Sayonara

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Então... Mais uma madrugada de inspiração. Nem sei como ou porque isso me ocorreu, mas como toda boa epifania minha, virou fic.

Dear Mello,

Eu suponho que seja assim que se começa uma carta amistosa. Eu nunca escrevi nada do gênero, mas ultimamente tenho me sentido fora de equilíbrio e por mais que isso soe dramático você sempre foi a coisa mais perto que tive de um amigo.

Matt podia se tratar bem, podia conversar normalmente comigo, mas nunca me identifiquei com ele. Apenas em nossas competições arrogantes eu me sentia vivo e agora que vocês se foram e Kira também, minha existência voltou a ser vazia.

Eu que nunca conheci os sentimentos, eu que nunca me importei em entender as emoções me dei conta de que no fundo eu não sou tão diferente de você e talvez justamente por isso nós nunca conseguimos nos entender.

Todo esse tempo você me desprezou por estar na frente. Você não achava justo perder depois de tudo o que passou, o tempo que dedicou para ser o L ao passo em que eu nunca precisei me esforçar muito. É um simples fato de que alguns como eu nascem com a grandeza, outros como você alcançam a grandeza e há ainda aqueles como o L que tem a grandeza imposta a ele.

De uma maneira ou de outra nós sempre concordamos que alguns gênios nascem prontos e outros se criam. E no fim não importa como, quem permanece de pé é o vencedor.

Seguimos esses nossos princípios e filosofias até o fim, levamos tudo ao extremos só para descobrir que nos enganamos, que não se pode ser emotivo por completo assim como não se pode ser racional o tempo todo.

Isso não é um elogio ou pedido de desculpas. Não somos assim, não nos arrependemos.

Essa carta é apenas para dizer que eu nunca quis ser o L. Eu sempre reconheci seus esforços e tudo o que queria era que você estivesse preparado, que fosse o melhor para conseguir ajudar o mundo. Então eu entrei no seu jogo, eu não facilitaria ou perderia deliberadamente, eu faria de você um grande detetive.

Pois eu sempre desejei ser como você. Eu sempre quis entender como você conseguia lidar com os sentimentos, como eles eram, como era ser amado, como era amar, odiar, ficar triste, feliz, realizado, frustrado... Eu queria ser normal e ao mesmo tempo especial como você conseguia. Não sei se posso chamar isso de inveja, mas com certeza você despertava a minha curiosidade.

Tudo o que eu sempre fui era uma ferramenta, alguém brilhantemente vazio. Com uma vida sem sentido, um coração inerte, uma pessoa sem nada para acreditar, sem ninguém para me importar.

Quando L morreu e você se foi eu encontrei uma mensagem de Lawliet escondida no orfanato e decidi que deveria lutar pelo legado dele, pensei assim ter encontrado um caminho para seguir, uma razão para existir.

Agora que está tudo dito e feito, que o jogo terminou e eu consegui o tão almejado posto de melhor detetive do mundo eu finalmente consegui sentir algo. O vazio, a solidão, talvez até tristeza. E não sei como lidar com tudo isso.

Então onde que que esteja Mello quero apenas que saiba que esse tempo todo tentando provar algo foi inútil, eu sempre reconheci o seu valor, eu sempre o admirei mesmo com seus equívocos e tenho certeza de L também. E eu daria tudo para que pudéssemos jogar só mais uma vez.

Acredito que um dia acabaremos por nos encontrar e então teremos uma nova revanche. Até lá eu farei meu melhor como L. Até lá eu me manterei sob controle sendo o frio e calculista Near de sempre. Até lá... Isso é um adeus, meu amigo.

Sayonara Mihael.

Nate River

Notas finais
Meio depressivo, meio melancólico, meio sei lá. Apenas uma ideia qualquer de uma madrugada qualquer.Até mais.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!