Say You Miss Me
5 Parte V - Begin
Notas iniciais
Bangtan Boys — Jin
Say you Miss Me
Parte V — Begin
“Quando eu tinha quinze anos, eu não tinha nada,
O mundo era muito grande e eu era pequeno.”
Quando Lee Young-Hee se foi, Kim SeokJin mal teve tempo para poder refletir sobre os acontecimentos. Acordou na manhã seguinte com os olhos doloridos, tinha chorado até cair no sono — embora não fosse admitir — uma dor enorme pesava em seu peito. Estava atrasado para a escola, então apenas tomou um banho e vestiu o traje da escola saindo de casa apressado. Algo lhe dizia que quando chegasse na sala de aula encontraria Young-Hee sentada em sua carteira perdida em seus livros, o peso no seu peito só aumentou quando encontrou seu lugar vago.
Durante as aulas o olhar de Ryu Tae recaiu sobre ele, desde a conversa com Young-Hee na praia ele decidiu se afastar de seu amigo, não queria lembrar que ele machucou a garota e que era causa de parte de seus problemas. Muita coisa ainda não fazia sentido em sua mente, por quê raios seus pais a forçaram a namorar seu amigo? Sua mente estava a mil, mas nenhuma explicação que ele imaginava fazia sentido. Estava preocupado e queria ir atrás dela, sentia-se culpado por não ter feito nada antes, por ter a deixado sozinha com Rye Tae. E apesar disso, lembrava-se de ouvir Young-Hee dizer a ele “Estou tão feliz por você estar alcançando seus sonhos, oppa.”
Talvez ela tivesse fugido para ir atrás de seus sonhos, assim como costumava dizer quando era menor, talvez fosse melhor deixá-la alcança-los sozinha. SeokJin não fazia a mínima ideia de onde ela poderia estar, a garota tinha mudado de número e de acordo com o que os pais dela tinham comentado com sua mãe uma tarde “Não adiantaria procurar por ela, a garota estava em outro país e de alguma maneira conseguiria o visto se permanecesse por lá. Eu que falhei com ela.” Pensou em todos os países próximos da Coréia que ela pudesse estar, contudo sabia que Young-Hee não estaria na China e muito menos na Tailândia, a probabilidade de ela estar do outro lado do mundo o assustava. Nunca mais veria sua dongsaeng.
Estava tão imerso em seus pensamentos que não reparou a presença de sua namorada, Yui o olhava com certo pesar, como se soubesse de algo que ele não sabia.
— Está pensando sobre YoungHee unnie? — ela perguntou cabisbaixa.
Seokjin não respondeu, sabia que não adiantaria de nada mentir para a garota.
— Ela está fazendo um intercâmbio em um país na América. — Yui comentou cuidadosamente, deixando transparecer que tinha em certo ponto espionado a ex-amiga.
— Como você sabe disso? — as pupilas de Jin se dilataram ao ouvir aquilo. América, o continente além de ser longe tinha uma infinidade de países, como adivinharia onde ela estava?
— Eu ouvi algumas conversas por telefone dela, — a japonesa deu de ombros, no fundo sabia que ele jamais teria toda a preocupação que ele estava tendo agora por ela, não sabia o que Hee tinha que ela não possuía, mas de alguma maneira a baixinha tinha conquistado o coração de SeokJin de uma maneira que ela jamais conseguiria. Compreendia que no fundo ele a deixaria e talvez no futuro encontraria Young-Hee, e o que eles não puderam ter naquele momento, teriam no futuro. Era como se eles realmente se complementassem, Yui não gostava de admitir, mas era verdade. A culpa por ter escondido tudo aquilo, por ter sido uma péssima amiga que invejou os bens de Hee veio à tona, deveria estar ajudando a amiga naquela fase difícil, mas apenas complicou mais a vida da outra.
Sem que percebesse, pequenas lágrimas se acumularam no canto de seus olhos e desceram lentamente. Surpreendeu-se quando o garoto não fez nada, e nem sequer olhava em seus olhos, Jin não secaria as suas lágrimas.
— Me desculpe. — ela fungou cobrindo o rosto com a mão para não chamar a atenção dos demais alunos. — Me desculpe por ter a tirado de você, eu não sei aonde estava com a cabeça.
O garoto continuou sem a responder, queria apenas aquele momento para poder refletir em seu canto sozinho, digerindo informação por informação. Quando percebeu isso a garota se retirou, a fim de deixa-lo sozinho. Então aquilo era um final, a garota pensou se distanciando com os olhos transbordando.
“Eu não aguento mais
Porque você está chorando
Eu quero chorar no seu lugar,
Embora eu não possa.”
[...]
Anos Depois
“Jagiya,
Ainda não sei por quê lhe escrevo cartas sendo que nunca as entregarei de qualquer maneira, mas garanto que esta é a última, sinto-me ridiculamente imbecil por ainda lembrar dessa paixão de adolescência enquanto você pode estar no altar com outro cara nesse exato momento. Não sei dizer porquê o meu coração insiste em você, não entendo o fato de um simples “eu te amo” em seu bilhete de anos atrás ter mexido tanto comigo. Amigos costumam dizer “eu te amo”, certo? Eu amo meus hyungs, assim como você ama sua eomma. Apesar disso sinto como se aquele “eu te amo” fosse além disso…
O palco é assustador em alguns momentos, mas quando me lembro do seu sorriso eu me acalmo. Onde você está jagiya? Talvez passando suas férias de verão na Califórnia em alguma praia renomada, ou simplesmente debaixo de uma árvore em um parque lendo um livro de romance policial? Me pergunto se você conseguiu realizar seus sonhos, eu espero de todo o meu coração que sim.
Acredito que deveria crescer e parar de lhe escrever cartas como essas, sinto que nunca mais te encontrarei novamente. A partir de hoje pararei com isso, me focarei em minha carreira, meus hyungs e minhas ARMYs que me esperam ansiosamente e guardarei este sentimento em meu peito como uma memória antiga que me fará sorrir no futuro.
Adeus, YoungHeenie
Kim SeokJin.”
“Sinto que estou morrendo quando o meu irmão está triste,
Quando o meu irmão está doente, doí mais do que quando eu estou doente.”
[...]
Mesmo depois de bons anos vivendo nos Estados Unidos a garota não conseguia se acostumar com o quão frio o inverno era, enrolou-se em seu cobertor preguiçosamente não querendo se levantar da cama. Afundou sua cabeça no travesseiro, assim que tinha acordado e lembrou-se de que era aniversário dele, não sentiu vontade de se levantar da cama.
Ela detestava isso.
Toda vez que finalmente tinha certeza que estava se apaixonando por outro alguém a memória de Jin voltava, sabia muito que nenhum dos caras que ela tinha ficado jamais o substituiriam, e era isso o que mais doía. Já tinha feitos bons anos que ela tinha saído do país, já tinha terminado a escola e se encontrava em seu apartamento que dividia com Gabe deitada olhando para o outro lado do quarto. Gabe estava acordado, ela sabia, mas não ousou incomodá-la e apenas se levantou sem sequer desejar um simples “bom dia”. A indiferença que sentiam um pelo outro a assustava, lembrava-se de estar apaixonada por ele quando os dois saíram para tirar férias em uma praia reservada no ano anterior, pode-se dizer que eles pareciam um casal normal. Como tinham chegado a aquele ponto deprimente?
Levantou-se contrariada e olhou o calendário na cabeceira de sua cama, de acordo com o fuso de horário já faziam umas boas horas que já era o aniversário dele na Coréia. Um sorriso triste passou por seu rosto quando se lembrou de quando comemorou o aniversário de Jin com ele em um piquenique, tinha passado a noite inteira cozinhando lanches e mais lanches, conhecendo Kim SeokJin ela sabia muito bem que o garoto comeria quatro vezes mais do que ela, e ainda assim, permaneceria com um corpo magricela. Infelizmente a única lembrança que tinha daquele dia foi a foto que tiraram no parque sorrindo abraçados, foto que ela ainda guardava no fundo de sua mala junto com um colar que seu pai tinha lhe dado quando era criança.
Afastou o pensamento de sua cabeça e se dirigiu para o banheiro afim de tomar seu típico banho quente.
— O quê está passando pela sua cabeça? — Gabe a assustou, encostando-se na porta do banheiro. YoungHee sentiu suas bochechas corarem por perceber que estava pensando em alguém que não fosse seu namorado, apesar de o sentimento dos dois ir morrendo aos poucos, não sentia como se aquilo fosse certo.
— Nada demais. — comentou virando-se de costas para ele, enquanto observava seu reflexo no espelho.
— É sobre o cara daquela fotografia não é mesmo? — um tom de irritação surgiu na voz dele, demonstrando que ele sabia de algo.
— Você mexeu nas minhas coisas! — ela exclamou virando-se incrédula para ele, estava demorando para que ambos começassem a discutir, bem que algo já estava ficando estranho para ela. — A palavra privacidade não consta no seu vocabulário?
Ele franziu as sobrancelhas e torceu o lábio irritado.
— Então você estava pensando sobre esse cara. — confirmou com rancor.
— Ele foi apenas um amigo Gabe, céus, largue de ser possessivo. Eu em momento algum fiz o mesmo com você. — exclamou aumentando seu tom de voz, uma hora ou outra sabia que aquela discussão chegaria.
— Talvez por quê você nunca se importou de verdade, não é mesmo? Caso contrário você me questionaria o porquê de eu chegar tarde todas as noites, ou pelo fato de eu ter várias amigas mulheres, mas você não dá a mínima como sempre. — seus olhos faiscavam, e incrivelmente YoungHee não se sentiu amedrontada — Tudo o que te importa é a droga daquele filme não é mesmo?
A coreana passou alguns momentos em silêncio, como se pensasse e repensasse no que iria falar para ele.
— Se estiver incomodado a porta é logo ali.
Gabe se retirou batendo a porta, deixando a sozinha no apartamento bagunçado.
No dia seguinte ele não tinha voltado para casa, Lee Young-Hee resolveu acertar as coisas com o namorado lhe fazendo um jantar. Já era tarde quando estava por desistir de espera-lo pelo jantar, apoiou-se na mesa da cozinha e suspirou fraco cansada, e foi surpreendida pelo barulho da porta do apartamento abrindo.
— YoungHee? — a voz rouca de Gabe a fez suspirar de alívio.
— Gabe. — ela respondeu enquanto ele se dirigia para a cozinha.
A troca de olhares entre os dois foi o suficiente para perceberem que ambos não queriam ter um discurso monótono sobre perdão, sabiam muito bem que isto resultaria em outra discussão que queriam evitar. Ela se levantou da mesa e dirigiu-se ao namorado roubando-lhe um beijo rápido e foi surpreendida quando Gabe a puxou para perto, correspondendo-lhe com intensidade, ambos procurando dissipar todas as suas memórias ruins, numa falha tentativa de se convencerem que daria certo novamente.
[...]
“Eu não sei muito sobre a tristeza,
mas eu vou chorar de qualquer maneira,
porque, porque
você me fez começar de novo.”
Lee Young-Hee, antes.
Sua vista doía pela vigésima vez somente naquela noite, a luz de seu abajur a incomodava e o copo que antes estava estava cheio de café, agora estava vazio. Esfregou os olhos em uma tentativa de focar-se no que tinha que estudar, estava cansada querendo apenas jogar-se em sua cama e dormir tranquilamente sem preocupações. Com um suspiro fraco, reuniu forças para levantar-se e ir atrás de café para manter-se acordada.
Ao quarto do lado seu irmão mais velho também estudava para alguma prova da faculdade, enquanto no outro lado do corredor seus pais descansavam após um longo dia de trabalho. Dirigiu-se para a cozinha e apoiou-se no balcão, ainda esfregando os olhos agora avermelhados.
— Huh? — resmungou ao olhar para o calendário a sua frente, sentiu um pequeno sorriso formar-se em seu rosto cansado quando percebeu, amanhã é o aniversário de Jin!
Tinha lhe prometido uma surpresa a algum tempo, inicialmente ela gostaria de levá-lo para a casa de sua família na praia no Japão, embora isso estivesse extremamente fora de orçamento para uma garota de apenas quatorze anos. Então optou pelo mais simples, faria um piquenique, sabia que SeokJin amava comida principalmente quando alguém cozinhava especificamente para ele.
Pensou e repensou se deveria ou não voltar para o quarto e continuar estudando até o dia seguinte amanhecer, contudo a vontade de ver um sorriso de surpresa no rosto do amigo a venceu. Abriu a geladeira e começou a preparar uma refeição para o dia seguinte, embora cansada e morrendo de sono, sentia-se motivada e animada.
No dia seguinte, Lee Young-Hee acordou com sua cabeça dolorida por cima de milhares de livros e cadernos, ainda com sua lâmpada do abajur ligado. Resmungou algumas palavras inaudíveis e se agitou na cama com certa sonolência, tinha ficado altas horas cozinhando e enfeitando a comida até estar completamente satisfeita com seu trabalho. Sem se importar com que horas eram, ou pelo simples fato de ser um sábado, mandou uma mensagem de texto para o amigo.
Young-Hee — “Bom dia oppa, dormiu bem?
Espere que você tenha o dia livre hoje, me encontre por voltas das 11h, pode ser?”
Não demorou muito para que recebesse uma mensagem de Jin de volta confirmando o horário. Focou-se o resto da manhã em arrumar-se e em embrulhar o presente de seu amigo, deixando de lado o fato de ter aula naquele dia e praticamente estar obrigando Jin a matar aulas.*
— Oh, você está bonita hoje. — o garoto analisou com um sorriso tímido enquanto estava parado na porta de sua casa.
Young-Hee abriu a boca e fechou rapidamente, sem saber como responde-lo e apenas sorriu timidamente de volta, afastando-se para que ele pudesse entrar.
— Bom dia — disse ajeitando seu vestido azul marinho enquanto o puxava para a cozinha, pegando a cesta de piquenique.
— Iremos a um parque?
Hee fez um biquinho. — Aigo, por quê você já acertou em cheio? Eu queria fazer uma surpresa ou algo do gênero.
O amigo sorriu acariciando o topo da cabeça da garota como se ela fosse um cachorrinho.
— Espere aqui, — ela resmungou ainda irritada por Jin ter descoberto o que ela planejava tão depressa — irei pegar o seu presente, ou será que você já sabe o quê é?
Um sorriso de canto surgiu na boca de Jin, que balançou a cabeça negativamente, achando a irritação da amiga engraçado. Depois de três minutos YoungHee retornou com um embrulho grande em um saco cor de rosa.
— Quer adivinhar o quê é? — perguntou desconfiada.
— Chocolates? — sugeriu.
YoungHee deu risada aliviada e se jogou nos braços do mais alto. — Feliz aniversário Jin.
O garoto desceu suas mãos para a cintura da amiga, a segurando enquanto a girava pela casa, ouvindo sua risada contagiante de perto, fazendo com que seu coração acelerasse alguns batimentos a mais.
— Pode abrir! — disse entregando a embalagem enorme para o amigo.
— Eu realmente não acredito, — Jin disse quando abriu a enorme caixa, depois de se livrar de todo o envelope rosa — ele é enorme! — disse como uma criança recebendo um presente de Natal enquanto analisava o Mario de pelúcia em seu colo. — Como você sabia que eu queria um Mario?
— Da mesma maneira que você adivinhou sobre o piquenique, bobo. — Hee disse com um sorriso de canto, feliz em finalmente poder ver o sorriso de Jin que a fazia querer seguir em frente. — Ande, temos um piquenique, não é mesmo?
“Você me fez de novo,
você me fez começar de novo.”
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