Matt chegou ao quarto de hotel. Annie estava sentada no sofá.

— Olá, meu amor!

— Matt! — ela jogou-se nos braços dele. — Por onde você andou?

— Eu fui lhe comprar isto... — Matt deu a ela um ursinho que ele trazia em sua mochila. — Espero que goste!

— Ah, eu amei, Matt. É lindo! — ela deu um beijo nele.

Os dois se sentaram no sofá. Ficaram ali, em silêncio, apenas olhando um para o outro, feito qualquer casal bobo apaixonado. Annie desviou o olhar, finalmente.

— Matt... sabe, eu estava pensando. Há quanto tempo nos conhecemos?

— Desde agosto. Estamos quase na metade de maio... Isso dá nove meses e meio. Praticamente.

— Exatamente, Matt. Já faz muito tempo. E, mesmo que não tenhamos namorado durante esses nove meses inteiros, eu sei que te amo, Matthew Spencer. E pelo seu olhar bobo agora a pouco, posso dizer que você sente o mesmo. É mútuo!

— E eu fico muito feliz por isso, Annie!

— Eu também, Matt. Mas, o que eu quero dizer é... eu acho que já está na hora de, bem, você sabe, dar um próximo passo...

— E com próximo passo, você quer diz... — Matt fez uma pausa forçada. — Oh... Entendi! Annie, eu não acho que... Você tem certeza disso?

— Qual é, Matt? Nós dois nos amamos e estamos aqui, sozinhos, nesta cidade maravilhosa... É uma oportunidade única, Matthew. E eu quero isso!

Matt sorriu para Annie. Eles se aproximaram e começaram a se beijar. Aos poucos, o clima começou a esquentar. Annie tirou a blusa de Matt e depois a calça. Foi a vez do namorado despi-la. Ambos estavam usando apenas suas roupas íntimas. Matt pegou Annie no colo e levou-a para o quarto, colocando na cama com carinho. Ele parou os beijos.

— Você realmente tem certeza disso?

— Absoluta!

Eles se olharam uma última vez...

E aquele fora o melhor dia da vida de Annie. Matt tinha sido o mais carinhoso possível.

Matt puxou Annie para perto de si e a abraçou. Eles se entreolharam. Seus olhares estavam apaixonados.

Assim, acabaram por adormecer.

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Quando Annie acordou, não tinha passado muito tempo. Eram quase 14:00. Ela ficou ali, deitada, apenas observando Matthew. Apesar de ser baixinho, por volta dos 1,75, e não tão forte quanto Drew, Matt tinha o corpo definido. Seu rosto era muito bem desenhado e ele tinha traços delicados. Seus cabelos eram pretos e brilhosos. Os olhos dele eram verdes.

Matt despertou por conta do olhar da namorada.

— O que foi? — perguntou sonolento.

— Nada... Estava apenas apreciando sua beleza!

Ele riu.

— Fique aqui, vou tomar um banho.

Matt se levantou e foi para o chuveiro. Annie ficou deitada mais alguns minutos. Decidiu levantar-se. Estava se vestindo quando o celular tocou e a interrompeu.

— Alô?

— Annie!

Kathy gritou desesperada do outro lado da linha.

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— Drew! — gritou Lizzie.

— Lizzie!

Kathy tentara parar Lizzie, mas a amiga já tinha corrido e entrado na casa de Drew. Sem mais alternativas, Kathy apenas correu seguindo Lizzie.

No interior da cozinha, tudo estava uma bagunça. Quando chegou na porta que dava ao corredor, Lizzie gritou. Kathy parou atrás dela e ficou sem reação. Os falecidos corpos dos pais de Drew estavam ali, estirados no chão.

— Lizzie — falou Kathy desesperada -, devemos sair daqui!

Kathy começou a puxar Lizzie, mas a outra se soltou e mandou Kathy fazer silêncio. Som de choro. Estava vindo da sala. Sem medo, Lizzie adentrou no corredor, desviando dos corpos no chão e, quando chegou à abertura que daria na sala, encontrou Drew. Ele estava sentado no chão, apoiando seus cotovelos no joelho e escondendo o rosto nas mãos. Drew chorava desesperado e balançava o corpo para frente e para trás.

— Drew!

Lizzie correu até ele. Kathy ficou parada imóvel na entrada da sala. Seu coração estava palpitando tão forte que parecia que mais cedo ou mais tarde iria pular por sua boca. Lizzie se ajoelhou ao lado de Drew e pôs as mãos em um de seus braços. Ela sentiu seus músculos rijos se contraindo. Ele tirou as mãos da face e olhou nos olhos dela.

Dessa vez, tudo que Lizzie viu foi o velho Drew. Nada de presas ou olhos esbranquiçados. A única diferença, porém, era sua fragilidade. Ele parecia uma criancinha chorando — e Drew sempre fora um cara durão.

— Lizzie...

Exclamou Drew. Contudo, suas palavras foram praticamente engolidas por seu choro. Tudo que ele fez a seguir foi se jogar nos braços dela. Lizzie o abraçou o mais forte que podia.

— Está tudo bem, Drew! Eu e Kathy estamos aqui. Está tudo bem agora!

Ela acariciava os cabelos dele. Kathy apenas continuou na entrada da sala.

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Alguns minutos já tinham se passado até que Drew se acalmasse. Ele continuava agarrado a Lizzie. Kathy estava sentada no sofá, ainda alerta, em caso de algum ataque.

— Drew... Nos conte o que aconteceu — pediu Lizzie com carinho.

— Foi o Mason... — ele conteu as lágrimas. — Ele me transformou.

— Aquele miserável! — gritou Lizzie enfurecida. — Não foi o suficiente matar duas pessoas do nosso grupo?

Bastou Lizzie dizer isso para que Drew voltasse a chorar.

— Eu temo que... temo que não tenha sido Mason quem matou o Chris...

— Do que você está falando? — Kathy levantou-se do sofá, cheia de tensão.

— Eu matei o Chris... Fui eu. É tudo culpa minha! E matei os meus pais também!

Lizzie e Kathy se entreolharam.

— Oh, meu Deus! — falou Kathy pausadamente. — Foi por isso que você não teve coragem de ir ao enterro dele, não foi? — gritou revoltada.

— Kathy! — Lizzie a repreendeu gritando ainda mais alto.

Drew chorava ainda mais.

— Shhh! — Lizzie o apertou mais em seus braços. — Não é culpa sua, Drew!

— É sim! E eu sou um monstro! Vocês deveriam ir embora antes que eu as machuque também... Eu mereço morrer!

— Não diga isso, Drew! Você é o cara mais legal que eu conheço e eu sei que isso não foi culpa sua... — ela não sabia mais o que dizer, afinal, estava tentando consolar o amigo. — É só uma fase difícil e...

— Por favor, Lizzie, não diga essas coisas. Só faz com que eu me sinta pior, porque eu sou culpado sim!

— Sinto muito... — ela abaixou a cabeça.

Lizzie soltou Drew e se levantou. Quando ele olhou para ela, a garota o estendia a mão. Ele pegou e com a ajuda dela se pôs de pé. Ele estava fraco, não se alimentava há dias, e acabou cedendo. Porém, Lizzie o segurara. Ela sentiu o calor do corpo despido dele passando através de suas roupas. Sentiu o corpo dele tocando o seu. Ela engoliu em seco.

— Drew... — sussurrou ela.

O garoto cedeu de vez e Lizzie foi incapaz de segurá-lo. Ele caiu de joelhos.

— Você está muito fraco... — disse Kathy com pesar na voz. — Sinto muito pelo que falei!

Drew a encarou e fez um leve gesto com a cabeça, dizendo sem problemas, de um jeito descontraído. Mas podia se ver no rosto dele o quão fraco estava. Lizzie tomou uma decisão insana. Colocou seu pulso perto na boca de Drew e levantou a manga da camiseta.

— Aqui. Beba!

Drew e Kathy lançaram-lhe olhares indignados.

— Eu não vou fazer isso, Lizzie! — falou fracamente.

— Eu vou conseguir bolsas de sangue para ele – falou Kathy. – Isso pode ser perigoso, Lizzie!

— Eu temo que ele não vá aguentar até você voltar com bolsas de sangue, Kathy — Lizzie virou-se para Drew. — Não estou argumentando aqui, Drew. Você vai beber! — Ele desviou o olhar e Lizzie tocou em seu rosto. — Ei, eu já perdi dois amigos... Não quero perder você!

Quando Drew olhou nos olhos dela, viu o quanto ela queria que ele fizesse aquilo. Por um momento, hesitou, mas Lizzie fez sinal positivo com a cabeça. O olhar dele se encheu de agradecimentos. Os olhos verdes se transformaram em brancos. Suas presas apareceram e ele as cravou no pulso de Lizzie. A dor foi tamanha que ela caiu ajoelhada de frente para Drew. A garota o sentia sugando seu sangue. Mas, poucos segundos depois, ele retirou delicadamente as presas de seu pulso. Ele já se sentia revigorado. Seus olhos de brancos passaram a vermelhos, pelo fato de que tinha bebido direto da veia – olhos brancos significavam “anemia vampírica”. Saia um pouco de sangue do ferimento de Lizzie, mas Kathy jogou-lhe uma toalha e Drew pressionou o machucado de Lizzie para estancar o sangramento.

— Eu consegui me controlar... — ele disse quase não acreditando.

— Sim, você conseguiu, Drew! — Lizzie sorriu e o abraçou com força.

Kathy foi para a cozinha.

Apesar de revigorado, Drew ainda sentia-se um pouco debilitado. Ele deitou-se no chão e pôs a cabeça no colo de Lizzie.

— Obrigado, Lizzie!

A garota de inclinou e beijou Drew. Ele correspondeu calorosamente. As mãos de Lizzie começaram a tocar o corpo dele e ela viu cada músculo se tensionando. Drew deixou um pequeno som de prazer escapar-lhe pela garganta. Mas, voltando a si, por mais que quisesse aquilo, ele pegou a mão de Lizzie e a impediu de continuar.

Nesse instante, Kathy voltou da cozinha e jogou um grande pano para Drew.

— Cubra-se! Por mais que seu corpo seja... bem, você sabe... Estou começando a me sentir desconfortável com esta falta de pudor!

Drew jogou o pano sobre suas partes e sentou-se.

— Cadê o Matt? — perguntou preocupado.

— Ele foi para Chicago há dois dias.

Quando Lizzie disse, Drew suspirou, aliviado.

— O que foi? — perguntou Kathy, curiosa.

— Tem uma coisa sobre Matthew Spencer que vocês precisam saber...

Drew engoliu em seco enquanto falava. Kathy e Lizzie arregalaram os olhos devido ao tom de voz dele.