Scarlet Dynasty - Klaroline
1 Fase 1 - Prólogo
Notas iniciais

Dez anos depois de Graduation
Caroline
Eu estava sentada em volta da bancada da cozinha, tentando comer meu café da manhã favorito, Ovos Benedict. Klaus sempre fazia para mim, com seu charme e talento aperfeiçoado pelo tempo. Mas, hoje tive que me virar sozinha. Mirava frustradamente as gemas secas e o pão quase queimado, pois eu não tinha muita paciência para acertar a receita do jeito perfeito de Klaus. Pensando onde ele estaria agora senão cozinhando pra mim, olhava para o horizonte da cidade a minha frente. O vidro que tomavam toda a extensão da parede, era voltado para o leste, destacando toda a luz solar dourada e radiante que inundava a cozinha, deixado-a acalorada e bem iluminada. A vista daqui era incrível, suspirei grata enquanto sentia a luz do Sol no rosto. Dava para ver quase todo French Quarter e alguns vislumbres do bairro depois da ponte. E a visão do Rio Mississipi em contraste com o emaranhado de edifícios ao seu redor era deslumbrante. Não havia muitos prédios altos no French Quarter, para não ofuscar a beleza dos edifícios clássicos e antigos da região. Era proibida a construção de prédios altos nas terras antigas do Quarter. Mas, conseguimos um ótimo apartamento próximo aos hotéis, onde se encontravam os edifícios mais altos e de arquitetura moderna mais em direção ao Mississipi. Depois de muitas idas e vindas, cá estávamos nós de novo nesse apartamento, e dessa vez era para sempre, assim como nos prometemos. Klaus finalmente se desprendeu de qualquer apego que possuía àquele mausoléu do Alley e estava pronto para viver em novos horizontes comigo, de tal forma que os irmãos assumiram de vez a administração da mansão — Elijah adorou, diga-se de passagem, pois começou um pequeno negócio de vinhos na propriedade, mas ele pretende expandir para outras regiões, pois não acredita que o Estado da Luisiana tenha um Clima apropriado para a plantação de uvas — E aqui nessa cobertura, bem a leste do bairro francês e de seus eventos notórios, jazia nosso novo recanto com cheiro de vida nova e de poder. Morar aqui me fazia sentir estar no topo do mundo. Não apenas por causa do luxo do prédio e da vizinhança, ou da sua modernidade, mas, principalmente, pelo o significado do lugar onde ele vivia. Para Klaus era importante estar bem próximo à sua antiga casa no French Quarter, que ele fez questão de tomar de volta de Marcel e que eu ajudei a conseguir, a propósito. Era um simbolismo sobre quem está de verdade no poder e era onde ele mantinha o seu novo Quartel general de intrigas. Mesmo que não morássemos lá, Klaus ainda acredita que ela, por ser o centro de tudo, deve ser administrada pelos Mikaelson. Já a outra e mais antiga casa era mais no campo, mais para dentro da cidade, em Oak Alley, muito linda e clássica, onde os Mikaelson consideravam mais como o seu verdadeiro lar. Mas, ela também era símbolo de muita coisa ruim do passado de Klaus. De sofrimento e de crueldade. Continuar morando nela seria auto flagelo, um martírio. Aquelas terras eram um lembrete vivo de muita injustiça e de tortura, não só para os Originais, mas também para os habitantes do regime colonial. Muita coisa ruim que ele fez ou sofreu se passou naquela casa e manchou a sua história. E nós tínhamos entrado num acordo de sempre tentarmos seguir em frente, de não deixarmos os fantasmas do nosso passado nos assombrarem. Já tínhamos muitos fantasmas de carne e osso nos perseguindo no presente. Viver com o Klaus era uma eterna condenação. Sempre tinha alguém querendo acabar com ele e, por consequência, comigo. É claro, eu contribuí um pouquinho com as minhas artimanhas, mas nada se compara ao ímã para problemas que Klaus Mikaelson tem cravado nas costas. E ele não era e nunca seria um santo. Parte do charme de Klaus era o derramamento de sangue. Eu não poderia ser inocente e acreditar que ele pararia de matar. Pelo menos agora eu sei que ele pondera entes de arrancar umas cabeças e que não faz apenas por esporte, "só quando necessário", concordamos em voz alta. Foi um longo caminho até chegarmos nesse ponto. E eu, bem, ultimamente não tenho estado no meu momento mais pacífico. Poder lutar ao lado dos Originais de igual para igual é uma faca de dois gumes. Ora eu preciso defender minha nova família disfuncional, ora tenho que me envolver nos planinhos psicopatas do meu namorado, ora eu mesma estou arquitetando novos planos mirabolantes com maestria. E, sinceramente, adoro quando chega a minha hora de entrar em cena. É tão bom sentir todo esse poder nas veias. Eu vejo como um presente, não como uma maldição que nem Kol vive repetindo. Me sinto imbatível, sem medo de nada, sem insegurança alguma. Apenas sinto extravasar a minha sempre vontade de ser grande e poderosa. Logo, quando minhas habilidades são requisitadas, é difícil ser racional e escolher as batalhas sem partir para a agressão. Então, ficar de mãos limpas era quase impossível. Mas, agressividade e morte gratuita não é o meu estilo. É o estilo de Klaus e companhia Mikaelson.
Eu já estava alguns meses morando com ele aqui em New Orleans. No início foi uma grande tempestade. Anos atrás Klaus foi obrigado a deixar Mystic Falls e se meteu numa espécie de máfia sobrenatural para conquistar e ficar no poder da cidade. E tudo começou por minha culpa. De um jeito ou de outro. Primeiro ele veio para me ajudar e encontrou mais coisa aqui do que esperava. Depois, quando eu não suportava mais olhar na sua cara e queria que ele sumisse de Mystic Falls, foi quando ele finalmente começou seu jogo contra Marcel e os sobrenaturais do Quarter.
Minha adaptação foi difícil, mas também divertida, pensei sorrindo. Nunca Klaus vai esquecer da loucura que foram minhas primeiras semanas nesse lugar. Deixei o cara doidinho da cabeça. Tanta confusão que eu arrumei, tantas pontas soltas do meu passado que precisavam ser resolvidas para que eu pudesse, finalmente, seguir em frente ao ser trazida de volta a mim mesma, escapando das trevas interiores. Depois, foi minha vez de pegar meu próprio caminho, para preparar meu espírito para as próximas fases da minha vida. E finalmente voltei para o Klaus, pois era onde eu queria estar, era onde estava o meu destino glorioso. Nós conseguimos superar tudo isso e cá estou aqui, liderando a cidade com ele.
Eu confesso, eu gosto de mandar.
O poder que eu sinto correndo nas veias inebriando o corpo consegue ser melhor que o sangue dos inimigos. É sensacional ser a chefe de alguma coisa. É como se fossem meus antigos comitês na escola e na faculdade em que eu era a líder, ou melhor, que eu me auto proclamava a líder, só que numa escala mil vezes maior, mais poderosa e mais sangrenta. Minha carreira promissora e bem sucedida após a faculdade me abriu o caminho até aqui, me instigando a explorar meu potencial para liderança. Sempre gostei de projetos. Esse era apenas um pouquinho mais requintado e sanguinário que os outros. As coisas estavam ainda no processo. Klaus ainda estava moldando a cidade da maneira que ele gostaria que fosse, que nós gostaríamos que fosse. Ainda tinha muito trabalho a fazer. Às vezes eu ficava cansada de tudo isso e tinha vontade de dar umas escapadas, de espairecer numa terra bem longínqua, cansada de tanto drama entre vampiros, bruxas, lobisomens e humanos. Mas, eu não conseguia partir. Porque, além de eu gostar da liderança e do poder, além de eu adorar os avanços no mundo sobrenatural, sobretudo arquitetados por mim, eu amava Klaus, mais do que permitia a racionalidade. Eu demorei a entender isso ou, até mesmo, aceitar, a perdoá-lo pelos acontecimentos desastrosos em Mystic Falls. Demorei a me recuperar da sobrecarga emocional que foram meus últimos meses antes de eu voltar para a realidade. Mas, a verdade é que eu amo demais esse doido. Do jeitinho como ele é, pois parte do seu charme era a vilania. Portanto, mesmo que tenha se passado alguns anos antes nos reencontramos novamente, seria impossível para mim ficar longe dele para sempre.
Nunca imaginei que eu teria uma vida assim, com guerras, tramas, ou que eu seria uma líder do sobrenatural, que estaria no topo, muito menos ao lado de Klaus. O que eu passei em Mystic Falls foi brincadeira de criança. Mas, é tão bom estar aqui, esse era o meu lugar...
Olhei no relógio do meu pulso e vi que faltava um quarto para as 9h da manhã. Klaus me disse ontem à noite que voltaria para casa antes do horário da ceia para jantarmos juntos, mas não voltou. Meus trabalhos do dia estavam finalizados e bem encaixados, assim como os dele, então pensei que pelo menos teríamos a parte da noite para relaxarmos juntos e prepararmos os últimos detalhes para a reunião bem espumosa do Conselho de hoje. Mas, não. Ele simplesmente não apareceu. Após inúmeras ligações perdidas, eu fui até o Quarter, mas tudo parecia exatamente do jeito que eu tinha deixado naquela tarde. Marcel e Rebekah me garantiram que Klaus tinha deixado o prédio logo antes de Elijah afirmando que estava vindo para casa.
Eu não sabia se ficava preocupada ou zangada.
Claramente ele e Elijah estavam juntos em alguma trama escondida. Sempre que tinha um assunto burocrático ele fazia questão de me exibir ao seu lado, mas quando tinha alguma briga ele fazia o possível para eu evitá-la. A quantidade de vezes que já discutimos sobre isso... Assim não tinha como eu ser vista ou respeitada como líder junto dele. E eu sempre terminava o dia xingando ele por isso. Ele não pode esperar que eu seja uma súdita que nem o resto da cidade. Eu sou do mesmo patamar que o dele agora. Eu sou uma líder não só na burocracia, mas na força também. Ou ele estava se esquecendo de que muitas das suas conquistas foram graças a mim?
Foram minhas conquistas, não dele.
Eu fui dormir estressada. Não só pela ansiedade de que Klaus e Elijah estivessem em alguma arapuca e eu em casa sem saber nada, mas também porque estava muito mal acostumada de dormir agarrada nele, sentindo aquele cheiro delicioso de loção pós barba que ele gostava de passar antes de deitar. Claro, isso logo depois de ter aproveitado ao máximo a presença dele...
Ao deitar, minha última tentativa foi mandar mensagens para Rebekah e Kol. E as respostas foram semelhantes. A última vez que se viram foram na mansão do French Quarter. Rebekah até disse que indagou Marcel, mas ele jurou não saber de nada.
Me levantei da bancada e peguei o meu celular para discar o número dele mais uma vez. Caixa postal. Argh, seriously! Ele não costumava fazer isso, me deixar sem notícias. Mas, nem sempre me contava tudo na hora. Aposto que deu merda na aventurinha indiscreta dele e nem se deu ao trabalho de pedir a minha ajuda. Eu não era mais uma vampirinha indefesa e fraca de cidade pequena há muito tempo. Ele sabia disso. Respirei fundo e saí da cozinha. Eu ia atrás dele. Eu não ia ficar em casa que nem uma idiota tricotando esperando ele voltar. E mais tarde em casa teríamos uma conversinha.
Estava passando pela sala de estar, indo em direção ao corredor da entrada principal quando ouvi o som do nosso elevador. Era ele. Parei na sala de visitas, batendo o pé nervosamente na madeira, esperando o bastardo entrar. Ao virar o corredor, ele sorriu de canto, como se fosse mais um dia normal, mas uma saudação corriqueira. Ele tinha um pouco de sangue quase indetectável a olhos humanos nos braços, na camisa e na calça. Mas, meus superpoderes escancaravam o que fosse. Eu sabia!
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Klaus e Caroline
— Bom dia, love. Dormiu bem? Espero que a minha ausência não tenha afetado muito o seu sono. Eu sei que você adora dormir enroscada em mim sentindo o meu calor. Você praticamente me faz de cama, mas eu gosto. Não estou reclamando – Ele disse com a cara mais cínica do mundo enquanto se aproximava. Ele não ia passar reto por mim como se nada tivesse acontecido. Ele achava mesmo normal não ter dormido em casa sem me avisar? Achava mesmo que isso não terá consequências drásticas para ele?
Caroline me encarava com uma mistura de raiva e petulância, com os braços cruzados. Geralmente essa expressão dela era sinônimo de brigas, de que eu estava em apuros. Mas, até que gostava de provocá-la um pouquinho. Sempre terminava de forma interessante, com objetos quebrados voando pelo apartamento e com gemidos indiscretos no meu ouvido. Ela parecia um anjo, mesmo tentando fazer a cara do demônio. Um paradoxo delicioso de observar. Essa cara dela me excitava.
— Desculpe pelo estado – eu apontei para as minhas roupas – eu sei que você não gosta de manchar a nossa casa com a sujeira alheia. Mas, eu não tive escolha. Acho que vou comprar um lugar especialmente para esse tipo de ocasião, para que eu possa me lavar e tirar o sangue dos inimigos antes de voltar para a imaculada e límpida casa da minha mulher – eu acrescentei com um tom de humor, tentando, em vão, desmanchar aquela carranca. A minha vontade era de agarrá-la, mas eu não faria isso estando fedendo do jeito que estava.
— Você não é nem maluco de comprar uma casa escondido de mim – Me apontou o dedo acusadoramente.
— É só uma ideia prática – Levantei as mãos em rendição.
— Você não viu nenhuma das minhas cem ligações? Não poderia ter a decência de me deixar, pelo menos, um recado? – reclamei, já bem irritada.
É óbvio que ele sabe se defender, ele é o Híbrido Original. E a única coisa que poderia machuca-lo de verdade não existe mais. Klaus estava intocável no momento. Mas, mesmo assim, eu gostava de saber onde ele estava, saber se ainda estava estava vivo, mesmo não podendo ser morto. Ele me enlouquecia quando decidia sair por aí fazendo merda sem nem ao mesmo me dizer onde estava. Eu fica apreensiva demais pelo medo de ele ser pego em mais uma emboscada e ser trancado de novo onde ninguém pudesse mais achá-lo. Ouvir a voz dele sempre me proporcionava alívio, mesmo que à distância. Essa cidade é instável demais. Nunca se sabe quando alguém vai inventar moda e se rebelar com eficiência. A quantidade de gente buscando um jeito de derrotar Klaus Mikaelson outra vez era imensa. E se eu não estivesse lá para salvá-lo de novo? Então, eu sempre ansiava por saber se não precisaria de mais uma força no ataque. Porque, diga-se de passagem, a minha era imbatível
— Por que esteve em silêncio a noite toda? Você sabe o quanto isso me irrita. E também o quanto me preocupa. Seja lá o que estiver tramando, vai me contar agora. Ou você se esquece de que muita coisa existe graças ao meu excelente trabalho?
— Mas, é claro, sweetheart. Longe de mim não reconhecer os seus esforços e seus grandes feitos – Eu disse sorrindo, caminhando lentamente em direção a ela. Se você quer a presa, não deve assusta-la – Eu não pude responder porque estava apagado – Dei um passo na sua direção, ficando mais preocupada ainda – Nunca foi a minha intenção não te incluir. Eu estava apenas acertando com Elijah os últimos detalhes da reunião de hoje, na qual você também vai estar. Fomos surpreendidos. Então, obviamente que não deu tempo de eu te chamar para a festa.
— Surpreendidos como? – Eu disse com tom satírico – Você pode me dizer em como uma simples reunião com o seu irmão se tornou um banho de sangue ? Porque eu posso ver muito bem que você tentou se limpar antes de entrar aqui, mas não fez um trabalho perfeito – Mirei ele de cima abaixo – Quero ver quando é que você vai me tratar como sua igual.
— Só uma correção, love. Ninguém é meu igual. Mas, sim, você também é dona dessa cidade junto comigo e todos sabem disso. E ninguém te diminui. Não somos nem malucos para fazermos isso depois do presente que a minha mãe louca te deu, até mesmo dos avanços que tem feito no Quarter. Mas, você sabe, imprevistos acontecem. Só tenho que me virar na hora. Nem sempre dá tempo de te chamar, love, enquanto estou arrancado uns corações. E podem até não te matarem, mas você daria uma bela diversão para algumas pessoas. Todo cuidado é pouco – Meu maior medo de todos, Caroline ser um alvo. Até agora, conseguimos vencer a todos, suprimir todo e qualquer inimigo que atravessou o nosso caminho. Mas, nunca se pode perder a vigilância. E eu ficava sempre em alerta a qualquer sinal de perigo em volta de Caroline. Depois de tudo o que aconteceu com ela em Mystic Falls e do que ela aprontou em New Orleans ao chegar na cidade, eu não estava seguro o bastante de que Caroline estava fora do radar de quem não devia. Eu não era o único caçado, ela também era, pois se meteu numa grande confusão com as bruxas e essas filhas da puta só não perderam a cabeça ainda devido ao acordo que estamos prestes a assinar, mas principalmente porque estavam quase impossíveis de serem derrotadas. E mais uma vez sendo uma filha da puta traidora, Esther entregou tudo para as ratazanas de esgoto, dando a elas poderes além da conta. Mas, se chegassem até Caroline, suas mortes eram certas. Não haveria acordo e nem poder sobrenatural nesse mundo que me impediria de proteger Caroline.
— Quero ver tentarem – Eu sorri. Ela me dava orgulho – Já pode desembuchar sobre o que houve.
— Vamos conversar com calma? Só me deixar me refrescar um pouco antes e saberá de tudo – Ela revirou os olhos, mas acenou concordando.
— Que seja breve. Você demora muito no banho.
— E será. Bem, eu vou tomar banho, para você não me fazer pagar caro por entrar sujo aqui. E eu tenho...nós temos muitos assuntos hoje para resolver. Você tem certeza de que esse é o caminho que quer proceder? Está muito claro que nem todos vão aceitar. Vão nos trair se pegarmos leve desse jeito – Eu disse ignorando a expressão indignada dela. Esse era um assunto para depois. Caroline me olhou de cara feia, certamente pelas merdas que eu disse. Ela não gostava quando eu batia na tecla de que ninguém é meu igual.
— É o jeito menos agreassivo e correto. Se não cumprirem, vão pagar – Eu sorri para ela concordando, mesmo com a dúvida – Mas, primeiro precisamos nos utilizar da boa política para não levarmos a nossa cidade ao caos da guerra, você sabe. E assim será se os grupos não entrarem num acordo.
— Veremos, mas quem nos trair, vai perder o coração do peito.
— Quanto a isso discutiremos depois. Eu tenho umas novas ideias para as penitências – Ela cruzou os braços em desafio, mas mesmo assim o seu brilho sapeca estava presente nas íris azuis. Eu sorri. Adorava esse lado mandão dela.
Sem responder nada, me aproximei dela de repente o bastante para cheirar o seu cabelo, mas sem tocá-lá. Meu corpo reagiu imediatamente com uma forte ereção, enquanto a minha pele se arrepiava toda, com uma corrente elétrica que percorria minhas veias. Meu corpo esquentou à medida que eu tentava me encostar mais em Caroline. Ela ficou parada, me encarando de perto, mas sem me dar permissão para fazer mais, pois cruzou os braços e balançou a cabeça em negativa. Dava pra ver na sua cara debochada que ela estava se divertindo com a minha agonia. Eu deveria me controlar, não atacar gostosamente seu belo corpo como eu queria. A fim de acabar com a minha tortura que só aumentava dentro da calça, fui em direção à nossa suíte, no terceiro andar. Dei uma última olhada nela por cima do ombro, indicando bem que ela pagaria por isso mais tarde.
Uma ducha ajudaria a aliviar o tesão. Caroline tinha esse poder sobre mim. Qualquer coisa nela me atiçava de repente. Fosse uma simples expressão carrancuda ou sua gritaria petulante contra mim. Ou ela poderia estar apenas distraída e relaxada no seu cantinho favorito lendo um livro, mas bastava fazer uma carinha falsa inocente e sapeca para mim que já era o suficiente para me transtornar. Além do mais, eu me sentia imundo, mesmo com pouco sangue, o que era estranho, pois eu sempre estava sujo do sangue das pessoas que eu matava. A questão era que Caroline fazia da nossa casa um santuário. Era proibido entrar aqui carregando os nossos crimes pelo corpo. De todos os lugares este era o único em que eu me sentia desconfortável por estar cobertor de sangue. Então, estava desesperado para me livrar o quanto antes de qualquer vestígio dos meus crimes. E pensando neles...A noite havia sido longa. Com a ajuda de algumas bruxas, lobisomens rebeldes, que não concordam com os outros do clã e que acreditam que o acordo os deixarão em desvantagem, atacaram a mim e ao meu irmão ontem à noite. Eu estava na minha paz vindo para casa, após ficar para trás para arrumar umas coisas que Caroline pediu, e alegre por pensar que em poucos minutos estaria na companhia da minha bela rainha, quando Elijah apareceu de repente atrás de mim, pronunciando tudo o que a líder dos lobos estava exigindo. Ela ficou de entregar as respostas para Caroline, após a nossa ida espumosa ao Bayou, pois, mais uma vez, Caroline fazia o impossível para controlar a panela de pressão no Quarter e evitar a guerra iminente. Mas, o casinho ridículo de Hayley Marshall com Elijah fazia dele a marionete de recado dela. Eu discuti com meu irmão, afirmando que isso não fazia parte do trato. A lobinha suja garantiu a Caroline que conversaria com seu grupo e que assim que possível traria a resolução dos conflitos internos, de tal forma que acharíamos um meio termo, uma solução para as nossas divergências. Ela se mostrou aberta e interessada no acordo que Caroline propôs, confiava nela, não em mim, obviamente. E isso foi o suficiente para Caroline deixar o Bayou segura de que poderíamos, pelo menos com os lobisomens, evitar derramamento de sangue desnecessariamente. Mas, eu não esperava que meu irmão traria pedidos de última hora da lobinha abusada. Estava certo de que eu chegaria em casa, que seria recebido com todo o carinho e safadeza da minha mulher e que, após horas de sexo gostoso, passaríamos à noite acertando os últimos detalhes da reunião. Mas, não: para piorar a desgraça da noite, as bruxinhas infelizes resolveram me atacar junto daqueles asquerosos do gueto. Eu juro que me controlei ao máximo para matar o mínimo possível, mas eles não estavam facilitando para mim. Não queria pôr a perder todo o trabalho de meses, todo o esforço de Caroline de mediar entre os grupos. E também não queria arriscar perder Caroline outra vez. Foi horrível às vezes em que ela me deixou. Passar os dias sem ela e pensando que eu nunca mais a teria novamente foi mais torturante que as minhas repetidas mortes no outono passado. Ter essa nova chance com ela era mais do que eu merecia e esperava. Era quase um milagre que as coisas tenham se desencadeado um pouco ao meu favor. Então, eu tomava muito cuidado com o que fazia e dizia para não espanta-la de vez para fora da minha vida. Depois de muito tempo, depois de muitas idas e vindas, finalmente começamos a nos entender. Estar com ela me deixava feliz. Ela me deixava louco, admito, pois não tem pudor algum ao me enfrentar e não gosto de ser contrariado. Mas, aos poucos eu estava aprendendo a virarumapessoa decente, ela repetia, aprendendo a conter a frustração pelo mundo não ser todo exatamente do jeito que eu quero. Eu a amava tanto... e queria tê-la por perto sempre e para sempre, desde que estivesse feliz e segura do que caminho que tomava. Eu sei que eu não sou totalmente o que ela quer que eu seja. E talvez eu nunca chegue a ser. Tínhamos uma jornada bem longa ainda. Isso se ela não fosse embora antes. O que, às vezes, me fazia pensar se não era o melhor para ela. Traga-la para esse mundo violento sempre foi a única ressalva sobre mantê-la na minha vida. Mas, só a ideia de não te-lá por perto já era repulsiva e torturante. E ela bateu o pé, afirmou que era aqui onde ela queria estar, comigo e nessa vida. Eu e ela estávamos tão unidos nessa aventura nova que era inconcebível a ideia de vivermos um sem o outro. Eu precisava de alguém como ela para me manter são, para me dar o equilíbrio que eu estou sempre prestes a perder. Para me fazer conseguir respirar ar puro no meio desse ambiente pesado cheio de banho de sangue. Era intrigante pensar nisso, mas nossos caminhos nos trouxeram até aqui como se fosse um plano do destino. Um estratagema para se obter a vitalidade necessária à nossa sobrevivência. Como se formarmos num par fosse essencial para atingirmos nossos potenciais. De um jeito ou de outro sempre nos cruzávamos, pois as circunstâncias nos levavam de volta um para o outro. E nunca fui mais grato por algo na minha vida. Trazê-la até aqui comigo foi uma tarefa árdua. Precisei provar para ela, a cada passo que eu dava, que ela era uma prioridade pra mim. E depois de muita espera e de trabalho duro, ela era minha finalmente.
Passei pelo quarto, que tinha o chão em madeira escura e paredes brancas, com vastas janelas que pegavam duas paredes inteiras. No centro, encostado na parede e de frente para uma das paredes com janelas, tinha uma enorme cama de casal com edredons grossos e cor de creme. Caroline gostava da cama macia e "fofinha", como ela dizia. Então, trouxe de Oak Alley esses cobertores pesados e bordados a ouro que pertenceram a Luís XIV, de que ela tanto gostava. A nossa casa ainda mantinha objetos do século XVIII, minha mobília favorita, tal como as mesinhas de cabeceira nos lados da cama, que apesar de terem a tampa de vidro, ainda mantinham a base da madeira original, cada uma suportando um abajur branco. Em frente havia uma estante larga e baixa com uma gigantesca televisão 4k, que a gente nunca usava. Ao lado da porta havia uma estante com um Home Theater, obra de Caroline, e desse gostávamos bastante, especialmente num dia bom de vitórias onde dançávamos coladinhos juntos em casa, esquecendo do mundo lá fora. E esses dias sempre terminavam selvagens, pois íamos noite adentro apreciando o corpo quente um do outro, sem termos pressa para acabar. Já do outro lado, em frente à outra parede de janelas, havia alguns puffs off white, onde Caroline gostava de ficar para descansar ou para refrescar a mente após nosso habitual tumulto de intrigas no French Quarter ou para ler um livro enquanto tomava seu famoso e favorito Hot Cocoa. Seu lado jornalista ainda está acesso dentro de si, pois está sempre entretida em notícias sobre o mundo, de tal forma que costuma ler jornal no seu iPad, que jazia sobre uma mesa de centro de madeira branca, que ornamentava e finalizava o seu cantinho preferido. Ela ainda mantém contato com os jornalistas que noticiam as tragédias em outros continentes, de maneira que tenta manter em ordem seus antigos trabalhos de filantropia. Tão generosa e admirável, nunca da às costas a quem precisa. E eu, apesar de velho, também gostava de objetos modernos, desde que tivessem classe e elegância. Em uma das paredes sem janela havia uma entrada em portas de correr para um closet e havia diversos quadros espalhados, muitos deles pintados por mim. A decoração foi quase toda arquitetada por Caroline. Ela não abriu mão do controle desse navio nem mesmo quando contratou alguém de uma agência para fazê-lo. No fim, ela quem comandou os decoradores e ainda teve a audácia de encaminhar notas para a empresa afirmando ser um lugar de incompententes. E eu, claro, assisti a tudo calado, mas me divertindo horrores.
Sem conter o sorriso, caminhei até o banheiro na pressa, arranquei as roupas sem cerimônia e as joguei no cesto de vime. Caroline não gostava quando eu fazia isso, preferia que eu entregasse as roupas para a lavanderia do prédio ao invés de fazer os funcionários da casa lavarem. Mas, eu não gostava que tocassem nas minhas roupas sem que seguissem estritamente as minhas instruções. Então, hipnotizei todo mundo daquela lavanderia para que fizessem um trabalho descente, mesmo assim sempre tinha um idiota que fazia besteira. Pelo menos os meus empregados eu podia vigiar de perto.
Lavei os cabelos sem pressa, curtindo o conforto da ducha e aliviado por estar em casa, por estar me livrando do sangue que causava tanta repulsa em Caroline. Eu realmente tentei me lavar no banheiro da piscina comunal do prédio, para não chegar em casa tão sujo, mas mesmo assim Caroline espertamente detectou umas gotas. Queria ficar ali por bastante tempo, aproveitar os momentos. As ocasiões em que me sentia leve, sem peso nas costas estavam acontecendo com mais frequência. A presença de Caroline nessa fase da minha vida me fazia acreditar que finalmente muitas mudanças estavam acontecendo, me tirando desse ciclo de ódio eterno, me dando verdadeira esperança. Seria possível eu finalmente viver em paz? O sangue escorrendo na água em direção ao ralo me fazia duvidar um pouco dessa fantasia.
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Joguei a cabeça para trás, bufando. Caminhei até um dos sofás brancos e me joguei nele. Fiquei ali por um longo tempo repassando mentalmente as minhas estratégias para a reunião espinhosa que teríamos no French Quarter em breve enquanto olhava a cidade através das janelas da sala que, assim como da cozinha, tomavam toda a extensão da parede, só que dessa vez voltadas para o Leste e para o Norte, decoradas com leves e esvoaçantes cortinas brancas escolhidas a dedos por mim. Já estava começando a ficar impaciente. Klaus estava demorando muito. Ele gostava de banhos relaxantes e intermináveis. O banho de Rei, ele falava idiotamente. Quando entrava na banheira, eu sempre tinha que arrasta-ló de lá com as minhas garras. Se eu estava com ele, então, era quase impossível obrigá-lo a sair. Melhor que estar confortável na água quente era transar dentro dela com você pela noite inteira, ouvindo seus gemidos deliciosos no meu ouvido, ele falava tanta besteira. Eu adorava, era impossível não me deixar levar quando ele vinha com aquele sotaque britânico sussurrando putaria no meu ouvido. Sorrindo, resolvi subir para apressa-lo. Na verdade, eu queria mesmo era agarra-lo. Ou pelo menos ter um tempinho privado com ele antes de darmos aos ares a nossa graça. Uma vez combinamos; sempre aproveitarmos os pequenos momentos escondidos no meio dos grandes eventos. Assim que se faz a vida valer a pena. E a nossa estava sempre ameaçada, então era mais importante ainda seguir esse mantra. As travessuras dele na noite ainda retumbavam na minha mente, por preocupação e por irritação. Mas, em breve ele me contaria tudo mesmo, então eu poderia usufruir da presença dele de um jeito gostoso antes de começar o embate.
Peguei o caminho das escadas de pedra indo em direção ao nosso quarto. Meus saltos faziam bastante barulho ao ir de encontro com aquele mármore branco polido e maciço. Eu fazia de propósito. Para ele ouvir e saber que eu já estava impaciente e que já estava na hora de acabar com o maldito banho do rei. Cheguei no corredor, de madeira escura e paredes brancas, assim como o resto da casa, que tinham portas duplas e brancas que davam acesso à todos os quartos e caminhei até a última porta, ao lado de outra ampla janela. Entrei no aposento e falei bem alto, mesmo sendo totalmente desnecessário.
— Se afogou, Klaus? Ainda será necessário que eu te salve de mais afogamentos nessa vida? — Lembrar desse episódio terrível não é uma boa ideia, mas mesmo assim era impossível me conter e não alfinetá-lo até ele entender do que eu sou capaz – Geralmente é você quem reclama de eu demorar muito para me arrumar – Eu disse bufando, mas com um sorriso querendo escapar. De brincadeira ou não, era sempre muito bom implicar com ele. Às vezes ele me fazia pagar caro por isso, caro e bem gostoso. Eu ouvi o som do chuveiro sendo fechado. Pelo menos não estava na banheira pensando em mais formas diferentes de fazer putaria comigo nos banhos. Ultimamente ele estava bem criativo. Mandamos reformar o banheiro e colocamos uma jacuzzi de mármore escuro só para que pudéssemos ganhar mais liberdade na execução de certas brincadeiras.
Ele abriu de repente a porta dupla e de correr do banheiro e saiu, vindo em minha direção. Eu engoli em seco. Ele estava apenas com a toalha em volta da cintura, enquanto esfregava outra toalha nos cabelos loiros e lindos. A resistência que fiz lá embaixo caiu totalmente por terra no momento que mirei seu corpo molhado. Eu o olhei dos pés à cabeça e mordi os lábios. Ter essa visão de camarote da figura dele fez meu corpo reagir intensamente. Senti um reboliço no estômago enquanto minha nuca se arrepiava. Em questão de segundos eu estava louca de tesão, sentindo minha região sensível entre as pernas latejar.
— Nervosa, love? – Ele disse com cinismo e com os olhos um pouco escuros de desejo. Nossa atração é uma faca de dois gumes. Se eu perco a estribeiras ao vê-lo desse jeito, ele certamente ainda sofre com os efeitos do tesão reprimido ao receber uma negação direta de sexo. Eu entendi bem o recado lá embaixo e ele só não voou em cima de mim porque eu não deixei. Éramos assim, nos atracávamos pelos cantos da casa o tempo todo, especialmente após a euforia de uma boa batalha no French Quarter. Nunca perdíamos a vontade que tínhamos um pelo outro, muito menos deixávamos passar uma oportunidade de um sexo híbrido quente e gostoso.
— Não. Só achei que você não fosse tão indestrutível assim e que tivesse morrido. Já que ninguém é seu igual, o que eu faria sem você lá naquela selva do Quarter? – Respondi com petulância, não conseguindo disfarçar nem um pouco o desejo contido na minha voz.
— Morrer como um humano estúpido? Não é pra mim — Sorri para ela enquanto entrava no closet e pegava algumas roupas. Voltei com elas na mão, as deixei na cama e olhei para Caroline – Talvez pudéssemos demorar mais um pouco, já que eu não dormi em casa e não pude desfrutar da noite com a minha doce e recatada mulher. Sabe, os chefes podem se dar ao luxo de se atrasarem de vez em quando – Eu disse a ela, indicando com o meu tom de voz exatamente o que eu estava pretendendo. Passar quase um dia e uma noite inteira sem sentir Caroline de perto foi agoniante. Eu precisava tê-la, ter certeza se que ela ainda era minha. A essa altura eu já estava muito excitado. Eu podia sentir meu membro extremamente duro e necessitado, fazendo pressão contra a toalha. Minha vontade era de atacá-la sem cerimônias. Geralmente nos atracávamos pelos cantos da casa que nem dois animais. Era só a adrenalina de cada briga, interna ou externa, nos rodear que descontávamos a frustração através de muito sexo sem tempo de validade. Era muito fácil eu me sentir enebriado pelo seu cheiro, pela sua personalidade imponente e atrevida. Então, qualquer aproximação dela me fazia entrar na bolha da luxúria. Me sentei na cama e puxei ela lentamente pela cintura para mais perto do meu corpo, enquanto mantinha o olhar preso no dela. Mordisquei sua barriga por cima do pano fino da sua blusa, e isso pareceu acendê-la de vez. Para nós, não era preciso muito para o clima esquentar. A nossa atração era tão forte que era quase tangível. Em poucos estímulos nossos corpos já entravam em erupção buscando alívio de forma desesperada. Abaixei as mãos e apertei sua bunda, enquanto pressionava o seu corpo na minha boca – O que você acha? Podemos compensar apropriadamente as horas perdidas. Posso sentir que você está ansiando por isso tanto quanto eu – Sem me responder nada, mas me jogando seu olhar mais safado, ela me empurrou me jogando na cama, mas não subiu em mim. Seus olhos demonstravam claramente que ela já estava no jogo comigo e essa foi a minha deixa. Eu estava completamente entregue aos comandos dela.
Ele disse enquanto caminhava lentamente até a mim, como um leão caminha em direção a sua presa. Não vai me desviar do assunto com sexo, se era isso o que pretendia. Mas, não quer dizer que não posso aproveitar um pouquinho. Ele sempre agia assim quando queria me devorar, gostava de flertar comigo como se ainda fôssemos aqueles dois idiotas em Mystic Falls. E assim como naquela época, eu caia que nem patinho quando ele vinha pra cima de mim. Ele me olhava com devoção e desejo. E esse eu podia sentir. E não queria esperar. Eu queria foder com ele loucamente. Passei a noite sem ele e foi muito frustrante. Estava acostumada a ter ele quase todas as noites ao meu lado me enchendo de carinho e de prazer.
Me abaixei na frente dele enquanto voltava a sentar na cama e comecei e puxar a sua toalha. O torturava dando algumas apertadas no seu membro duro por cima do pano, enquanto puxava o tecido lentamente. Com um sorrisinho sugestivo de lado, indicando todas as minhas más intenções e reciprocidade na brincadeira que ele estava prestes a começar. Puxei de vez a toalha com a minha força sobre-humana e segurei seu pau, agora duro como uma rocha. Sorri orgulhosa de mim mesma. Essa desejo todo dele era pra mim e somente pra mim. Com movimentos lentos, comecei a acaricia-lo, envolvendo a minha mão em seu membro rígido, acariciando para cima e para baixo.
Era tão convidativo desse jeito bem na minha frente, muito ereto e lindo.
Sem me conter mais, abaixei a cabeça e envolvi meus lábios quentes no seu membro, chupando e sugando bem devagar para tortura-lo. Klaus não conseguiu reprimir, soltou um gostoso gemido, enquanto jogava a cabeça pra trás de olhos fechados e segurava meus cabelos com força. Eu adorava quando ele pegava no meu cabelo assim, me enlouquecia. Mas, o que me tirava do sério mesmo era ver essa cena, ele entregue ao sentir o prazer que eu poderia lhe dar. Abaixei uma das minhas mãos para me sentir. Mesmo por cima cima da calcinha já conseguia notar o molhado se espalhando, meu sexo quente latejando e meu corpo desesperado por algum escape. Eu estava em polvorosa tanto quanto Klaus e até agora só ele recebia o melhor tratamento. Precisava dele para me aliviar também. Continuei meu trabalho de mestre, fazendo o indomável híbrido se derrotar de tesão ao ser chupado tão gostoso enquanto esfregava suavemente meu clitóris por cima do tecido fino da calcinha. Eu sugava e chupava cada vez mais rápido, provocando seu corpo até o limite. E Klaus já estava na beira do precipício, pois seus gemidos ficaram mais altos e ofegantes e suas mãos enterradas nos meus cabelos se enroscavam neles com desespero. Fazê-lo gozar na minha boca era sempre uma delícia. Klaus ficava como um louco despejando todo o tesão, saudade, paixão quando chegava a sua hora de explodir. Eu estava pronta para recebê-lo, mas ele puxou com cuidado a minha cabeça para longe do meu lugar favorito em seu corpo.
— Não quero gozar na sua boca, quero aproveitar você todinha... – Ele murmurou com a voz carregada de desejo, enquanto vinha na minha direção para me beijar. Ele roçou seus lábios nos meus me provocando antes de segurar a minha nuca com força e puxar meus cabelos para trás para beijar e morder o meu pescoço. Isso foi demais pra mim, estava louca para senti-lo.
— Não aguento mais esperar – Deixei escapar entre gemidos baixos.
E isso foi o bastante para ele. Ele me pegou na sua velocidade vampírica e me apertou contra a parede da entrada do closet. Enquanto me beijava ferozmente, passava uma de suas mãos pelo meu corpo e pegava uma de minhas pernas com a outra, me fazendo ficar encaixada nele. Nessa posição eu podia sentir toda a sua ereção contra mim e isso me fez gemer. Me esfreguei nele na tentativa desesperada de conseguir algum contato no meu ponto mais sensível que ansiava por alívio. Seus lábios deixaram os meus e focaram no meu pescoço, afundando sua cabeça no côncavo do meu ombro. Em resposta mordi o lóbulo da sua orelha, enquanto arranhava suas costas e puxava com força sua cabeça para trazê-lo para mais perto de mim ao máximo. Esse contato me fez ficar ainda mais excitada. E para piorar ele começou a sussurrar no meu ouvido toda a putaria que queria fazer comigo. Tudo o que faria comigo quando voltássemos para casa mais tarde. Hoje não estava afim de preliminares. Hoje eu não queria romantismo. Queria tê-lo dentro de mim, me dominando como ele e eu gostávamos e queria logo, mas ele não estava facilitando. Resolvi dar o troco, me vingar.
Caroline começou a beijar o meu pescoço enquanto acariciava meu pau que a essa altura estava latejando prestes a explodir. Soltei um suspiro alto e um gemido rouco, me controlando para não gozar ali mesmo. Era dificultoso controlar os anseios ao sentir a sua boca quente nos meus pontos sensíveis que ela conhecia bem. Eu queria gozar dentro dela, onde era o meu lugar, enquanto eu estivesse fodendo ela do jeito que eu gostava, com força, enquanto ela perdia seu típico autocontrole bem na minha frente me implorando por mais, fazendo caras e bocas obscenas e deliciosas de se ver. Comecei a perder a paciência e arranquei a blusa e o sutiã brancos dela de uma vez só, rasgando os dois. Só de pensar no que estava por vir, minha delicadeza se evaporava. Mirei nos peitos lindos e redondos dela, de mamilos bem rosados e comecei a sugá-los, enquanto ela jogava a cabeça para trás, gemendo baixo. Coloquei a mão por de baixo da saia de pregas azul marinho dela, por dentro da calcinha e comecei a acariciar o seu clitóris devagar, para desfrutar da sua reação ao meu toque, fazendo-a gemer ainda mais. Eu mesmo já não estava aguentando. Não tinha como meu pau ficar mais duro do que já estava, mas eu adorava observar suas reações quando estávamos juntos dessa forma. Não só para acariciar meu ego, mas também para eu aprender mais como fazê-la sentir o máximo de prazer. Ela me deixava louco, me fazia perder a razão rapidamente. Nosso relacionamento era intenso, de todas as formas possíveis. Perto dela eu esquecia quem eu era e ficava a beira do precipício, sob seu total domínio. Tirei as mãos de Caroline do meu pênis, arranquei a calcinha dela e me abaixei. Queria sentir o gosto dela. Só o cheiro me deixava insano, quase perdendo o foco e fudendo ela de vez. Mas, eu precisava senti-la, era deliciosa demais. Fui direito ao ponto, chupei o clitóris dela a princípio com gentileza, para saborear aquela pele macia. Ao mesmo tempo enfiei dois dedos nela, sentindo o seu interior encharcado e quente. Só de sentir com os dedos foi demais pra aguentar a espera. Enquanto sugava o seu ponto mais sensível, roçava lentamente os dedos dentro dela, fazendo ela se contorcer contra a parede. Caroline gostava assim, ela não gostava tanto de sexo com carinho, pelo menos não nos últimos meses. Éramos menos selvagens só uma vez ou outra, quando já estávamos razoavelmente satisfeitos após horas de sexo intenso. Introduzi mais um dedo, provocando ela ao máximo. A essa altura ela já estava desesperada por mim, para me sentir, pois ofegava e gemia sem pudor. Aumentei o ritmo das investidas, movimentando meus dedos com força dentro dela enquanto a chupava fazendo pressão. Ela estava terrivelmente, lindamente encharcada de maneira a lambuzar completamente a minha mão. Quando ela soltou um gemido mais forte e longo, foi a minha deixa. Eu adorava vê-lá gozando na minha língua e enquanto eu continuava a chupar, Caroline se contorcia deliciosamente na minha boca no seu orgasmo sexy e intenso enquanto puxava e pressionava a minha cabeça contra ela. Vê-la mordendo os lábios e me olhando com desespero foi o meu limite.
Me levantei e trouxe o quadril dela na minha direção, me encaixando perfeitamente dentro dela. Entrei sem delicadeza alguma. Não dava para aguentar olhando seu lindo rosto se contorcendo de prazer, era uma delícia, e era assim que ela queria, pois assim me diziam suas reações. Sua boca aberta em um grande O enquanto ela me sentia estava quase me fazendo gozar. Encostei minha cabeça em seu pescoço, beijando sua orelha enquanto gemia baixinho no seu ouvido e ela no meu. Segurando seu cabelo com força, fazendo seu rosto ficar parado bem na direção do meu, para que eu não perdesse nada das suas reações enquanto dava muito prazer a ela. Já era incrível sentir toda a sua sensibilidade ao meu toque, ao meu chamado, com seu corpo se arrepiando e tremendo ao meu toque, mas também era algo de outro mundo assisti-la gozando comigo dentro dela. Sempre me levava até a beira da agonia e do desespero por alívio.
Era coisa de outro mundo o jeito como ele me fazia sentir. Nunca antes, nem mesmo com quem amei, senti tamanho desejo, tamanha excitação. Com poucos toques ele me levava à loucura. Ainda mais se fossem carícias no lugar certo e Klaus sabia exatamente o que fazer comigo. Sempre me fazia gozar deliciosamente em poucos minutos, mas ainda assim não me bastava, eu precisava mais dele, mais do seu corpo enterrado bem fundo no meu. Eu podia sentir seu corpo em cada pedacinho do meu, como se ele estivesse presente em cada célula. Senti meus pelos se eriçarem e meu canal interno arder de antecipação. Estava pronta para ele, com minhas paredes internas se abrindo elasticamente com a entrada dos seus dedos, desesperada para sentir mais dele. E sabendo exatamente o que eu queria, ele entrou em mim forte e duro, com brutalidade, exatamente do jeito que eu gostava. Ele enfiava em mim com força e rapidez, enquanto beijava meu pescoço. Eu não conseguia parar de gemer. Eu arranhava as costas dele com as minhas unhas, com firmeza, fazendo ele gemer também. Essa era uma das minhas formas favoritas de estar com ele. Desse jeito era como se fôssemos um só. Mesmo com todas as controversas, eu era dele e ele era meu. Me fazia sentir suja, mas de um jeito certo. Como se o ato sacramentasse o nosso selo de propriedade mútua. Nos movimentávamos em harmonia, como se nossas ações fossem o reflexo umas das outras, pois nos entendíamos sem precisarmos de muitas palavras, só de atitudes. E eu não queria estar em nenhum outro lugar desse mundo além de aqui, com ele. Apenas com o toque, nos conectávamos sem nem ao menos trocarmos uma única palavra com algum nexo. Quando eu estava quase gozando ele saiu de dentro de mim, o que me fez quase xingá-lo e dar-lhe um tapa forte na cara, para ver se acordava da insanidade. Mas, num movimento rápido, ele me colocou de costas, me imprensando na parede e voltando a me penetrar, de volta ao seu lugar, com os seus movimentos frenéticos e alucinados. Ele envolveu a minha cintura com um dos braços e segurava meu pescoço com a outra mão com muita firmeza, quase com brutalidade. Quando ele era assim comigo, me tratando como a mulher safada dele que eu era, sem a sua delicadeza diária como se eu fosse uma boneca de porcelana guardada na sua caixinha de vidro, era quando eu mais adorava, ser a sua igual.
— Você gosta assim, não é? Que eu te foda com força. Sempre fica tão molhada pra mim — Ele murmurou baixinho enquanto mordiscava os lóbulo da minha orelha e apertava mais meu corpo contra o dele, fazendo seu membro duro e inchado ir mais fundo. Joguei a cabeça para trás e a descansei em seu ombro, não aguentando as ondas prazeirosas que dominavam meu corpo. Klaus apertou meus seios e esfregou os dedos no meu clitóris, me causando choques de um pré orgasmo – Você quer gozar, amor? – Não respondi, só gemi – Diga, Caroline. Me peça para te fazer gozar – Assim, ele massageou e pressionou com mais vigor o meu clitóris, enquanto metia com força em mim, fazendo bastante barulho com nossos corpos se chocando um contra a outro. E eu me contorcia e gemia de agonia não sendo mais possível aguentar esse estímulo todo. Me deixei levar, precisava de um alívio urgente.
— Klaus, por favor, não aguento mais. Preciso de você...
— Então, meu amor, goze bem gostoso para mim – Seu hálito quente no meu ouvido misturado ao seu sotaque britânico irresistível enquanto Klaus atacava meus pontos sensíveis sem piedade foi demais e me levou até o precipício. Gozei. Gozei gemendo de prazer mais alto do que antes, me contorcendo em seus braços, que me seguravam firme. Fiquei uns minutos ali tremendo, sentindo meu interior se contrair pulsante, com ele ainda bem fundo dentro de mim, sentindo os últimos espasmos do meu orgasmo intenso, que se mantiveram mesmo depois do ápice. O quarto ficou escuro por uns segundo, como se o sangue tivesse subido muito rápido à minha cabeça. Só esse bastardo filho da puta conseguia me levar à loucura desse jeito. E isso não é pouca coisa, eu já transei com uma lista bem grandinha de caras. Mas, com ele cada trepada era uma aventura nova, da qual eu nunca me cansava de descobrir mais. Klaus gozou uns instantes após o meu clímax, como se ele estivesse esperando por mim. Eu ouvi o seu gemido baixo e rouco no meu ouvindo, me apertando com força contra o seu peito suado, enquanto eu sentia o seu líquido quente e denso escorrer dentro de mim. Ele ficou um tempo parado, respirando ofegantemente no meu pescoço, exalando seu hálito quente e úmido. Durante uns minutos fomos incapazes de nos mexermos, apenas desfrutando da presença do corpo quente e delicioso um do outro, enquanto nos recuperávamos da onda de prazer intensa que nos atingiu. Ele saiu de dentro de mim de vagar e esse movimento me fez querer mais, mas, eu sabia que não tínhamos mais tempo.
Me afastei dela não desejando sair, mas, tínhamos compromissos. Parte de comandar uma cidade era uma agenda sempre lotada. Eu não gostava de interromper os nossos momentos de luxúria porque era justamente quando a gente entrava numa sintonia fora desse mundo. Muito menos gostava de doar meu tempo precioso com ela para gastar com gente insignificante. Então, perder as não muitas oportunidades de aproveitarmos a companhia um do outro, mesmo quando ficávamos de birra, não me deixava de bom humor. É verdade, de vez em quando a gente se engalfinhava um pouquinho, mas nada sério o bastante para nos afastar. Era até excitante as caras e bocas que ela fazia pra mim. Às vezes eu até esquecia o assunto é só focava em admirar seu lindo rosto, se contorcendo enquanto me xingava, balançando seus cabelos dourados de um lado para o outro. Caroline tinha um gênio muito forte e eu não tinha muita paciência. Eu havia melhorado bastante, eu sabia disso, mas ainda eu era o Klaus. Ela se virou pra mim e fiquei com o rosto próximo do dela, sentindo a sua respiração se misturando a minha. Era muito difícil não ser distraído por aqueles olhos azuis e aquela pele maravilhosa de porcelana, especialmente depois do aspecto brilhoso e iluminado de pós sexo que ela adquiria. Alisei sua bochecha e acariciei seus cabelos agora charmosamente bem emaranhados. Ela jogou os braços por sobre meu ombros, se abaixou um pouco e beijou meu peito. Quando ela retornou à posição ereta, beijei o dorso do seu nariz, que era lindamente repleto de sardinhas. Esse era um hábito meu, fazer carinho com meus lábios no seu narizinho delicado. Dessa vez, fui carinhoso, segurei seu rosto com as minhas duas mãos e beijei sua boca gostosa. Nossas línguas se entrelaçaram num ritmo lento e sensual e isso foi o bastante para me reacender. Pressionei Caroline outra vez e estava mordiscando seu lóbulo da orelha quando ela me alertou.
— Melhor parar – Disse a ela com voz rouca e a contra gosto. Eu queria mais dela, mas não tínhamos tempo de sobra.
— Não quero – Sussurrei com a cara enterrada nos seus cabelos. Mas, ela me jogou seu típico olhar de "não vamos discutir sobre isso".
Tendo que me esforçar muito para me separar dela, precisei focar nos deveres. A diversão continuaria quando voltássemos pra casa. Mas, antes que eu desse o primeiro passo, ela me empurrou.
— Bem, eu vou tomar banho. Eu não vou para uma reunião dos representantes da cidade toda arrebentada assim pelo meu amante – Ela disse já empinando aquele narizinho fofo e prepotente dela, enquanto pegava as roupas rasgadas do chão.
— Eu sou só seu amante? Love, a essa altura, já passamos desse ponto – Eu disse com sarcasmo, pegando ela pela cintura e a beijando com vontade. Era difícil demais deixá-la ir enquanto andava nua na minha frente – Talvez os negócios devessem ficar pra depois, amor. Já estamos marcados. Vamos para um lugar cheio de sobrenaturais. Vão sentir o cheiro de sexo de longe.
— Não vão se você se lavar direito, mas sem demorar – Ela me apontou o dedo – Nem vem com esse papinho mole. À noite eu te recompenso pela espera. Então, ande logo em ficar pronto – empurrei ele – Vá para outro banheiro. Não quero você comigo, senão a gente não vai chegar nunca nessa reunião – Eu disse indo em direção ao nosso banheiro – E vê se para de rasgar as minhas roupas. Você está acabando com o meu guarda roupa – Olhava indignada para as minhas lindas e delicadas peças de grife destruídas no chão. Minha blusa de linho e algodão egípcio jazia como um trapo velho e destruído nas minhas mãos.
— Ora, love, você pode comprar quantas roupas você quiser – eu disse enquanto caminhava até o banheiro junto dela.
— Acontece que eu tenho que chefiar uma cidade e não tenho mais tempo para fazer compras.
— Isso não é problema. Eu posso te dar alguns dias de folga, se você quiser, sweetheart – fechei a porta antes que me negasse, pois tentou inutilmente me impedir de entrar no banheiro.
— Nem pensar que vou deixar o Quarter sozinho mas suas mãos – Falei, bufando – E aonde você pensa vai? Eu mandei você tomar banho bem longe de mim. Vai logo, Klaus, e pára de me atrapalhar – Ele se esquivou habilmente quando tentei enxota-lo e entrou no box. Abriu a ducha no máximo, me desafiando com o olhar. Eu fiquei parada incrédula, de braços cruzados, esperando ele sair. Então, ele pegou meu sabonete líquido de essência de lavanda e começou a se esfregar numa tentativa óbvia de me provocar. Ele sabe que odeio quando pega os meus cremes.
— Eu prometo que será apenas banho – Ele sorriu maliciosamente.
— Nunca é apenas banho, você sabe – Me apressei em sair, mesmo morrendo de vontade de pular nele de novo. Ficava tão sexy com o sabão escorrendo pelo corpo, molhado daquele jeito. Mas, ele veio me puxar para dentro quando me afastei.
— Eu prometo. E você sabe que cumpro minhas promessas. Vem cá – Lentamente, me levou para debaixo da torrente gostosa de água quente. Ele pegou um pouco do meu shampoo francês e passou nos meus cabelos, massageando meu couro cabeludo delicadamente. Fechei os olhos e relaxei instantaneamente, pois a sensação era uma delícia. O banheiro ficou inundado pelo aroma de mel, minha essência favorita, me deixando quente outra vez. Adorava quando ele fazia isso, cuidava de mim como se eu fosse uma bonequinha delicada. Quando mirei seus olhos novamente, estavam escurecidos e carregados de desejo. Ele me puxou mais para perto, tentando me agarrar, então decidi retribuir o favor e evitar que ele me pegasse de novo, pois senão nem eu seria capaz de resistir. Passei um pouco de shampoo nos cabelos loiros e curtos dele. Corte de cabelo esse que era obra minha, pois ele adorava quando era eu quem os cortava. Lavei todos os seus fios até não sobrar mais nenhum resquício do produto, enquanto ele não tirava os olhos provocantes de mim. Seu sorriso sexy só piorou quando ele passou a me secar de cima a baixo, claramente retomando as más intenções.
— Nem pensar. Só banho – Eu sussurrei no ouvido dele, pois também gostava de brincar com o fogo. Me virei de costas para enxaguar meus fios loiros, para evitar de olhar o rosto contraído e sexy dele. Mesmo assim, ele me puxou pela cintura, se encostando em mim. Sentindo ele meio duro na minha bunda, inspirei fundo para me controlar – Agora seria um bom momento para me contar o que te manteve sumido por horas – Ele suspirou pesadamente no meu pescoço, mordiscando ele – Sério, Klaus – Me virei de volta – Me deixou muito preocupada. Não pode fazer isso novamente.
— Não farei, prometo – Me respondeu sério. Seus olhos verdes me passavam toda a verdade de suas palavras – Eu estava apenas tentando resolver umas questões antes de trazer a bomba para você. Queria tornar as notícias ruins em boas para você ou em parcialmente boas, ao menos mais controladas. Até que tudo piorou.
— Do que está falando? – Joguei os braços sobre seus ombros, mostrando que eu ouviria sem começar uma briga, mas fiquei verdadeiramente tensa – Sem rodeios, por favor – Ele abaixou a cabeça, ganhando uns segundos antes de responder.
— Tudo começou com Hayley Marshall sendo uma folgada – Caroline enrugou a testa. Sendo assim, contei a parte da lobinha sem eira nem beira até chegar no pior – Então, Elijah e eu nos demoramos na conversa no meio da rua, conjecturando formas de contornar a situação e levarmos para a reunião de hoje respostas válidas a essa afronta.
— Você sabe que deveria trazer isso a mim – Me afastei emburrada – Eu estava mediando isso com Hayley. Você e Elijah não podem decidir nada sem mim.
— Eu sei disso. E eu iria te falar tudo assim que chegasse em casa, pois eu sei que você teria ótimas ideias para qualquer imprevisto. Mas, na hora perdemos a noção do tempo na discussão quando aquela fedelha birrenta da Davina Sinclair me abordou desprevenido acompanhada da estúpida da filha de Jane-Anne Deveraux. Essas duas pestinhas me desafiaram ontem à noite até os limites, afirmando que elas e metade das bruxas não vão aceitar os acordos que propusemos aos seguidores de Jane-Anne. Que o que quer que estejamos planejando, não é unânime e que não vai sair barato para nós. Então, ela chamou uma horda de bruxinhas com algum sinal estranho. Vieram para cima de nós, com a ajuda de alguns lobos nojentos. Isso não pode ser coincidência depois das exigências absurdas de Hayley Marshall – Caroline me encarou assombrada – Elijah e eu derrubamos todos, eu mesmo quase matei alguns deles, mas Elijah não deixou. O problema foi que em seguida nos apagaram naquele beco. Pelo menos foi o que constatei quando acordei com Elijah todo arrebentado ao meu lado.
— Jane-Anne deve saber o quanto antes – Sendo assim, Caroline desligou o chuveiro e se apressou em se enrolar no roupão branco pendurado ao lado do box de mármore preto – Elas estão reunindo pessoas para sabotarem a reunião de hoje, posso ver.
— Eu mesmo vou acabar com essas desmioladas – Falei enquanto me secava – Já tive muita paciência com essas garotas, não só por você, mas por Marcel. E se Jane-Anne se meter, o acordo acaba e ela morre de vez. Eu nunca vou engolir as mentiras que essa mulher conta para você. E o pior é que você acredita – Eu disse cuspindo ódio. Caroline me olhou balançando a cabeça negativamente.
— Isso só vai causar o estopim para a guerra. Muita gente quer que seja assim, Klaus, que você perca a cabeça de vez. Quase ninguém acredita que está disposto a concessões, pensam que só está enrolando e fingindo cooperar para ficar com o Quarter só para você no fim das contas, e muitas dessas pessoas querem causar uma situação perfeita para alegarem que você sempre teve a intenção de descumprir o trato. Eu não vou deixar ninguém sabotar todo o nosso trabalho até aqui.
— E pretende fazer isso como? Porque até agora você só defendeu essas fedelhas, não aceita agir contra elas. Agora está vendo o que eu tenho dito há meses. Não se pode confiar em bruxas e Davina nunca aceitará nada do que você propõe, aquela pirralha mimada.
— Jane-Anne me pediu isso em troca, Klaus. Não vamos ameaçar as garotas, fazendo o mesmo que Marie fazia. Devemos dar para receber – Ela saiu do banheiro agitada.
— Esse acordo tem limites, Caroline. Se você ceder demais, vão passar por cima de nós – Klaus me seguiu até o quarto, falando atrás de mim.
Entrei no closet à procura de algo útil e rápido para a nossa reunião. Enquanto ele bufava atrás de mim, também buscando por peças no seu lado do closet, eu focava no que estava por vir. Pelo o que Klaus me contava, seria uma reunião que provavelmente acabaria em discussão, mas mesmo assim eu deveria usar algo diplomático. Elijah me ensinou a sempre causar boa impressão com a vestimenta, mesmo que não fosse algo tão formal para o gosto dele. Ao menos eu deveria intimidar mostrando quem manda no pedaço. Esse último foi dica do Klaus. Aparentemente, hoje eu teria que fazer uso das duas dicas. Peguei uma calça jeans verde escura, com uma regata preta e uma jaqueta de couro preta. Procurei pelas minhas botas favoritas. A mais confortável para o provável trabalho de hoje era essa, preta de salto baixo e cano longo.
— Não vamos matar ninguém. Não por enquanto – Me dirigi a Klaus, enquanto me vestia o mais rápido possível. Precisávamos entrar em acordo antes da mesa redonda. A reunião já seria bem tensa sem essa nova artimanha das garotas – O trato segue como está, não vamos agir por impulso. O caso Jane-Anne ainda está em aberto. Vamos votar hoje como planejado. Talvez por isso a filha dela tenha surtado, tem medo do que vai sair dessa reunião cujo nome da mãe está na reta de fogo. Assim como você não confia nelas, bruxas não confiam em vampiros, pior ainda nos Originais, mesmo que Jane-Anne esteja se esforçando para conseguir o melhor que pode para a família, para os seus seguidores. Eles também acham que ela está se arriscando ao confiar em mim. O que precisamos fazer é alertar Jane-Anne e pedir que ela reúna seus seguidores e controle a situação entre eles.
— Eu não vou mais aceitar a afronta dessas garotas – Ele se aproximou de mim, já vestido, com o humor já totalmente transformado – Todas as vezes que não respondemos, elas ganham força sobre nós.
— Você não toma mais as decisões sozinho, se lembra? Não falo só por mim, seus irmãos também tem o voto – Ele abriu a boca para responder, mas não deixei. Terminei de me vestir e fui pentear o cabelo, apenas passando superficialmente a escova nos fios – Pensei que estivéssemos na mesma página. Ou próximo disso – Eu falei, olhando indignada para ele através do espelho – Pensei que tentaríamos fazer essa cidade funcionar com o mínimo de mortes possível. Sempre chegaremos ao um acordo após conversarmos, esse foi o trato entre nós – Acrescentei ao me levantar da penteadeira, falando baixo contendo a raiva, sem fôlego, enquanto colocava o meu rosto a centímetros do dele.
— Foi o trato entre nós, mas não sabemos quem está disposto a cumprir, até onde cumprir. E quem se importa com duas bruxinhas infelizes, cujo maior erro foi cruzar o meu caminho? Davina se acha intocável, e você dá mais corda para o ego dela ao permitir que ela sempre saia com impunidade. E o idiota do Marcel segue o mesmo caminho.
— Isso não é verdade. Eu já disse a ela várias vezes para não te provocar. Ela perdeu o juízo, só pode. Teremos uma conversa mais séria com ela dessa vez. Deixaremos claro que se ela tentar interferir nos acordos, ela vai sofrer as consequências.
— Eu penso que não há mais espaço para a conversa com essa garota mal criada. Não dá pra fazermos uma mesa redonda todas às vezes que surgir um problema, Caroline. Em alguns momentos teremos que fazer escolhas difíceis – Eu devolvi.
— Elas são apenas duas crianças, Klaus. Estão agindo por impulso. E eu sou responsável por elas. Por todas essas crianças. Eu prometi a todos eles – Eu falei já muito estressada – Portanto, no que tange a essas pessoas, sou eu quem decide aqui.
— Que criança? A pirralha Deveraux deve ter uns quinze anos e Davina já passou dos vinte, sabem o que fazem, pois já estão me dando muita dor de cabeça no Quarter. É assim que se cria um monstro, não cortando o mal pela raiz – Eu não tocaria em sua ferida desse jeito, mas ele soou exatamente como Esther e Mikael nesse momento. Eu inspirei fundo, para ganhar alguma paciência. Não queria chegar numa reunião tão decisiva de cabeça quente.
— Klaus, quanto a Jane-Anne... não vamos deixar Gabrielle órfã por nada. Além de ser cruel, vamos cruzar um caminho sem volta se matarmos a líder das bruxas. Jane-Anne confia em mim. Ela acredita que na reunião de hoje será absolvida e ficará livre das suas ameaças. Ela nos ajudou contra Marie...me ajudou contra a própria irmã. Agora ela conta comigo para retribuir o favor.
— Ela fez pelos interesses dela – Embora a bruxinha realmente pareça gostar de Caroline, nunca que eu seria idiota de acreditar que ela fez tudo o que fez por lealdade a ela.
— Que seja. Mas, o que ela queria era conviniente para nós. E realmente não te causa nenhuma aflição em matar a mãe da garota? A única família que resta a ela.
— E eu não me importo com os laços familiares ou o que seja desse povinho imundo. Ela não devia ter tentado me sabotar de novo.
—Jane-Anne não tentou te sabotar de novo, Klaus! – Elevei a voz, pois era frustrante discutir com esse teimoso – O que a filha fez ontem não foi do conhecimento dela.
—E como pode ter certeza disso?Como sabe que ela não está agindo pelas suas costas? Se fazendo de amiga na sua frente, mas te sabotando na surdina? As bruxas agem dessa forma, Caroline! Até quando você vai se negar a entender que o perdão para inimigos é só uma brecha para voltarem e darem mais trabalho? Não se lembra de todas às vezes em que você foi misericordiosa e pagou por isso?
Eu não queria ouvir aquilo, não precisava remoer as desgraças do meu passado que de alguma forma também foram culpa minha. Klaus sabia como eu me sentia a respeito disso e era jogo sujo jogar essas coisas na minha cara. E era uma via de mão dupla. Ele não tinha permissão para tocar em assuntos proibidos, como o desastre em Mystic Falls que se arrastou até New Orleans, assim como eu tinha que me comportar e não acusá-lo dos seus crimes dos quais ele se arrependeu, pois também ele se chateava bastante com a memória do meu desprezo por ele, da repulsa que senti de algumas das suas ações, principalmente as do passado. Não tocar nessas feridas antigas era uma lei dentro da nossa vida atual. E para piorar, isso me fazia revisitar algo que eu jurei esquecer, para o bem do nosso relacionamento e para o bem da minha sanidade. Mas, o jeito como ele se referia àquelas bruxas me fazia sentir aquilo novamente, mais vivo como nunca.
— Foi o que você pensou e sentiu quando ajudou a matar a minha mãe, Klaus? Pois não liga para relações familiares? E seus irmãos achando que você estava no mínimo em paz com eles. E eu também achava. Tudo o que você tem feito e falado para os seus irmãos é mentira? – Ele me olhou incrédulo e assombrado. Ele não esperava por esse tapa. Nunca falávamos disso. Esse assunto foi determinado como proibido num acordo silencioso que fizemos. E eu disse, não conseguindo mais segurar as lágrimas que haviam surgido. Eu havia deixado isso para trás depois de ser consumida até a quase morte após minha vingança, mas depois de muito tempo eu trazia isso de volta à tona, sabendo que isso poderia ser a ruína do nosso relacionamento.
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