Say You Miss Me

2 Parte II - The Stars


Notas iniciais
Olá *-* Quero agradecer as pessoas que leram o capítulo anterior, saber que tem alguém, mesmo fantasminha, lendo isso me deixa feliz ♥. A ideia deste capítulo foi mostrar mais o lado do Jin, já que o capítulo anterior foi mais focado na YoungHee, e a partir daqui eu vou começar a colocar vários flashbacks na história. Por isso a ideia de passado/presente, pode ficar um tanto confusa, mas eu vou estar sempre procurando esclarecer nas notas finais. Boa leitura! ♥

Bangtan Boys — Jin

Say you Miss Me

Parte II — The Stars

"Mas nunca, nunca desista, a vida é uma grande gangorra

Há altos e baixos, até mesmo no mundo natural”

Kim SeokJin a conheceu no jardim de infância, contudo, sua memória mais forte dela da época de criança, foi quando foram assistir a peça de “A Bela Adormecida”. Lembrava-se como se fosse ontem de ver Lee Yong-Hee chorando assustada quando pensou que Aurora estava morta, segredou mais tarde para ela que uma das suas citações de teatro favorita foi a fala do príncipe quando encontrou a princesa dormindo.

Apesar de sempre ser um menino alegre e gentil, Jin tinha alguns problemas que evitava mostrar para os outros e até mesmo para sua melhor amiga. Sabia que era injusto, ela lhe contava tudo e ele contava tão pouco dele. Apenas não achava que fosse necessário lembrar de seus problemas quando estava perto dela, pois ela lhe passava uma aura de tranquilidade que ele gostaria que durasse para sempre. Contudo, nada era perfeito.

O senhor e a senhora Kim estavam passando dificuldades financeiras, e seu irmão mais velho estava pagando sua própria faculdade por isso não poderia ajuda-los. Assim seus pais não faziam mais nada além de trabalhar, comer e dormir. Seokjin mal os via, e isso o entristecia; compreendia a situação mas a falta de seus pais o magoava muito. A única coisa que lhe animava eram os discursos puros e inocentes de YongHee, alegando que todos deveriam seguir seus sonhos, ela costumava dizer que se todo mundo seguisse seus sonhos talvez o mundo fosse mais feliz. Ele sorria da inocência dela e de como ela falava séria, não discordava dela, apenas achava difícil todos terem ao menos a oportunidade de tentar. Apesar disto, ela fez com que ele descobrisse sua paixão por encenar quando o convidou para as audições de Sonho de uma Noite de Verão, não levou a peça a sério no começo, mas com o passar do tempo percebeu o quanto amou atuar, ainda mais ao lado dela.

O beijo numa das cenas finais da peça, pode ter sido um simples e rápido selinho, mas foi algo que o marcou fortemente. Esperava poder se declarar, e conseguir mais que um selinho da garota. Contudo, suas chances foram por água abaixo com o passar do tempo. Os pais de YongHee eram exigentes demais, sabiam que ela era esforçada e tirava ótimas notas, mesmo assim, ansiavam por mais e mais. Seokjin tentou explicar para ela que não poderia deixar seguir seus sonhos, da mesma maneira que ela falou para ele, e se surpreendeu ao perceber que a amiga chorava em seus braços. Nunca tinha a visto tão acabada, ele se culpava por não ter feito nada mais do que abraçar e dizer que tudo ficaria bem. Tudo poderia ser diferente.

Tudo começou a se assemelhar a uma piada de mau gosto quando descobriu que Ryu, seu melhor amigo, estava namorando com a garota. Já tinha ouvido a menina comentar com as amigas que achava garotos americanos atraentes, como o Zac Efron. Jin lembrava-se de revirar os olhos ao ouvir aquilo, tinha certeza que ele era muito mais bonito do que qualquer ator americano que as meninas de sua escola babavam. A única coisa que ele nunca iria imaginar era isso, seu melhor amigo, com a garota que ele era apaixonado. Nunca tinha visto os dois trocarem um olhar, um sorriso, nada. Hee nunca perguntou dele para Jin, e nem Ryu de Hee. Como raios os dois começaram a namorar do nada?

Por mais furioso que estivesse, Jin estava curioso, e sabia que algo estava errado nessa história. Acabou por procurar ocupar sua cabeça com outra garota, ele respeitava ela e suas decisões, não poderia obrigar a amiga a ama-lo da mesma maneira que ele a amava. Então apenas guardou seus sentimentos, segurando suas lágrimas e procurou esquecer. Seokjin sempre soube que Yui, uma garota japonesa que era amiga de YongHee, era apaixonada por ele, então resolveu finalmente dar uma chance a garota.

— Você e Yui unnie estão namorando? — lembrava-se de ouvir-la perguntar na saída da escola, se negou a acreditar que a menina estava com ciúmes, embora ela não procurasse sequer esconder a vontade que tinha de acertar o punho no rosto da “amiga.”

— É o que parece. — o garoto respondeu distraído demais para perceber que os olhos de YongHee transbordavam, a menina virou o rosto para que ele não a visse chorar.

— Espero que sejam felizes juntos. — sua voz saiu falha, e embora sentisse que iria desmoronar manteve sua postura até chegar em casa.

Todas as vezes que Jin a perguntava sobre Ryu, a garota não parecia animada em respondeu. Suas respostas eram sempre curtas e desanimadas, como se ela fosse obrigada a falar aquilo.

— Eu realmente me sinto feliz ao lado de Ryu, obrigada por se preocupar Jin. — detectava a mentira na hora, queria saber o por quê dela mentir, mas a menina aparentava estar tão abalada que ele prometia a si mesmo que não tocaria nesse assunto novamente.

Com Ryu era diferente, o amigo sempre que podia, pedia conselhos sobre Hee e resmungava da garota dizendo que detestava quando ela fazia um biquinho infantil, ou quando como detestava o fato de ela nunca demonstrar vontade por ter algo a mais com ele. Aquelas discussões irritava Seokjin, então ele apenas deixava o amigo falando sozinho.

Quando ele se tornou um trainee as coisas se complicaram em uma escala onze de zero a dez, ele se sentia cansado a ponto de dormir nas aulas, procurava trabalhar para ajudar os pais em casa, esquecia-se completamente de mandar um mensagem de boa noite para Yui, e mal falava com a antiga amiga. Os dias passavam rápido demais, e ele se sentia incapaz de dar conta de tudo ao mesmo tempo. Contudo, nunca se passaria sua mente que YongHee precisaria de sua ajuda naquele momento.

Quando ele acordou na sala de aula e não a encontrou ali, sentiu um vazio se apossar dele, como se algo estivesse faltando. Mais tarde Ryu o explicou que ela não estava se sentindo bem e foi embora, Jin estranhou mas resolveu não comentar.

De noite, quando seus pais chegaram do trabalho um casal bateu na porta de sua casa. E logo ele percebeu o que acontecia, Hee tinha desaparecido. Não soube como lidar com tal informação, milhares de ideias passaram em sua cabeça, nenhuma delas o agradava. A pior delas era suicídio, não, por mais problemática que ela fosse, YongHee não seria capaz de fazer algo assim. Ou seria? Sentia-se desesperado, perdido e desorientado. O quê diabos poderia ter acontecido o tempo que ele não esteve com ela?

— Seokjin, você saberia nos dizer onde nossa filha está? — a senhora Moon tinha os olhos pequenos inchados de tanto chorar, enquanto o seu marido estava sem expressão ao seu lado. De alguma maneira a senhora Lee sabia que aquele dia chegaria, parecia que tudo o que sua mãe tinha lhe falado se encaixava naquele exato momento. A avó de Young-Hee estava apoiando a garota.

— Não faço a mínima ideia. — o desespero era evidente em sua voz, ele também queria saber onde ela estava.

— Eu disse, — a mulher dizia aos soluços — disse que forçar aquele namoro era demais!

Foi como se o cérebro de Jin fizesse um click, era a peça que faltava para ele entender tudo o quê estava acontecendo. Por isso que Ryu sempre reclamava de sua amiga, ou que Yui evitasse olhar para YongHee ou porque ela matava aulas e fazia o possível tirar as piores notas possíveis em exatas. Ela estava tentando atingir seus pais com todas suas exigências e imposições, sua amiga não deveria ter aguentado tanta pressão. Naquela noite Kim Seokjin tentou mandar algum SMS para ela, esperando que ela respondesse.

Jin — “Podemos conversar?”

Demorou alguns minutos até que ele recebesse uma mensagem de um número não identificado, um alívio tomou conta de seu peito, ao menos ela estava viva. Contudo, não queria ser rastreada.

ID Desconhecido — “Olhe sua bolsa,

desculpe-me

sayonara”

Seokjin franziu a testa, e por impulso começou a vasculhar sua bolsa até achar um pedaço de papel cor de rosa, era do caderno de YongHee, a própria caligrafia era de YongHee. Sentiu seu coração se apertar em seu peito ao ler o pequeno bilhete.

“Acredito que nunca tive uma oportunidade para te dizer isto,

espero que me perdoe pelo que farei,

também espero que se lembre de mim apesar das minhas burradas.

Eu te amo, Kim SeokJin”

[...]

“Mesmo se você estiver no último lugar agora, se você tem um sonho então tudo bem

Por isso, nunca desista, nem sequer pense nisso”

Sentia-se como se já não estivesse mais em seu quarto, e sim preso em suas lembranças de meses atrás. Podia senti-las como se realmente pudesse revive-las. Fechou seus olhos enquanto procurava respirar fundo.

Franziu a testa, olhou novamente para a amiga a sua frente, como se mentalmente a perguntasse se a garota realmente queria dizer aquilo.

— Por quê está me chamando?

A menina abriu a boca surpresa, a frase de Jin tinha soado um tanto grossa, e ela não esperava que ele fosse falar assim com ela algum dia.

— Me desculpe. — abaixou a cabeça envergonhado por ter sido grosso com a garota, não conseguia parar de se culpar por ser um péssimo amigo para ela, queria obrigar-se a entender que ela estava namorando seu melhor amigo, e que isso fazia com que ele perdesse todas as chances que um dia ele poderia ter com ela. Sentia-se extremamente egoísta.

— Eu só queria viajar para o Japão com você, — a voz da garota soou abafada — era nosso sonho quando criança, lembra?

Não pode evitar um sorriso no canto de seu rosto, seria impossível não se lembrar das ideias mirabolantes que tinham na infância. Conversavam sobre arrumar dinheiro, fazer uma mala e fugir, com o intuito de viajar ao redor do mundo, sem todo aquele estresse de ser o melhor em tudo e estar sempre preso a livros e cadernos. Era até estranho pensar em como tinham se distanciado deste pensamento com o passar dos anos.

— Você pode chamar Yui unnie — a garota afastou o cabelo de seu rosto — minha tia tem uma casa na praia lá, vai ser legal passar as férias em um lugar tranquilo.

Seokjin lembra-se de ver um sorriso forçado no rosto da garota enquanto ela se virava para ir embora, algo no seu interior gritava para agarrar sua mão e abraça-la, de alguma maneira, ele sabia que tudo o quê ela mais precisava naquele momento era um abraço, contudo não o fez. Seus pés se prenderam ao chão, e enquanto seus olhar estava no vulto da garota se distanciando pela rua seu coração batia fora de ritmo.

O dia da viagem não demorou a chegar.

Sua namorada sentia-se animada para viajar com ele pela primeira vez, hora ou outra manda uma mensagem para o garoto dizendo que mal poderia esperar para o dia chegar. Diferente de Yui, ele estava com a mente submersa em seus próprios problemas, a tensão por conta dos estudos e trainee ao mesmo tempo, e sua constante preocupação com YongHee.

No dia da viagem sua amiga sentou-se ao seu lado na poltrona do avião, e do seu outro lado Ryu, que o encarava furtivamente como se estivesse com algumas palavras entaladas na garganta. Lee Yong-Hee adormeceu o vôo inteiro, o que impossibilitou Jin de tentar conversar com ela, a garota parecia estar tão acabada que ele não tinha coragem de acorda-la, nem mesmo quando o avião pousou. O que mais surpreendeu Jin naquele dia foi a lembrança de Lee Yong-Hee ao encontrar sua família por parte de pai no aeroporto, o rosto dela não esboçava um sorriso sequer, não sabia dizer se ela não gostava da família do pai, ou se era o contrário, contudo o clima no local ia além de “tenso”.

O restante da viagem até a casa foi de carro, a garota sentou-se ao lado do namorado, colocou os fones de ouvidos e tornou a adormecer. Ryu, ao seu lado, praticamente não conseguia controlar sua raiva. A indiferença da garota para com ele o tirava do sério, ele queria que ela a tratasse como todas as outras garotas, contudo ela nem parecia se importar com a popularidade do namorado. Quando chegaram na casa Ryu a acordou com o puxão no braço, Seokjin nunca tinha visto a garota tão irritada quanto naquele dia, os olhos castanhos da menina fuzilaram mortalmente o namorado até ela rebater com um tapa em seu braço. As pessoas ao redor se assustaram, isto fez com que a menina se controlasse e saísse do carro.

Passou basicamente a manhã inteira em seu quarto, alegou que iria arrumar as suas malas, contudo apenas a largou em algum canto do quarto e tornou a se deitar olhando para a vista da janela. Não queria estar viajando para o Japão, não queria estar com a família de seu pai e muito menos queria estar próxima de Ryu. Toda a tensão dos últimos dias vinham se acumulando e ela só sentia aliviada enquanto estava dormindo ou ouvindo música, eram os únicos momentos em que as pessoas não a incomodava.

— Filha? — sua mãe bateu na porta de seu quarto quando já se aproximavam das duas da tarde — Estou preocupada, você não comeu nada até agora e sequer saiu de seu quarto.

— Apenas estou cansada omma. — disse sem se virar para encarar a mãe.

— Você dormiu a viagem inteira — ela quase que exclamou, suspirando — Ryu, Seokjin e sua amiga estão se reunindo para darem uma volta pelo bairro, tome um banho e vista algo para acompanha-los.

Isto fez com que a garota se levantasse, ainda que obrigada, e tomasse um banho quente. Como naquela época do ano era verão no país, acabou vestindo uma camiseta azul escuro com mangas caídas deixando os ombros a mostra e um short jeans preto. Penteou de leve seus cabelos e calçou um converse simples. Pegou seu celular e fones de ouvidos e se dirigiu até a sala, onde os demais já a esperavam.

— A sua roupa não está um pouco…? — Ryu disse ao perceber o olhar de Jin na garota.

— Não, não está. — respondeu com certa grosseria.

— Certo, já que estamos todos aqui, vamos sair.

Os quatro adolescentes saíram da casa e começaram a caminhar pelo bairro, um tanto que isolado e silencioso, conversando enquanto a garota procurava não manter muito assunto, respondendo-os com palavras e frases curtas.

— Uma sorveteria cairia bem. — Jin anunciou ao passarem pela loja, os demais concordaram e entraram no local, logo arranjando mesas para se sentarem.

Novamente tornaram a conversar sobre coisas banais enquanto uma garçonete os atendia, Yui apoiava sua cabeça no ombro de Seokjin enquanto sorria, Yong-Hee não queria admitir, mas ver aquilo se assemelhava a uma tortura. Sentiu-se aliviada quando seu celular começou a tocar e ela teve uma desculpa para sair do local.

— Alô? — disse quando já se encontrava afastada da sorveteria, sentada em um banquinho do outro lado da rua.

— Por acaso, é desta maneira que se atende a sua avó? — uma voz familiar do outro lado da linha a acalmou, por fim sorriu dele ao lembrar-se da única pessoa que acreditava nela de verdade. — Tenho boas notícias filha.

— Como assim? — a garota franziu a testa, olhando disfarçadamente para a sorveteria, sentiu seu olhar se encontrar com o de Jin, de alguma maneira ele sabia que algo não estava correndo muito bem. Desviou o olhar evitando pensar nele no momento.

— O intercâmbio para os Estados Unidos, pelo que me parece você passou na melhor classificação na prova. Parabéns, sempre soube que você conseguiria.

Aquelas palavras fizeram com que os olhos da garotas começassem a transbordar e um nó enorme surgisse em sua garganta.

— Obrigada, vovó.

— Não quero que fiquei chorando feito um bebê, — sorriu torto ao ouvir aquilo — não se esqueça que eu acredito em você querida, fighting!

Era como se finalmente depois de tempos ela pudesse sorrir de verdade.

“Não importa o que aconteça

Se você olhar para cima

Uh, as estrelas estão brilhando

Então, ficaremos bem”

Notas finais
Explanação -> Este capítulo começa um pouco antes - seguindo a linha do tempo - que a narração da YoungHee no capítulo passado e até a primeira quebra de tempo "[...]" refere-se a época da fuga dela, depois da quebra de tempo são flashbacks do Jin sobre a YoungHee durante a viagem ao Japão. Espero que tenham gostado! Até semana que vem. ♥