudo bem aí?

Assenti.

— Tá.

Só tô nervosa.

Nunca cheguei tão perto do castelo de um Mada.

Entende?

Sorri para tranquilizá-la.

— Entendo.

É assustador mesmo.

Mas vai dar tudo certo.

Ela respirou fundo.

— Espero que sim…

Continuamos caminhando.

Até que finalmente avistamos o castelo.

Ele ficava no fundo daquela gigantesca caverna.

Isolado.

Silencioso.

Yuri tremia discretamente ao meu lado.

Foi então que…

BOOOOM!

Uma explosão ecoou atrás de nós.

Nós dois nós viramos imediatamente.

Toneladas de pedras despencaram da entrada da caverna.

Bloqueando completamente o caminho.

Estávamos presos.

Talvez ainda existisse uma forma de sair…

Mas certamente não seria fácil.

Nesse instante…

Algo caiu do teto.

TUM!

A poeira se espalhou.

Quando ela baixou…

Um Scar surgiu diante de nós.

Ele se levantou lentamente.

Seu olhar carregava uma irritação evidente.

— Vocês são os responsáveis por matar os meus amados Gomendis?

— AH!

Yuri arregalou os olhos.

Ela virou para mim imediatamente.

— Ele acabou de chegar!

Então ele nem estava aqui!

Ele voltou agora e encontrou os corpos!

Cocei a cabeça.

— Vixi…

O Scar levou a mão à testa.

— Eu costumo matar qualquer intruso…

Mas sou um cavaleiro.

Gostariam de lutar dentro do meu castelo?

A iluminação lá dentro é muito melhor.

Pensei por alguns segundos.

Aquilo era estranho.

Aqui…

Eu e Yuri tínhamos vantagem.

Nós enxergávamos perfeitamente no escuro.

E, até onde eu sabia…

Nenhuma doença concedia visão noturna.

Ou seja…

Provavelmente ele estava enxergando pior do que nós.

Mas, quando olhei para Yuri…

Ela tremia.

Muito.

Respirava fundo.

E evitava olhar para aquele Scar.

Entendi imediatamente.

Ela estava com medo.

Muito medo.

Se eu recusasse…

Ela teria que permanecer ao meu lado durante toda a luta para que eu pudesse copiar seu Impar e continuar enxergando.

Se aceitasse…

Ela ficaria fora do combate.

Mesmo que existisse uma armadilha…

Eu preferia correr esse risco.

Não queria colocá-la em perigo.

Olhei para o Scar.

— Certo.

Eu luto com você no seu castelo.

Ele sorriu.

— Ótimo.

Então venha.

Ele passou entre nós e começou a caminhar tranquilamente.

Assim que ele se afastou…

Yuri me segurou pelo braço.

— O que você tá fazendo?

— Ué…

Indo lutar com ele.

— Você não pensa?!

Isso é claramente uma armadilha!

Balancei a cabeça.

— Yuri…

Desde que ele apareceu ficou óbvio que você não quer enfrentar esse cara.

Ela desviou o olhar.

— Mas isso não importa!

Eu não quero deixar você lutar num lugar onde ele claramente vai ter vantagem!

Sorri.

— Relaxa.

Eu dou conta.

Ela segurou meus ombros com força.

— Eu espero mesmo que você esteja certo…

Então…

Ela me abraçou rapidamente.

Foi um abraço curto.

Mas sincero.

Logo se afastou.

— Pode ir.

Ela ficou alguns segundos olhando para mim.

Depois virou de costas.

— Ah…

É.

Nem tem como eu sair daqui…

Sua voz soou triste.

Sorri.

— Fica tranquila.

Quando eu derrotar ele…

Eu quebro essas pedras.

Ela voltou a sorrir.

— Tá bom.

Então vai lá.

— Tchau, Yuri.

— Tchau…

Respirei fundo.

E caminhei sozinho em direção ao castelo.

O interior era surpreendentemente bonito.

Havia diversas decorações espalhadas pelo salão.

Mas nada chamava tanta atenção quanto o próprio Roberto.

Ele estava parado bem no centro da enorme sala.

Ao fundo…

Um grande trono dominava o ambiente.

Assim que entrei…

Ele virou o rosto para mim.

— Então…

Você é o Scar que matou Lucio?

Franzi a testa.

— Como você sabe disso?

Ele começou a caminhar lentamente em direção ao trono.

— Contatos.

Fiquei sabendo do que aconteceu.

Deu um leve suspiro.

— Lucio não era exatamente uma boa pessoa…

Mas era meu aliado.

Tínhamos certa proximidade.

Uma enorme quantidade de Impar começou a emanar do seu corpo.

Ele então voltou a me encarar.

— Mas vamos direto ao ponto.

Afinal…

Foi por isso que você veio até aqui, não foi?

Segurei firme minha espada.

— Foi.

Então vamos direto ao assunto.

Ele ergueu as mãos.

Usava duas luvas cobertas por espinhos metálicos.

— Quer uma contagem…

Ou prefere atacar primeiro?

Sorri.

— Não precisa.

Deixa que eu começo.

[Chá Ringan]

— Porque você não tá preparado.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.