Scarloon Leandro III - Pneumonia
6 CAPÍTULO 21 — TRÊS CONTRA UM
Febre ativada.
Avancei com tudo para cima do lobo. Muco endurecido nas mãos. Comecei a dar socos rápidos.
Ele desviava com agilidade de alguns, defendia outros — mas eu acertei um na sua cara.
Olhei para trás. A tartaruga tentou me acertar. Me abaixei, dei um chute para cima. Acertou sua cabeça.
Mas isso deu uma brecha.
O lobo usou suas garras para tentar acertar meu rosto.
Swish!
Usei o muco para cobrir meu rosto. Endureci.
O ataque cortou parte dele — quase o perfurou.
Sem tempo para esperar, concentrei a febre na boca.
Fruuuuuum!
Rajada de fogo. Acertou o rosto do cachorro parcialmente — ele desviou. Vi ele cair de joelhos, a mão no rosto.
Não tive tempo de reagir.
Fruuum-TCHOC!
Fui pego pelas garras do pássaro. Levado para o alto em alta velocidade. Suas garras cravaram meus ombros.
Segurei suas pernas.
Usei o muco. Grudei.
Assim que terminei, fui lançado para o alto. Olhando de cima, estava a uns vinte metros do chão.
Cair é igual à morte.
Com o muco preso na perna do pássaro, ativei a febre. Com um impulso forte, comecei a puxar. O pássaro não ofereceu resistência.
Foi levado para o chão em alta velocidade.
Chegando perto das árvores, desviei de uma e puxei com todas as forças.
TRRAC-TUM!
O pássaro bateu com tudo na árvore. Pedaços de madeira voaram para todo lado.
Grudei o muco nas árvores. Pousei em pé.
Olhei ao redor.
O lobo pulou de uma moita. Veio com tudo na minha direção.
Com força, segurei suas garras com o muco nas minhas mãos.
— Você realmente é bem forte, né? — ele disse, ofegante. — Você é um cara—
Pneumonia.
Ele se contorceu pela falta de ar. Apontei a Dor de Cabeça na sua direção.
BOOM!
— Droga…
A tartaruga o defendeu no último segundo.
Mas eles ainda não viram o que eu posso fazer.
O lobo correu para trás.
Pneumonia. Febre. Dor de Cabeça.
Mais uma vez, mirei a Dor de Cabeça nele. E mais uma vez, ele se virou de costas.
BOOM!
Disparando, percebi que ele era bem resistente — mas não indestrutível. Seu casco estava rachando.
Ele ainda não percebeu.
Mais uma vez.
Sentiu que não tinha ar. A explosão era só distração — o gás ainda estava no ar.
— AH?
Ele começou a gritar.
— O ar que entrou no seu corpo está bem quente, né? — falei. — Combinei febre com pneumonia.
Ele se contorceu no chão.
Segurei sua cabeça. Com meu artefato ainda ativo, enfiei o punho com o soco inglês na cara dele.
POW!
Os espinhos perfuraram sua cabeça. Seus olhos.
Ele caiu morto.
Nesse exato momento, o pássaro tentou um ataque surpresa. Usei febre para desviar.
Talvez eles ainda não saibam, mas meu muco não é apenas uma corda.
É uma serpente.
Com o muco saindo do meu rosto, deixei-o no chão. Fiz ele caminhar pelas árvores.
Ouvi no meio do mato:
— AGORA!
O lobo saiu da moita. Tentou me dar o bote.
Ativei minha armadura Lazuli. Avancei para cima dele. Ele tentou dar garradas. Eu defendia e contra-atacava.
Trocação de ataques.
Mas durante isso… Fruuum-TCHOC!
Fui acertado pelo pássaro. Depois do ataque, fui mordido no ombro pelo lobo. Ele recuou rápido quando ia acertar um soco na sua barriga.
Eles se esconderam.
Droga.
A mordida do cachorro junto com a garrada do pássaro danificaram meu ombro. Perfuraram. Começava a sangrar.
Eles querem me pegar desprevenido. Ataque combinado.
Foi quando percebi. Olhei para cima. Vi o lobo sendo jogado para cima de mim pelo pássaro.
Desviei da investida voadora do cachorro. Vi o pássaro voando, indo para minhas costas.
Eles querem me acertar dos dois lados.
Bando de animais.
O lobo agarrou minha mão com a garra. Com a outra garra, enfiou na minha barriga. Perfurou minha armadura.
— Eu vou te matar!
— Não fale coisas impossíveis.
O pássaro voou na minha direção, garras prontas para o abate.
PLEC.
Foi agarrado pelo muco.
Eles não sabem, mas eu posso controlá-lo se ainda estiver longe de mim. Igual a uma cobra.
Com ele grudado, usei-o.
Um olho surgiu na frente do lobo. Seus olhos ficaram negros. Cego.
Com ele distraído, usei o muco e grudei seus braços. Com febre, dei um pulo para o alto e puxei o pássaro preso para cima do lobo.
POW.
Os dois bateram de cara.
Como uma cobra, usei bastante muco para enrolá-los. Ficaram completamente imóveis.
— Me solta, seu Scar nojento! — disse o lobo.
Me distanciei. Coloquei o dedo na cabeça.
— Eu vou soltar. Acha que uma explosão pode soltar vocês desse muco?
Sua cara congelou.
Os dois, completamente feridos.
Apontei o dedo para eles. Energia laranja quase latejante.
— Por favor, nos perdoa! — o pássaro implorou. — A gente promete nunca mais fazer coisas como essa! Eu juro!
Mentira.
BOOM!
A explosão espalhou muco para todo lado. Junto com vários ossos, órgãos e tripas.
Nojento.
Bem nojento. Mas nada que eu já não tivesse visto neste mundo.
Agora que matei os antimais, tinha que resolver a situação da Samara.
Voltei para o local onde ela havia caído. O chão ainda estava tampado.
Procurei por alguns minutos. Alguma entrada, fresta para abrir o buraco. Nada.
Tive uma ideia.
Talvez uma explosão resolva.
Comecei a preparar minha Dor de Cabeça.
Senti algo me observando.
Não era igual aos antimais. Algo mais perigoso.
Olhei na direção. Não vi nada. Mas senti algo segurando meu braço.
Quando percebi, era um braço de gorila.
Assustado, mirei na minha frente. Uma Scar começou a se revelar. Rosto triangular invertido, com as pontas em formato quadrático.
Vendo minha reação, ela soltou minha mão.
— Quem é você?
Ela se apresentou formalmente.
— Meu nome é Valentina. Muito prazer.
Estendeu a mão.
— Huh.
Fiquei confuso.
— O que foi? Tem algum problema com meu nome?
— Nenhum. Só me fala o que você está fazendo aqui. Por acaso, você estava com aqueles dois antimais que eu matei?
Ela me olhou com tom de deboche.
— Eles? Sim. Mas fiquei surpresa com sua facilidade em matá-los. Mas, sendo sincera, eles nem eram tão fortes assim.
Essa mulher é estranha.
— O que você quer?
— Só gostaria de avisá-lo que você não é bem-vindo nesta floresta, querido. Este local é meu território. Percebi que você é forte e que se livrou dos pesos mortos do meu grupo. Mas estou te dando a chance de fugir apenas porque te achei bonitinho.
Que mulher doida.
— Do seu grupo? — perguntei. — Que grupo?
— Não sabe, querido? O grupo dos Caçadores de Scar.
O nome era bem autoexplicativo.
— Então você é o quê desse grupo?
— Sou a líder. — Seu sorriso se alargou. — Sugiro que você diminua seu tom de voz, querido. Não quero ter que arrancar sua língua para que você aprenda a falar com respeito.
— Pode deixar, líder dos Caçadores.
Ativei febre.
Com toda a velocidade que eu conseguia, tentei dar um soco na cara dela.
Whoosh!
Ela desviou.
Com velocidade, mordeu meu pescoço.
Senti algo entrando nas minhas veias. Quando tentei empurrá-la, ela segurou meus braços com uma força surreal.
Droga!
— Você gosta da chupada que eu estou te dando? — ela sussurrou contra minha pele. — É um veneno que eu mesma desenvolvi. Aproveite.
Senti meu corpo intoxicado. Minhas pernas paralisando.
Mas, de repente… RASG!
— AAAAh!
O pescoço de Valentina foi perfurado por algo. Ela se contorceu de dor, me largando.
Assim que fui solto, senti algo me segurando. Uma voz familiar:
— Leandro! Fica calmo, vou te salvar.
Samara.
Com dificuldade, ela começou a me carregar. Quando percebi, fui coberto por seu Impar.
Valentina, com o pescoço sangrando, olhou para a gente.
— O que é isso? Um camaleão? — ela franziu a testa. — Não… teria sentido o cheiro. É algo ainda mais perigoso.
Como se não fosse nada, ela começou a regenerar o pescoço recém-perfurado.
— Fica quieto, Leandro — Samara sussurrou.
— Ok.
Swip.
Não fiquei mais visível.
Ela tinha conseguido me deixar invisível.
Com dificuldade, ainda me carregava.
Valentina parecia confusa, mas já sabia que não iria nos encontrar. Gritou:
— Se eu achar vocês, vou matá-los da forma mais cruel que puderem imaginar!
Eu havia sido pego desprevenido por aquela mulher. Mas isso não era o mais importante.
Agora eu conseguia mexer minhas pernas.
— Samara, valeu. Mas pode me soltar. Já consigo andar — sussurrei.
Ela me colocou com cuidado no chão.
— Vamos correr o mais rápido que conseguirmos — disse baixinho. — Não posso manter isso por muito tempo. Só temos mais um minuto!
— Deixa comigo.
Me agachei.
— Sobe nas minhas costas. Vou usar o máximo que consigo do meu Impar para correr.
Não dava para vê-la, mas senti sua pele encostando na minha. Seus braços agarrando meus ombros.
— Perfeito.
Febre 50 graus.
Como um borrão, fugi com tudo daquela floresta amaldiçoada.
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