Scarlet Blood I - One Last Heartbeat
28 Capítulo 27
— Springfield, cá estou eu mais uma vez...
Mason havia retornado de sua breve visita a Heinrik. Dessa vez ele tinha um objetivo em específico: pegar Drew.
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Com todos os seus afazeres, Drew se esqueceu que deveria entregar um trabalho no dia seguinte. O maior problema era que, por ser um professor "à moda antiga", não aceitava trabalhos feitos pela internet. E já era de noite. Sem outra escolha, Drew se vestiu e foi para a biblioteca do colégio.
Durante a noite, a escola ficava totalmente vazia, exceto por um vigia ou outro. Em geral, eles arrumavam um cantinho confortável para dormir. Em seu caminho, Drew cruzou-se apenas com um guarda e o homem, na casa dos 50 anos aproximadamente, apontou a lanterna bem na cara do garoto, cegando-o temporariamente.
— Que faz aqui, garoto? — falou de modo grosseiro.
— Desculpe, senhor. É que tenho um trabalho para entregar amanhã e o professor não aceita pesquisas da internet, então decidi vir na biblioteca da escola...
O velho resmungou.
— Vocês, jovens de hoje, não fazem nada da vida e ainda deixam tudo para última hora. No meu tempo...
— Olha, senhor, agradeço por sua preocupação em me dar conselhos, mas eu realmente preciso terminar logo esse trabalho e voltar pra casa. Diferente da maioria dos "jovens de hoje", eu tenho muito o que fazer. Com licença!
— E ainda por cima são mal-educados! No meu tempo...
Drew já tinha se ido e o homem continuou falando sozinho.
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O garoto ficou quase duas horas e meia na biblioca fazendo o trabalho. Quando saiu de lá, já era por volta das 22 horas.
Drew estava caminhando pelo corredor exterior da escola, já que era o caminho mais rápido. Ficava no jardim onde os alunos costumavam passar o intervalo. De um lado haviam outros corredores ou portas que davam acesso ao interior do prédio, enquanto do outro a passagem era cercada por muros e tinha diversas colunas.
Enquanto caminhava rapidamente, Drew sentiu um calafrio percorrer-lhe. Parou e olhou para trás. Não havia nada lá. Quando voltou-se para frente, tudo o que veio a seguir aconteceu numa fração de segundos. Tinha alguém lá o encarando, mas no instante seguinte, Drew apenas sentiu uma forte dor na cabeça e nas costas. Tudo ficou confuso. Aos poucos, Drew recobrou os sentidos e viu que estava sendo prensado na parede e que não conseguia respirar. O borrão parado à sua frente o enforcava. Ele se esforçou para recuperar o foco da visão.
— Andrew, Andrew, Andrew...
Nesse momento, a visão turva de Drew começou a se dissipar e ele pôde enxergar a figura que o enforcava. Arregalou os olhos, indignado.
— Você... Mason?!
— Certamente! Conhecemo-nos formalmente, Drew.
Drew era bem maior que Mason. Tentou se soltar de todas as maneiras e, de fato, o vampiro quase não estava conseguindo contê-lo. Ainda assim, ele simplesmente ria.
— Por que você está rindo? — gritou Drew.
— Porque, apesar de todo o seu esforço e, mesmo que você consiga se soltar... bem, nós dois sabemos que fugir você não vai conseguir, Drew!
— Tente!
Drew conseguiu dar uma joelhada no estômado de Mason. O vampiro deu um leve gemido de dor e soltou Drew, pressionando uma das mãos contra a barriga.
— Faça isso mesmo, Drew! Saiba que só está tornando esse joguinho ainda mais divertido para mim! — gargalhou.
O garoto corria desesperadamente pelo corredor. Olhou rapidamente para trás e viu Mason pulando no ar. Só teve tempo de voltar o olhar para frente e cobrir o rosto com os braços. Depois disso, apenas sentiu um grande peso nas contas o puxando para baixo e o forte impacto contra o chão. Ele deslizou alguns metros sobre o piso de pedra. Seus braços ficaram todo ralados e um pouco de sangue começou a escorrer por diversos cortes superficiais. A camisa e a calça de Drew também tiveram alguns leves rasgos.
Sentiu o ar quente da respiração de Mason em seu pescoço. Um som esganiçado vindo da garganta do vampiro quase estourou um de seus timpanos. Mason riu.
— Sabe, Drew, desde o começo soube que você seria o mais trabalhoso, mas vejo que foi mais fácil do que eu esperava... — Mason fez uma pausa. — Há muito tempo que venho querendo pegá-lo. Agora que finalmente consegui, tenho planos especiais para você, Drew...
A cotovelada de Drew fez com que Mason saísse de cima dele. Com o forte impacto, o vampiro acabou rasgando a camisa do garoto na parte de trás. Drew se levantou e já estava prestes a correr quando, finalmente, se deu conta que seria inútil fugir. Livrou-se do que restou da camisa e só então percebeu que seu peito e barriga também estavam um pouco ralados devido ao chão. Drew preparou-se.
Mason se pôs de pé e avançou em Drew. O garoto, muito adiantado, simplesmente bateu no ar. O vampiro estava atrás dele e lhe deu um chute na coluna. Drew gritou e caiu de joelhos.
— Vamos acabar logo com isso...
O vampiro se aproximou e ergueu Drew no alto sem esforço nenhum, como se ele fosse um mero livro. Lançou ele no ar e o garoto "vôou" por alguns metros até se encontrar com o chão novamente. O impacto na superfície causou mais ferimentos no corpo de Drew. Ele soltou um urro de dor. Ao abrir os olhos, meio zonzo, apenas enxergou as pernas de Mason se movendo, aproximando-se. Em seguida, sentiu um... dois... três chutes no estômago. Agilmente, Mason retirou do bolso um canivete e começou a enfiá-lo no corpo de Drew, deixando-o cheio de cortes. O sangue escorria por cada ferimento.
— Por favor... Pare! — implorou Drew com a voz fraca.
— Isso, Drew, é para você aprender a não mexer com os outros! — Mason riu. — Além do mais, todas essas feridas serão boas para você testar as propriedades da nova vida que o aguarda!
Mason novamente prensou Drew contra a parede. O garoto estava quase desmaiado. Outro grito estridente. Os timpanos de Drew tilintaram. Em seguida, tudo o que sentiu foi a intensa dor das presas de Mason se enterreando em seu pescoço. Os olhos de Drew reviraram. Ele não tinha mais forças e sentia seu sangue sendo drenado. Tudo começou a ficar distante. A visão escureceu. Seu corpo começou a ficar mole. Sentiu frio. Por fim, a vida o deixou.
Quando Mason retirou suas presas do pescoço de Drew e se afastou, o cadáver dele caiu com força no chão. O vampiro deu uma olhada de lado. Ajoelhou-se perto do corpo de Drew e, usando seu canivete, fez um leve corte no próprio pulso. Aproximou o braço da boca do falecido e deixou o sangue escorrer até a língua dele. Poucos segundos depois, o corte cicatrizou, mas Mason tinha conseguido o que queria. Calmamente, ele se levantou e saiu caminhando pelo longo corredor. Seus assobios ecoavam através do céu noturno.
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Os olhos de Drew se arregalaram e ele deu um pulo, tentando puxar para seus pulmões mais ar do que eles suportavam. Engasgou-se e tossiu. Como aquilo era possível?, indagou-se Drew. Ele tinha morrido. Sentira a vida o deixando. E agora, estava ali, de pé novamente.
Seu corpo estava cheio de cortes, arranhões e sangue. Ele começou a tocar a própria barriga, inspecionando os ferimentos. Quando passou o dedo sobre o sangue, sentiu desejo pelo líquido. Ele levou seu dedo à boca e sentiu um enorme prazer. De repente, começou uma sede, uma necessidade intensa de beber mais sangue. Assim, Drew se deu conta do que acontera. Rapidamente, ele pegou o celular e ligou para Chris.
— Chris, é o Drew aqui... — sua voz estava chorova.
— Drew, o que houve?
— Chris, eu... eu virei um vampiro!
Drew estava chorando. Ao escutar a palavra "vampiro", Chris entrou em choque.
— Drew — falou ele calmamente -, onde você está?
— Na escola, no jardim...
— Não saia daí, já estou indo!
Chris desligou o telefone e saiu correndo de casa.
Assim, Drew deixou o celular escapar de sua mão e sentou-se no chão encostado na parede, enquanto lágrimas escorriam por seu rosto.
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