Notas iniciais
Oláaaa! Como vão? Essa é uma fanfic ShikaIno (oh, really?), cheia de amor e tudo mais. Sério, está uma fofura só ♥

Algumas indicações: Itálico é narrado em terceira pessoa, são flashbacks! Todo o resto é narrado pela Ino.

Espero que gostem, me avisem caso encontrem - eu sei que vão encontrar - algum errinho de digitação. No mais, uma ótima leitura!

Como eu odeio acordar mais cedo que você, Shikamaru! Preguiçoso idiota. Gostoso que dorme de bruços e deixa essas costas nuas viradas pra mim. Puta merda, que vontade de te morder inteiro. E antes fosse só isso! Ainda fico divagando sobre várias coisas enquanto você não acorda. O assunto de hoje é: você. Se fosse para se basear em alguma coisa, a nossa história se basearia em fotos. Não fatos, nem momentos, nem amores, desamores, “encheções de saco”... Ok, talvez se baseie um pouco em “encheções de saco” também, já que você sempre foi um metido a desinteressado garanhão come quieto – e, é claro, isso me deixava louca. Não que seu seja a pessoa mais fácil de lidar, mas ainda assim, sou um livro aberto. Fala sério... E eu ainda sou a problemática. Eu me lembro perfeitamente de como sua mãe insistiu para que você fosse à minha festa de nove anos. Crescemos juntos, droga, o que custava ir de bom grado? Nãaaaao, mas o preguiçoso Shikamaru não podia fazer um esforcinho. Até que meu drama deixou todo mundo louco, e aí... Você foi.

— Pai, se você não der um jeito de trazer o Shikamaru, eu nunca mais quero festa nenhuma, nunca mais quero ninguém na minha vida, nunca mais vou olhar pra ninguém, nem falar, nem comer, nem tomar banho, nem...

— Eca, você não vai tomar banho? – perguntou Shikamaru, num tom monótono.

Eles estavam na saída da escola. Ino teve que procurar o garoto pelo colégio inteiro para entregar seu convite de aniversário, até fez o dele em formato de nuvem. E o que ele responde? “Isso daqui nem é uma nuvem de verdade... Garotas... Problemáticas...”. Ino teve vontade de rasgar o convite e fazê-lo engolir. Mas não fez, apenas chutou o corpo do garoto que estava deitado, apreciando as nuvens. Chamou-o de idiota, preguiçoso, falou que a amizade dele era um cocô. Mas agora que estavam perto de seus responsáveis, o máximo que ela podia fazer era chantagem emocional.

— Não vou! E você não tem nada a ver com isso! Eu te odeio!

— Se me odeia eu não preciso ir – respondeu o garoto, sorrindo.

Ino cruzou os braços na frente do peito, indignada. Inoichi apenas coçava a cabeça, pensando em como sua filha era geniosa.

— E então, Yoshino, tem algo que possa fazer? Algo como um milagre aqui, para esses dois pararem de brigar?

As famílias Nara e Yamanaka se conheciam desde sempre. Inoichi e Shikaku trabalhavam juntos. Estudaram juntos também. Portanto, Shikamaru e Ino não viviam um sem o outro desde que se entendiam por gente. O jovem Nara costumava ser mais ativo, mas de uns tempos para cá seu passatempo favorito era olhar para as nuvens. Isso enlouquecia Ino, já que, antes dessa besteira toda, seu passatempo favorito era... Ino!

— Vamos filho... Vai ser bom. Ino é sua amiga, não gostaria de vê-la chorando, não é?

Bingo! Shikamaru odiava ver Ino chorando. Ino chorava de forma escandalosa e exagerada, e ele, por diversas vezes, foi pego nessa situação e não soube o que fazer. Odiava não saber o que fazer, pois isso só acontecia quando estava com Ino.

— Tudo bem, tudo bem...

— Sério? Sério mesmo Shika? – disse a menina, pulando como se não tivesse tendo ataques instantes atrás.

— Já disse que tudo bem... – respondeu Shikamaru, tentando tirar os braços de Ino de seu pescoço. – Você tá me sufocando, tá me sufocando!

No dia da festa, Ino estava vestindo uma fantasia linda de sereia. Shikamaru, por coincidência, também vestia uma fantasia quase marinha. Coincidência? Bom, Yoshino sabia o que Ino estaria usando, e seu maior sonho era que eles dois formassem uma bela amizade, e, quem sabe, um belo amor. Ele estava vestido de pirata, e passou quase toda a festa reclamando de seu tapa olho, e como ele o impedia de ver as nuvens direito.

— Shika, você não para com isso nem na minha festa?

— Ah, que problemático. Não é legal ver as nuvens aqui pela janela...

Ino se enfureceu, e seu rosto ruborizou de raiva. Correu até o amigo – que nem tinha se dado ao trabalho de olhá-la – e tapou seus olhos.

— Aposto que nem sabe o que eu to vestindo!

— Sei...

Ino esperou alguns instantes, e suspirou.

— Hm... E o que é?

— Uma fantasia de sereia mal feita.

— MAL FEITAAAA?

Shikamaru se virou e olhou para os olhos extremamente azuis da amiga. Talvez aqueles olhos fossem as únicas coisas no corpo de Ino que não foram compradas – como maquiagem, a fantasia, etc – e ainda assim, eram as coisas que mais se assemelhavam ao mar.

— Sereias não tem pés.

— Mas se eu não tivesse buraco pros meus pés, eu não ia andar. Seu burro!

Shikamaru deu de ombros.

— Então você devia ficar na banheira.

— Eu te odeio! Te odeio! Te odeio!

— Ino! Venha tirar uma foto com seus amigos!

Ino pareceu esquecer todo o ódio que tinha de Shikamaru e o pegou pela mão, radiante, o puxando para perto da mesa do bolo.

— Posso tirar uma foto com o Shika primeiro?

— Eu não gosto de tirar foto.

— E eu não te perguntei nada, bléee!

— Não quero!

— Eu te o-

— Me odeia, me odeia, me odeia – interrompeu o garoto, imitando a voz fina da amiga.

— É isso aí! Ai, espera, eu não falo assim! Papai, fala pro Shika tirar uma foto comigo!

E, como todas as outras vezes, Inoichi olhou para Yoshino, pedindo o tal milagre.

— Vamos, Shika... Ino é uma bela sereia. Mostre para todos como é um pirata forte e a pegue nas costas.

Ino pareceu adorar a ideia, pois pulou nas costas do amigo sem nem pedir consentimento. Shikamaru só manteve, sua face indiferente e segurou Ino, desejando que a foto fosse logo tirada para ele poder voltar a olhar as nuvens. E Ino era pesada.

Eu nunca vou saber o que aquela foto significou para você. Mas, para mim, significou muita coisa. Estávamos começando a crescer. Você estava tão, mas tão chato naqueles tempos. Blábláblá nuvens... Não que seja muito diferente agora. Ok, naquela época eu não fazia carinho nas suas costas como estou fazendo agora, mas eles começariam um dia... Me lembro perfeitamente de quando começamos a nos aproximar de verdade, sem influência de nossos pais e a coisa toda. Só por vontade. Quem não imaginaria, se nos visse grudados daquele jeito, que iríamos casar? Sua família sabia, e adorava dizer o quanto eu era linda. Minha família sabia, e adorava dizer o quanto você era inteligente. Eu que o diga...

“Professor... O resultado da primeira conta está errado”. Eu achava um saco quando você levantava a mesa da carteira para corrigir alguém. Você não estava babando dois segundos atrás, porra?! Como sabia do que ele estava falando? Você também sempre tinha uma resposta na ponta da língua para me dizer.

— Eu estava ouvindo...

— Shika, olha a sua baba ali na mesa, cara... Isso é impossível.

Shikamaru se espreguiçou, enquanto nosso novo professor de matemática o olhava abobado.

— Você é o tipo de aluno por quem eu não daria nada. Mas olhando bem, eu consigo me enxergar na sua idade. E olhe para mim agora, um professor de matemática podre de rico. Tudo por causa ó, da minha cabeça.

Todos os alunos riram. Asuma podia ser um ótimo professor, mas não era nem de longe podre de rico. A única coisa podre ali era o cheiro de cigarro. Mas ainda assim, suas qualidades supriam esse defeito.

— Não riam assim, é ofensivo sabia? Posso não ser podre de rico, mas segui o sonho da minha vida. Ah, espera, eu não dou aula de sexologia.

Mais risadas.

— Voltando. Senhor...

— Nara Shikamaru.

— Shikamaru, então. Pode me dizer por que a resposta está errada?

— É muito problemático pra falar.

O professor ficou sem reação. Então ele era mesmo um preguiçoso? Precisava, então, praticar particularmente alguns pontos com ele, para ver o quanto aquele cérebro poderia evoluir. Ele não parecia estar blefando. Sabia como testar uma coisa como essas... Uma boa e velha partida de Shogi.

Após alguns meses de aula com o professor Asuma, Shikamaru e Ino se encontraram totalmente apegados.

— MEU DEUS! O que é isso na sua orelha?

— Costumam chamar de brinco.

— Mas... Como assim? A ousadia do Asuma te invadiu? Precisamos comemorar! Viva o novo Shikamaru!

Shikamaru revirou os olhos e continuou tomando seu suco de laranja. Ino fazia tempestades em qualquer quantidade de água. Por Kami... E, porque infernos ela não parava de cutucá-lo?

— Vamos Shika, vamos sair depois da aula?

— Para onde?

— Ebaaaa! Isso pra mim é um sim! Pensei em irmos numa loja de CD’s ouvir alguma coisa, depois vamos tomar um sorvete e tirar foto naquelas cabines super legais que lançaram no novo shopping.

— Temos mesmo que ir tirar foto? Porque sempre tem foto pra tirar?

Ino fez o melhor olhar de súplica que podia. Parecia um gato manhoso. Tudo por uma maldita foto! Por isso Shikamaru gostava de cachorros... Eles não eram Ino. Logicamente, todo o cronograva da garota fora seguido. Era problemático demais discutir com alguém como ela. Mas, ao fim do dia, Shikamaru a convenceu a ir para um programa – enfim – dele.

— Shika, grama pinica.

— Só olhe para o céu e feche a boca. Sinta a paz.

Ino sentiu a paz.

Por dois minutos.

— Já podemos ir embora? – perguntou a loira, virando para o lado e olhando para um Shikamaru totalmente concentrado nas nuvens.

Ele era tão paciente, tão calmo... Tão... Lindo. Ino quase começou a superventilar, ou algo do tipo, quando teve pensamentos como esse. Não sabia mais respirar. Quem era lindo? Shikamaru? Não... Nuvens! Nuvens são legais, olhe para elas, Ino!

— Olha... As nuvens são tão passageiras. Mas quase sempre tem alguma lá.

— O que quer dizer?

— Não sei.

— É problemático demais explicar?

— Sim.

— Não consigo ver nada disso que você diz. Pra mim são só algodões gigantes flutuando.

— E o que você consegue ver?

— Você.

Foi automático. Ino queria mesmo ter pensado numa resposta menos vergonhosa. Mas não pôde. Nunca foi alguém que pensasse antes de falar, e não era bem ali que ela ia ter um surto de consciência. Shikamaru não disse nada, mas sentiu seu rosto ruborizar levemente. Se fosse analisar de forma mais crítica, nada na frase de Ino era constrangedor. Mas ainda assim, os sentimentos que os dois sentiam os colocavam nessa situação. Shikamaru não conseguia pensar de forma crítica. Mal conseguia pensar! Ino não o olhou, apenas levantou e disse para irem embora.

A volta para casa foi como sempre, passaram pelos mesmos lugares. Só não falaram nada.

Eu não falei nada, mas fiquei sorrindo de forma idiota. Sério, como você não me deu um tapa falando “REAGE!”? Eu parecia uma planta com pernas. Se você tivesse acordado, e se voltássemos dezessete anos – lá na minha festa de aniversário – você me diria algo como “Ino, isso é um pensamento idiota, plantas não tem pés”. É, eu sei, eu sei. Sereias também não. Mais quatro anos depois, a nossa foto foi num momento diferente para nós dois. Nos encontramos intimamente muito rápido, depois de um dos piores dias da minha vida. E, com certeza, da sua também, não é? Foi romântico, sabia? Mesmo que tenha sido torto demais. Meu primeiro beijo não foi com você, mas foi como se tivesse sido...

Um beijo fora roubado.

— Quando você se tornou tão impulsiva? – perguntou Shikamaru, depois de receber um beijo de Ino.

A loira riu, mordiscando os lábios do amigo colorido.

— Vamos ser amigos com benefícios, Shika? Vi num filme sabia? Achei conveniente.

Shikamaru negou com a cabeça. Mas não negou o pedido. Só não podia acreditar que Ino estava sendo tão descarada. Quem ele queria enganar? Ela sempre foi assim. Quando estava prestes a beijá-la de novo, ouviu o som de uma câmera.

— Até aqui? – perguntou.

— Nossa primeira selfie de verdade.

Um velório aconteceu.

— Você é um desgraçado! – Ino gritou, depois de dar um tapa em Shikamaru e jogar o cigarro que ele estava fumando para bem longe.

Shikamaru não reagiu. Odiava ver Ino chorando, mas estava simplesmente entorpecido pela dor. A dor de um tapa? Não. A dor de perder uma das pessoas que ele mais admirava no mundo.

— Não é justo fazer isso comigo, Shikamaru! Acabamos de sair da porra de um velório, e você para na porra de um posto de conveniência pra comprar a porra de um cigarro? Seu imbecil!

— Você tem um vocabulário limitado.

— QUE SE DANE! Quem é o inteligente aqui, você? Asuma morreu por causa dessa merda, e o que você vai fazer agora? Morrer também?

Shikamaru suspirou. Seria difícil explicar os motivos para Ino. Aquilo não precisava fazer sentido. Ele fumava porque é o que Asuma fazia; era simbólico. Como uma lembrança.

— Preciso de algo que me faça me sentir numa vida diferente – disse Shikamaru.

— Vem cá, você é burro? De verdade! Quer ter uma vida diferente junto com Asuma?

Shikamaru trincou os dentes, deixando Ino mais furiosa ainda. A loira entrou no carro, vendo todos os frentistas olharem para os dois de forma assustada. Não deveriam intervir numa briga de casal, deveriam? Bom, os dois não eram bem um casal, mas eles não deviam mesmo intervir. Shikamaru entrou no carro, e dirigiu até um ponto vazio da cidade.

— O que está fazendo aqui? – perguntou Ino, com os braços cruzados.

— Eu vou fumar.

— Shikamaru, que você morra então, não vou avisar mais.

E estava chorando novamente. Como ele podia ser tão estúpido?

— Eu odeio você.

— Ok, eu tenho cigarros agora.

— Se é pra fazer algo que nunca fez na vida, faça sexo comigo então!

Disse Ino, num tom de zombaria. Ele iria agir como um idiota? Então ela também faria isso.

— Ok. – respondeu Shikamaru, puxando Ino para cima de si.

— O que está fazendo? – perguntou, sentindo o homem abaixo de si colocar seu cabelo para o lado e beijar seu pescoço.

— Começando.

— Shikamaru, não brinca assim.

O jovem Nara levantou o vestido de Ino, subindo lentamente as mãos pela sua coxa. Mordiscou o decote de seu vestido sem quebrar o contato visual. Droga, ele estava falando mesmo sério.

Foi depois da nossa primeira vez – naquele seu carro velho e estranho – que você disse que me amava. Você não precisou dizer nada oralmente, eu consegui ver nos seus olhos aquele brilho que indicava que, se você precisasse de algum vício que te tirasse da realidade, seria eu. E eu o olhei da mesma forma, como se pudéssemos nos sustentar juntos. Cara, você me disse, com aquele simples olhar, que – um dia – ia pedir minha mão em casamento. Você tem noção de quanto me enganou para fazer aquele pedido dar certo? Como é dissimulado. Fez todos os nossos amigos saírem do horário de trabalho para fazer um recado na rua do meu escritório. Ler “marry me?” escrito por todos os nossos amigos foi bem emocionante, mas a primeira coisa que eu pensei – e gritei – não foi “aceito”, e sim, “isso deve ter sido bem problemático, né?”. Todos riram, você não. Estava com olheiras.

— Parabéns, Ino porca feia! – disse Sakura, abraçando a amiga com toda a força que tinha.

— Quem diria hem, Ino! Você foi a primeira a casar! — era Kiba. O que ele queria dizer com aquilo? Que Ino não era casável?

— Achei mesmo que a Hinata ia casar primeiro – disse Shino, ajeitando os óculos.

— E-eu? Porque?

— Ah, olha pra você, com essa cara toda de mulher casada! – respondeu Naruto, sendo inconveniente e sem noção, mas amado como sempre.

— Quando Sasuke tomar coragem de pedi-la em casamento... – disse Neji, olhando torto para o futuro cunhado.

— Quer casar comigo? – perguntou Sasuke, inexpressivo.

Hinata começou a ficar vermelha, e negou com a cabeça.

— Você não quer casar comigo? – perguntou Sasuke, dando um sorriso de canto. Adorava deixá-la encabulada.

— E-eu quero... Mas essas coisas a g-gente planeja com tempo e...

— Ele está brincando, Hina! – disse Ino. – Pode voltar a respirar.

Shikamaru ouvia toda a conversa olhando para o sorriso de Ino. Era estranho pensar que veria aquele sorriso todos os dias. Estranho, mas incrivelmente motivador e excitante.

— Vamos tirar uma foto? – perguntou Shikamaru.

Ino sorriu, quase não acreditando no que ouvia.

— Shika? – perguntou, só para conferir.

— Estão todos os nossos amigos aqui... É um dia especial. Vamos.

Foi a primeira vez que você tirou uma foto sem reclamar. Impressionante... Sabe o que eu pensei, no meio disso tudo? Nunca tirei uma foto sua dormindo. Nossa, Ino, como não? Sua burra?! Bom, sempre tem uma primeira vez para tudo...

Me inclinei e peguei o celular ao seu lado, verificando se o flash estava desligado. Quando me preparava para tirar, seu olho esquerdo se abriu, me fazendo largar o celular na cama. Tenho certeza de que a culpa está estampada na minha cara.

— O que está fazendo? – como eu adoro sua voz de sono.

— Dando bom dia – respondi, beijando sua nuca.

Você me olhou mais alguns instantes, desconfiado. Eu desisti e peguei o celular, me juntando a você.

— E tirando uma selfie, já que agora você não pode fugir.

Notas finais
Eu não sei porque ainda não tinha postado essa, é uma das minhas favoritas.

Espero que tenham gostado ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!