Say Something
13 Chapter Twelve
Notas iniciais
Eu estava terminando de ajudar Scorp a se arrumar quando a lareira fez um barulho abafado, mas consegui ouvir do andar de cima. Potter estava provavelmente lá embaixo para receber os convidados.
— Faz tanto tempo que não vejo o tio Zabini! Ele nunca vem visitar a gente, por que papai? — o loirinho me questionava depois que contei a ele sobre quem viria visita-lo.
— Tio Blaise é uma pessoa muito ocupada, cobrinha. Ele quase não para em um país, então fica bem complicado para ele vir nos ver.
Ele não pareceu convencido, mas tão pouco quis discutir. Era obvio a ansiedade para ver seu tio, e eu também admito, estava morrendo de saudades do meu amigo.
Assim que terminei de pentear os seus cabelos ele saltou da cama e correu escada a baixo. E eu o segui, é claro.
Mal coloquei meus pés ao começo da escada e já pude ouvir a algazarra que meu filho fazia com Blaise, Pansy, Potter e as outras crianças.
— Tio Draco! – elas me receberam com um caloroso abraço, mas logo me deixaram de lado e seguiram para a caixa de brinquedo de Scorp.
Blaise não havia mudado nada, talvez um pouco mais forte e o formato da sobrancelha também parecia diferente.
— Nem pense em fazer algum comentário ácido sobre mim, Zabini, antes de me dar um abraço – ordenei, e ele riu, vindo ao meu encontro.
— Como tem andado a vida de doninha de casa? — cutucou ainda enquanto o abraçava.
Revirei os olhos.
— Vá se catar, Blaise. Você some por MESES sem dar notícia, ou mandar seu novo número, endereço... Qual a droga do seu problema?!
— Aposto 5 galeões que o Draco faz o Zabini chorar em cinco minutos – ouvi Pansy murmurando com Potter no canto da sala.
— E eu em três.
Filho de uma mãe.
Voltei a ignorar os dois e encarar meu amigo.
Ele ficou em silencio por algum tempo, mas quando falou suas palavras estavam pesadas.
— Eu realmente precisava desse tempo, Draco. Você se lembra como foi a nossa última chamada de vídeo...
— Ninguém poderia prever que Potter fosse trazer a cenoura para jantar conosco justo naquela hora.
— Eu sei, eu sei. Mas não foi nada fácil ver ele depois de tanto tempo.
— Blaise, você precisa saber...
— Vamos mudar de assunto. Temos coisas bem mais sérias para conversar no momento.
Eu tentava contar a ele a anos sobre o divórcio do Ronald, mas ele simplesmente se negava a ouvir qualquer coisa relacionada ao ruivo.
Suspirei, apontando o sofá para que sentássemos enquanto as crianças iam brincar no jardim.
— Então, qual foi o motivo para tanto alvoroço? — questionou enquanto terminávamos de nos ajeitar.
Troquei um olhar com Pansy e Potter, e ele entendeu que deveria falar.
— Pansy foi atacada – sua boca se abriu em um “0” mas ele não teve muito tempo antes de Potter continuar – foi atacada por um ex-comensal de Voldemort.
— Que?! Mas como vocês não me contaram isso antes? Tinham que esperar todos esses dias? Qual a droga do pro...
— Abaixa o fogo Zabini, eu estou bem. Draco me ajudou e agora estou ótima e sedenta por sangue. Então fique quieto e escute.
Era obvia sua contradição, mas resolveu ouvir o resto da história.
Potter suspirou antes de continuar.
— Pelo que sabemos até agora, alguns ex-comensais de um ciclo mais secreto ainda de Voldemort andam soltou por aí, normalmente. São pessoas que ninguém nunca desconfiou ser seu seguidor, e isso torna tudo muito mais difícil. Pansy foi atacada pois foi julgada como uma traidora de sangue por eles, e infelizmente achamos que esse ataque não foi o último.
Seu olhar passou por cada um de nós, logo depois se perdendo pela porta que dava para os jardins, onde as crianças estavam brincando.
— Isso quer dizer que todos, TODOS vocês estão correndo perigo.
— Sim, eu, Pansy, Potter, Os Weasley, as crianças e você.
— Eu? Eu sou o que menos importa aqui, eles não têm motivos para me fazerem mal.
— Na verdade, a sua cabeça é um troféu Zabini – olhei meu amigo nos olhos – se você não tivesse ouvido atrás da parede da mansão quando éramos pequenos o plano que eles tinham para matar Sirius, e contado ao Ronald, Sirius estaria morto. E pode ter certeza que eles vão descobrir isso, claro, se já não tiverem descoberto.
A sala ficou em silencio por um breve momento que na verdade pareceu uma eternidade. Nos encarávamos, sem saber o que dizer, e a aura pesada e tensa estava nítida de tão forte.
Sentíamos medo, receio, raiva, saudades e outras milhares de coisas. Afinal, que desgraça de situação foi a que presenciou o nosso reencontro. Mesmo depois do fim de todo aquele tormento chamado guerra, de tudo o que já havíamos enfrentado, mascarado e sofrido, agora tínhamos que lidar com algo que não atingiam apenas a nós, mas aos nossos filhos e amigos, e isso era tão doloroso que eu não poderia nem pensar em ceder, pois caso isso acontecesse eu sabia que não conseguiria me recompor.
— Papai! Papai! Posso mostrar minha nova amarelinha pros primos?! — o loirinho adentrou correndo a sala, com os cabelos bagunçados e vermelho. Era incrível como eles conseguiam viver quase em um mundo diferente com tanta inocência.
— Que tal colocá-la em uma bolsa? Já estamos indo para a casa dos seus tios. Podem brincar com ela lá.
Meu filho pareceu satisfeito e puxou os primos para o andar de cima.
— Onde vocês estão indo? — a pergunta de Blaise foi desconfiada.
— Nós, meu querido – Pansy o respondeu, colocando sua mão entre as dela – vamos até a mansão Black, onde teremos uma tarde superinteressante com quadribol, boa comida e discussões sobre uma Ceita que quer nos matar – terminou a frase sorrindo, enquanto Harry se engasgava com qualquer coisa que ele estivesse tomando.
Pansy não havia deixado margens para que Blaise se esquivasse. Sabíamos o quão complicado seria para ele reencontrar Ron, mas quem sabe no meio de todas aquelas pessoas, ele não o escuta por alguns segundos?
Eles voltaram para a casa da minha amiga a fim de arrumar as coisas, e fomos fazer o mesmo.
— Toalha de banho? A do Scorp também? — checada com Potter se ele havia pego todo o necessário.
— E a sua também.
— Ótimo. Poção repelente? Pegou as bebidas? Você não esqueceu de comprar o suco de abóbora, né?
— Suco, torta, roupas extras, tudo certo. Podemos ir agora?
— É papai, podemos ir agora?
Os dois me olhavam da sala, já que eu estava na escada que dava para os quartos, com aquela cara de cachorro molhado.
— Claro, vamos. Eles já devem estar chegando também.
Ajudei eles com as coisas, mas antes de chegarmos perto da lareira, comentei.
— Tem certeza de que não está esquecendo nada, Potter?
Ele revirou os olhos, me olhando como se quisesse me jogar no fogaréu.
— Sim, Draco, certeza.
— Tudo bem. — ele pegou o pó de Flú — mas me diga, como pretende jogar quadribol sem vassouras?
O almoço estava realmente agitado. Todos os Weasley já estavam lá, com exceção de Ron e Hermione. Fred havia comentado que Potter contou ao amigo sobre Blaise, e ele estava receoso, mas Hermione o faria vir.
Pansy também estava ligeralmente atrasada, mas com aquelas três pestes como filhos isso era bem aceitável.
Scorp e os primos brincavam com a amarelinha mágica enquanto Ginna me ajudava com a mesa. Molly havia passado ali e pego Harry e Thonks para ajudar na cozinha. Claro que Remus expulsou Sirius de lá novamente, e ele agora observava sem levantar nenhum dedo enquanto trabalhávamos.
— Sirius, você pode fazer o favor de vir nos ajudar? — Ginna já estava a ponto de explodir. Ela misturava algumas folhas para a salada e eu terminava de arrumar a toalha de mesa.
— Não — e se levantou, indo brincar com as crianças.
Realmente, Remus Lupin iria direto para o céu.
— Acho bom que não tenham começado a comer sem a minha presença! — Pansy passou pela cozinha, chegando até o jardim com suas crias cercando suas pernas. Eles ma-le-má chegaram e correram para brincar com as outras crianças. Luna vinha logo ao seu lado, com Scarlett no seu colo.
— Mamãe, eu quero ir com os irmãos!!! — ela se jogava de um lado para o outro, mas Luna sempre conseguia segurá-la.
Procurei por Blaise e não o encontrei.
— Pensávamos que iria nos agraciar com a sua não presença — Ginna falou, abraçando as amigas.
— E perder todos os mimos que vocês estão tendo comigo? Nem que me pagassem.
Luna colocou a filha no chão, que correu em direção a Sirius que brincava de fazer aviãozinho com as crianças.
Louco.
— Pansy...
— Interditaram ele na cozinha. Sabe, todo mundo quer lhe dar um abraço e ouvir as histórias dos países que ele morou. Desista, ele não precisa de nós tão cedo.
Respirei, um pouco mais aliviado. Pelo menos ele não havia desistido de vir. Esse assunto era de importância para todos, e eu não suportaria ver meu amigo desavisado sobre o que pode acontecer com ele.
Estava quase no horário do almoço e nada daqueles dois. Fred havia dito que eles viriam, mas antes que pudesse terminar a frase Molly veio obrigá-lo a descascar batatas.
Blaise nos ajudava a levar as coisas até a mesa, Luna, Harry e Lino brincavam com as crianças enquanto os outros terminavam o almoço e íamos abastecendo a mesa.
Embora tudo naquele momento me deixasse seguro, a cada dois minutos meus olhos buscavam por Scorp, e eu sabia que os outros faziam o mesmo com os filhos. O clima, embora camuflado, era de pura preocupação.
— Blaise? Quanto tempo! Você não mudou nada! – Hermione foi diretamente abraçar Zabini assim que entrou no quintal. O abraço durou alguns segundos.
— Posso dizer o mesmo sobre você, mas me diga, como andam suas pestes?
Blaise conseguia notavelmente disfarçar seu desconforto, não por Hermione, é claro, mas pelo fato de saber que se ela havia chego, ele também havia.
— Me deixando louca, as vezes eu me questiono por deixar os genes dos gêmeos se reproduzirem, mas eu os amo mesmo assim. E como anda essa vida de nômade?
Desviei da conversa dos dois, lançando um olhar para Parkinson, que logo entendeu.
Fui para dentro da mansão, procurando pelo ruivo, que parecia querer prolongar uma conversa sobre tipos de cascas de pão com Thonks.
— Claro, claro – ela respondia sem prestar nenhuma atenção, enquanto mexia uma geleia.
— Ronald, não vai cumprimentar as pessoas que estão lá fora? — ele deu um pulo ao me perceber.
— Por Merlin, Malfoy, quer me matar do coração? Além do mais, eu e Thonks estamos tendo uma conversa superinteressante...
— Por Hufflepuff Draco, tire esse garoto daqui.
— Hey!
— Vamos, precisamos ter uma conversa – o puxei para a sala de estar, que estava deserta.
Ele se sentou em uma das poltronas, respirando fundo.
— Não estou pronto para isso, Draco. Não é segredo para ninguém que eu ainda não o esqueci. E não é segredo para ninguém que ele me odeia. Como posso encarar isso? É impossível!
Ron estava alarmado. Olhava para os lados, balançava as pernas.
— Weasley, se acalme. Vocês não precisam conversar, apenas o comprimente e pronto. Vocês não podem fugir disso a vida toda.
— Ele... Ele falou alguma coisa sobre mim?
— Eu sei que ele queria muito ter perguntado sobre você.
Ronald continuou sentado, parecia ponderar entre sair ou não.
— Vamos, eles logo vão servir o almoço. Temos milhares de coisas para resolver, um jogo de quadribol para jogar – falei enquanto o enxotava do sofá e o guiava até a porta que separava a cozinha e o quintal — e além do mais, temos que contar a um tal sonserino que você está solteiro! — não lhe dei chance de discutir, o puxando para a mesa.
A mesa agora havia sido transformada em uma grande mesa de madeira e uma ligeralmente menor para as crianças. Pansy terminava de ajeitar Scarlett na cadeirinha ao lado da sua cadeira quando chegamos. Os lugares estavam postos, a comida terminando de ser levada para lá e todos conversaram animadamente fingindo ignorar a presença de Ronald.
Luna saltou do lado da esposa e veio até nós.
— Ronald, querido, estamos a sua espera – ela o tirou de perto de mim e o levou diretamente para o seu lado da mesa. Zabini estava sentado ao lado de Pansy.
— Alguma sugestão do que pode acontecer agora? — Potter surgiu ao meu lado, com os braços cruzados e assistindo a cena como eu.
— Sim, Zabini vai cumprimentá-lo como se fossem apenas conhecidos e seguir com a vida dele, mesmo que por dentro ele esteja destruído.
— Vocês têm algum tipo de aula de como mascarar qualquer coisa e sair por cima de toda situação na sonserina? — ignorei seu comentário e fui me sentar ao lado de Zabini, Potter se sentou ao lado de Ronald.
Agora as crianças brincavam na sala de estar com algum jogo doido dos gêmeos, o que era preocupante.
Depois que terminamos de lavar a louça, Sirius fez um sinal para que nos reuníssemos na sala de tapeçaria, onde antigamente eram feitas as reuniões da Ordem da Fenix.
— Acho que todos vocês já estão sabendo dos eventos que nos levaram a essa reunião, inclusive o nosso mais novo membro, Zabini.
Blaise assentiu para que Sirius continuasse.
— Devido as pistas que conseguimos recolher e analisando alguns dos fatos, chegamos à conclusão de que conseguiríamos mais informações se não nos focássemos apenas em Londres. Portanto, amanhã eu parto em viajem em busca de mais depoimentos ou ataques que possam estar acontecendo em outras partes.
Percebi a tensão em Remus enquanto o marido comunicava a decisão.
—Porém, o que mais precisamos agora é que todos vocês que sejam daquela coisa lastimável chamada Sonserina...
— É sério?! — Pansy rolou os olhos.
— Você não se cansa? — perguntei, quanto Blaise murmurou algo para Pansy.
— Continuando – Sirius, como sempre, não se importou com os nossos protestos – o mais importante é que vocês se mantenham seguros e atentos a qualquer coisa que possa sequer parecer estranha. Mesmo que pareça uma bobagem, qualquer mínima coisa que possa parecer fora do normal deve ser comunicada a nós, entendido? — o olhar dele parou em cada um de nós até que concordássemos.
As crianças estavam totalmente alheias a tudo o que estava acontecendo, e isso já era um alívio para todos nós. O pessoal que ia participar do jogo se preparava e estavam testando as vassouras, mas não consegui nem ao menos prestar atenção nisso. Potter estava, como sempre, se vangloriando dos seus dons como apanhador fazendo graças para o nosso filho lá de cima.
— Ainda não acredito que Pansy conseguiu convencer Blaise a participar do jogo, e ainda no time contrário do cenoura – comentei com Hermione e Lilá enquanto nos servíamos de uma limonada feita pela loira.
— Até parece – ela respondeu revirando os olhos – que você não sabe o quão competitivos vocês sonserinos são.
— Realmente – Lilá completou – acho que vocês fazem qualquer coisa pra sair por cima.
— Então me digam, garotas. Qual a casa tem mais pessoas se mostrando antes do jogo começar? — franzi a testa ao direcionar a pergunta a elas.
Caímos na gargalhada.
Estava tentando focar no momento, em aproveitar aquela família gigantesca e maluca que era a minha e deixar toda aquela porcaria de lado, mas era difícil, muito difícil.
Sirius, que se autointitulou juiz da partida, chamou a atenção de todos nós.
— Vamos lá, seus bandos de perdedores. Vamos começar esse jogo!
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