Era uma madrugada gelada na pequena cidade de Decatur. O vento soprava frio e cortante.

Num beco isolado e mal iluminado, dois garotos brigavam. Um deles se vestia todo de preto e estava batendo no outro.

— Isso é pra você aprender a ser um caçador de verdade!

— Não, Mason, por favor! — implorava o outro inutilmente.

— Não há tamanha súplica nesse mundo que me faça ter piedade de você...

O síbilo saiu entre dentes, quase tão cortante quanto o vento gelado que soprava. Lentamente, os olhos do garoto se tornaram vermelhos, cheios de raiva e malevolidade. Presas cresceram no lugar de seus caninos. Um grito agudo escapou da garganta dele, ecoando pelo beco e subindo até os céus. Avançou no outro garoto e o prendeu contra a parede.

— Últimas palavras? — a frase saiu meia enrolada devido às presas.

O outro permaneceu em silêncio e imóvel.

— Covarde! Lute, pelo menos... — fez uma pausa, esperando por uma reação, mas nada aconteceu. — Eu e os outros da nossa espécie temos vergonha de você!

— Mason...

— Você é desprezível! — falou com desdém na voz.

Subitamente, o outro garoto empurrou Mason com força, tacando-o na parede. Não se machucou, mas foi pego de surpresa e o impacto o derrubou no chão. Ele se levantou rindo.

— Bom... Muito bom, na realidade. Mas, acho que você sabe que isso, definitivamente, não é o suficiente para me deter, certo?

As presas do outro garoto apareceram e seus olhos se tornaram pretos.

— Falta de sangue... Faz com que os olhos fiquem pretos e não vermelhos. Prefiro os meus, tão escarlates quanto o sangue! — gabou-se Mason.

A luta prosseguiu com o garoto atacando Mason, mas ele era mais forte e mais velho. Além do mais, sangue animal não era tão revitalizador quanto o sangue humano.

Porém, no instante seguinte, tudo aconteceu muito rápido. O garoto iria dar o bote, mas um barulho o distraiu. Sirenes. Ele olhou para a direção de que vinha o som. Estava se aproximando. Quando se deu conta e virou-se novamente para frente, teve uma surpresa... Não havia ninguém mais no beco.