Ao chegar em casa, Drew bateu a porta com tudo e correu para seu quarto. Se trancou lá dentro e foi em direção ao banheiro. Quando olhou no espelho, seu corpo estava perfeito, mas havia sangue seco em toda região de seu peito e barriga. Ao mesmo tempo que aquilo o deixava louco de fome, lhe dava repulsa.

Sem pensar mais em nada, entrou no chuveiro e se derramou em lágrimas. Ele tinha matado duas pessoas, sendo uma delas seu melhor amigo. Drew sentiu ainda mais nojo de si.

Ele só queria sua cama naquele momento. Desligou o chuveiro e nem se importou em se secar. Saiu do banheiro e se jogou em seu colchão. Adormeceu, ainda chorando.

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Quando acordou no outro dia, achou que fora apenas um sonho ruim. Foi para o banheiro lavar o rosto e escovar os dentes. De volta ao quarto, quando estava prestes a vestir uma roupa, sua mãe bateu na porta.

— Drew? — disse ela com uma voz arrastada.

— O que foi mãe? — gritou ele do lado de dentro.

— É seu amigo, Drew... O Chris. Ele está... está...

A mãe não aguentou completar a frase. Ela começou a chorar. Drew se deu conta de que fora tudo muito real e ajoelhou-se no chão. Apoiou-se nos braços e as lágrimas desceram por seus olhos.

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O velório de Chris seria naquela mesma tarde. Drew tinha obrigação de ir, afinal, era seu melhor amigo, mas como ele poderia encarar a família de Christopher?

A mãe gritou por ele. Drew continuava trancado em seu quarto. Estava sentado na cama.

— Drew! Vamos, temos que chegar no cemitério, meu filho...

— Vão na frente. Eu alcanço vocês...

— Não demore...

Ele escutou a porta da frente se fechando. Continuou em sua cama, apenas olhando para a parede, como se ela fosse lhe dar a resposta para todos os seus problemas. Finalmente, criou coragem e se levantou. Vestiu uma roupa preta e saiu do quarto.

Drew pegou um copo de água, mas quando viu o líquido, lembrou-se do sangue e não teve coragem de ingerir aquilo. Seu estômago estava revirado demais para comer algo. Ele decidiu ir logo para o cemitério.

Ao lado da porta, pegou sua chave num pequeno móvel. Destrancou-a e, quando a abriu, a luz do Sol invadiu a casa. Drew gritou e caiu no chão. Ele estava queimando. Fumaça começou a sair de sua pele. Era uma dor insuportável. Com muito esforço, ele arrastou-se de volta para casa e conseguiu fechar a porta. No mesmo momento, a queimação cessou. Drew encostou-se na parede, sentado no chão, atônito demais para ter outra reação senão ficar ali, calado.