Sayora no Annunios
2 Segunda Revolução Divinal.
Notas iniciais
Pela voz de Kyuu Ioriky.
Corria desesperadamente em direção à luz que eu avistava no fim daquele corredor sombrio e escuro, meus passos estavam lentos e descompassados, meu coração batia forte e meus pulmões se enchiam de ar até pressionar em meu peito, eu estava atordoado. -Não acredito que tudo isso esta acontecendo comigo, o que eu fiz para merecer tal coisa? Meus passos eram cada vez mais lentos, meus pés se desgastavam rapidamente, eu tinha certeza que estava ultrapassando o limite de meu corpo para fugir dali. Eu já estava meio que desnorteado, a minha visão se embaçava com o tempo, eu tinha que parar imediatamente. -Droga, por que logo agora que mais preciso de mim cheguei ao final de minhas forças, não posso nem mais confiar em mim mesmo? Após algum tempo correndo excedendo os meus passos, pude ver uma imagem bem difícil de identificar, tudo que posso descrever agora é um sobretudo totalmente branco sem nenhum defeito aparente, realmente uma coisa que reinava sobre as outras matérias presentes, impossível não notar aquilo. -Vós... Vós não achas que sairá vivo após quase arruinar a segunda revolução divinal? Seu pai não foi nem um mero obstáculo para agente, ele não merecia todo aquele poder que possuía. A voz que soava em minha direção era forte e firme, um tipo de tonalidade a qual eu nunca havia escutado antes, uma voz baixa, mas quase que ensurdecedora, eu não teria como explicar uma coisa dessas. Após mais alguns curtos e quase parados passos senti que meu corpo colidia com o corpo de alguém, com certeza era o dono daquele sobretudo límpido, não tive nenhum tempo para tentar evitar ou amortecer o impacto, apenas trombei brutamente. -Droga, o que é isso? Por causa de certa força desse impacto toda minha massa foi jogada para traz, fazendo assim com que eu caísse no chão, o que mais me impressionava naquele momento não era o fato de eu ter sido arremessado diretamente e sim o porquê aquele homem não ter movido um musculo com tão forte colisão, ele parecia uma estátua mesmo depois do incidente. -Ioriky, apenas um garoto que não terá nenhum futuro promissor, alguém como você não devia ao menos esta aqui vivo, como um deus não irei permitir mais a sua existência. Deus? Aquela palavra veio varias vezes em meu pensamento, era como se estivesse ecoando em minha mente vazia, agora eu tenho total certeza de com que eu estava falando, voz forte e um sobretudo branco, com certeza era Hiroito. -Hiroito-Sama por que você fez isso com meu pai? Ele não merecia tal morte, agora você quer eliminar a mim. Fui tentando me levantar lentamente com esforço, pois além da pancada ao ter caído no chão eu estava totalmente desgastado, eu queria falar de homem a homem com Hiroito, mais os meus joelhos tremiam como se eu ainda tivesse sete anos, isso me impedia de ficar em pé. -Não tenho motivos para explicar a razão de eu ter assassinado seu pai Ioriky, à segunda revolução divinal acaba de acontecer. Ele continuava erguido e firme perante a mim, o clima estava cada vez mais tenso, como pode alguém ser tão frio como ele em momento como esses, até o admiro nesse certo ponto. -Pode me responder apenas uma coisa sinceramente? Dei um passo cambaleando para chegar mais próximo de Hiroito. -Sou um Deus, Não tenho costume de mentir, pergunte o que desejar antes de sua morte. A mão dele passava por uma ponta de seu cabelo acinzentado meio que escuro, ele parecia se exibir de sua divindade, ele é um ser perfeito. -Vo... Você foi o único a planejar essa revolução? No começo de minha frase eu gaguejei, pois eu estava nervoso à conversa com uma pessoa tão acima de mim, minhas mãos estavam suando descontroladamente meu corpo não costumava ter esse tipo de reações, eu sabia que a qualquer momento eu poderia ser morto, mais logo ao começar a falar fui criando coragem para continuar a minha interrogação. -Eu não fui o único Ioriky, você como filho dele deveria saber muito bem que apenas um ser não seria capaz de matar o seu pai, ele era superior a todos nesse misero planeta, a segunda revolução divinal foi muito bem elaborada. Ele me parecia bem enfastiado ao admitir que houvesse alguém que era mais forte que ele, até entendo esse tipo de sentimento, eu que não sou nada de significativo não gosto de transparecer coisas como essa. Parece que já sei tudo que tenho que saber, fui traído por todos, achei que eu podia confiar neles assim como meu pai confiava. -Parece que eu terei que lutar contra você se quiser sair vivo, tenho certeza que você não deixaria que eu saísse daqui após ter me contado tais coisas. Me posicionei com os dois joelhos levemente flexionados e com uma mão um pouco a frente de meu rosto para protegê-lo e a outra mão entre meu abdômen e meu peitoral, meus pés estavam um pouco distante um do outro para manter apoio, eu tinha um pouco de conhecimento sobre algumas artes marciais. Hiroito ficava apenas de pé a minha frente, ele colocava uma de suas mãos na bainha de sua espada que se prendia em seu sobretudo pronto para puxa-la. Um vento muito frio e longo a qual não costumava acontecer no templo passava por mim levando meus cabelos para frente de meu rosto, atrapalhando a minha visão. -Você não acha que é o único que possui uma arma? Hiroito estava bem próximo a mim, ele já começara a puxar a sua espada, logo ao ver que ele estava se preparando para lutar me movimentei suavemente trocando de lado a minha base de luta. Uma coisa eu tenho certeza que ele não sabe sobre mim, um filho de um deus como eu não pode ter nascido como um ser humano qualquer, pelo menos alguma vantagem eu tive com tal acontecimento, mais a única coisa que posso fazer é com que lanças de ferro finas nas pontas saiam de qualquer parte de meu corpo, esse será meu trunfo. -Você é muito ingênuo, nenhuma arma sua pode me deter. Debochando de mim ele falava quase que rindo, seu sorriso era irritante e sua voz perturbadora. Eu tinha certeza que eu podia ser atacado a qualquer momento, por isso eu já preparava meu corpo para qualquer coisa que pudesse vir a acontecer. -Não a mais limite de fraqueza, a minha inutilidade pode se tornar a minha melhor escolha. Antes mesmo que eu piscasse meus olhos ao terminar de falar, vi como se tivesse em câmera lenta a espada de Hiroito bem perto e sobre mim, no começo achei que era uma vantagem poder ver tudo bem devagar, mas meu corpo também não conseguia se mexer como deveria. Desse jeito eu só iria ver minha própria morte passo a passo. -Morra. A voz de Hiroito penetrava em minha cabeça. O vento da espada dele já tocara meu rosto levemente, uma pequena parte de meu cabelo deslizara para traz com essa energia proporcionada de sua arma, o som da lâmina cortando o vento era angustiante. Meu corpo já estava preparado, finalmente fiz força em meus antebraços. Por dentro a minha mão já começava a doer, eu sentia o sangue escorrer internamente em meu corpo, finalmente rasgando a pele de minha mão na parte da palma, uma lança de ferro de media espessura mais bem fina na ponta aparecia encobrindo meu braço de sangue. Quando o golpe de Hiroito estava para tocar a mim, outra espada tomara conta de me defender, empatando totalmente o ataque do deus. Finalmente eu estou salvo, não havia nenhuma possibilidade de eu sair vivo após um golpe desses, um dia vou ser imortal e não temerei a tais inimigos. -Hiroito-Sama, me desculpe mais mesmo você sendo um deus não podia deixar que machucasse o meu irmão. O tom da voz de Irusa era inconfundível eu tinha certeza de que era ele que falava aquilo, com a ajuda dele eu estarei totalmente protegido, a única coisa em que eu tinha semelhante à Irusa além do sobrenome era a cor de nossos olhos que poderia se destacar em qualquer lugar, um tipo de amarelo bem forte. -Irusa, Como você ousa desafiar o poder divinal de um deus? Você era alguém em que eu podia confiar e agora entra no meu caminho. A expressão de Hiroito não enganava a ninguém, ele estava totalmente nervoso, sei que alguém como ele não admite ser traído, os olhares entre meu irmão e Hiro eram fortes e inevitáveis. Após o impacto que tinha proporcionado a minha defesa a espada de Hiroito continuava sobre a de meu irmão a pressionando brutamente. Espero que meu Irusa seja capas de dar conta de Hiroito sozinho, pois na situação que eu estou não sou capaz de mover um dedo, talvez isso seja pelo desgaste ou simplesmente por estar atormentado com essa cena. -Idiota. Um sorriso sarcástico era a única expressão a qual identifiquei no rosto do dele nesse momento, as espadas que estavam encostadas rapidamente se deslocaram, antes que Irusa pudesse prever qualquer ação a lâmina de Hiroito já estava sobre sua cabeça. Isso é totalmente incrível, como alguém pode ser tão rápido quando Hiro? Se continuar assim o resultado dessa luta será o que mais tenho temido. -Não posso deixar esse maravilhoso mundo sobre suas mãos Hiroito-Sama, pessoas que não tem sentimentos como vocês não merecem serem deuses. Meu irmão falara tentando firma a sua voz perante Hiroito, mais no fundo ele sabe que não é páreo para disputar com um deus. Seria bem melhor se pudéssemos simplesmente fugir e ignora-lo, mais isso só iria mostrar a Hiroito que somos covardes e morreremos mais dolorosamente, não quero que Irusa morra ele é a única coisa que me resta. -Hiroito-Sama eu nunca tive medo de você... Teus poderes não me representam nenhum mal, para mim você sempre foi o mais fraco entre todos. A cena que eu presenciava entre o Deus e Irusa era totalmente amedrontadora, o que meu irmão havia acabado de dizer parece que realmente incomodou muito a Hiro, a lâmina da espada do deus em uma fração bem pequena de tempo saia de cima da cabeça do mesmo e repentinamente batia com a lateral da espada na face de meu irmão. O impacto a qual ele acabara de levar fez com que seu corpo fosse arremessado fortemente em direção à parede estreita daquele templo, meu irmão batera com as costas, depois da colisão deslizava até chegar ao chão ficando assim sentado e escorado. -Garoto idiota, pelas palavras que vós dissestes não terá perdão. Tu achas mesmo que irei deixar voz sobreviver após isso? Não devia subestimar o meu poder. O Deus já andava lentamente e divinamente seus passos eram perfeitos tudo que ele fazia tinha sua própria beleza, ele caminha em direção ao meu irmão, não podia acreditar que aquilo estava acontecendo logo agora, ainda sou novo não posso morrer por aqui. -Irusa, por favor, fuja não se importe comigo irmão! Meu coração se apertava de um jeito que não consigo explicar, ele parecia que ia se comprimir até chegar a hora de explodir, uma coisa que nunca senti, eu tinha certeza que algo de ruim iria acontecer. -Hiroito-Sama, deixe que Ioriky sobreviva você não tem por que mata-lo, ele não te representa nenhum mal. Se contorcendo de dor encostado na parede, o Deus já chegava bem mais próximo de meu irmão, não achei que ele fosse capaz de uma crueldade dessas, Irusa estava praticamente com uma bomba relógio em seu coração, o fim já era inevitável. -Não seja ingênuo Irusa, irei matar ambos para eliminar logo toda a linhagem de sangue, será como se seu pai nunca tivesse existido. -Queria que você não precisasse passar por essas coisas que passei Ioriky, tentei ser o melhor irmão possível para você, mais dessa vez falhei, por favor, perdoe-me... Lágrimas escorrerem de meus olhos era inevitável, eu me achava uma pessoa fria, eu queria ser tão frio quanto Hiroito, mas infelizmente não sou capaz, será que meu irmão irá morrer agora, não poderei mais vê-lo, um tipo de dimensão que não sei explicar, pelo menos isso terá um lado bom, Irusa ira se livrar de todo esse tormento e não vai precisar mais ver esse mundo cair sobre desgraça. Ainda não sei o quanto dói perder alguém tão próximo como um irmão, uma pessoa que esteve sempre ao meu lado, isso irá machucar profundamente dentro de minha alma, um buraco em meu vazio mundo desabando. -Irusa eu não irei deixar que ele o mate! Estava completamente eu desespero, já não pensava por mim, meu corpo não seguia mais os comandos de meu cérebro e sim de meu coração, e ele não queria perder Irusa. Comecei a correr em passos descompassados, minha estrutura toda cambaleava por causa de uma velocidade que excedia meus limites, eu só pensava em matar Hiro e impedir que ele toca-se um dedo em Irusa. -Não Ioriky, melhor você não tentar se aproximar. Um suspiro eu ouvia após Irusa falar. Parece que eu havia contado meus passos errado, antes mesmo de que era esperado eu já estava bem próximo do corpo de Hiroito, por causa de todo o barulho provocado por meus passos e por minha respiração ofegante com certeza ele notou a minha presença, mais ele permanecia de costas, preferia me ignorar. -Droga. Murmurei. A pressão do ar era forte em meus braços, pois eu estava em alta velocidade, tentei apontar as minhas lanças para Hiroito, mais antes que meus braços se direcionassem para ele, o Deus levantou mesmo que pouco uma perna. Eu não esperava aquele movimento tão rápido de Hiroito o pé bloqueou meu corpo empatando por totalidade que me aproximasse mais, senti um impacto forte em minha barriga e logo eu fiquei sem ar, meu corpo ficou quase que suspenso sendo apoiado apenas pelo pé de Hiro, aquilo para mim era estranho, eu sentia meus pés tocarem o chão mais eu não conseguia pegar apoio com eles. -Por que você ainda tenta? Aquela frase era familiar a mim e sempre me fazia refletir sobre ela, o Deus flexionava a sua perna levando meu corpo junto e logo depois a esticando e impulsionando com força contra mim, me lançado fortemente para longe. -Não tenho mais por que lutar ele estar certo, sempre vou continuar preso à realidade e aos ideais deles. Contorci todo o meu corpo por causa da dor, meus olhos estavam sem expressões e um pouco de sangue deslizava pelo canto de minha boca que permanecia aberta. -Ioriky. Irusa apenas pronunciava o meu nome quase que desacordado, nosso adversário já chegava ainda ileso até ele. A grande espada de Hiroito era levada por ele arrastando no chão, um barulho que me dava gastura era produzido pelo atrito entre a lâmina da espada e o térreo do templo. -Irusa, como disse antes, eu confiava em você, mais enfim me decepcionou, não esperava isso de tu. Meu irmão parecia não se importar com o que Hiro estava a falar, ele continuara a olhar para mim com lagrimas em seus olhos, não gosto nem de imaginar o que deve esta passando pela cabeça de Irusa, um sofrimento como esse ninguém deveria experimentar. Conduzindo a sua mão até um dos bolsos de sua blusa que aparentemente não podia ser visto, ele retirava uma adaga de forma estranha mais ao mesmo tempo de uma beleza deslumbrante. -Ioriky, isso foi à maior herança que nosso pai lhe deixou, isso ira garantir que você fique bem, segure! Com um pouco de esforço Irusa Jogava aquela adaga em minha direção que passara ao lado dos pés de Hiroito, ele parecia não se incomodar, o que será que aquela pequena arma pode fazer para me salvar de um deus. -Irusa, você foi a pessoa em que eu mais admirei, obrigado. Aquilo que meu irmão havia jogado para mim já estava quase parando de deslizar ao chão. Finalmente chegara a mim, acolhi a adaga com ambas as minhas mãos, e abracei o objeto como se fosse Irusa, eu sabia que não teria mais chance de tocar no corpo dele. -Já estou farto disso. Puxando a sua própria espada para trás, o Deus encostava a ponta da lâmina de sua espada no peitoral de meu irmão, Irusa ainda tentava reagir inutilmente, eu podia ver a angustia da morte em seus olhos, todo o desespero de uma vida sendo jogado fora era inconfundível e doloroso. A vitima daquela passagem assustadora ainda tentava se defender as duas mãos de Irusa estavam uma de cada lado da espado do Deus, tentando empurra-la contra ele. -Não queria que tudo fosse tão difícil assim, Adeus... Ioriky. Ao final da frase que ele dizia, Hiro empurrava de vez a espada, fazendo a arma de ele atravessar o corpo de Irusa interpelando a frase do mesmo. A ultima coisa que pude ouvir dele foi o meu nome, aquilo nunca mais iria sair de minha cabeça. -impossível. Sussurrei, eu nunca imaginei que presenciaria a morte de meu irmão, e deixaria tudo acontecer diante de meus olhos, ele sempre foi a pessoa que confiei, Irusa sempre me protegeu, o que será de mim agora? Apertava as minhas pálpebras com forças, eu não queria acreditar que aquele pesadelo estava acontecendo mesmo, comecei a me beliscar tentando acordar-me. -Eu te disse Irusa, você nunca foi capaz de me enfrentar, o destino lhe reservou a morte por cruzar o meu caminho, esse é o preço que se paga por desafiar um deus. Ele continuava a falar para o corpo de meu irmão que estava falecendo, havia varia gotículas de sangue no rosto do dele e de Hiroito, não posso aceitar nisso, como sou ingênuo devia ter parado aquela luta por ali mesmo. -Não adianta Ioriky, isso é a mais bela realidade. Hiroito puxava a espada que estava encravada em meu irmão e começara a desfilar lentamente em minha direção. Parece que chegou a minha hora, não posso perdoa-lo. -Agora somos sós nós dois Hiroito-Sama, eu irei testar a tua força. Eu já esperava a reação dele, Hiroito caio instantaneamente em gargalhadas. Essa é a hora que posso aproveitar para fugir, tenho certeza que ele não esperava isso de mim, comecei acorrer, dessa vez eu tinha confiança e certeza de que eu não seria pego, ele apenas olhou para trás, o Hiro aparentava uma expressão de surpresa, mas nada menos que um sorriso emblemático. -Você esta com medo Ioriky? Ele Sussurrou. Continuei correndo, não me importaria mais com o que ele pensaria de mim, tudo que eu queria naquele momento era salvar a minha vida, já que não pude fazer isso com a de meu irmão. Vi a imagem dele se deslumbrar novamente a minha frente, me assustei e parei de correr para não levar outra trombada daquelas. -Você é muito persistente, mais não pode me vencer. Segurei a adaga com mais força, não soltaria mais aquilo por nada, se meu pai a deixou para me proteger pelo menos uma utilidade ela teria. Agora eu tenho certeza que posso lutar de igual para ele, não sou mais nenhum garotinho para me fazerem de besta, sei que tenho que planejar algo para poder vencê-lo. -Garoto, Homens são tolos, são ingênuos, não pensam na consequência antes de agir, Ioriky agora chegou a sua hora, todos vão sentir o peso de uma revolução divinal. Não entendi o porquê aconteceu nem como aconteceu, mais a adaga que eu estava segurando se tornou uma luz bem forte que se espalhou por todo o corredor, sem que eu fizesse mais nada além de segura-la. Agora não sei se esta me ajudando ou atrapalhando, mais pelo menos isso estará dificultando a visão de Hiro até mim. -Que truque idiota é esse? A luz já tinha tomado conta de todo o corredor, eu não sabia se corria ou se ficava por ali mesmo, o adversário que eu estou enfrentando é um Deus, não é uma pessoa comum. Com o tempo a luz foi enfraquecendo, em meio aquilo tudo estava se formando a imagem de uma garota que aparentava ser um pouco mais nova do que eu. -Há quanto tempo Hiroito-Senpai. Aquela voz era muito doce e infantil, ela me lembra perfeitamente alguém inexistente para os outros mais ao mesmo tempo tão importante para mim, mais por menos que eu quisesse aceitar eu conhecia o tom que ela falava era como uma melodia para meus ouvidos. Fiquei perplexo emimaginar que poderia ser ela, tanto tempo em que eu não via o rosto de Sashamy, é um impacto muito forte para mim vê-la assim tão de repente , seus olhos estavam mais lindos de que antes um tipo de branco bem claro e neutro ao mesmo tempo. -Sa-Sashamy-Chan! Você também irá me desafiar? Ninguém é páreo para o poder divino de um deus como eu. Finalmente eu o vi mostrar uma expressão de medo, Hiro estava totalmente surpreso com a chegada da garota, pois nenhum de nós dois esperávamos uma coisa como essa em meio a nossa batalha. Como Sashamy poderia conhecer Hiroito?
Varias ideias passava por minha cabeça tentando decifrar isso que parecia um enigma, eu ainda era um adolescente mais parece que vivi mais do que uma pessoa de sessenta anos. -Como sempre você se acha o mais forte não é Hiro-Senpai. O jeito que ela falava com o deus me surpreendia, ela não demonstrava medo para com uma pessoa tão acima do nível de qualquer um na terra, se um deus desse planeta que eu vivo é tão superior a mim, como poderei derrotar os mais fortes? Tentava fazer meu cérebro formular a ideia de que uma paixão inexistente que não passara de meu imaginário acabara de entrar em meu mundo, a adolescência é mais complicada do que eu imaginei. -Então é isso que seu pai deixou para proteger você Ioriky, ele não parece ter feito um trabalho tão ruim dessa vez. Eu estava totalmente preso em uma onda de pensamentos ao olhar para ela, meus olhos não desviava de Sashamy, era como se eu estivesse em transe, nem mesmo se eu quisesse eu poderia modificar a minha forma de pensar sobre ela. -Parece que sim Hiroito-Sama. Meu corpo tremia ao pensar no que poderia acontecer por ali, tudo estava tão difícil de interpretar, eu estava totalmente vulnerável emocionalmente e fisicamente, nunca estive em uma situação como essa. Não poderei ser útil de nenhuma maneira em uma batalha como essa, irei apenas observa e deixar que eles resolvam sozinhos. -Ioriky-kun, não precisa mais temer, agora estarei aqui para protegê-lo por ordem de seu pai, não deixarei que nada aconteça contigo. Ouvi os passos de Sashamy vir em minha direção, ela chegara a minha frente em poucos segundos, mal pude notar a aproximação sutil dela. -Ao seu lado não temerei. A minha curta frase parece ter sido bem significativa, vi um breve sorriso no rosto dela, aquilo me deu ainda mais confiança. -Sashamy-chan, se você me desafiar vai acabar na mesma situação trágica que Irusa se encontra. O deus apontava para o corpo de meu irmão, ele parecia se mostrar com glamour vangloriando-se por uma vitória. Como ele é idiota, não quero que ele toque mais no nome de meu irmão, mas isso parece ser inevitável. -Não, Hiro-Senpai, não eu estou louca de te desafiar nesse estado, mais não será tão simples assim para vocês deuses continuarem tendo a posse desse mundo. A trágica situação não parecia amedrontar Sashamy, ela sempre se demonstrava forte perante qualquer um. Como ela pode ser tão confiante de si desse jeito, ela me parece ser muito forte, eu até quero ser como ela, mais para alguém como eu isso se torna quase impossível, não tenho toda essa coragem. -Desculpa não poder fazer companhia a você dessa vez Hiroito, mais eu pretendo sair daqui agora. A mão gelada de Sashamy tocava a minha mão, ela era bem delicada e sutil, mais ao mesmo tempo conseguia ser bastante firme, alguém a qual eu podia colocar toda a minha confiança. Nós já começávamos a andar em direção a saída daquele templo escuro, passamos como se nada tivesse acontecido em frente à Hiroito. -Como você desejar Sashamy-chan. Com a parte de baixo de seu braço o deus se apoiava na espada evitando se desgastar por ficar em pé. -Ioriky-kun, não precisa se preocupar, estarei sempre com você e nada que tu temer irá acontecer contra ti. Ela falava para mim enquanto corríamos em direção à saída, me senti bem mais seguro ao apertar a mão dela. Lembro que essa sensação eu já senti alguma vez, essas mãos doces já me tocaram algum dia. -Ser filho de um deus não vai ser nada fácil para você Ioriky-Kun. De algum modo àquela frase me incomodava, irei lutar como todo o meu sangue para trocar essa minha imagem de filho de um deus. -Não quero ser considerado apenas um filho de um deus... Sou simplesmente um deus. Não consegui entender o que ela iria fazer, apenas observei ela fechar o seu punho pressionando seus dedos contra a palma de sua mão. -O que você vai... Antes que eu conseguisse terminar de falar eu sentia uma forte dor na barriga, fiquei praticamente inconsciente, fechei meus olhos tentando abranger a avalanche de imagens que chegavam até meu cérebro.-No momento você será mais útil dormindo Ioriky-kun, me desculpe mais não tenho outra escolha. Não consegui entender o porquê mais tudo que acontecia enquanto eu estava inconsciente eu podia ver pelos olhos de Sashamy, senti meu corpo ser jogado um pouco para frente mais ainda sendo segurado pelas mãos dela. Com certeza ela parou de correr, mais o que não consigo entender é o porquê disso, devíamos aproveitar que temos essa chance clara de fugir. -Você terá que esperar um pouco aqui Ioriky-Kun. Meu corpo acabara de ser abandonado lentamente no chão, mais mesmo assim não temia que nada pudesse acontecer comigo eu tinha certeza de que ela voltaria para me buscar. Ao sentir as minhas costas tocarem o chão, algo de muito estranho aconteceu não conseguia decifrar, tudo parecia mudar diante de meus olhos. Aquilo era como se eu estivesse em outra dimensão, o ar avia mudado e meu corpo parecia diferente e mais restrito a movimentos, eu me esforçava para falar mais nenhum som saia de minha boca, era como se eu não pudesse expressar nada, de repente eu estava vivendo no corpo de uma criança de cabelos escuros, o clima estava meio denso e chuvoso não tinha possibilidade de ver o cenário em minha volta. -Essa talvez seja a decisão mais difícil que uma mulher pode tomar, peço a você toda a compreensão possível e espero que um dia me perdoe, você vai sobreviver você é forte. Percebi que meu pequeno e frágil corpo estava sendo puxado levemente pela mão, eu estava dando alguns passos maiores de que as minhas próprias pernas podiam alcançar, isso fazia com que eu andasse descompassadamente. Aquela voz não é estranha ,com certeza eu já a ouvi antes, mais por que essa garota esta me puxando tão depressa em meio a essa chuva? Nenhuma possibilidade de resposta eu conseguia imaginar, tudo estava tão confuso. -Chegamos Ioriky-kun, aqui você passara o resto de sua vida. Estávamos de frente para uma porta imensa fabricada aparentemente de madeira, eu mal conseguia ver onde aquilo iria acabar eu estava impressionado com tal arquitetura elaborada pra criar aquele cenário. Duas mãos quentes e suaves tocavam as laterais de meu rosto delicadamente, todo o clima frio e o sentimento de medo que predominava sobre mim era quebrado rapidamente ao toque dela, me esforçava incansavelmente para conseguir ver o rosto daquela garota, mais a minha visão estava um pouco impossibilitada por causa da chuva e ainda estava com muita pouca iluminação no local, fiquei muito angustiado em não poder ver o rosto dela, eu tinha que identifica-la. -Um dia eu serei tua. Os lábios daquela pessoa tocavam a minha testa lentamente, senti a boca dela pressionando a minha face com um pouco de força por alguns segundos, não conseguia entender o porquê de tal aproximação, mais pude perceber que se aquele beijo não acontecesse às coisas não estariam como estão hoje em dia, alguma coisa dentro de mim me dizia isso. -Adeus. Era uma sensação única e indescritível, mesmo eu nunca tendo visto aquela pessoa aquele beijo causou tanta reação assim em mim, depois disso tudo ficou escuro para meus olhos. -Hiro-Senpai, me desculpe ficar tomando o seu precioso tempo, mais não posso deixar largado o corpo de Irusa-Kun. Toda aquela dimensão era totalmente desfeita diante de mim, minha cabeça doía tentando entender o que estava acontecendo, a frase de Sashamy me acordava de um sonho profundo. -Faça como quiser. Aquilo já estava ficando meio monótono para mim, irei ter que ficar esperando Sashamy terminar com tudo, mais isso não iria fazer nenhuma diferença na situação que estou só irei atrapalha-la. É bem triste para mim saber que nem ao menos posso tentar defender a pessoa que eu mais amo. Os passos de Sashamy eram lentos e precisos, mesmo de onde eu estava era perfeitamente perceptível que ela se aproximava de Hiroito. -Irei observar toda a trajetória de vocês de longe Sashamy-chan. A voz rouca de Hiroito era incrivelmente assustadora. Um pouco depois de Hiroito terminar de falar os passos de Sashamy pararam, finalmente ela chagara até o corpo de meu irmão, o rosto de tristeza era inevitável, uma cena muito lamentável ver Irusa morto. -Irusa isso me chateia muito, não queria que você tivesse morrido, você devia ter me chamado antes para protege-lo. Sashamy se impulsava para cima, ela não parecia fazer nenhum tipo de esforço para pular, era como se ela fosse uma pena. Enquanto ela estava levitando no ar, a mesma usava a ponta de seus dedos para levantar uma pequena parte de sua saia e puxar a adaga que ficava prendida por uma liga em sua perna. -Adeus Irusa, você foi um grande homem, seu nome nunca será esquecido. Logo ao falar Sashamy jogava a adaga com uma velocidade impressionante no peito de Irusa, a adaga o perfurava logo fazendo com que ele se desmaterializasse na frente de todos, ficando apenas com a ponta encravada na parede. -Eu não gosto nada de fazer isso, mais é a minha obrigação. Tudo o que ela estava sentindo ao fazer aquilo podia ser visto apenas com a sua expressão, era uma coisa impossível, fazer isso e não se abalar. Caminhando em direção ao lugar onde supostamente estava o corpo de meu irmão, Sashamy retirava a adaga da parede com um pouco de esforço e guardava novamente a sua arma. — Sashamy-chan, eu não vou ter nenhum problema em deixar você passar por aqui, mais se quiser ter uma vida livre, que seja longe de mim. Os olhos do deus se fixavam totalmente em Sashamy enquanto ela guardava a sua adaga. Parece que os deuses também sentem atração carnal, eu devo está meio desenformado sobre esse assunto, ou será que Hiroito sente alguma coisa por ela. -Hiro-Senpai, eu ficarei honrada de você me deixar sair viva dessa vez, nos encontraremos de novo e você vai ver o quanto sou forte. Um salto longo e baixo era dado em minha direção por Sashamy, enquanto a mesma estava no ar, sem ao menos tocar ao chão ela me segurava firmemente e me levava para fora do templo. -Não importa quanto eles sejam fortes, minha vontade de ser um deus é maior. Falei recuperando um pouco a minha consciência ao ser levado por Sashamy.
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