Saída de Emergência.

1 Capitulo Único.


Notas iniciais
Oi gente! Tudobomcomvcs? #SabrinaSatoFeeling.
Mais uma One, e mais uma vez inspirada por uma musica. O foda é que tenho 12 GB de musicas no meu PC. Imagina se todas me trouxerem inspiração. Nuss, vcs vão ter muito pra ler. E eu muito para escrever. Sei que ainda to devendo capítulos da The Only, da Pra que Complicar Tanto? , da Entreolhares, mas como falei, to com uma certa dificuldade com continuações. Mas prometo retomar a The only, depois as outras. Bom é isso ai...

Boa leitura! xD

Difícil não é lutar pelo que mais se quer, mas sim desistir de quem mais se ama. Eu precisei desistir, mas não pense que desisti por não ter mais forças para lutar, mas sim por não ter mais condições de sofrer. Quando deixamos de lutar por alguém que amamos não significa que deixamos de amá-la e sim que aceitamos a realidade. Eu aceitei a minha realidade. A realidade de que nunca vou tê-la. Você me pôs como um objeto. Manipulou até onde pode, e quando começaram a vir cobranças, simplesmente fugiu.

Eu não quero aqui encontrar culpados. Não quero apontar o dedo e dizer, “você errou!” Quero apenas seguir em frente. Deixar o “quase” no passado. Ver o que o futuro me reserva, vivendo cada minuto do presente intensamente. Descobri que é preciso aprender a voar quando o chão desaparece. Acho que criei assas. Acho que to partindo. Que to voando pra longe de ti.

Acho que eu construi sonhos em cima de alguém que julguei ser “grande”. O tempo passou... E eu descobri que grande mesmo era meu sonho. E a pessoa... Pequena demais para torná-lo real.

Isso me dói, pois depositei grande quantidade de esperança nisso tudo. Joguei-me de cabeça. E acabei por cair de uma altura que não há como medir. Hoje me encontro de coração partido, de crânio rachado. A queda doeu sim. Fiz o que pude. Fiz o que deu. Hoje não faço mais. Hoje não tento mais. Não tenho forças para isso. Não consigo ficar de pé esperando por mais uma desilusão. Perdi-me naquele abismo que me joguei. Ele é escuro... Sombrio... Tenho muito medo daqui, e não sei como sair! Gritar por socorro não vai adiantar, você não vai me ouvir, assim como não me ouviu quando eu tava caindo, quando gritei por vezes seu nome, em vão. Em vão amei, em vão esperei. Em vão me doei. Depois de todo o sacrifício, te perdi. Na verdade nunca a tive em meus braços, mas você já me teve nos seus... Me iludi pensando que estando em seus braços, você também estaria nos meus... Embaixo deles... Me enganei. Que ingênua eu fui. Que tola fui. Que tola sou, por escrever essas palavras a você que ao ler vai rir. Vai continuar sua vida como se nada tivesse acontecido. Me dói saber que não fui especial como me disse uma vez. EU QUERIA TER SIDO ESPECIAL! Eu queria ter sido mais que um dia. Eu queria ter sido teu mundo, por pelo menos ESSE dia. Mas por um dia fui... O que eu fui? O que eu sou? Agora nem eu sei mais! Não sei o que sou. Para que eu vim? Que mundo estou vivendo? Fico alternando entre o real e a fantasia. A fantasia me atrai, cada dia que passa estou mais longe do mundo real. As asas estão abertas. Quero voar. Mas desse abismo não consigo sair, ele é apertado demais para alçar vôo. To SOZINHA! To COM MEDO! Quero GRITAR! Quero CORRER! Quero MINHA MÃE! Eu já sabia que amar doía, mas desse jeito... Sacanagem! Desse jeito, tanto dói como sangra. Meu coração já não agüenta mais! O jeito é aceitar... Aceitar que sou UM NADA EM SUA VIDA! E que eu vou ficar aqui pra sempre NESSE ESCURO ABISMO QUE ME JOGUEI, por VOCÊ! Obrigada por NADA! Seja feliz! E esqueça-se de mim! Ah! Você já ESQUECEU! Agora falta EU ME ESQUECER DE VOCÊ! No meio de meus ANJOS e DEMÔNIOS procuro a SAÍDA de EMERGÊNCIA!

Olhei pro alto. Estava cansada. Não tinha mais como tentar, ela não é pra mim. Ela meu usou!

Eu estava no quintal de minha casa. Estava escrevendo em meu diário. Mais palavras jogadas ao vento. Palavras jogadas em paginas daquele diário. Palavras que ela poderia ler. Palavras que me doem ao escrever. Palavras fortes de significado forte. Palavras de um coração partido.

O céu daquela tarde parecia cinza. Tava tão sombrio. Arrepiei. Ainda não tinha decidido. Eu tentava pensar que não era assim tão mal. Seria uma solução para meus problemas. Eu a amo tanto, e ela... Ela não me ama.

Com esse pensamento fechei meu diário bruscamente. E o jogo em cima da mesa de pedra que ali tinha. Olho para a estátua e me vejo sendo ela por alguns instantes. Uma eterna espera por sei lá o que. Tento me acostumar com a idéia. Eu teria mesmo coragem? Respiro fundo, ou melhor, tento, porque meu ar estava entrecortado. Não dava para disfarçar minha respiração pesada.

O que meus pais iriam pensar? Que eles não foram bons pais?

O que meus amigos iriam pensar? Que não foram bons amigos?

- O que eu to pensando? Vamos lá Jéssyca! O que eu to pensando? Será que isso é mesmo a solução? E se eu... Não isso só se não der certo.

- Jéssyca! – Ouço minha mãe chamar. Já devia estar na hora do jantar. Passei várias horas no mesmo lugar. Eu tinha que me decidir. Na verdade acho que já to decidida.

- Filha, você passou horas no jardim. Deve estar frio lá fora. Vai resfriar. – Minha mãe falou preocupada.

- Tudo bem mãe, eu vou ficar bem. – Ficar bem? Há muito que não sei o que é isso. Sou uma boa atriz.

- Tudo bem então. Vai lá em cima lavar as mãos, e depois desça para jantar. – Minha mãe beijou-me a testa.

- Mãe, eu vou tomar um banho. E não estou com fome, mais tarde eu como alguma coisa. – Já fazia quatro dias que não comia nada.

- Filha, já tem uns dias que percebo que você não come nada. Ta acontecendo alguma coisa? – Incrível o faro de mãe para coisas ruins que acontecem com seus filhos.

- Não mãe. Não ta acontecendo nada. Só estou sem fome agora. Acho que to acostumada a comer fora de hora, só isso. Não se preocupe. – Sai da sala de janta, e subi as escadas em direção de meu quarto.

Entrei no banheiro, abri a ducha e fiquei lá em baixo por horas. Sei que é ecologicamente incorreto, mas a água batendo em minha cabeça e costas, me relaxava. Eu tava precisando relaxar. O curioso era que não era só a água que escorria por meu corpo, lágrimas também molhavam meu rosto, que ficara agridoce.

- Assim que terminar o banho vou comprar o... Nossa difícil até de pronunciar. – Pensei alto. Estava falando sozinha. Estou ficando louca.

Meia hora depois eu estava me vestindo. Nada de mais. Peguei dinheiro em minha carteira, coloquei no bolso a quantia de 300 reais, era o que tinham me cobrado pela poção.

Sai do quarto e desci as escadas correndo. Parei na sala, meus pais estavam assistindo televisão.

- Filha até que enfim saiu do banho. Pensei que ia dormir no banheiro. – Meu pai disse brincando.

- Vai sair Jessy? – Minha mãe perguntou cismada.

- Vou sim mãe. A Victória me ligou pedindo que eu fosse a sua casa. – Menti. Porque eu tinha que falar logo o nome dela? Talvez porque eu tava fazendo aquilo tudo por ter sofrido demais pela mesma.

- Hum... – Mamãe estava muito desconfiada, mas não entendia o porquê, só me olhava semicerrando os olhos. Ela balançou a cabeça, como se tivesse afastando os pensamentos ruins. – Ok filha, volte logo, já é noite. Eu assenti.

- Hey ruivinha! – Meu pai me chama atenção. – Toma. – Ele joga as chaves do carro. – Cuidado hein, não vai beber não! – Eu sorri de canto de boca.

- Pode deixar papai! Não vou beber! – Fiquei triste por alguns instantes. Eu era filha única.

Sai em direção à garagem. Entrei no carro, e o pus para funcionar. Abri o portão com o controle. E sai em direção ao meu destino.

Dirigi por longos 20 minutos. Até chegar lá. Um calafrio desconcertante percorreu minha espinha. Aquele lugar me dava medo. Eu mantinha contato por telefone, fiz toda a negociação por telefone. Entrei.

- Então você que é minha futura ex- cliente? – Ele me falava sorrindo. Mas não era um sorriso qualquer, era um sorriso com um ar psicopata. Eu tive medo.

- Acho que sim. S-se tudo der certo... – Falei insegura, até gaguejei por algumas vezes.

- Me acompanhe. – Ele me levou a uma sala, onde tinha uns bichos dentro de aquários enormes. Cobras, aranhas, escorpiões. Todo tipo de bicho asqueroso tinha ali.

- Ta olhando minha fonte? É deles que extraio meu sustento. – Respirei fundo. Ele parecia tão frio. Passei por um aquário onde tinha uma cascavel pronta para dar um bote. Ela me ataca, mas bate contra o vidro. Eu gritei assustada. – Parece que ela já sabe suas intenções. – Ele riu.

- É... Onde você arruma essas coisas? – Perguntei horrorizada.

Mais uma vez ele ri. – “Essas coisas”, eu compro pela internet. Ou mesmo viajo atrás. As aranhas eu encontro na Venezuela, as cobras e os escorpiões vêm da áfrica. Ta vendo esse? – Ele me mostra um escorpião enorme, preto. – Esse fica entre as rochas. Muito difícil de encontrar, mas seu veneno é mortal. Uma picada de um desse você esta morta em alguns minutos. – Fiquei assustada.

- O que eu te encomendei é extraído dele?

- Não. O que você encomendou é uma mistura, não causa um efeito imediato, como o desse escorpião, mas é letal, muito difícil conseguir se salvar. E o melhor é que vai parecer uma morte natural. – Engulo seco. – Não entendo. Como uma menina tão linda como você quer fazer isso. Não é todo dia que vemos ruivas, de mais ou menos 1,70 e olhos verdes, querendo fazer esse tipo de coisa. Você é corajosa menina. – Ele me olha dos pés a cabeça.

- Se é coragem eu não sei! Só estou cansada...

- Muitos alegam cansaço... Outros não vêem sentido para a vida. Há muito tempo trabalho com isso. Acho que se eu não fosse tão frio, iria me culpar por ter tirado tantas vidas. Não sei quais são seus motivos, nem to aqui pra julgar. E nem me importo. Mas a vida não é fácil pra ninguém. Alguns dizem que suicídio é pros fracos... Eu discordo. Admiro aqueles que conseguem ir em frente. – Olhei seus pulsos que agora estavam descobertos, e vi marcas neles.

- Você também tentou?

- Sim! E não consegui. Tive medo. Comecei e não continuei... Não fui tão corajoso. E olha que tenho bastante material pra isso!

- Nossa! Porque você pensou em fazer?

- Você é muito curiosa menina!

- Desculpe! Não foi minha intenção parecer inconveniente.

- Tudo bem... Não foi, foi sutil até. Você não foi a primeira pessoa que me perguntou, mas será a única pra quem eu vou dizer. Fiz por amor! – O olhei atentamente. – O amor que fudeu com a minha vida. Amei desesperadamente. Amei-a mais que a mim. E ela só brincou comigo. Quando vi, ela tava casando com o cara que dizia ser meu melhor amigo. Tentei fazer no dia de seu casamento, para o qual fui convidado. Quando ouvi o sim de ambos, eu não agüentei, sai da igreja, e cortei os pulsos. Ele que era meu amigo, veio atrás de mim, ela por conseqüência veio junto a ele. Ela me olhou nos olhos e me chamou de fraco e patético. Ele me chamou de idiota. Levaram-me às pressas para o hospital, onde conseguiram salvar minha vida, mas o que fizeram foi dar inicio ao meu continuo sofrimento. Depois disso tentei mais algumas vezes. Mas sempre me vinha à imagem dela a minha cabeça me chamando de fraco. E por fraqueza nunca continuava, por isso tenho tantas marcas. Um dia aceitei minha realidade. Não sou tão corajoso e nem “encorajo” quem me procura. Na verdade me ponho imparcial, mas hoje, quando vi você entrar por aquela porta... Eu não vi mais sentido para ser imparcial. Qual sua história triste mocinha?

- Minha história triste? – Ele assente. – Assim como a sua, é por amor, por amar demais alguém que não ta nem ai pra mim. Que brincou com meus sentimentos. Que ao mesmo tempo em que deu sentido a minha vida, retirou todo ele logo em seguida, depois que resolveu se afastar. Até hoje ela brinca comigo. Provoca... E depois faz a louca dizendo que não pode. Diz que me ama, depois diz que não era o que ela quis dizer. Diz que não pode, mas que me quer, e depois quando tem uma oportunidade, ela hesita. Ela deixa pra lá. Me deixa de canto. A última dela foi dizer que não da mais. Que ela nunca deveria ter começado, pois nunca vai me amar. Ela quer ficar só. Ela não quer mais me ver. Que mesmo eu fazendo bem a ela, ela precisa ficar longe de mim. Isso me doeu, isso acabou comigo. Tirou todas as forças que eu tinha. Meu peito dói de verdade. Passo mal por pensar nela. Acho que tenho alguma doença grave. Sinto meu coração falhar por vezes. Só quero adiantar isso. Sei que vou morrer, sinto que isso vai acontecer. Que não iria ser logo, mas também não tão tarde. Talvez na próxima crise que eu tivesse, já que nessa ultima quase eu me fui. – Ele me ouvia atentamente. – Então só quero acabar logo com isso.

- Entendo. – Ele sorriu triste. – Só vai funcionar se você tomar todo o frasco. Se não tomar todo, você vai passar muito mal, mas vai sobreviver. Então não esqueça, tome tudo!

- Entendi! Obrigada. Aqui seu dinheiro. – Ele pegou o dinheiro, olhou pra mim triste e devolveu.

- Não precisa me pagar. Esse é o ultimo que vou passar. Depois disso eu... Vou acabar com o negócio. –Ele sorriu. Eu o olhei confusa. – Nos encontramos lá em cima, ou em baixo, já que não faço a mínima idéia de pra onde iremos depois daqui.

- Com certeza, nos encontramos depois, em outro plano. – Vi uma lágrima escorrer-lhe o rosto. Eu enxuguei. Sorri sem graça e fui. Quando abro a porta de meu carro escuto um disparo. Fecho meus olhos, eu já sabia o que tinha acontecido. Ele enfim criou coragem. Agora era a minha vez.

Dirijo sem parar até uma esquina onde estavam uma senhora e algumas crianças. Parei e fui falar com eles.

- Oi tudo bem? – Disse sem graça.

- Estaria melhor se meus filhos tivessem comido hoje. Com a minha fome nem me importo mais, mas me dói ver meus filhos pedindo algo para comer, e eu nada para oferecer. – Engoli seco, meu coração estava apertado. Fui até meu carro, onde tinha umas mantas. Peguei todas e dei aquela senhora. Tinha mais mantas do que o numero de filhos.

- Aqui senhora, hoje terá uma noite quente. Você e seus filhos, e hoje terão o que comer também, espere um pouco aqui. – Atravessei a rua. Fui a um restaurante ali em frente. Comprei comida o suficiente para todos. Voltei e entreguei a ela, que logo chamou sua prole para comer. Talvez ali fosse a primeira refeição do dia, ou da semana, não sei. Dei a ela o dinheiro que iria usar para pagar o misterioso homem que me deu o passaporte para o outro mundo. – Aqui tem 300 reais senhora, vai dar pra comer por pelo uma semana. Eu acho. Espero que eu tenha trazido um pouco de alivio para o seu desespero. Admiro-a por ter toda essa dificuldade e não desistir. Talvez seja forte. Talvez não. Mas a senhora tem seus filhos, os quais eu acredito que seja sua motivação para acordar no mesmo amanhã que insiste em chegar.

- Quem é você? Um anjo?

- Na verdade não! Sou uma pessoa que esta se despedindo do mundo. E é essa forma que digo adeus. Boa sorte! – Abracei aquela senhora. E seus filhos vieram para um confortante abraço coletivo.

Entrei novamente no carro. Soquei o volante com toda a ira daquele momento. Dei um sentido para a vida a aquelas pessoas, as mostrei que ainda existe gente que se importam. Mas ao mesmo tempo, não encontrava sentido para a minha vida. Não tinha mais motivação.

Dirigi sem parar até minha casa. Meus pais já estavam dormindo. Fui para o meu quarto. Coloquei o frasco em cima da mesa de meu computador. Mandei meu ultimo e-mail a ela. Uma carta de adeus, e um pedido de desculpas. Narrei todo esse dia no e-mail. Lá eu explicava meus motivos, mas não a culpava, e sim a mim. Que fui fraca, fui forte...

Desliguei o computador. O relógio marcava 03h: 20 minutos. Eu abro uma garrafa de vinho, tomo no gargalo mesmo. Quando sequei aquela garrafa o relógio marcava 05h: 30 minutos.

Abri o frasco, cheirei... Dei o primeiro gole. Depois o segundo... Terceiro... Tentava achar que eu tava fazendo o certo. Depois do erro eu ganharia a redenção? Ainda tinha duvidas se deveria continuar ou não. Lágrimas de desespero começaram a cair.

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No outro quarteirão, Victória não conseguia dormir. Mexia-se de lá pra cá em sua cama. Sentia uma sensação ruim. Levantou-se de sua cama, o relógio marcava 05h: 40 minutos. Ela liga seu computador. Vê um e-mail de Jessy. Desesperadamente clicou até abrir. Ao terminar de ler, chorou rios. Depois, em um ato desesperado de tentar lutar por aquela, que agora ela tinha certeza ser sua amada, Pegou as chaves da moto, ainda de pijama. E foi até a casa dos Sampaio. Tocou a campainha várias vezes até a mãe de Jessy atender.

- Victória o que foi? O que te deu para bater aqui a essa hora, desse jeito.

- Tia cadê a Jessy?

- Deve estar dormindo... – Vick entrou correndo até o quarto de Jessy.

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- Só mais uma gole. – Minha vista já estava turva. Eu via duas linhas horizontais naquele frasco. Toda minha vida com Victória passou pela minha mente. Toda minha história com ela e sem ela estava passando agora. Eu estava suando frio. De meus poros saiam sangue e suor. Meu corpo tremia. Acho que a mistura com o vinho não fez bem, já que Ele me garantiu que o veneno era silencioso. Meu peito doía muito, meu coração estava acelerado. Não estava aguentando, queria logo acabar com aquilo.

Vi em minha mesa um estilete, e o peguei. Cortei o pulso esquerdo, o corte foi profundo. Desesperei-me ao ver tanto sangue. Respirei fundo e continuei. Quando estava indo para o segundo Victória entra desesperada no quarto. Retira o estilete de minha mão e o joga longe.

- Você ta louca? – Ela me cobrava.

- Há muito tempo enlouqueci! Enlouqueci em seus braços Vick! – Minha mãe estava na porta de meu quarto, desesperada. Meu pai liga pra ambulância.

- Meu Deus! O que você pretendia fazer?

- Eu não pretendia Vick! Eu fiz! – Ela nota o frasco em minha mão, estava quase vazio.

- O que é isso Jessy? Eu não acredito... Diz pra mim que você não tomou isso!

- Se eu dissesse, eu estaria mentindo.

- Meu Deus! Jessy, porque você fez isso? Porque você... Jessy eu não quero te perder! Eu não posso! – A voz dela já estava distante.

A ambulância chega. E rapidamente me colocam em uma maca. Um cara tenta estancar o sangue que saia daquele corte o qual eu provoquei. De longe eu ouvia os soluços de minha mãe, os gritos de meu pai. Senti a mão de Vick em minha mão. Ela estava comigo na ambulância. Meus pais acompanhavam no carro.

No hospital fui atendida as pressas. Correram com a maca até uma sala. Onde meus pais e Vick foram impedidos de entrar. Um enfermeiro segura Vick, assim como meu pai segura minha mãe. Dentro da sala eu estava indo. Já nem sentia mais meu corpo, já nem correspondia às tentativas de me ressuscitar. Então me lembrei das palavras Dele. — “Só vai funcionar se você tomar todo o frasco. Se não tomar todo, você vai passar muito mal, mas vai sobreviver. Então não esqueça, tome tudo!” – Lembrei em seguida que faltou um gole, um único gole, o qual fez toda a diferença, o qual todo aquele esforço não foi o suficiente para me levar ao outro mundo. O qual fez com que a ultima tentativa de me ressuscitarem desse certo ao injetarem em mim adrenalina, depois do desfibrilador. Meu coração volta a pulsar. O sangue já contido. O veneno já drenado. Eu estava viva.

Depois de algumas horas acordei em um quarto. Abri os olhos e lá estava ela. Sorria e chorava ao mesmo tempo. Minha mãe fazia o mesmo. Meu pai desabou em choro. Eu me senti incapaz. Eu não queria estar ali até...

- Jessy, eu tive muito medo de te perder. Tanto medo que eu descobri que sim, EU TE AMO!

Eu não acreditava no que eu ouvia. Lembrei da história triste DELE, que quando fez ela o chamou de fraco. Vick disse que me ama. Por isso não morri?

Atrás de Vick o vejo atrás dela. Ele sorria pra mim. Eu comecei a chorar. Ele tinha um buraco de bala na cabeça. Mas parecia aliviado.

- Sua hora não era agora menina. Ao contrário de mim, você vai ser feliz. Pois ela te ama. Vocês passaram por uma aprovação. Você teve que estar entre a vida e a morte para encontrar sua felicidade no amor. E encontrou. Alguns nascem para ele, outros não. esse foi o meu caso. Mas agora estou feliz, estou calmo. Sinto-me aliviado. Me chamo Miguel. E a partir de hoje serei seu anjo protetor. Ficarei junto a ti até à hora de sua morte, que será de causas naturais ao contrário do que você pensou. Cuidarei de ti. Nada de ruim irá te acontecer, nada definitivo pelo menos, já que existe o livre arbítrio. – De repente a aparência sofrida de sua morte desapareceu, o que deu lugar a uma vestimenta branca. Logo se abriram asas. Eu sorri. Então o vi voar. Ele desapareceu depois disso. Acho que só tornarei a vê-lo em meu ultimo segundo de vida.

- Jessy, me perdoa? – Escuto Vick pedir perdão. – Hoje sei o que fiz. Hoje sei que sem você não vivo. Me perdoa?

- Sim.

- Fico orgulhoso de você minha filha. – Meu pai falava, agora já estava calmo. – Perdoar é divino.

- Seu pai tem razão. Filha por favor, nunca mais nos dê um susto desses.

- Desculpe mamãe! Não vai mais se repetir.

- Não mesmo! Nem eu vou deixar! – Vick garantia. – Jessy, quer me namorar?- Aquele pedido me surpreendeu. – Sei que pode parecer repentino, mas eu não quero passar mais um segundo longe. Quase te perdi hoje.

Fingi pensar. Na verdade eu estava em um misto de emoções, sensações. A quis tanto, e agora ela tava ali, pedindo para ser minha. – É o que eu mais quero! – Respondi. Ela me beija apaixonada, eu retribuo ainda mais apaixonada.

Fim.

Notas finais
Reviews?
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